Jogando no Quintal: sucesso! / Uma auto-crítica

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Rica P · São Paulo, SP
28/5/2006 · 83 · 5
 

Esses dias assisti pela terceira vez ao Jogando no Quintal. Conhece? É um grupo de 9 palhaços, que se dividem em dois times de três jogadores, mais um juiz e dois palhaços músicos. Esse povo tira uma partida de improvisações, onde o gol é a risada do público.

Aliás, o público por lá é mesmo muito importante: dá o tema sobre o qual cada equipe irá improvisar, e ainda vota em qual time marcou o gol - que às vezes é de canela, ou sai aos 45 do segundo tempo, mas muitas vezes é um golaço.

Embora todos eles dominem o humor mais físico, a improvisação praticada por eles é muito de texto, e grande parte da graça vem exatamente disso. É quando você fica assim: "será que esses caras vão mesmo conseguir fazer uma historinha engraçada sobre UM SUPERMERCADO ÀS 16h NO OCEANO PACÍFICO?". Um certo suspense, que vira gargalhada solta quando vem a piada certeira.

O começo

O grupo começou bem humilde nas suas intenções. Treinava no quintal (sacou o nome?) do palhaço Cizar Parker. Para eles era um simples treino recreativo de improvisação - mal sabiam que estavam treinando para a Copa.

A turma que assistia foi crescendo, o quintal ficou pequeno. Foram para um quintal maior, que também ficou pequeno. Foram para um espaço cultural. Adivinhe? Sim, e agora foram para uma lona circense enorme, com espaço para 700 pessoas - e lota.

O ponto

Fui revê-los, e assustei com a dimensão da coisa. Não era o show dos Stones em Copacabana, mas olha só, uma baita fila de gente, celulares tocando, procura de ingressos, estacionamento (antes a gente parava na rua próxima ao 'quintal'). Para completar, era noite de gravação de DVD.

A partida foi gloriosa, como sempre.

Mas foi aí que se deu.

Ouvi de algumas pessoas aquele comentário "legal, mas perdeu um pouco agora que está maior". E eu pensando...

Perdeu o quê?

Quando o Nirvana me surgiu - a banda - eu alucinei. Finalmente alguém trazia o rock de volta aos não-eixos, cuspindo na cara dos cabeludos pousers e virtuoses chatinhos que reinavam.

Mas aconteceu que todo mundo passou a idolatrar os caras, uma horda de turistas entrando na minha São-Tomé-das-Letras-Musical, e eu passei a odiar aqueles sujinhos que não tocavam nada.

Obs.: São Tomé das Letras vocês sabem, é uma cidadezinha charmosa no interior de Minas Gerais, reduto de hippies, ou neo-hippies, sei lá, enfim, eu fui há muitos anos e já era assim: toda a gente falando "antigamente é que era bom, perdeu um pouco agora que está maior". Juro, era quase um mantra.

Um dia eu liguei o rádio do carro e dei de cara com um som muito bom. Duro, porém melódico...ouvi até o fim, e era o Nirvana. Tive que engolir o veneno.

É mania da gente

Também já fui daqueles que foge do Carnaval, que prefere se enfurnar num sítio enquanto o povo se come lá fora. Só para não ser da maioria - mas aí é que pergunto: a maioria está sempre errada?

Consegui me salvar, agora passo o Carnaval bêbado e feliz em São Luis do Paraitinga. Conhece? Imperdível, né? Assim como o Jogando no Quintal.

www.jogandonoquintal.com.br

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Vânia Medeiros
 

é, tem um teor de birra isso de achar que quando as coisas crescem e ganham fama elas ficam piores, mas... é uma angústia totalmente legítima... por que isso acontece mesmo... em muitos casos. (as reticências são os momentos em que fiquei tentando lembrar dos casos, e lembrei vários.)

ah, deu a maior vontade de ver os palhaços :)

abraço!

Vânia Medeiros · Salvador, BA 24/5/2006 20:51
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Thiago Camelo
 

Opa Rica, gostei do teu texto, então nem vou sugerir mudanças : ) Só duas dúvidas: que tipo de improviso os palhaços fazem? Será que é na linha daquele programa Whose Line is it anyway (conhece?), também similar aos cariocas do Z.E?

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 25/5/2006 12:12
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Rica P
 

Você deu uma boa sugestão, sim! Vou explicar melhor no texto o tipo de improviso, em vez de responder aqui. É importante mesmo.
Não conheço nenhum dos dois, vou pesquisar.
Valeu pelas dicas!
abraço

Rica P · São Paulo, SP 25/5/2006 13:44
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Helena Aragão
 

Aqui no Rio o carnaval é a época de se ouvir isso. Os blocos voltaram à moda e quem descobriu isso antes se sente frustrado ao ver que a cada ano está tudo cada vez mais cheio. É como se tivessem descoberto seu segredo... Mas e aí? Se tivesse vazio também não seria bom... As pessoas nunca estão satisfeitas!

Mas concordo com a Vania: o pior é que é meio inevitável pensar assim de vez em quando. Que coisa!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 25/5/2006 15:45
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Rica P
 

Olha só que engraçado, eu já marquei de sair nos blocos aí do Rio ano que vem! Quando reclamarem com você da invasão de paulistas, lembre de mim!

Rica P · São Paulo, SP 25/5/2006 17:41
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