Três ônibus, um Desembargador, vários Juízes e Promotores de Justiça, dezenas de serventuários da própria. Reinauguração do prédio do Fórum. Isto tudo na Praça das Vitórias, parte da qual rebatizada de “Praça de Eventos”.
Para abrilhantar, ainda mais, o espetáculo cívico da prestação jurisdicional gratuita e a céu aberto, a Prefeitura de Oeiras monta um palco onde, todas as noites, se apresentam conjuntos musicais, a pretexto das comemorações juninas.
A cidade se agita, ao som do forró e à procura de “seus direitos”.
“Finalmente consegui me livrar daquela desgraçada”, comemora um recém-divorciado, separado da “megera”, de fato, há mais de doze anos.
De outro lado, mais de cinqüenta casais, enfatiotados e chics “no úrtimo” regularizam sua situação legal num novelesco “casamento coletivo”. Uma festança, para ninguém botar defeito, com direito a bolo e tudo. Nos brindes são consumidas dezenas de garrafas de cidra e, é claro, cerveja.
A mãe solteira, visivelmente muito emocionada, pois acabou de obter, por parte do pai da criança, o reconhecimento da paternidade, mostra, a quem quiser ver, a apostila em que o pai reconhece o filho na certidão de nascimento. Seus olhos estão cheios de lágrimas e ela se torna foco da atenção de todos, tanto os magistrados quanto o povo. Todos a rodeiam, e as rádios locais se posicionam para entrevistá-la:
“– Este é um momento que não vou esquecer nunca na minha vida! Meu filho querido agora tem um pai! Quero agradecer a Justiça Ignorante por ter-me propiciado esta alegria”.
Passadas as risadas, e superados os constrangimentos, inclusive da moça, que não tinha, é evidente, a intenção de ofender ninguém, fica, no entanto, uma reflexão: Será tão descabido classificar a Justiça brasileira como ignorante? Ou a graça da mancada da moça consiste, justamente, na adequação daquele adjetivo ao poder judiciário brasileiro?
Importante: Esta história me foi contada, em traços largos, pelo Dr Bill , iminente Promotor Público, além de, na FNT, promover causas nobres. Sendo meu grande amigo, a ponto de notarem a minha ausencia quando se deparam com Bill nalguma festa, algumas pessoas podem achar, não sem razão, que eu o estou mencionando só pra puxar o saco dele. È verdade: eu me disponho a fazer tudo para incentivar Bill a continuar a ser o grande sujeito que é, de uma nobreza e generlidade ímpares, grande esteio de Oeiras
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Meu amigo, nem precisa perguntar. A resposta para ambas as perguntas é sim. Só não sei se o epíteto "ignorante" pode ser generalizado. Talvez ignorantes sejamos nós...
beijo
Meu caro Joca, de grandioso nestas histórias, nestes acontecimenos nesta realidade deste Brasil de São Paulo a Oieras - só o teu texto, a tua dedicação, o teu tempo esticado e reesticado para além dos teus afazeres normais. Ainda temos mãe que agradece pelo filho ter pai. "Ainda temos pais hipotéticos". Com esta dignidade um "monte" de homens...
- Dos linguajares, tudo como no meu Gilbués...
- Legal, um abraço, andre.
E como é ignorante a nossa Justiça e nada cega, infelizmente...
Adorei o texto e o "causo".
beijos
PS: Belas imagens também!!
Cravado, amado mestre!!!!
Depois me manda aquele poema do Vinicius que você falou!
Bjk
Cris
É, Joca! A Justiça, muitas vezes, fica tão afastada do povo, né? Olha que acontecimento que virou essa prestação de serviços...
Bjs
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