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Instituto Overmundo Durante os seus já 2 anos e meio no ar, o Overmundo viu a sua proposta de difusão cultural e colaboração online desdobrar-se não apenas na vasta comunidade formada em torno do site, como em novas iniciativas movidas pelo espírito de compartilhar, enriquecer e disseminar a experiência acumulada. Agora, um espaço institucional há muito tempo planejado vai ser o catalisador e o abrigo... > leia
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Kazadi wa Mukuna
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 2/8/2008 18:58 · 205 votos · 19 ·
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Imagens
Kazadi e Djalma Correa (mestre da percussão)
Vídeo
Cantando Senzenina(2.5 Mb)
Kazadi - Contribuição Bantu na cultura brasileira
Kazadi wa Mukuna nasceu na República Democrática do Congo, em Kinshasa onde fez seus estudos primários e secundários. Depois foi para os Estados Unidos da América completar seus estudos na Universidade da Califórnia em Los Angeles onde fez doutorado em etnomusicologia. Veio para o Brasil em 1974 na USP onde concluiu seu segundo doutorado em Sociologia (1977). Atualmente é Professor Titular na Universidade Estadual de Kent, em Ohio.
Está no Brasil há 3 meses a convite do Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diásporas da PUC/SP com apoio da FAPESP.
Kazadi participou do Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros em rodas de prosa e oficinas de música africanas. Com muita sabedoria fala da contribuição Bantu na música e em toda a cultura brasileira. Explica como o Brasil foi lotado de negros com navios transportando milhares de escravos que entravam aqui transferindo assim sua cultura para o Brasil.
Segundo ele, a descoberta do ouro requeria mais escravos bantus porque eram fortes e obedientes e até considerados dóceis pelos europeus. Estes ficavam nas minas por 7 anos e depois eram vendidos para trabalhar em outras regiões nas plantações por todo o Brasil.
Essa distribuição influiu na cultura de modo geral e mais na música atual com a linguagem do som que é comum na linguagem africana e pode ser notada na lingüística. Para Kazadi, tudo o que se quer saber da música africana está na linguagem: desde a melodia, ritmo, harmonia, os tons, a ginga que vem da língua. Ele tem a preocupação com a música religiosa que é foneticamente ensinada e assim as palavras perdem o sentido.
A diversidade das melodias vem da situação em que o africano foi forçado a aprender outras línguas como o português, espanhol, francês e até mesmo o holandês, porém manteve a estrutura sintática da sua língua que produz o ritmo da sua música. Por isso, o que prevalece nas músicas criadas pelos Africanos é o conceito da organização ritmica africana que nunca vai se perder por onde estiver.
Argumenta Kazadi:
- O conceito de organização rítmica é baseado sobre a crença dos africanos que cada padrão rítmico tem buracos, que são preenchidos por outros padrões que também têm buracos. O resultado final é o entrelaçamento dos ritmos numa tapeçaria rítmica. Enfim, o movimento chave de dançar dos bantos é diferente dos sudaneses.
Kazadi acentua que não se pode dizer que tudo veio da África, há muitas coisas que foram criadas aqui com elementos africanos, se diz que veio da África é basear no sentimental e não científico. É o resultado da cultura não ser estática e evoluir com o tempo. A oralidade africana existe mais no Brasil: está no bate-papo, no som, na alma do indivíduo, no mito e nas histórias.
Na oficina ele canta músicas africanas e uma em especial, "Senzenina", da África do Sul, é um lamento que traduz:
"O que fizemos para sermos tratados assim? Só porque somos pretos? O que fizemos para sermos tratados como animais?"
Senzenina, Senzenina, Senzenina.. Wabulele afe worke... Sine sebu bubum wuama
É uma canção saudosa que leva bem próximo à dor da escravidão.
Kazadi considera importante separar o conceito de filosofia da existência entre africanos e europeus, pois isso faz parte e sustenta a oralidade ou ancestralidade no sentido de não se limitar ao momento, tem raízes. Esse conceito se projeta aos dias atuais: o europeu herdou a filosofia: eu penso, eu sou (físico e individual). O africano diz eu pertenço, portanto eu sou, no sentido (físico e conceitual); minha existência só tem significado enquanto eu e você estamos; eu sou porque você é, estou aqui porque você está.
Resumindo diz:
- O racismo chegou ao Brasil logo depois da abolição , é minha opinião. No início o português não tinha motivo para se assustar, pois ele veio atrás de riquezas e não para ficar, deixou a família. Mas chegando aqui se assustou e o resultado? É só olhar em volta a miscigenação. Quantos pretos têm no Itamaraty? Quantos ministros pretos ou índios? No Brasil não existe racismo?
Sobre a religião africana que sobreviveu no Brasil, garante ele ser a sudanesa que deu base à maioria como Orixás, Yemanjás e outras. A religião Bantu é diferente, ela criou a ancestralidade limitada. Não se pode chamar um ancestral que não é da família e exemplifica:
- Na minha família quando meu pai invoca nossos ancestrais, minha mãe não participa, ela é de outra família. Imagine aqui no Brasil se nem conhecem a linhagem qual ancestral se chama? Não se pode chamar quem não se conhece.
E continua:
- Bantu invoca os ancestrais pelos nomes identificando diretamente. Meu pai me carregava no colo para invocar os ancestrais assim como meu avô fazia com ele.
Kazadi conclui que o que acontece hoje no Brasil com a música, a religião e outras manifestações é uma mistura de preto, catolicismo, costumes indígenas repondo vácuos. A fala de Kazadi conclui com a interrogação:
- Por que o brasileiro prefere ser chamado de negro em vez de afro-descendente? O que acontece, não entendo!
Termina citando o professor Kbengele: "Todos somos afro descendentes porque a África é o berço da humanidade."
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tags: Uruaçu GO cultura-e-sociedade kazadi musica africana
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Sinva, que inveja gostosa eu tive de você lendo seu maravilhoso texto. Obrigado por essa bela aula que trouxe do Professor Kazadi.
Higor Assis · São Paulo (SP) · 31/7/2008 12:55
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Sumido hem? Por onde andava?
Obrigada a vc. Se quiser assistir ao vivo as apresentaçoes, entre no site a noite, hoje tem cordel do fogo encantando.
www.encontrodeculturas.com.br
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 31/7/2008 15:18
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Querida Sinvaline,
excelente sua matéria com o Professor Kazadi, uma aula sobre a cultura e a religião (que também é cultura) africana. Todavia, gostaria de lhe fazer uma pequena observação. No parágrafo em que você diz: "Sobre a religião africana que sobreviveu no Brasil, garante ele ser a sudanesa que deu base à maioria como Orixás, Yemanjás e outras." Fica a impressão de que "Orixás, Yemanjás" são religiões e não divindades. Você concorda? Comento mais sobre a matéria na fila de votação. Bjs.
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 16:50
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Desculpe-me, Sinvaline, postei sem querer minha observação em "Comentários", quando deveria fazê-lo em "Sugestões de edição". Perdoe-me. Bjs.
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 16:53
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Nivaldo nao entendo muito de religião, descrevo o que ouvi. Obrigada pela sugestao, vou ver se ainda encontro o Kazadi por aqui.
bjs
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 31/7/2008 16:57
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Grande Sinvaline!
Fiquei feliz de ver a cara simpatica dio Kazadi. Boa parte da argumentação que utilizo e tudo que afirmo sobre a estrutura da música negra do Brasil, principalmente o Samba, eu tirei do Kasadi (a maioria de um livro essencial chamado 'A contribuição Bantu na musica brasileira'. O Kasadi, dissecando o Samba, descobriu a célula rítmica fundamental, nascida lá no Zaire (na área dos Bakongo, eu acho).
Kasadi sabe e vive dizendo: O Brasil é mais bantu do que se imagina (ou quer se imaginar). Com arigos como este, devagarzinho a gente vai se descobrindo, ainda bem.
Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 17:19
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Obrigada Spirito, ele está nesse momento ministrando uma oficina e eu estou sem tempo de ir, imagine!
beijos
sinva
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 31/7/2008 17:34
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Senhor Spirito, obrigado pelo comentário. Meu endereço eletronico é
wcary@kent.edu
Grato
Kazadi
Kazadi · Estados Unidos · 31/7/2008 18:58
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Kazadi,
Eu é que agradeço, muito honrado (e à Silvaline também).
Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 31/7/2008 19:25
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Sinvaline, você está trazendo pessoas e histórias maravilhosas desse encontro de culturas. Eu quero que vc vá a muitos outros só pra contar aqui pra gente. Obrigada por compartilhar!
beijos
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 1/8/2008 18:52
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Sinva, fiz um comentário, ele não apareceu; por que será?
Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás (GO) · 1/8/2008 19:21
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Nao sei, faça de novo. O Kazadi esta em Goiania, vá assistir a palestra dele.
bjs
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 2/8/2008 09:24
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Ola, maravilhoso, util, pertinente seu texto e os comentarios do professor. Sabe o q gostaria de saber? Sobre a infancia dele. Como foi chegar ate aqui. Tem um site? Um blog q fala disso? Pena q estou aqui em SP e nao posso frequentar nenhuma das palestras. Aplausos de pé!
Nic NIlson · Campinas (SP) · 2/8/2008 15:17
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Oi Nic obrigada! O Kazadi se cadastrou no site e me garantiu que vai publicar alguns textos aqui, podemos sugerir alguma coisa. Ele me falou muito da infância, da mãe, inclusive a música Senzenina ele ouvia muito a mãe cantar. Vou tentar fazer outro texto sobre ele com muitas histórias que ele me contou.
bjs
sinvaline
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 2/8/2008 16:25
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Ah Nic ele está em Sao Paulo na PUC, fica até o dia 16.
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 2/8/2008 16:26
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Sinvaline,
que texto maravilhoso
quanto mais se vive mais se aprende
adore os conhecimentos adequiridos.
bjssssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 2/8/2008 16:55
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Sin
Somos um. bjus
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 2/8/2008 20:20
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Olá, obrigada a todos, Kazadi estará ministrando oficina na PUC/SP (dia 5, 6, e 7 de agosto) das 16:30 a 18:30 na TUCARENA.
beijos
Sinva
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 3/8/2008 09:06
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Sivaline,
Deve ser, e com certeza é, gigantesco o esforço de pessoas assim para resgatar, juntar os cacos, pregar os pontos, desatar os nós, de uma cultura, ou um conjunto dela desmantelada, saqueada, desfigurada por tantos séculos, seis ou mais séculos. E é de muita relevância este teu postado,
abraço
andre.
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 3/8/2008 18:49
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