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La Bonbonera do samba

Augusto Diniz
Pagode da Vó Tiana, em Campinas (SP)
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Augusto Diniz · São Paulo, SP
22/4/2009 · 97 · 1
 

Na sede da Sociedade Beneficente dos Amigos da Vila IAPI, de Campinas — modelo de conjunto residencial criado na Era Vargas e introduzido em várias cidades brasileiras —, uma vez por mês, em um domingo, no final de tarde, um grupo de pouco mais de 10 músicos se reúne para fazer o que mais gosta: tocar sambas, em sua maioria aqueles que não costumam ser executados nas rádios comerciais nem tampouco chegam facilmente aos mais badalados programas de televisão.

O repertório da roda de samba não difere muito de algumas do mesmo estilo no Rio de Janeiro. Mas o que chama a atenção é que ela deu certo em uma cidade sem tanta tradição no gênero. A maioria dos presentes é de gente simples da região, incluindo os músicos. O encontro no local foi criado no início de 2007, cresceu e atrai hoje até 600 pessoas em um dia. Não é tão comum encontrar redutos do chamado samba tradicional fora do eixo Rio-São Paulo com um público desses.

Tudo começou no quintal da casa de D. Sebastiana, localizada na própria Vila IAPI. Ela era acostumada a dar festas com autênticos pagodes. Quando seu neto Alex foi se tornando adolescente, para evitar que ficasse muito pela rua e sujeito as mazelas de quem anda por aí muito jovem, sem prestar atenção nas companhias, passou a integrá-lo às festas junto com seus amigos. Daí foi um pulo para a turma aprender o ofício de fazer (bom) samba.

Hoje, Alex, curtindo a mocidade, lidera o grupo da roda da Vila IAPI, que conta ainda com Ciro, Carlinhos, Chocolate e outros. Em homenagem à D. Sebastiana, que conduziu o pessoal ao mundo do samba, batizou a festa de Pagode da Vó Tiana. No dia da festa, o pessoal chega cedo à sede onde se realiza o encontro. É preciso botar cerveja no gelo e arrumar o som. Participam da tarefa a irmã e a tia de Alex, além de mulheres dos músicos e amigos próximos. O local é alugado e sempre tem uma atração musical do mundo do samba. Por isso, cobra-se ingresso – nada comparável àqueles cobrados pelas casas que tocam o chamado “samba mauricinho”. Os sambistas Luiz Carlos da Vila (falecido ano passado), Wanderley Monteiro, Jorginho do Império e Almir Guineto já passaram por lá.

Nelson Rufino, autor dos maiores sucessos de Zeca Pagodinho, chorou no domingo em que cantou no pagode. Isso era março deste ano. Ficou impressionado com o carinho que recebeu. O local estava cheio e as pessoas mal podiam andar, ficando algumas quase ocupando o espaço destinado aos músicos. E dia em que enche o calor é muito grande lá dentro, principalmente por causa da falta de ventilação no espaço. As telhas de amianto no teto, material famoso por reter calor, ajudam ainda mais a manter a temperatura alta no ambiente. Por causa disso, apelidaram a sede em dia de pagode de “La Bombonera do samba”, uma referência ao estádio do Boca Juniors, conhecido por ter uma arquibancada muito próxima do campo e sempre cheia de torcedores fanáticos do time argentino, que gritam e cantam sem parar.

D. Cida, mão de Alex, no dia do pagode, entre a arrumação da sede da Vila IAPI e o início do samba, recebe parte da turma envolvida na iniciativa para um almoço. A feijoada e o pernil estão entre os pratos do cardápio. Simpática e receptiva, não perdeu as referências da mãe. D. Cida lembra que Vó Tiana, mesmo quando cansada, não dispensava as pessoas de sua casa nem pedia para pararem de tocar música. Falecida aos 91 anos, D. Sebastiana deixou um legado para a filha e os netos que não tem a ver só com o samba, mas também o jeito do povo brasileiro: a hospitalidade e a generosidade, características fortes que parecem ter infiltrado no domingo de Pagode da Vó Tiana.

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graça grauna
 

parabens

graça grauna · Recife, PE 19/4/2009 09:34
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