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LARANJEIRAS: BARROCO EM SERGIPE
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A cidade de Laranjeiras, situada no Vale do Cotinguiba, era um imenso canavial e durante muito tempo a cana-de-açúcar representou seu principal ciclo econômico. Com os engenhos, chegaram os escravos e as igrejas, com suas irmandades e festas. A cidade possui 16 igrejas católicas e se orgulha de ter sediado o primeiro templo protestante de Sergipe, a Igreja Presbiteriana, fundada em 1884. Laranjeiras é o maior pólo folclórico do estado de Sergipe. É no ciclo de natal, especialmente na Festa dos Santos Reis, que a tradição laranjeirense toma as ruas da cidade. As Taieiras rezam na Igreja de São Benedito, o santo preto e em seguida saem pelas ruas da cidade acompanhadas pelos Cacumbis, Reisados, Chegança, Congada, São Gonçalo, Caboclinhos e os Lambe - Sujo.
Laranjeiras teve sua colonização iniciada no final do século XVI, após a conquista de Sergipe por Cristóvão de Barros. A presença dos padres jesuítas na região, em fins do século XVII, teve grande influência na colonização e religiosidade. A cidade fixa-se às margens do riacho São Pedro, local onde foi erguida a primeira igreja e, também, a residência dos religiosos, conhecida como Retiro. Em 1734, é concluída a obra da Igreja de Comandaroba, hoje um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do estado.
O desenvolvimento econômico aconteceu com a chegada da cana-de-açúcar, fazendo com que as margens do Cotinguiba se desenvolvessem e atraindo comerciantes de várias partes do estado. Na época existiam muitas laranjeiras no local, dando origem ao nome da cidade que, no século XVIII, com o ciclo de cana-de-açúcar, chegou ao apogeu financeiro.
Antes pertencente a Socorro, Laranjeiras é elevada à categoria de vila, em 1832, devido ao seu grande desenvolvimento e vida social intensa. Em 1836 é designada como primeira alfândega de Sergipe, por sua importância como grande centro comercial e exportador. Em 1848 passa à categoria de cidade.
A maior parte do patrimônio arquitetônico de Laranjeiras é de influência barroca. A essa característica juntaram-se outras influencias gerando uma característica eclética em muitos de seus prédios.
Por muito tempo, o que hoje conhecemos como estilo barroco foi visto de forma pejorativa, como sinônimo de algo bizarro, prolixo, deformado. A própria palavra barroco, em sua origem, tem uma conotação depreciativa: nas joalherias espanholas, eram chamadas barrueco as pérolas defeituosas. Observe-se que a atribuição ao barroco de significado depreciativo não é caso único na história da arte: termos como Impressionismo, Fauvismo, Cubismo, no começo, foram assim também interpretados. Parece claro que tal conceito tomava como referencial de perfeição a arte clássica do Renascimento, sua pureza de linhas, seu equilíbrio formal, sua clareza na concepção. A partir do trabalho de autores como Wölfflin e Eugênio d'Ors é que o Barroco se reabilitou, passando a ser percebido como um estilo que, partindo de conquistas estéticas herdadas dos renascentistas, se propôs a introduzir nas formas novos elementos: a emoção, o efeito, a retórica dramática, o movimento, a intensidade expressiva.
Em Laranjeiras o Barroco se integra a atmosfera da cidade. Essa total integração entre o patrimônio arquitetônico existente e a paisagem da cidade se fundem de tal forma que os elementos arquitetônicos completam a visão paisagística e nunca são vistos como algo que interfere na paisagem natural.
tags: Aracaju SE cultura-e-sociedade arte barroco-em-sergipe artes-plasticas
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