por Francinne Amarante
F.A - Esse projeto, Samba de Breque e Outras Bossas, que você abriu junto com Pedro Luís, no CCBB de Brasília, homenageou vários ídolos do samba, em especial aquele que inovou e criou o estilo samba de breque, através de um improviso, Moreira da Silva. Com ele você considera “ter dívidas de influência"?
J.M - "Dívidas" nunca as tive. Influência do grande mestre, sim. Mas, principalmente a grande amizade que fizemos por mais de 30 anos.
F.A - No dia-a-dia, você é o Jards Macalé que imaginam os fãs? (camaleão, irreverente, indomável, que gosta de flores...) continua a fazer tudo que "vem à telha"?
J.M - Sou tudo isso que imaginam e, às vezes, pareço até normal.
F.A - Alguns críticos te rotulam até hoje como "maldito", o que você acha disso?
J.M - Total imbecilidade.
F.A - Você ficou revoltado com a reação da platéia, quando foi vaiado no festival internacional de música em 1969 ?
J.M - Quanto mais vaiavam, melhor o clima da música ficava. As vaias, naquela época, valiam (soavam) como aplausos consagradores.
F.A - Na sua obra, dá pra perceber algo novo em todos os cd's que faz. Como você encara as mudanças, novidades na suas canções? Tem necessidade de estar em movimento?
J.M - Necessidade de estar em eterno movimento, como o mundo. Pra mim, quando faço o "normal" já é uma surpresa.
F.A - Já foi ator, né !? Hoje você gosta de atuar ou prefere ficar à toa... Acredita mesmo que o ócio é criativo?
J.M - Depende do momento. Depois de estar em intenso estado criativo, o ócio é fundamental para deixar-me esvaziar. Aos poucos volta-se ao "estado criativo"
F.A - É difícil conviver com as 'fórmulas' repetidas de sucesso? Você ouve rádio? Assiste à TV aberta? Vai ao cinema ver um filme de entretenimento?
J.M - Há muito tempo desisti de ouvir rádio. Pouco vejo TV aberta. Desde criança gosto de cinema. Gosto de ver os filmes
de Batman e Superman até hoje. Desenhos animados também; tanto antigos como os atuais.
F.A - O que é o CRIAR na música, pra você?
J.M - É o silêncio ou desenhar o Som no Silêncio.
F.A - Consegue rir de uma situação caótica? Ou surta geral...O que é uma situação caótica pra você?
J.M - Os dois. O caótico no Brasil é o político e a política que é gerada por eles.
F.A - O que espera da 'música popular brasileira'?
J.M - Que se faça o melhor. O nível de sofisticação e riqueza que foi alcançado não pode retroagir.
F.A - E do Brasil? Consegue ter esperança com tantas fraudes, desvios de verbas públicas e 'CPIs'... Gosta de pensar no futuro das coisas, tem saudosismo com o passado ou prefere o aqui - agora?
J.M - Fico triste em ver a situação de miséria em que vive o povo brasileiro. Prefiro o presente e, em relação ao futuro, sou um otimista pessimista e um pessimista otimista.
F.A - Como você gostaria que as pessoas entendessem sua obra?
J.M - Como uma tentativa de beleza.
F.A - Quer deixar uma mensagem
pros leitores? (fique a vontade para dizer "o que der na telha..")
J.M - Caros leitores, trabalhem pela Felicidade no Mundo.
Muito, muito obrigada pela entrevista!!!!
Francinne acho que a entrevista não renderia um ping pong (pergunta e resposta), não sei se esse tipo de resposta curta é o estilo do Jards, mas a entrevista tá um tanto superficial, parece que foi respondida com pressa. Acho que você poderia diluir essas respostas em um perfil, misturando essa sua admiração por ele que deixa transparecer nos pontos de exclamação... Se ainda optar pelo ping pong, eu acho que seria muito importante se fazer um abre, um texto que introduza a entrevista.
Pedro Rocha · Fortaleza, CE 13/12/2006 17:33
obrigada pela dica, Pedro.
bj,
Francinne
Francinne,
gostei da entrevista, muito boa mesmo!!!!
Macalé é um grande artista; difícil entrevistá-lo, e vc conseguiu abordar vários assuntos. parabéns!
Clara
parabéns pela entrevista!
bj,
Lê
Clara:
que bom q gostou. valeu.
beijão
lê:
obrigada por comentar sempre.
beijão
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