Não sei se todos sabem, mas 'nasci e me criei em Porto Alegre'... e como uma boa gaúcha nascida da década de 1970 pra cá, tenho altas doses de rock'n roll nas veias. É claro que sempre ouvi de tudo um pouco, com pais que colocavam óperas, sinfonias e tangos às alturas nos domingos de manhã e tios que me apresentaram o melhor do samba: Clara Nunes, João Nogueira, Martinho da Vila, Beth Carvalho e toda a turma que não podia faltar aos churrascos da família nos finais de semana. Adorava, sambava, curtia, cantava, mas os irmãos mais velhos estavam ali, trazendo toda a sorte de novidades em LPs de rock comprados nas Casas Coelho, antiga mega-loja de discos de uma galeria da Rua da Praia, no Centro.
A guria foi crescendo, virou adolescente e se aglomerou com uma turma que ouvia de Led Zeppelin a Nei Lisboa. Mergulhava nos clássicos Pink Floyd, Rush, Mutantes, Dire Straits, descobria os novos Paralamas e Legião, além de se esbaldar com a rapaziada da vanguarda paulista! E, acompanhando todo esse movimento, nasceu a Ipanema FM, uma rádio comercial, mas livre de jabá, que sempre teve liberdade pra tocar rock - do antigo à vanguarda - com programas criativos e vozes inesquecíveis, como a da Katia Suman, que virou um ícone da rádio com o seu programa Eclética Ótica e tantos outros que pilotava por lá. E a Ipanema tinha transmissões ao vivo de shows, promoções, entrevistas, enfim, a rádio perfeita.
No início da década de 1990, alcei voo para o Rio de Janeiro e conheci um mundo diversificado e complementar. Aprendi que bergamota também se chama tangerina ou mexerica e que a mistura de culturas é o sumo do Brasil, muito bem sintetizado no Rio - que ainda tempera o 'brasileirismo' com fortes levadas internacionais. Conheci Caju, Graviola, Maracatu e Choro. Caí de boca no Samba de Raiz e na Black Music e fui virando uma salada sonora, prestando atenção em tudo. Mas a base continuava o rock.
Há alguns dias, ganhei de presente o disco ‘Dèja Vu’, do Crosby, Stills, Nash & Young (1970). Funcionou... Dèja Vu mesmo! Fiz uma viagem ao passado, cantarolei melodias que estavam pregadas na minha cabeça, mesmo que eu tivesse passado muitos anos sem lembrar que elas sequer existiam. Uma mágica que me fez ouvir mais de dez vezes seguidas o disco. "Our house, is a very, very, very fine house...”Cantei de fone, sem fone bem alto, imitando tocar teclado, air guitar. E chorei ouvindo ‘4 + 20’. Saudades da infância e adolescência, saudades de Porto Alegre e... da Ipanema FM, claro!
Será que consigo acessar a rádio do meu computador? Pois fui às buscas e cá está: http://www2.uol.com.br/ipanema/new/player.shtml. A proposta segue firme: muito rock de qualidade excelente. Só o filé de cada time. No primeiro acesso já ouvi Dire Straits, REM, Raul Seixas, Elvis Presley, Secos & Molhados e fui me empolgando. Novidades na programação? Sim, 'A Vez do Brasil' toca muito som brazuca, de D2 a Simonal, incluindo instrumentais. E pra mostrar que a ‘Escola do rock’ é livre e eclética, o programa ‘Iô Iô’ arremessou uma sequência de Louis Armstrong pra começar bem o dia. Lá pelas tantas, anunciaram a festa de aniversário de 26 anos da rádio. Estão em plenas comemorações, com vários shows, eventos esportivos, tudo apresentado com aquele sotaque que mexe na saudade. A Rádio Ipanema é parte da minha base musical, parte da minha história. Quem gosta de música de qualidade ouve e se sente em casa. E 'our house is a very fine house' mesmo. Parabéns Ipanema!
Grande Val! Adorei ler esse relato sentimental sobre a rádio. Ah como elas podem fazer diferença nas nossas vidas, né? Pena que aqui no Rio as coisas "radiofônicas" andem meio ruins. Conheci muita música ouvindo rádio e tenho saudade dessa época também. E confesso que ouvir rádio via internet ainda não é algo que faça com naturalidade. Mas é ótimo saber que a opção boa de Porto Alegre está disponível assim! Beijo
Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 16/11/2009 10:01
Helena, querida!! :)
Pois é, também adoro ouvir rádio e conhecer novidades musicais! Gosto da linguagem. Uma rádio de bom gosto você não tira do dial. Ouço muito no carro, pena que só dê pra sintonizar as rádios locais.
Agora estou começando a garimpar as webradios e tem umas bem legais. A tendência é crescer este mercado, pois muita gente fica bastante tempo em frente a um computador, além da tecnologia de transmissão ser bem mais livre e acessível, incomparavelmente.
E fiz esse texto apaixonado porque a Ipanema, realmente, é parte da minha adolescência, traz uma nostalgia boa, além de ter um conteúdo difícil de se ouvir por aí.
Um beijo, flor. Obrigada pela visita e pelas palavras :)
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