Religião é algo muito pessoal. O Brasil, assegurado pela constituição, é um estado laico, onde todas as pessoas podem manifestar suas crenças sem sofrer discriminação. Óbvio, e não é isso que está em discussão.
As Leis de Incentivo à Cultura, quando surgiram na era Collor, tinham um intuito claro e definido: fomentar a cultura no Brasil. Com suas qualidades e defeitos, realmente o fez. Hoje em dia vários estados brasileiros e várias das grandes cidades do país possuem as suas próprias leis de incentivo, além da lei federal (Lei Rouanet), que, através de impostos, financiam direta ou indiretamente projetos artísticos de todas as áreas. E realmente diversas iniciativas culturais importantes no país foram realizadas através dessas leis, inclusive esse próprio site. Mas isso muitos que freqüentam esse Overmundo sabem.
No caso específico da Lei Rouanet (que é geral a todos nós) várias alterações estão sendo discutidas. E realmente acredito que seja necessário mudanças, com o intuito de aprimorar a lei para atender as necessidades da dinâmica cultural de hoje. Por ser um importante instrumento de fomento cultural, ela deve ser amplamente discutida para ser aperfeiçoada, sem a menor sombra de dúvida. Vários pontos foram discutidos nas Câmaras Setoriais, inúmeras propostas recebidas e analisadas nas diferentes áreas, e o Ministério da Cultura realmente discutiu (e acredito que continua discutindo) com os artistas a respeito das políticas culturais, algo que realmente quase não acontecia.
Porém uma mudança na Lei Rouanet que foi proposta nesta semana no Senado Brasileiro realmente me deixou preocupado como artista. Sem querer discutir o que é ou não é cultura, podemos discutir sim o que a Lei Rouanet deve ou não deve apoiar. No caso da música, muito se fala que artistas consagrados de grandes gravadoras não deveriam ser contemplados pela lei, o que eu concordo, mas é algo que se pode aprofundar a discussão a respeito dentro da classe artística. Essa nova proposta no Senado prevê que Igrejas e templos religiosos possam ser financiadas com recursos da lei. Ou seja, o possível patrocinador pode doar o dinheiro em troca de renúncia fiscal de parte de seu imposto de renda. As Igrejas estabelecidas no país já gozam de inúmeras renúncias fiscais, o que me leva a repudiar tal proposta veementemente como artista e também como cidadão. Todos sabem que milhares de Igrejas no país funcionam como lavagem de dinheiro, se aproveitando da fé do carente povo brasileiro, além de escândalos envolvendo padres, pastores, etc. Construir e manter igrejas e templos com o dinheiro da Lei Rouanet seria muito injusto. Volto a dizer que essa discussão não é religiosa, e sim política. Por que propor que o Estado Brasileiro auxilie ainda mais as Igrejas? Será realmente que essas iniciativas religiosas necessitam mais da Lei Rouanet do que peças de teatros, shows, filmes, festivais, CDs, livros, exposições e diversas outras propostas que buscam na lei, muitas vezes, o último recurso para serem viabilizadas? Será mesmo que Igrejas precisam de financiamento público? Alguém no governo ou no congresso realmente acredita que essa é uma proposta justa para a sociedade brasileira? Será que essa proposta é tão urgente assim que tem que ser votada antes de tantas outras que estão há tempos esperando, com relação à segurança pública e educação por exemplo? As respostas parecem óbvias, porém os artistas tem que ser os primeiros a respondê-las.
Recentemente nós artistas tivemos um sério "embate" com a classe esportiva a cerca desse tema, que felizmente terminou bem, a princípio, para ambos. Agora os artistas terão que discutir novamente questões políticas com um outro segmento da sociedade, muito mais bem estruturado, diga-se de passagem. Como artista me sinto profundamente indignado e desrespeitado com tal proposta. Como cidadão, me sinto mais uma vez descrente com o poder público que teima em privilegiar interesses isolados.
Ah, é natural que essa proposta tenha vindo de um senador da "bancada religiosa". E poderia ser diferente? Nome: Senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado a Igreja Universal. Sobrinho de quem? Edir Macedo. Precisa falar mais?
Meus amigos,
Mobilizem seus deputados para que eles mobilizem seus senadores.
A coisa pode ficar feia...
Pois é esse o problema. Quem são os deputados e senadores da "bancada cultural"? E você acredita que o PT apoiou e o PSDB vai ser contra essa proposta?
Téo Ruiz · Curitiba, PR 26/4/2007 19:05
Téo,
Parabéns pelo seu texto.
Vou deixar de lado o teor religioso (como você mesmo o fez) e quem sabe, até mesmo um pouco do político.
Acredito que ao menos para os usuários do Overmundo, não é segredo que a Igreja católica é uma das maiores potências monetárias do mundo. Eu não entendi bem a prospota que essa lei tenta passar, sinceramente.
O conceito "Gospel" veio invadindo timidamente o mundo artístico. Não é de meu gosto pessoal, mas sei que isso não quer dizer que não seja bom. O que não é bom, no meu ponto de vista, é a urgência com qual se olha para esse aspecto. Acredito muito no "Pão e Circo", mas acredito antes - assim como você -, em segurança, educação e qualidade de vida.
Infelizmente, nós brasileiros aprendemos que onde tem fumaça, tem fogo. É difícil olhar para essa proposta com bons olhos, e eu admito que não consigo. Inclusive, prefiro por momento calar as ponderações que passam na minha cabeça - Odiaria acusar sem provas, afinal, não é porque um pitbull morde que todos morderão.
Mais uma vez, achei sensacional o seu texto. É acima de tudo um apelo e estou do seu lado nele.
Existem prioridades inúmeras no brasil, e dentre elas, vale citar o caráter. Seria impossível discutir sobre progresso deixando o caráter - ponto tão vital - de lado.
Obrigado Dots! É justamente isso que eu acho: prefiro não dizer os motivos que me passaram pela cabeça que levaram essa proposta a vir à tona. Se bem que disse indiretamente no texto, mas é algo que realmente é difícil ver com bons olhos. Vamos ver, tomara que o PSDB nos salves dessa (extranhamente o PT deve ser a favor da proposta e o PSDB contra!).
Abraços
Existe muita, muita pilantragem mesmo na area das igrejas, mas também exite gente boa nesse meio e aí como fica? Não tenho opinião formada ainda sobre este projeto, mas acredito que temos que buscar, mais que vetar tais propostas, é buscar fazer que se cumpra a lei, como foi escrita: Apoio a cultura e não a lavagem ou desvio de dinheiro ou sua utilização por meios escusos..., mas vendo a última linha do seu texto Téo, fica difícil acreditar que possa ter boa fé aí não é. Os "Macedos" da vida são difíceis de engolir...
Andreia Costa · Belo Horizonte, MG 27/4/2007 19:33
Claro que existe muita gente boa nesse ramo Andreia, assim como tem muito picareta na cultura também. Todas as profissões são assim. Mas o ponto é que a Lei Rouanet não tem nada a ver com Igrejas em si. No máximo, patrimônio cultural, revitalização e essas coisas, o que eu já acho que também deveria ser feito com outros recursos do governo, mas tudo bem. Mas a construção de algo que já vai usufruir de vários alívios fiscais, não tem porque o Estado dar incentivo à religião, que é algo muito particular. Como um estado laico, quem vai definir quais igrejas serão apoiadas? Batistas Católicas, Universais? Mas e o Budismo e o Candomblé, também teriam direito. É muito complicado o Estado se posicionar nessa questão com incentivos. Cada um tem sua crença e pronto, ninguém tem nada a ver com isso. Muito menos o governo. Esse é meu ponto de vista.
Abraços!
gente, desculpem mas deixamos vocês fora de um bate papo que rolou por e-mail, depois deste último post.
Começou sobre o assunto "deus" e chegou ao assunto Homem. Cheguei a conclusão que vale mais o carinho e o respeito que qualquer diferença de opinião. Um abraço carinhoso para você Téo.
Pois é Andreia, também concordo. Como dizia André Abujamra: "Alma não tem cor". Acho que o respeito passa por isso também!
Abraços, e seus comentários são sempre bem-vindos!
Antes que alguém pergunte, a gente não quebrou o pau por email não! rs...
Foi somente uma discussão sobre religião e cultura!
E onde fica a questão da fruição da obra?
Como algo que eu financio com meu imposto vai para deleite de hierarcas? Vai poder entrar de chinelo de dedo na catedral?
Nos chópinguis não dá mais, mas são outros templos, mais modernos.
Depois quando falamos da contrapartida de interesse público acusam de censura.
O povo dá dinheiro aos ministros de Deus há milênios e...
E aquele negócio que o Lacerda fez com o Prestes vai valer?
Toda igreja que está aqui está em outro lugar, com sede em alguma capital mundial e contabilidade nos ambrosianos ou na suíça, se não der no mesmo.
Vai-se poder financiar projeto internacional na cultura também?
É coisa do capeta, sô!
Vamos desencapetar essa gente, meu overpovo!
Téo,
Bom artigo.
Sou religiosa, porém, discordo plenamente desta proposta de lei. Não vou entrar no mérito do que é joio ou do que é trigo. Picareta tem por toda a parte. Constantemente assistimos às aberrações cometidas por parlamentares a quem damos todo o poder da terra e, revestidos no papel de 'deus' se fazem onipotêntes, a começar pelos próprios salários. Se uma bancada propõe um absurdo, o que dizer das outras que aprovam. Afinal, onde estão os interesses nacionais? Não há inocentes! Quem contestar vai ficar falando sozinho... Fiz meu IR e lamento a contribuição, a oferta compulsória para garantirem a manutenção do reino, dos seus santuários, enquanto que para nós, os mortais, sobram as migalhas, com o nosso concentimento. Precisamos agir mais. Se alguém tiver alguma idéia...
correção: onipotentes.
Edna Queiroz · Rio de Janeiro, RJ 30/4/2007 00:46
Desde quando comecei a trilhar um caminho que possivelmente me levará a ser pequena empresária, eu me pergunto o que tantos feriados católicos fazem no calendário do nosso Estado "laico". Minha bronca com relação à essa mistura por conta de interesses começa aí, e vem tropeçar nesse texto sobre a Lei Rouanet.
Também tenho a minha fé, e a considero convicta até o dia de hoje. Mas não concordo de forma nenhuma com o uso do dinheiro público ou incentivos fiscais para iniciativas dessa natureza!
A pergunta que me ocorre é como podemos participar disso? Como podemos evitar que uma proposta como essa seja aceita e posta em prática??
Se alguém tiver idéia, tô ansiosa...
Igrejas são uma das instituições mais lucrativas desse país... e muitas dessas fontes de renda são ética e moralmente reprováveis. Além disso, o Brasil é um estado laico e, teoricamente, não deve defender, apoiar, reprovar e nem se opor a nenhum tipo de religião. Deve manter a neutralidade. A lei proposta pelo senador Marcelo Crivella irá gerar algumas discussões produtivas já que, cada vez mais, as igrejas no Brasil têm se envolvido na política e nas politicagens e estão, até mesmo, esquecendo sua real função (função que também é contestada ao longo da história). Mas as probabilidades da lei ser aprovada é quase nula.
Ressaltando que as ponderações do comentário estão direcionadas às Igrejas (instituições) e não às religiões, crenças, credos e fés.
Téo, excelente recorte. Realemente temos que tomar conta da nossa cultura. Por aqui existem algumas leis de incentivo como a "Lei Câmara Cascudo", mesmo assim, ainda é difício conseguir subsídios. Como em todos canto do mundo, a apadrinhamento fala mais alto...
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 30/4/2007 11:37
Legal o texto. Mas mantenhamos o foco. Já tem gente querendo acusar a Igreja Católica de "uma das maiores potências monetárias do mundo" e depois dizer que não gosta de acusar sem prova; falando mal de feriado, de igrejas, da religiosidade, de Deus. Gente: estamos falando de uma lei, não de religião.
Se debatemos atos de um Estado laico, pensemos como um. Leis são feitas com um propósito e a Lei Rouanet foi desenhada olhando principalmente para o setor privado, afinal, abatimento em impostos é mais interessante para esse setor. O setor privado funciona diferente das igrejas, por mais "monetizadas" que sejam -- empresários agem na margem, respondem a incentivos econômicos, não vivem de doações.
Sabemos que o incentivo privado à cultura é fundamental e é ele que a lei visa. O incentivo dado à cultura feita no meio religioso, "gospel" ou o que seja, tem dinâmica diferente: tem renda oriunda principalmente da doação voluntária e não de uma atividade econômica, não objetiva propaganda empresarial (diferente da religiosa). Assim, a Lei Rouanet não deveria contemplar essa parcela de produção cultural.
Entretanto, marcar a linha divisória é muito difícil. Algumas produtoras culturais são claramente religiosas e vivem de doações, outras confundem-se com empresas e não exibem limitações materiais para não serem contempladas pela lei. Mostremos nossa atenção para quem entende do assunto encontrar a melhor saída legal.
Abraços.
Pelo que entendi a lei vai possibilitar a construção de templos e igrejas, além de servir para fomentar a publicação de livros e cd´s... então acho que a questão não passa por separar o joio do trigo... independente da honradez de cada "igreja", e sem entrar no mérito de quais são corretas, acredito que a proposta deve ser vetada. Como o próprio texto coloca já existem isenções e "financiamentos" para este "setor".
Agora, obra de arte é obra de arte, independente de ter teor religioso ou não, deve ser avaliada enquanto tal. Mas, pelo que me consta, já existem os meios adequados. Vendo desta forma cheira mesmo a picaretagem, até porque os Macedo já tem dinheiro suficiente, não precisam de financiamento.
Esse é um debate que realmente se coloca para a sociedade civil discutir, desde que sem preconceitos. Valeu por trazê-lo para nós, Téo. Um abraço.
Vamos de novo:
Religião tem a ver muito com igreja.
Tem igreja que tem muito pouco a ver com religião e se sustenta na fé, na crença, por aí.
A religiosidade não carece de templo para existir.
Suntuosidade não garante lugar no céu, em Shangri-La, no Nirvana, onde queiram.
Tutatis e Belisama também são deuses, Oxalá um só.
Feriado existia entre os romanos, às vezes festivais de cem dias ou mais (garantidos pelo trabalho escravo do império da época).
A Igreja Católica mediou com a prática mundana e incoporou dezenas deles, destinando a alguns santos, santas, ao coração e ao corpo de Maria e Jesus.
Lutero fez um acordo com o nascente capitalismo alemão, baniu os feriados e a mediação santeira. É livre arbítrio, conexão direta com o pai da criação.
Imposto, minha gente, meu overpovo, quem paga é só o que não tem pra quem transferir a carga e o consumidor final das mercadorias.
O restante, todos, botam o valor das taxas devidas no preço da mercadoria.
João S-M é quem paga a conta, porque só vive de salário e não tem a quem transferir a despesa.
Incentivo à produção cultural tem de trazer retorno de interesse público, sem o que é mera barretada com chapéu alheio. Dão meu dinheiro para a montagem do espetáculo que eu não vou poder fruir.
Penso assim, ainda, mas por enquanto.
Tremendo retrocesso! Sinto-me na Idade Média...
Alcy Filho · Jataí, GO 30/4/2007 12:46
Adroaldo, só um comentário: imposto todo mundo paga. Quem passa o preço do imposto adiante pro consumidor está interessado em ter imposto menor pra reduzir o custo. Isso faz uma baita diferença no preço, e preço é tudo. Isso é pensar na margem. Se imposto só afetasse o consumidor no fim da linha, isenção e guerra fiscal seriam fenômenos desconhecidos e o Sebrae perderia metade da razão de sua existência.
Se pudermos usar essa ferramenta para produzir mais e melhor cultura, fantástico.
Abraço.
O que seria fomentar a cultura no Brasil? Compreendo que seja promover o desenvolvimento de projetos aos artistas que precisam de apoio para se manifestar. Não devemos diferençar nenhum artista que seja de alguma classe mesmo os ligados às instituições. Até aí tudo bem. Correto, não vamos estabelecer nenhuma crítica quando tratamos de artistas nem mesmo os religiosos (embora eu particularmente não tenho receio nenhum em dizer que mooooooorro de preguiça dos mesmos que são fanáticos, mas respeito muito os artistas que conseguem materializar o que é imaterial, mesmo que estes geralmente definem arte como dogma, o que pra mim já peca mesmo eu sendo ateia) que podem e devem receber a tal concessão. Mas o que implica diretamente e, é o real motivo de cairmos em cima desta mudança da lei rouanet e não vendarmos os olhos e não calar é o seguinte: "Os fiéis evangélicos já representam 15,4% da população brasileira, segundo o censo de 2000". E como destaca o sociólogo Gamaliel Carreiro "Uma igreja é uma firma religiosa. Uma empresa social que cria e trabalha para manter uma crença dentro da sociedade. A especialização surge quando essa firma constrói a crença de modo a satisfazer a necessidade do indivíduo”, e como ele demonstra dá para afirmarmos exatamente que a separação entre Igreja e Estado resultou na expansão de novos grupos religiosos, a maioria firmados em organizações econômicas e administrativas. Como podemos perceber, com esta aprovação e projetos megalomaniacos (como dá para sacar ser o lema dos grandes religiosos) que devem aparecer por aí, vamos ter daqui a pouco as maiores produtoras nas mãos dos pastores. A não aprovação de projetos pequenos e necessários ao pobre e grande artista que batalha para caralho para conceder aos fiéis boas verbas, que para tanto devem enfiar nos Santos ocos, nos óleos milagrosos e debaixo das batinas.
Que Deus honre a glória para não haver tamanha hipocrisia.
Pondere!!!!!!
Ô, Pedro Gontijo:
Assalariado não tem pro labore pra embutir em preço de mercadoria alguma.
Claro que pro labore é que compra mercadoria para fabricante ou comerciante de mercadoria que passa ao preço da dita os custos da sobrevivência dele e as ferraris dos filhos que estudam nas europas e istaites.
Ainda penso assim
Gente, que bom saber que pelo menos o público deste site está atento e falando a mesma língua. Sei que aqui tem vários artistas, produtores, e público interessado. Acho que todos nós estamos cansados de várias coisas no Brasil, e essa proposta será mais um aspecto a se discutir e defender os interesses da cultura. Principalmente artistas e produtores, que serão diretamente afetados por essa proposta.
Ninguém discute que a lei rouanet deva contemplar qualquer manifestação artística, independente se ela é punk, rock, indígina, concreta, clássica, romântica ou religiosa. Isso não interessa, e vai (e deve) continuar com o apoio da lei. Nossa cultura é muito rica e variada. Mas o que não podemos admitir é a equiparação de igrejas e templos aos museus e bibliotecas, esses sim já contemplados pela lei.
É claro que isso vai gerar uma discussão do que é cultura, e nessa hora teremos que nos posicionar prontamente. É claro que religião é cultura, assim como educação, gastronomia, tecnologia, vestuário.... também são. Se for assim, restaurantes poderão entrar na lei roaunet, pois é cultura. Pesquisas científicas também, porque também são cultura. Desfiles de moda também, e assim vai. O que chamamos de CULTURA no meio político se aproxima muito mais de ARTE do que essa definição ampla de cultura. Isso é que temos que diferenciar e deixar claro. Essa discussão já rolou no Blog da Estrela, quem quiser acompanhar o link é
www.leminiskata.blogspot.com
Sobre o que podemos fazer???
Mobilizar os parlamentares que conhecemos, pra eles se manifestarem contra essa proposta. Me espantei muito mais quando vi que o PT pode ser a favor da proposta e o PSDB já disse que vai ser contra!!!! Quem votou no PT (como eu) deve cobrar isso, pois historicamente o partido sempre defendeu a cultura. Quem votou nos outros partidos, também devem se mobilizar pois isso é um interesse comum da sociedade, independentemente de questões políticas.
Vou falar com alguns vereadores e deputados que conheço daqui de Curitiba, e quem tiver acesso a mais parlamentares, sugiro que faça o mesmo.
Tô com tu, Téo.
Também votei no menos ruim nas últimas eleições, tendo votado no que achava melhor, nas anteriores, desde 1982.
Sugiro que se faça um belo resumo deste debate aqui, concluindo pelo teu último postado e se poste nos blogs próprios, que têm outros leitores a mais que daqui, creio, e que se envie sínteses aos parlamentares das relações de cada um. Assim cada um defende o que achar que deve sem necessitar se dobrar a argumento de ninguém pra "fecvhar um texto único".
E vamos à luta.
_______________
p.S.:
Minha casa é também bem bonitinha, tem mais de 50 anos. Vou atrás duma leizinha para garantir a preservação do patrimônio.
Ah, minha mamãe tá necessitada de uns remédios regulares, vai fazer 82 e tem um cultura fantástica, híbrida de Piauí, Maranhão e Rio Grande do Sul, será que consigo uns financiadores para a saúde-cultura dela (ela insiste que não precisa - rsrsrs)
Boa Adroaldo! Mas é isso aí, acho que podemos fazer quantas "listas" forem necessário. Se fizerem uma lista única pra mandar pro congresso eu assino também, mas vou tentar marcar uma reunião com os deputados e vereadores do PT que dão mais atenção pra cultura também.
Abraços!
Gente, o Ademir Assunção já postou no blog dele e eu reproduzo aqui, ó:
Presidente do Senado, Renan Calheiros (renan.calheiros@senador.gov.br) - fone (61) 3311-2261/2262,
Presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia (dep.arlindochinaglia@camara.gov.br) - fone:(61) 32158014,
E o autor do projeto: Pastor Crivella (crivella@senador.gov.br) – fones: (61) 3311-5730/5225 (Brasília) e (21) 2518-8444 (escritório no Rio).
É isso aí. Valeu a indicação. Anotei! Teorizar, elencar culpados, jogar grupos religiosos no mesmo saco... não leva a nada. É ficar na praça dando milho aos pombos (adap). Precisamos, como formiguinhas, incomodar, mostrar nossa indignação.O país está assim com o nosso consentimento também.
Teo, vou dar um toque para o Henrique fontana, aqui do Sul.
Teu postado tá blogado aqui também.
Não tem como não ver que o que se quer é lucro líquido e certo, sem despesas, para um negócio que deveria funcionar às custas dos fiéis. Se o negócio é legislar, que se crie o imposto da religião: o contribuinte doaria, na sua declaração de renda, um percentual para financiar a sua igreja. E pronto! Cada um por si e Deus por todos. Mas com a condição de não chamar isso de lei cultural! Pelo amor de Deus! Tirem a mão da cultura e deixem que a cultura se realize pela sua própria natureza simbólica de representação. Por que eu tenho de financiar, como cidadão, a fé alheia?
ruypereira · Rio de Janeiro, RJ 30/4/2007 23:35
Valeu Sahea! Acho que isso é um bom caminho também! Vou pensar direitinho, falar com uns amigos do movimento sindical e me informar pra elaborar um texto consistente pra mandar para os presidentes do senado e da câmara. Acho que nós da cultura temos que mostrar nosso interesse! Seria legal esse email chegar no ministro da cultura também.
Téo Ruiz · Curitiba, PR 30/4/2007 23:55
o Crivella está no programa do Jô agora!
(luciana na esperança de que alguém veja)
Perdi!!!!!!!!! Quase vi Luciana!!!! Valeu pelo toque!!!
Téo Ruiz · Curitiba, PR 1/5/2007 01:13
Olá Téo!
Para os comerciantes de salvação, Cultura e Educação publica nunca será prioridades, "pois às Igrejas/cada vez estão mais lotadas/quem é forte dá porrada/quem é fraco vai orar".
E quanto aos palamentares, precisamos cobrar responsabilidades.
Um abraço.
Pelo que entendi na entrevista do Jô Soares, há um detalhe.... as igrejas beneficiárias seriam apenas aquelas que foram tombadas pelo IPHAN, ou seja, igrejas de caráter histórico e tidas como patrimônio cultural.
Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 1/5/2007 16:45
Pessoal, não entendi porque todas as opiniões referentes a igrejas se voltaram para a católica. peraí. sem defender nenhuma crença, mas vamos pensar um pouco antes de falar.
Pelo que entendi o Teo, até pra ele tanto faz e tanto fez que religião é esta que será beneficiada. pelo que eu saiba nao é a catolica que tem lobe forte no congresso.
Deixemos nossas crenças de lado, pois nao tem nada a ver com o assunto e vamos ao que interessa.
Incentivo a cultura, deve ser fornecido a quem? Que tipo de cultura queremos disseminar? Estas são as perguntas que devemos responder.
Cultos religiosos merecem ou nao incentivo a cultura? Até que ponto se eu der incentivo a um, eu terei que dar ao outro?
Os incentivos devem ser para entidade e associações meramente culturais? Se esta resposta for sim. Então, mandemos uma carta ou um e-mail ao político que nós votamos, cobrando um posicionamento, independente do partido que ele seja. Se voctamos nele, ele deve nos representar. Não há como foi questionado acima, se é de direita ou de esquerda. Se ele nos desapontar, tire ele nas proximas eleições. Cobrem de seu político. Apendam a lutar por seus direitos.
Ótimo texto. Não tem nem o que discutir. É simplesmente um absurdo que igrejas e templos religiosos possam ser financiados com recursos da lei Rouanet.
Janethe Fontes · São Paulo, SP 1/5/2007 17:39
Luciana, mesmo assim eu sou contra. Na realidade, eu acho que revitalizações e restaurações deveriam vir de uma outra parte do orçamento público que não a lei rouanet. Agora, incluir mais brechas nisso é ruim para o trabalho de artistas e produtores. Ainda mais igrejas, pois sabemos muito bem a figura que está por trás disso tudo (eu disse no texto). E sejamos sinceros, se for pra ser "templos religiosos" tem que ser de qualquer religião, certo? E me diga qual terreiro de candomblé, templos budistas ou mesquitas brasileiras serão tombadas pelo IPHAN? Além de igrejas católicas (muitas já são tombadas e já usufruem da lei rouanet - a catedral de curitiba já tem um projeto aprovado de revitalização), qual outra igreja será que vai conseguir ser tombada pelo IPHAN? Não tem como não desconfiar dessa proposta, que isso cheira a maracutaia mesmo. Pelo menos pra mim. E como artista, serei imensamente prejudicado. Não posso estar feliz com isso.
Téo Ruiz · Curitiba, PR 1/5/2007 19:31
Laine, pra mim realmente tanto faz qual será a crença beneficiada. Minha crítica quanto artista é que teremos que dividir praticamente o único mecanismo público que funciona bem (ainda que com alguns defeitos) para a cultura com outros segmentos. E com igrejas, que já têm inúmeros alívios fiscais. Acho isso completamente injusto. Minha crítica como cidadão é de que dinheiro público nenhum deveria financiar nenhuma crença, sem exceção. Crença é crença, cada um tem a sua. E esses templos e entidades devem ser mantidas por quem acredita nelas, através de doações, dízimos, etc. O Estado (governo) não tem o menor dever e nem o direito, na minha opinião, de decidir qual deve ser beneficiada ou não. Ou seja, usar dinheiro público pra financiar essa ou aquela religião, seja como for. Porque um judeu ortodoxo, que paga seus impostos direitinho, tem que aquentar seu dinheiro indo pra uma igreja universal??? E vice-versa. Esse é o ponto, cada um decide sua religião, o Estado não tem porque dar mais nenhum incentivo a qualquer religião que seja. E ainda mais tirando dinheiro da cultura, que já tem um orçamento ridículo dentro do PIB nacional (menos de 1%). Se pegar do salário desse senador, que ainda por cima é homofóbico e preconceituoso, aí eu aceito. Agora do meu bolso não, da lei rouanet não. Lei Rouanet deve fomentar manifestações artísticas, seja ela qual for. Agora religião e templos não. OK?
Abraços!
Téo, eu tb sou contra. Pelo que consta na lei, instituições de cunho cultural têm o direito ao benefício, simplesmente, e o projeto quis aumentar o que nela já existia. Isso vai dar um nó geral. Acredito que muitas igrejas do século XVI estão precárias, com goteiras, paredes em rachaduras, mas sendo de importância histórica, já têm a proteção do IPHAN e consequentemente o benefício. O projeto é uma farsa.
Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 1/5/2007 20:05Téo, francamente, estou gostando do debate, só não entendo porque a lucana se arvora à defender restauração de igrejas com verbas advindas da lei rouanet? eu acho um absudo tirar dinheiro de incentivo à cultura, para fomentar o burguês circo francês, o que dizer de restáuros tendenciosos.
Pedro Monteiro · São Paulo, SP 1/5/2007 21:02Luciana, desculpe me, por vavor escrevi teu nome errado.
Pedro Monteiro · São Paulo, SP 1/5/2007 21:07
Ola a todos,
Acho que se a discussão pode ser mais produtiva se for em torno de definir claramente com regras e justificativas o recorte da lei.
Pois que religião é cultura também, a maioria concorda. O que falta e deixar claro quais segmentos da cultura devem ser apoiados pela Lei. Sem com isso ficarmos tentando justificar porque eles não merecem ser apoiados, é mais objetivo dizer quais setores devem ser apoiados e por que.
Assim acredito que a Lei pode sair mais fortalecida e evitar outros possíveis "equívocos" no futuro.
Pedro Monteiro, acho q vc não leu com a devida atenção meus comentários.
Luciana Maia · Rio de Janeiro, RJ 1/5/2007 22:15Não sei se vocês viram ontem o bispo/senador Marcelo Crivela no programa do Jô. Ele foi lá justamente explicar a modificação que pretende fazer na lei de incentivo à cultura, incluindo nela os templos religiosos como patrimônios artísticos/culturais. Ele se enrolou demais e no fim não explicou com exatidão o que realmente pretende modificando a lei. Ninguém entendeu, nem mesmo o Jô, que repetia várias vezes a mesma pergunta, buscando uma resposta mais concreta.
Maringá · Rio de Janeiro, RJ 1/5/2007 22:30
Sim Luciana, você tem razão. Outra vez, desculpe me.
Bem, só vou comentar a introdução do texto.
Os conceitos de separação entre a Igreja e o Estado e de Estado Laico causam bastante confusão. Podem ter dois significados diferentes: um anti-religioso e o outro não.
O primeiro é o que existe na França, por exemplo, onde não só há um total repúdio a qualquer influência religiosa na vida pública, como, aliás, o Estado até legisla contra as práticas religiosas, proibindo, por exemplo, que seus cidadãos portem símbolos religiosos. A democracia é usada como pretexto para perseguir as práticas religiosas.
O segundo tipo é o que existe, ou existia originalmente, nos Estados Unidos, onde a separação entre Igreja e Estado significa simplesmente que o Estado não pode ter religião oficial e/ou impor uma prática religiosa aos seus cidadãos (infelizmente um movimento iniciado há algumas décadas, composto de democratas, feministas, líderes gays e etc., que vêm tentando transformar esse significado, dando-lhe uma conotação anti-religiosa).
Osvaldo Tancredo
Gostei muito do seus texto!Vou ler um pouco mais sobre o assunto e fazer o que propôs Egeu Laus: cair em campo e moblizar os deputados e senadores em prol disso!!!
Você está nos prstnado um serviço!!!
Parabéns!!!
Téo, vindo de onde vem só pode ter este caráter que vc denunciou. Estou contigo e não abro.
Abraços!
Atualizadissimo texto, parabéns pela sua posição e concordo com ela, mas como sempre religião, futebol, política sempre com controvérsias...Abraços!
Rafael D. · Belo Horizonte, MG 2/5/2007 17:18
Pelo que pude perceber está rolando um certo temor do artistas. Coisas do tipo nosso espaço já é pequeno e ainda vamos ter que dividir com igrejas e templos religiosos. O temor é normal.
Mas, vamos pensar por outro lado. Sou brasileiro e me orgulho disso, proponho então que somente igrejas e templos religiosos exclusivos da cultura da brasileira possa ter direito a colocar projeto na Lei.
Aí, sim nós artistas daremos um nó bem dado nessa discussão.
O Santo Daime e centro de Ubanda são estes que merecem atenção dos nossos governantes pois sofrem retalhações de seus manifestos culturais e são centros religiosos brasileiros.
E quem crítica nossa cultura religiosa vai financiar os nossos orixás e nossas mirações com o Daime.
Vai ser uma bela discussão.
Gente, a coisa é muito simples pelo menos para os cristãos, DEUS estabeleceu dois tipos de contribuição para nós: o dízimo e as ofertas e, estes independem de qualquer lei de incentivo.
Tarcisio
O Sen Crivella sabe disso, as contribuições são individuais, segundo DEUS é de CPF e não de CNPJ, será que podemos descontar do imposto de renda o dízimo e as ofertas, é não a resposta, porque este dinheiro não é nosso, pertence a DEUS. O homem não tem que dar incentivo à DEUS e, sim o que lhe pertence.
Tarcisio · Várzea Grande, MT 2/5/2007 18:48
Adaildo, acho perigosa essa proposta. E acho que nossa queixa de "termos tão pouco e ainda teremos que dividir" não é choradeira não. É fato. O MINC é a menor pasta do governo, e sobra pra cultura (realmente esse é o termo: sobra) menos de 1% do PIB. Isso é fato, e em outros países essa porcentagem chega a mais de 2%. Acho que temos que manter o foco e continuar nessa linha de reinvidicação, que já é antiga, e sempre ser contra quando algum outro setor quiser se beneficiar da lei roaunet. Já existem inúmeros alívios fiscais para vários setores da sociedade, e esse é o mecanismo da cultura (entenda-se cultura = arte nesse contexto).
Abraços!
LEMBRETE: A discussão aqui é importante mas precisa ecoar lá. Pode até ser que alguns deles frequentem o Overmundo. O Egeu Laus, Ademir Assunção, Adroaldo apresentaram boas sugestões acima. As "divindades" eleitas já estão mais que acostumadas com os nossos lamentos, tais cães que ladram mas não mordem. E ainda pagamos pelo show.
Tarciso, como eu já disse mais acima em outros comentários, o Estado não deve interferir em crenças. Isso se fazia realmente na Idade Média. Alívios fiscais é o jeito moderno de interferir em setores, e se deixarmos abater qualquer coisa do IR para qualquer religião (inclusive as brasileiras) será uma interferencia sim, na minha opinião. Se quiser doar pra sua igreja, fique à vontade. Mas o governo não tem nada com isso. Esse é um dos argumentos porque sou contra essa proposta do senador. O outro é o fato da interferência na área cultural (le-se, novamente, artística), que teremos que dividir nosso bolinho com esse outro já poderoso segmento. OK?
Abraços!
Edna, já estou me articulando aqui em Curitiba para conversar com políticos e levar um resumo dessa discussão a eles, e posteriormente mandar para os emails dos presidentes do congresso. Quem tiver acesso, acho que também deve fazê-lo.
Abraços!
Essa discussão pode estar apenas mascarando o que de fato já acontece na prática... quando as PUCs tomam dinheiro público, ou quando uma Catedral da Sé em São Paulo é reformada com dinheiro público, ou um bairro inteiro em Salvador predominantemente umbandista... A verdadeira face desse escândalo retroage aos tempos da fundação desse país: à instituição do padronato e tudo o que continua a girar ao redor das próprias igrejas sejam elas quais forem, ou ignoraremos os vínculos de um MST e outros grupos com elas? Quantas ONGs tomam dinheiro mesmo sem a Lei Rouanet? Precisamos ir mais a fundo nessa questão de Estado laico... auditar tudo... de repente à tona virá a grande verdade encoberta: não são os grupos evangélicos os vilões mas a sempre onipresente e articuladora igreja católica. Ou, vamos também querer fechar os olhos e achar que será o Vaticano que irá pagar pelas despesas da visita do Santo Padre à Terra Brasilis? Ora, vamos acordar gente!
Chicco Sal · Curitiba, PR 2/5/2007 23:20
Gente!!!
Nada de Pânico.... nada de transformar uma reflexão oportuna, numa paranóia, que precisamos cobrar postura ética dos legisladores e do poder executivo, é fato.
Porém, nem tudo está perdido.
Um abraço.
SOU CONTRA. A IGREJA TEM SEUS MEIOS DE SUBSIDIOS. SÃO DONOS DAS MAIORES FORTUNAS DO MUNDO. CONTROLAM OS SISTEMAS DE FINANÇAS, DE EDUCAÇÃO, DE SAÚDE, DE CULTURA....NÃO PRECISAM DE RECURSOS PÚBLICOS, ALIÁS, NEM DA BOA FÉ DOS CRISTÃOS.
VILAÇA · Belo Horizonte, MG 2/5/2007 23:54
Olá Amigos Aí vai um ótimo texto do João Ubaldo que acho que Vale a pena ler...
A crença geral, anterior ao governo atual, era que Sarney e Collor não serviam, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como povo.
Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "esperteza" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.
Pertenço ao país onde as "empresas privadas" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos... E para eles mesmos. Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "esperteza brasileira" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, eleitos por nós. Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... Igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro... Somos nós os que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo.
Um abraço.
Engraçado é que tanto a Igreja Católica quanto os "picaretangélicos", que nada têm a ver com os evangélicos sérios, têm o seu poder de "captação de recursos" para investimento a fundo perdido em "boas causas". A entrada do Senador Marcelo Crivella não recomenda nada. Mas tem o seguinte: ouvi dizer que apenas 4% do imposto de renda devido pelas empresas brasileiras é aproveitado por elas em investimentos culturais. Isso é de uma boçalidade abissal, não é não? Então, os caras preferem entregar o dinheiro de volta pro Governo do que procurar algum projeto sério, legal e interessante e investir nele?...
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 3/5/2007 16:16
Oi, Teo.
Escrever rapidinho que o tempo aqui tá corridíssimo. Sabe como é, pegar praia no feriado e depois voltar atoalado de coisas, rs.
Gostei da iniciativa sua e do pessoal (pelo pouco que li nos comentários, confesso que não deu tempo de ler tudo), achei muito bacana.
Se você permitir eu posto teu texto no meu blog também.
http://oh-dreame.blogspot.com
Não tem muitos leitores, mas, de boca em boca se chega a roma! (Não é que eu mudei? rs)
Qualquer coisa me manda um email, ok?
Abraços!
NÃO SERIA O CASO DE MONTARMOS UM ABAIXO-ASSINADO EM REPÚDIO A ESSA MODIFICAÇÃO NA LEI?
SINCERAMENTE ACHO QUE PRECISAMOS NOS MOVIMENTAR, EU NÃO SEI SE JÁ EXISTE UM CIRCULANDO, NÃO ENCONTREI.
ABRAÇOS A TODOS
Douglas, acho isso uma boa também. Temos que fazer tudo que está a nosso alcance. Como disse acima, estou conversando para marcar uma reunião com políticos daqui e levar um resumo dessa discussão, pra fazer pressão nas bancadas do congresso. Se alguém fizer um abaixo assinado, me mande que eu também assino!!!
Téo Ruiz · Curitiba, PR 4/5/2007 08:55Podemos usar aquele site "petition online" e mandar pro Gabeira. O que acham?
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 4/5/2007 16:03
Ótimo Cesar, eu acho ótimo mesmo. O Gabeira é um cara que acredito que seja mais sério, pelo menos ainda.
Téo Ruiz · Curitiba, PR 4/5/2007 19:57
Senti firmeza. Se rolar algum abaixo-assinado, pode passar pra mim também que ajudarei a divulgar.
Téo: o Gabeira é sério desde os tempos da tanga da irmã que você, por ser muito jovem, só deve ter sabido de ouvir falar e ver fotos retrospectivas dos tempos da dita-dura. Gabeira é sério, enfrentou todo tipo de safadeza, picuinha, escrotidão e outros que tais. Tá aí, se elegendo com ou sem partido, porque é um cabra sério. Confio, lá pelas terras do planalto central do País, em muito pouca gente pra levar isso seriamente adiante. E, convenhamos, Crivella é um escroto, herdeiro das escrotidões do tio.
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 4/5/2007 21:32
Pessoal:
A petição online está em http://www.PetitionOnline.com/cult2007/petition.html
Assinem, divulguem e passem adiante para todos os amigos, familiares, jornalistas, políticos etc que vocês tenham em seus catálogos de endereços. Vamos entupir Brasília com a nossa indignação (como pedia o grande Henrique de Souza Filho, o Henfil). O dia em que pararmos de nos indignar, estamos ferrados.
é, Cesar...
tem uma música que adoro, começa assim mesmo.
"Só não quero perder a minha capacidade de me indignar..."
[Prece Urbana - Sub-Versão]
link copiado para devida divulgação nos meus sites =]
E isso, Tê, salva a gente por dentro, salva a rua, o bairro, a cidade... isso é um vírus que se espalha com a maior facilidade, mas que as pessoas esqueceram, que se chama "cidadania"
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 4/5/2007 23:59
Cesar, acho que você ia gostar de conhecer o material da banda Sub-Versão.
tem músicas deles aqui, todas as do último disco, lançado em março, o "Novo Manual do Guerrilheiro Urbano".
eles embalam minhas batalhas cotidianas...
Tê: prometo "tentar" (hehehe)... sabe como é: fui criado à base de samba-canção, bossa-nova... Mas manda o link pra mim, ok?
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2007 00:39
Parabens! Téo e Parabens! Galera,
Matéria e debate excelente. Vale a pena dar uma olhada em outra matéria que trata do famigerado "jabá" e no comentário que fiz, iclusive fazendo um link com esse texto e colocando uma preocupação que já está rolando por aqui.
Trata-se da necessidade de ir além da indignação.
Abraços,
Zezito: o jabá é lamentável, e as majors fazem prevalecer seu poderio, enquanto alguns maus-caracteres cobram mesmo senão não tocam os independentes e quem não paga, não levam aos programas etc. Devem, depois, ficar fazendo proselitismo e dizendo babaquice contra aquele pessoal de Brasília, igual a eles. Mas num país em que juízes e desembargadores vendem sentenças para beneficiar marginais, só mesmo a união e o poder de indignação e aglutinação do povo pode proporcionar alguma coisa decente, lá pra frente.
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 5/5/2007 12:14
Cesar, apesar de eu ser jovem não significa que eu não possa ter estudado e saber dessas coisas. Como eu disse, o Gabeira é o cara que me parece ser mais sério mesmo, de todos que estão aí, e tem uma história por trás dele. Só disse "ainda" porque pode acontecer com qualquer um. Eu um dia acreditei que o Lula era sério. Apesar de continuar votando nele, faz tempo que acho (desde antes de 2002) que ele não era "mais o mesmo". É isso, não vou ficar com discussões políticas aqui. O que interessa é mandar ver nesse abaixo assinado e petição online.
Abraços!
Téo, acho que não me expressei direito, porque não tive (nunca tenho) a intenção de menosprezar nem sua juventude nem sua cultura. Se, por acaso, foi o que vc entendeu, peço-lhe desculpas.
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 6/5/2007 11:54
Muito bem Téo, Concordo plenamente contigo.
E, por ser o parlamento composto por represententes de distintos interesses, sem contar os que representam os de si mesmo, portanto acho que ainda estamos aprendendo a viver numa democracia que precisa urgentemente ser participativa, não basta votar é necessário está atento, participando, apontando rumos, criando um hambiente fertil para uma boa matéria prima, pois é dela que devemes esperar uma democracia de qualidade.
Téo, ao abaixo assinado e outras forma de pressão, já.
Tranquilo cesar, não se preocupe!!! Numa boa!!!
Abraços!
Olá téo, tudo bém!
E o abaixo assinado...vingou? Foi feito concretamente pressão junto ao congresso?
Abs
Vai rolar (pelo menos eu espero). De minha parte, tenho uma reunião pré-marcada com uns políticos daqui depois do dia 25, por isso não postei mais nada sobre esse assunto. Assim que tiver mais novidades, eu faço uma outra postagem. O abaixo assinado, como eu falei mais em cima, pode rolar de outras frentes também. Se alguém tiver algum, me avise!
Abraços
oba! estamos esperando os resultados... creio que não estou esperando sozinha, né gente??
Tê Jardim · Belém, PA 17/5/2007 10:35
Pessoal, saiu uma Petição Online contra esse projeto. Entrem e engrossem as assinaturas, já é alguma coisa. Se souber de mais algum movimento contra o projeto do Crivella, posto um novo comentário aqui. Segue o link, abraços!!!
http://www.petitiononline.com/cult2007/petition.html
Às 10horas de hoje, éramos 18.740 assinaturas.
A Lei Rouanet deve ser usada para a Cultura Brasileira, a universal tem seus meios.
Quando eu assinei, éramos 6 mil e poucos! Isso aí, quem não assinou ainda, é só entrar nesse link e preencher os campos, super fácil!
Abraços
E que meios, Adroaldo! E que meios!...
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 4/6/2007 09:45
continuemos a divulgação do link, por e-mail, os sites pessoais que tivermos, eu consegui muitas assinaturas assim!
[putz, que lindo, pensar que fui a segunda a assinar... e já tem tudo isso...]
Também quero meter meu bedelho nessa discussão. Interessante notar essas iniciativas de repartir o bolo para si (o "incentivo federal culturalmente religioso", e propostas muito boas ficam a não ver nem mesmo navios, ilhadas em papéis de projetos preteridas por financimentos de festivais de música anuais, que há muito tempo poderiam estar em condição de autosuficiência financeira, como acontece em Natal, no Rio Grande do Norte; ou mesmo o fim do belo Projeto Domingo na Praça, da mesma capital, que sem ter possibilidades de realização, desapareceu, tendo em vista que as fatias do bolo da isenção já estavam comprometidas com meia dúzia de eventos ditos da cultura local. Acredito que haja verdadeiramente a necessidade das classes contruirem um diálogo (de entendimento e respeito das partes) sobre o que verdadeiramente é isso de necessário em termos lei de incentivo. Caso contrário teremos sempre o fortalecimento de mais um nicho de produções e realizações. Agora parece que mais um está a se formar: os incentivos transcedentais.
LUC ARAÚJO · Macapá, AP 24/6/2007 18:57Luc: concordo com vc que muita coisa poderia estar andando com seus próprios pés e tem gente que aproveita a Lei para ganhar algum safando o seu. Outro dia, ouvi a Fernando Montenegro (a Fernando Montenegro!...) dizer que tem que vestir um tailleuzinho e ir atrás de dinheiro pros seus projetos. A grande m* é que, por sermos um País ainda muito jovem, a tendência à corrupção, à safadeza, é grande, lamentavelmente. Mas, como dizia o poeta: é preciso estar atento e forte. Temos que não apenas ficar de olho nos nossos direitos, mas também controlar para que os "poderosos" não tomem o pouco que a gente pode ter. Quando saiu o resultado do Petrobrás Cultural, não pude deixar de me alegrar com as trocentas iniciativas legitimamente brasileiras que eles ajudaram. Iniciativas culturais da mais alta qualidade, que jamais teriam chance de acontecer se não fosse o dinheiro da BR. Então, que cuidemos da cultura e que o senador Marcelo Crivella continue com sua "leirouanet" particular, porque eles têm poder de convencimento muito forte em relação aos seus "patrocinadores".
Cesar Galocantô Botafogo Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 25/6/2007 15:18Como diria o grande Nietszche, só poderia crer num Deus que soubesse dançar...
Vladimir · João Pessoa, PB 10/7/2007 14:08
O Deus Mu-Dança.
Moro em Brasília, se o projeto for votado, tô lá, no comgresso, pra fazer corpo-a-corpo. Se precisar, apito, levo cartaz, bandeira, tanque, meu chulé pra espantar deputado vilão, carrego meu microfone.
Contém comigo. Qualquer coisa estou aqui para fazer barricadas.
abraço à todos.
Muito irreverente, humberto, ótimo!
Parabéns,
Vladimir.
Quiçá o problema não esteja centrado na questão religiosa. Só me sinto roubado (de novo). Meus impostos usados na manutenção do senso-comum da grande massa. País créu, que parece merecer o governo que tem.
Satu · Marília, SP 11/10/2007 02:36
Elisa, pior que é bem essa sensação que dá mesmo, pra não dizer certeza. Na verdade deu uma parada essa história. Eu tinha uma reunião marcada com um deputado federal do PT aqui do Paraná, mas ele acabou desmarcando. Se alguém souber como está a votação desse projeto e como anda a história, avise e poste aqui pra todos ficarem sabendo.
Abraços!
Téo, tenho a impressão que esse conceito de cultural nos traz muitas divergências sobre o que é ou não adequado apoiar nesse sentido. Antropologicamente, as religiões são manifestações culturais, mas .. acho que chegou a hora de gritarmos por mais arte ... de espírito ;-)
beijos e muito bom o artigo
Vou enviar seu texto para uns amigos políticos.
Fatima Paraguassu/Santa Cruz de Goiás · Santa Cruz de Goiás, GO 11/12/2007 22:52
Legal Fátima, obrigado!!! Acho que temos que fazer isso mesmo, descobrir novamente como está essa questão. Confesso que estou sem muito tempo no momento até pra entrar no Overmundo, mas vou retomar assim que possível!
Abraços a todos
Olá, pessoal!
Téo Ruiz, fui eu quem plantou a petição online contra o projeto dos pilantrinhas da Universal. Depois dela, escrevi ao Fernando Gabeira pedindo o apoio dele à nossa reclamação. E ele não apenas me respondeu como postou a petição e a notícia que saiu na Folha de SP, decorrente da divulgação da petição. Fiquei tranqüilo -- porque confio nele -- quando ele me disse que "estava de olho aberto à proposta do deputado-bispo.
Abraços a todos,
Cesar
www.livrosdefutebol.com
Pois é Cesar, já assinei aquela petição. Muito legal e necessária a iniciativa. E que legal saber que repercutiu dessa maneira, com uma matéria na Folha ainda por cima. Você por acaso tem o link pra essa matéria? Saiu na versão online da Folha também?
Abraços!
Téo, não tenho, não. Mas no site do Gabeira, tem!
Cesar Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 9/2/2008 19:42
http://www.gabeira.com.br/
E a notícia está em http://www.gabeira.com.br/noticias/noticia.asp?id=3973
Foram 25 mil assinaturas! É o berro das urnas! É é no voto que a gente vai apear os muitos safados que precisam ser apeados.
Eu vou votar no Gabeira, apesar do Luiz Paulo Corrêa da Rocha. Melhor ele que "os outros"...
Cesar Galocantô Botafogo Oliveira · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2008 20:56Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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