Iron Maiden - Manaus abre turnê no Brasil

Yusseff Abrahim
1
Yusseff Abrahim · Manaus, AM
16/3/2009 · 146 · 7
 

Música como meio de estimular sensações, provocar reflexões e vivenciar experiências por meio das imagens que nossa imaginação constrói. Este pode ser o resumo óbvio do show do grupo inglês Iron Maiden em qualquer lugar que se apresenta. Mas quando a banda, com aniversariante da noite, o baixista Steve Harris, entrou no palco e a voz de Bruce Dickinson ecoou no Sambódromo de Manaus ascendendo um coral de cerca de 20 mil pessoas, iniciou-se de modo automático um processo incomum que refletia a maior contribuição que o evento trouxe para cada espectador manauara: a injeção de uma barulhenta e vibrante dose de auto-estima.

Parte do orgulho vem da importância da banda na cena mundial. Lançando CD ou não, o Iron Maiden se mantém no auge e escolha de Manaus para abrir a etapa brasileira da turnê mundial Somewhere Back in Time coloca a cidade onde o amazonense gosta: o centro de convergência de região. Aguardando o início na pista, o estudante acreano Luis Felipe,21, disse ter vivido a emoção o show logo após a aterrissagem em Manaus, enquanto o avião que o trazia de Rio Branco taxiava na pista. “Foi só alguém gritar ‘Olha o avião do Iron Maiden!’ e praticamente todo mundo que estava do lado esquerdo se levantou das poltronas para olhar pelas janelas do outro lado, a tripulação teve que pedir pra que todo mundo sentasse mas ninguém mais se segurou, todo mundo queria descer”, revela. Ainda na sala de desembarque, acompanhado por mais dois amigos, desceram escadas de acesso à pista para tirar foto do Ed Force One, mas foram impedidos por funcionários da Infraero. “O cara gritou que se a gente corresse nós seríamos detidos e não veríamos nem o show. Voltamos na hora (risos)”.

Colado na grade da área SuperVip, em frente ao palco, um grupo de seis amigos de Rondônia ostentava a bandeira do estado. Entre eles, o acadêmico e guitarrista Felípe Aníbal dizia-se realizado por estar assistindo a banda pela primeira vez. “Conheci o Iron aos 10 anos, foram eles quem me despertaram amor pela música e a vontade de aprender a tocar um instrumento”, afirmou, destacando ainda a ansiedade por ouvir The Phanton of Opera, a novidade no setlist da turnê em relação a 2008. Após uma viagem de 12h de ônibus de Boa Vista para Manaus, o roraimense e estudante de administração, Alexandre Barbosa, 23, lembrava do tempo em que conheceu o som da banda. “Curto rock desde os tempos de colégio, quando reuníamos amigos nos finais de semana para escutar CDs, o Iron Maiden sempre esteva entre os favoritos.

O empresário João Dumont, 35, traduziu o sentimento manauara por poder assistir ao show na própria cidade. “Sempre viajamos para ver o Iron, não importava onde nossos ídolos estivessem, mas por mais que nos juntássemos em até 40 pessoas, sempre faltava um amigo ou outro para compartilhar o momento, hoje tá todo mundo aqui”, diz João, que ainda brincou. “Já vimos a banda em Londres, Rio, São Paulo e agora quem dizia, estamos assistindo Iron Maiden aqui na Alvorada (bairro) e quando a festa acabar não vou precisar ir para o hotel”.

Após o final do show, durante a convergência de roqueiros que se formou no bar de rock Porão do Alemão, o vocalista da banda Barfly’s, Sandro Sasso, resumiu o sentimento vigente. “Se há um ano alguém me dissesse que o Iron Maiden viria tocar em Manaus eu iria rir na cara. Mas hoje os caras vieram, estamos no circuito e queremos mais”, comentou no microfone.

Na noite seguinte, já na sexta-feira (13), a cidade ainda vivia sua eufórica ressaca. O show era assunto em todos os lugares. Morando em Manaus, o advogado paraense Rodrigo Porto, 32, exaltou o orgulho como nortista. “Fiquei orgulhoso de ver a coragem de pessoas daqui metendo a cara para trazer essa banda e constatar que tudo deu certo”. Ainda em êxtase por ter visto os ídolos pela primeira vez, o estudante de publicitário Bruno Uchoa, 24, tentou traduzir o que ainda sentia. “Ainda trago comigo a sensação de estar no show, sem dúvida foi, ou ainda ‘está sendo’ uma noite inesquecível (risos)”.

Um mergulhando no setlist

No show, a banda apresenta sucessos destilados em 30 anos de carreira de uma experiência musical que incorpora arte e História ao Heavy Metal. Guerras, medo, loucura e a relação do homem com o poder ou com a religiosidade são temas recorrentes e elaborados com a complexidade digna das referências que utilizam para compor. São músicas inspiradas em obras de autores como Willian Shakespeare, Edgard Allan Poe, clássicos do cinema, passagens bíblicas, séries famosas de TV e acontecimentos históricos como o processo de colonização e capítulos marcantes da I e II Guerra Mundial.

O show inicia sob o pronunciamento histórico de Winston Churchill chamando a Inglaterra à luta para evitar a invasão nazista, o riff de ACES HIGH (Altura dos Ases) inicia a catarse. Na música, você é um integrante da força aérea inglesa que ouve a sirene das baterias anti-aéreas e precisa correr com seus companheiros para dentro das cabines do seus aviões-caça Spitfire. O ataque nazista é iminente, logo, seguindo o pragmatismo do refrão não há garantias de retorno: Corra! / viva para voar / voe para viver / faça isso ou morra. A letra retrata a tensão ultra-adrenalizada dos preparativos e da batalha aérea em si, enfatizando detalhes desde os preparativos do destravar das rodas e acionamento dos motores à tomada de velocidade na pista de decolagem. Lá em cima, a descrição das manobras em sequência para atirar e neutralizar o bombardeio dos eficientes caças alemães Messerschmitt: Subindo e girando nossos Spitfires para encará-los / indo em direção a eles / eu aciono minhas armas. A música revive a Batalha da Inglaterra , quando caças ingleses neutralizaram o ataque que iniciaria a invasão nazista na ilha.

Continuamos na guerra. Na segunda música, TWO MINUTES TO MIDNIGHT (Dois Minutos para a Meia-Noite), uma letra das mais emblemáticas cantada em primeira pessoa traz um conjunto de referências complexo e superlotado para um soldado que aguarda os últimos dois minutos antes do início de um confronto. A letra parece retratar a torrente de pensamentos fruto da ansiedade e a busca desesperada por uma justificativa para estar ali. Nessa agonia, nosso personagem evoca o Ganso Dourado, lenda infantil escrita pelos Irmãos Grimm no séc. XIX, como símbolo da sorte que precisa encontrar para sobreviver. O conflito pessoal revela um veredito de traição do homem frente a qualquer sentimento de humanidade pelo que estar por vir: Algum orgulho sombrio ainda queima dentro / nessa casca de traição sangrenta / Aqui está minha arma para um pouco de diversão / Para o amor dos mortos vivos.

Todos são mortos-vivos na guerra onde a compaixão se torna risco e a agonia do soldado o leva a demonizar o oponente como justificativa para a matança. No seu delírio pessoal, enebriado pelo sadismo que precisa nutrir como fuga, lembra dos gritos e das pessoas cobertas por chamas no histórico bombardeio de Napalm, na guerra do Vietnã, assim como o campo de concentração nazista de Belsen, construído em 1940, como um exemplo de festa a ser repetido. Os cegos gritam deixam as criaturas saírem / Nós mostraremos aos descrentes / O gritos de Napalm de tocha humana / Em uma festa de primeira a estilo Belsen...Yeah. Ao final, em uma análise mais ampla, a música se revela como lamento sobre como vidas são usadas em guerras para garantir o lucro de governos e da indústria armamentista. Enquantos os loucos brincam com as palavras / e nos fazem dançar sua musica / Gastando milhões pra fazer um tipo melhor de arma. As duas músicas abrem o disco Powerslave (1984) que ambienta a apresentação com o cenário inspirado no Egito Antigo.

WRATHCHILD (Criança Furiosa) é a única música do show vinda do álbum Killers (1981). Um clássico que remete à nostalgia do primeiro vocalista da banda, Paul Di’Anno, ainda que bem executada por Bruce Dickinson. A letra fala das sequelas sentimentais de uma menina que cresce sem o referencial paterno e imersa em um universo familiar ligado à sede pelo poder. E agora gasto meu tempo procurando por todo lado / Por um homem que não tem onde ser encontrado / Até que eu o ache nunca irei parar de procurar / Eu irei achar meu homem / Vou viajar por aí / Porque sou uma criança furiosa.

O álbum The Number of the Beast (1982) foi considerado a época de seu lançamento como o melhor disco de heavy metal já lançado, repleto de misticismo, empresta a música CHILDREN OF THE DAMMED (Crianças do Amaldiçoado) para abrir a celebração em torno do álbum de sucesso. Inspirada no clássico do cinema inglês The Village of the Dammed (1960) e a sequência Children of the Dammed (1964), a música cita crianças que foram concebidas após um transe coletivo em uma vila no interior da Inglaterra, após nascidas, revelam poderes de telepatia e telecinese causando mortes e pânico. O governo convoca o exército para destruí-las. Ele está andando como uma pequena criança / Mas olhar os olhos dele queima você. Buracos negros em seu olhar dourado / Deus sabe que ele quer ir para casa / Filhos do almadiçoado.


PHANTON OF THE OPERA (Fantasma da Ópera) é a novidade do setlist em relação a turnê de 2008, parte do álbum Iron Maiden (1980), tem a duração de mais de 7 minutos e é considerada pelo seu autor, o baixista Steve Harris, como sua melhor composição e a mais longa, artística e prazeirosa para tocar. Inspirada na famosa novela gótica do francês Gaston Leroux (1910) que relata a história de um homem deformado que resolve se isolar do contato com sociedade habitando os subterrâneos da Ópera de Paris, a música transpõe em um longo solo de guitarra a intensidade dos sentimentos amor, ciúme e todo o sofrimento presente na obra.

Na sequência um dos maiores clássicos da banda: THE TROOPER (O Cavaleiro), vem do LP Piece of Mind (1983) e é melhor entendida quando se mergulha na história da Guerra da Criméia (1854-56) , mais precisamente no famoso poema The Charge of the Light Brigate, de Lord Alfred Tennyson, escrito em 1854 e que exalta a tragédia vivida pelo regimento inglês chamado Brigada Ligeira diante das tropas russas na Batalha de Balaclava. O momento é de exaltação pelo heroísmo suicida das tropas diante de uma guerra conhecida pelas infindáveis trapalhadas de logística. Neste momento do show, Bruce Dickinson agita a bandeira do Reino Unido no palco. Quando um russo me pega em sua mira / Ele puxa o gatilho e eu sinto a pancada / Um disparo pega meu cavalo por debaixo / E enquanto eu jazo contemplando o céu / Meu corpo está anestesiado e minha garganta seca / E enquanto eu jazo esquecido e sozinho / Sem uma lágrima exalo meu gemido de partida.

Uma música única dentro da discografia do grupo é WASTED YEARS (Anos Perdidos), talvez por isso tenha ganhado imediatamente as rádios enquanto hit/single do LP Somewhere in Time (1986) que batiza a turnê atual. Assim os excelentes solos de guitarra de uma música melódica em excesso para os padrões da banda ecoavam pela primeira vez nas FMs, e o heavy metal efetivamente começou a sair do gueto para iniciar uma aproximação às massas.

O show retorna ao LP Powerslave (1984) com uma obra-prima do heavy metal: THE RIME OF THE ANCIENT MARINER (A Balada do Velho Marinheiro) é a novidade do setlist em relação a turnê de 2008. Baseada no poema de mesmo nome escrito por Samuel Taylor Coleridge, em 1798, sua construção inovadora posiciona o poema historicamente entre os precursores do romantismo da literatura inglesa. A música é fiel ao longo poema dividido em sete partes e traduz em linhas sofisticadas de guitarra as sensações alternantes de calmaria e desespero de um marinheiro que para uma pessoa na rua para contar a história de que um dia, atirou e matou um albatroz durante uma viagem, trazendo uma maldição que levou toda a sua tripulação à desgraça. O marinheiro é destinado a contar sua história / A contar esta estória onde quer que vá / A ensinar a palavra de deus através de seu exemplo / Que nós devemos amar todas as coisas que deus fez / E o convidado do casamento é um homem mais triste e sábio / E a história continua e continua. A música tem 13 minutos e 38 segundos, mas diante da alta qualidade sonora, pra que pressa?

A música POWERSLAVE (Escravo do Poder) mostra porque o LP homônimo merece ambientar o palco. O trabalho reflete uma das melhores fases da banda em elaboração de letras e musicalidade. O Egito é eleito para simbolizar o extremo da experiência humana com o poder. Em primeira pessoa, a música encarna a dramática psicopatia de um faraó em conflito com sua condição de deus-vivo, mas que precisa encarar que é mortal. Me diga porque tenho de ser um escravo do poder / Eu não quero morrer, eu sou um Deus /porque não posso viver para sempre? / Quando o criador da vida morre / tudo em volta se desgasta / E na minha última hora / Eu sou um escravo do poder da morte.

Por várias turnês, RUN TO THE HILLS (Corram para as Colinas) encerrou as apresentações da Donzela de Ferro. A escolha reflete a importância da música na história da banda. Agora a música do LP The Number of The Beast (1984) levanta o público na metade da apresentação. A letra é baseada no clássico do western estadunidense Soldier Blue (1970) que retrata a guerra do governo contra os povos ameríndios. A música mantém a sequência históricas do fato ocorrido em 1864, no estado do Colorado, em que uma milícia armada atacou aldeias desarmadas de Cheyenne e Arapaho. Os índios reagiram, mas logo depois, uma violenta investida dos brancos exterminou as etnias incluindo fuzilamento e decapitação de mulheres e crianças sobreviventes. A primeira estrofe mostra a guerra do ponto de vista dos índios, a segunda a partir da visão dos soldados e a terceira um relato pretensamente neutro discorre sobre os desdobramentos. O homem branco veio pelo mar / Nos trouxe dor e sofrimento / Matou nossas tribos / Matou nossas crenças / Levaram nossa carne / Para sua própria necessidade / Nós lutamos duramente / Nós lutamos bem / Saindo das planícies / Nós demos o inferno a eles / Mas muitos vieram / Demais para crer / Oh, será que algum dia / Estaremos livres?

Hora do coral: FEAR OF THE DARK (Medo do Escuro) é a música que batiza o CD (sim, já na era do CD) lançado em 1992. É para muitos o momento mais esperado do show onde a introdução faz da música uma das mais arrepiantes do heavy metal ao provocar a reação do público em um tom quase religioso. A letra fala das sensações físicas e psíquicas causadas pela imaginação de que algo além do alcance dos olhos está muito próximo e à espreita. A música brinca com o conceito deste medo inconsciente como uma metáfora à experimentação da loucura. Você já correu seus dedos pela parede / E sentiu a pele de sua nuca arrepiar / Quando estava procurando a luz? / Algumas vezes quando você está com medo de olhar / No canto da sala / Você sente que alguma coisa está observando você.

No clima da interatividade com o público, a introdução de HALLOWED BE THY NAME (Santificado Seja o Vosso Nome) abre novo coral. O clássico que rivaliza em importância com The Phanton of the Opera, é mais uma música do LP The Number of the Beast (1984) e apresenta a reflexão de um condenado à forca durante os minutos que antecedem a sua execução. A música inicia reflexiva, transcorre sob um desespero que aos poucos se transforma na resignação do condenado esperançoso de que sua vida, enquanto uma grande ilusão, está para terminar. Ótimo momento para apreciar a alternância de solos das guitarras, o primeiro nas mãos de Dave Murray e o segundo por Adrian Smith. Estou esperando em minha cela fria / Quando o sino começa a tocar / Refletindo sobre minha vida passada / E não tenho muito tempo / Pois às 5 em ponto eles me levarão para a forca / As areias do tempo / para mim estão acabando...

Hora da música mais importante do show. IRON MAIDEN (Donzela de Ferro) está em The Soundhouse Tapes (1979), o primeiro vinil da banda com apenas três músicas. Mas foi no LP Iron Maiden (1980) que a música ganhou o mundo. A letra personifica o instrumento de execução da idade média com o nome Donzela de Ferro, que possui formato de sarcófago e cuja parte interna das portas tem punhais. Era utilizado verticalmente com o condenado sendo colocado ali, para em seguidas as portas serem fechadas. No show, é o momento da aparição do simpático morto-vivo Eddie, mascote da banda que durante décadas obteve as mais diversas e surpreendentes formas e tamanhos. Ao entrar no palco, Eddie leva os fãs ao delírio. Donzela de Ferro teve a ainda a analogia política pelo fato da primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margaret Thatcher, ter recebido o apelido por conta do sucesso após duras negociações com a União Soviética em plena Guerra-Fria.

O baixista Steve Harris é o fundador da banda e a maior cabeça pensante do grupo, aproveita até pesadelos para fazer letras. Quando resolveu juntar uma noite assustadora, com o triller de Don Taylor, Damien: Omen II (1978), traduzido como A Profecia II – que mostra a segunda parte da trajetória da encarnação do anticristo no menino Damien Thorn já com 13 anos – deu origem a música THE NUMBER OF THE BEAST, escolhida para título do álbum de 1984. A música inicia com a célebre leitura de duas referências bíblicas do livro O Apocalipse (13:18 e 12:12). Ei você, oh terra e mar / Quando o Demônio envia a besta com fúria / Ele sabe que o tempo é curto / Que ele fez compreender que calculam / O número da besta porque é um número humano / É o número seiscentos e sessenta e seis. A música rendeu ao grupo o estigma de satanistas por grupos religiosos gerando protestos a época do lançamento do LP nos Estados Unidos e até uma inusitada proibição do show no Chile, durante a turnê de 1985. Delírios à parte, é o hino do heavy metal.

A penúltima música é THE EVIL THAT MEN DO para mais uma participação do “grande coral” de fãs. Do LP The Seventh Son of a Seventh Son (1988) possui uma letra metafórica desenvolvida sob o fragmento da peça Julius Ceasar, escrita por William Shakespeare entre 1598 e 1599. O mal que os homens fazem vive para sempre, segundo as palavras de imperador Marco Antônio, na cena 2 do terceiro ato. Mas a frase na música é apenas uma citação, a letra apresenta o pensamento de um suicida que pode ter considerado os sentimentos por um mulher maiores do que poderia suportar. Transparece a dualidade do amor e o ódio, para justificar o seu ato final. O amor é uma navalha / E eu caminhei por aquela lâmina prateada / Dormi na poeira com sua filha / Os olhos dela vermelhos com a destruição da inocência / E eu rezarei por ela / Gritarei seu nome alto / Eu sangraria por ela / Se pelo menos eu pudesse vê-la agora .

SANCTUARY (Refúgio), do disco Iron Maiden (1980) encerra o show. Impossível falar da música sem discorrer sobre a polêmica causada pela gravura lançada pelo desenhista e criador do mascote Eddie, Derek Riggs, em que o mascote, de pé, segura um punhal em uma rua sobre o corpo sem vida da primeira-ministra Margareth Thatcher. Numa primeira impressão, a letra leva o ouvinte a reflexão de um assassino que nutre sua vontade de matar uma determinada mulher ao mesmo tempo clama por um refúgio na lei para tornar seu desejo realidade. Analisando sobre o contexto político, pode significar a simples vontade de ver a representante do Partido Conservador fora do poder. Do inverno chega um cavalo de açode combate / Jamais matei uma mulher, mas sei como deve ser / Sei que você perderia a razão se tivesse visto o que vi / Mas agora devo procurar por um refúgio da lei / Então, dê-me o refúgio da lei eu ficarei bem / Apenas dê-me o refúgio da lei e me ame, esta noite. Se o desejo da ilustração de Riggs era por uma questão de concorrência, ela pode ser considerada profética. O tempo passou e hoje, quase trinta anos depois do desenho, a Donzela de Ferro do rock é muito mais famosa do que a da política.

Manaus viveu o transe que se espalha a partir deste sábado por Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Recife. A Donzela de Ferro já está entre nós.

Tenham um ótimo show.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
graça grauna
 

parabens pela divulgação

graça grauna · Recife, PE 14/3/2009 20:26
sua opinião: subir
Michelle Portela
 

Excelente texto, brilhante a leitura!

Michelle Portela · Manaus, AM 14/3/2009 23:24
sua opinião: subir
Yusseff Abrahim
 

A todos desculpem alguns erros que existem no texto. Não tive tempo de revisar. Mas isso não é desculpa, é mea-culpa mesmo.
Apesar de tudo, espero que tenham gostado.
Não tenho como armazenar tanto orgulho por ter vivido este momento em Manaus.
Saudações metais!!!!!!!!

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 15/3/2009 07:17
sua opinião: subir
Helena Aragão
 

Que bacana, Yusseff! Imagino a correria para conseguir escrever tudo a tempo. E que barato as fotos, sobretudo a do pessoal com a bandeira de Rondônia. Tinha gostado muito da foto do avião que você tirou durante a fila de edição, mas a do rapaz olhando ele está bem legal também! Valeu pelo relato (o show do Rio já rolou, parece que também foi incrível)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 16/3/2009 11:15
sua opinião: subir
Samantha Gomes
 

O show do ano merecia a matéria do ano. Brilhante!!!

Samantha Gomes · Manaus, AM 16/3/2009 13:21
sua opinião: subir
Rafael D.
 

Realmente este foi o show do ano em Manaus, difícil de barrar...mas como disse o Sandro no Porão do Alemão, queremos (e podemos) mais. Manaus vem se tornando um dos pólos destes shows com muita autoridade, diga-se. Que venham os outros shows!

Rafael D. · Belo Horizonte, MG 16/3/2009 14:44
sua opinião: subir
Yusseff Abrahim
 

Só uma consideração sobre o crédito das fotos:
A foto do amigos amazonenses não pode ter sido tirada por mim porque eu estou nela. E agora? Vai saber quem tirou...

Yusseff Abrahim · Manaus, AM 19/3/2009 18:50
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

imagens clique para ampliar

Baixista, fundador e letrista Steve Harris foi o aniversariante da noite zoom
Baixista, fundador e letrista Steve Harris foi o aniversariante da noite
Do vocal Bruce Dickinson, a frase mais esperada: zoom
Do vocal Bruce Dickinson, a frase mais esperada: "Scream for me Manaus!!!"
Esforço recompensado: rondonienses em frente ao palco zoom
Esforço recompensado: rondonienses em frente ao palco
Por 20 anos, shows do Iron Maiden vem garantindo reencontro de amigos manauaras zoom
Por 20 anos, shows do Iron Maiden vem garantindo reencontro de amigos manauaras
Dias que não serão esquecidos zoom
Dias que não serão esquecidos

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados