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JÁ SOMOS OVERBILHÕES...!!!

DESENHO DE FABIO CAMPOS
HÁ MUITAS MORADAS...
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Fabio Campos · Rio de Janeiro, RJ
15/2/2007 · 85 · 0
 

Quis escrever esse texto buscando refletir um pouco acerca da questão da visibilidade ou invisibilidade no Overmundo. Então me vem à memória uma certa discussão que tive sobre determinada diagramação de texto onde tínhamos um título maior, informações variadas agregadas a este título (várias palavrinhas com cores variáveis do branco ao laranja passando pelo amarelo, tudo sobre um fundo de tijolos amarronzados), e uma frase que deveria ser compreendida e destacada. Acontece que minha cliente se incomodou com o fato de haver espaços entre a tal frase e as informaçõezinhas variadas, e haver um espaço menor – na verdade coloquei próximo para que fossem associados entre si – entre o título e as tais informaçõezinhas que ficariam bem abaixo, em determinado posicionamento.

Tentamos nos destacar no Overmundo, mais ou menos nos guiando por referências antigas, de um mercado que valorizava poucos e criava mitos vivos, com seguranças, secretárias, assessores, etc. Entretanto, como Hermano Vianna destaca em algum de seus textos, essa configuração toma atualmente outro rumo. Não há destaque especial no Overmundo. Daí a angústia para que possamos ser reconhecidos.

Pude, ao ler certa discussão, notar que o espaço de debate se privilegiou quando algumas pessoas começaram a freqüentar e comentar sobre o texto de certo companheiro da cidadeOvermundo. Mas quantos leram e comentaram neste espaço? Não mais que 20, 25 pessoas! Então a quantidade no overmundo é menor, é desprezível? Creio que não deve ser comparada a outros meios de comunicação de massa que valorizam certos perfis de audiência e com isso ganham crédito para aluguel de anunciantes etcblablaba. Mas não é desprezível não! Já somos mais de dez mil habitantes!!!

Entretanto, o que me chama a atenção identicamente e talvez com mais força em minha percepção é o fato de que os comentários acerca do material disponibilizado sejam muitas vezes como já foi dito “nada a ver”. Destacaria duas questões sobre isto: uma é a de que somos hoje frutos de uma urgência pós-moderna que não nos facilita a horizontalização e a observação multifacetada de ângulos e possibilidades, calmamente e com precisão. Então somos rápidos, estenográficos, telegramizados, sintéticos e lacônicos, porém no lugar-comum, na não-crítica, no dizer-para-crescer-karma. Há sem dúvida aqueles que o fazem para ganhar pontos e outros que não possuem conhecimento sobre determinado assunto, não o abordando de modo aprofundado.

Entretanto esta maneira de lidar com a informação que vem do outro e analisá-la sem críticas é fruto indiscutível de uma árvore que privilegia os sucos advindos do imediatismo que se iniciou com a cultura de massas nos anos 60/70 e alcançou o ápice no segundo milênio com a Internet que se ramificou indiscriminada e livremente (ainda bem!). Mas a Internet não atingiu seu forte, sua potencialidade maior que poderia ser associada – e aí fica o meu segundo destaque – a uma qualidade e riqueza de trocas de saberes que corresponderia, por exemplo, no Overmundo, a um aprofundamento nos comentários críticos (sempre) sobre idéias.

Aqui no Overmundo não somos 9.999 pessoas num estádio de futebol assistindo a um ídolo. Somos 10.000 criadores observando a nós mesmos e trocando (músicas, textos, idéias, concepções de vida...). Imagine o cálculo: Cada overmundense possui 3 produções. São 30.000 produções! Como cada pessoa dessas 10.000 poderá ler as 29.997 produções outras existentes? As combinações possíveis ultrapassam a casa do bilhão! Tudo bem que nem todos produzem e muitos apenas lêem o que foi produzido. Mas também muitos produzem bem mais que 3 ações culturais. Só no universo Overmundo, somos maiores que todo o número de habitantes do planeta em número de combinações de informações.

Estatísticas a parte, devemos, creio, nos preocupar com a qualidade dos comentários, cultivar nossos próximos e as proximidades e afinidades. Com isto disseminamos a riqueza inteira de cada pessoa, suas peculiaridades, os movimentos de grupos que tencionam a liberdade de expressão e a busca por um ser humano mais completo dentro de suas inevitáveis complexidades. Assim, como na tal diagramação que cito ao início do texto, vamos nos agrupando em conjuntos que se valorizam isoladamente e que, desta maneira, valorizam o todo em que se inserem, sem neutralizar, sem competir ou rivalizar. Apenas somando, multiplicando para dividir os bons frutos. Vamos em frente.

Abraços,
Fabio Campos

OBS. Aproveito e envio algumas músicas de minha autoria. Fazem parte da produção da CidadeOvermundo!

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