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Ator Emiliano Queiroz conta história de vida e descreve trajetória artística
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Luciano Sá · Fortaleza, CE
22/4/2007 · 110 · 4
 

“Para ser um bom ator, é preciso ler tudo sobre teatro, assistir ao maior número possível de peças e filmes, conversar com atores profissionais, mas – sobretudo –conhecer-se, para buscar e encontrar sua singularidade como artista”.
A dica acima foi dada pelo ator cearense Emiliano Queiroz, em resposta a pergunta elaborada por alguém da platéia, durante a mais recente edição do programa de debates Nomes do Nordeste, realizada no último dia 30, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza.
No programa, Emiliano Queiroz narrou sua história de vida e trajetória artística, em entrevista aberta ao público concedida ao ator, dramaturgo e diretor teatral cearense Ricardo Guilherme. A entrevista pública do ator foi a principal atração da semana de encerramento do I Festival BNB das Artes Cênicas.

Atuação incansável em cinema, teatro e tv
Nascido em Aracati, em 1º de janeiro de 1936, Emiliano Queiroz tem atuado incansavelmente em inúmeras telenovelas, minisséries, filmes e peças de teatro. Na TV, já fez mais de 40 personagens em novelas da Globo, rede cujo elenco artístico integra desde 1965, e onde consagrou-se nacionalmente pela interpretação de personagens marcantes como Dirceu Borboleta (“Bem Amado”, 1973) e Juca Cipó (“Irmãos Coragem”, 1970), entre outros.
Durante a entrevista, foram ressaltados fatos importantes de sua trajetória, como: a contribuição para criar o Teatro Experimental de Arte (TEA), em Fortaleza, na década de 1950; o trabalho como radioator, num tempo em que o radioteatro tinha maciça audiência nas emissoras cearenses; e sua partida de caminhão pau-de-arara para São Paulo, a fim de estudar arte dramática naquela metrópole.
O ator também reviveu seu retorno a Fortaleza, no início da década de 1960, para ajudar a fundar a TV Ceará, fazendo teledramaturgia ao vivo: “o advento da televisão em Fortaleza provocou uma mudança de hábitos profunda; era uma cidade pacata, à noitinha as pessoas colocavam cadeiras nas calçadas para conversar, e com a chegada da TV, a maioria se recolheu para dentro de suas casas a fim de acompanhar as novelas locais”.
De volta a São Paulo, Emiliano realiza suas primeiras incursões no cinema, atuando ao lado de comediantes consagrados como Mazzaropi (“O Lamparina”, 1964) e Oscarito (“Jovens pra frente”, 1968).
Em 1969, trabalha na novela “A Ponte dos Suspiros”, de autoria de uma certa Stella Calderón (na verdade, um pseudônimo adotado pelo dramaturgo baiano Dias Gomes, para driblar a censura imposta pelo regime militar).

Ladrão de emoções rouba cena todo dia
Com humor, relembra quando atuou na peça “Viagem ao centro da terra”, de Júlio Verne, dirigida pela brasileira Bia Lessa, que levou o espetáculo para a Alemanha em 1996.
“Eu fazia um personagem germânico, e ainda falando em Alemão; ao encontrar um casal cearense no hotel, os dois comentaram: ‘Emiliano, você é muito abusado mesmo! Sair do Ceará para interpretar um alemão, falando a língua deles, na própria terra deles...’”, ri-se.
No teatro, interpretou o travesti Geni, na primeira temporada da peça musical “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, em 1978. O personagem também ganhou uma canção do dublê de dramaturgo e compositor, intitulada “Geni e o Zepelim”, com letra de 98 versos, tão quilométrica quanto inspirada.
“De tudo que é nego torto / do mangue e do cais do porto / ela já foi namorada”, assim iniciava a canção estruturada em redondilhas maiores, que se tornou bastante popular no período de abertura política vigente no Brasil, no final da década de 1970.
Ao cantar a canção-tema do seu personagem, Emiliano Queiroz – qual um ladrão de emoções – roubava a cena diariamente. No teatro do Centro Cultural, ao reviver trecho de “Geni”, ele recaiu nessa prática surpreendente de arrastão coletivo, extasiando a todos.

OBS.: Matéria originalmente publicada no jornal Notícias do BNB, edição nº 16, de 9 de abril de 2007, na página 3. O Notícias do BNB é o boletim institucional do Banco do Nordeste do Brasil, com periodicidade semanal e tiragem de 7 mil exemplares. Pode ser lido no Portal do BNB.

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marcio rufino
 

Parabéns, Luciano.
Ótimo artigo. Este grande ator que é o Eniliano Queirós merece uma homenagem como esta.
Abçs.

marcio rufino · Belford Roxo, RJ 18/4/2007 21:26
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Roberto Maxwell
 

Luciano, o texto sobre o emiliano eh oportuno e excelente. Mas, me explica o que vc quis dizer com "do dublê de dramaturgo e compositor" ao se referir a Chico Buarque? Eu sempre quis entender o significado dessa expressao tao recorrente entre os jornalistas.

Roberto Maxwell · Japão , WW 22/4/2007 10:36
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Marcelo V.
 

Foi uma grande alegria ver o Emiliano atuando novamente no cinema em "Madame Satã". Ele está absolutamente fenomenal em "Navalha na Carne", do Braz Chediak.

Marcelo V. · São Paulo, SP 22/4/2007 12:18
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Luciano Sá
 

Roberto,

taqui no Houaiss: dublê = indivíduo que exerce duas atividades simultâneas.

Luciano Sá · Fortaleza, CE 23/4/2007 15:58
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