Lei Seca. Vai pagar quanto?

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Rita Fagundes · Aracaju, SE
31/3/2007 · 35 · 6
 

No último fim de semana, estava sentada em um bar popular da cidade, quando fomos surpreendidos pela senhora do estabelecimento, pedindo que fossemos embora, pois iriam recolher as cadeiras e fechar as portas, devido a Lei Seca. Eu não tinha bebido nada alcoólico, mas queria continuar ali, rodeada de amigos, conversando e dando risada. Fechado o bar, várias pessoas ficaram em pé, questionando o que ainda poderia ser feito na noite cascavelense. Procurávamos um bar simples, para nós, não havia opção.

As pessoas não procuram os bares somente para beber, o bar também é um espaço de descontração, de bate-papo com os amigos, de lazer e entretenimento. Mas hoje em Cascavel, a vida noturna fica restrita aos lugares freqüentados pela pequena burguesia, excluindo trabalhadores e estudantes da vida social. Desde que a Lei Seca entrou em vigor, nenhuma outra alternativa foi criada, não vimos nenhuma política por parte do poder público que viesse ampliar o acesso da comunidade a atividades fundamentais como cultura, esporte e lazer.

Cascavel está entre as cidades brasileiras mais violentas no trânsito. Em 2006 ocorreram mais de 3.400 acidentes e 47 pessoas perderam a vida nas ruas de Cascavel. Nesse sentido, necessário questionar como os jovens que freqüentam os bares da “nata” vão até esses estabelecimentos. Vão a pé? De ônibus? O que o Poder Público vem fazendo para reduzir os tristes números do trânsito cascavelense?

As exigências criadas pela chamada Lei Seca impedem que pequenos comerciantes consigam manter seus estabelecimentos, já que só os estabelecimentos mais luxuosos conseguem cumprir tais exigências. Se um pequeno estabelecimento que vende bebidas for encontrado aberto após a meia-noite, pode ser autuado em até R$ 10.355 e ainda ter seu estabelecimento fechado.

Não se trata de defender o uso da bebida, bem pelo contrário, várias pesquisas estão aí, comprovando os inúmeros malefícios causados pela mesma. Mas, da forma como foi adotada a Lei Seca, constata-se que a mesma é classista, pois dá a entender que para a “nata” da sociedade cascavelense, bebida não faz mal.

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Egeu Laus
 

Não entendi, Rita. Um "grande" estabelecimento pode vender bebidas depois de meia-noite?

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 29/3/2007 23:00
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Rita Fagundes
 

Sim, os grandes bares, os mais luxuosos conseguem atender os requisitos da Lei e consequentemente receberam alvará para poder funcionar na madrugada e vender bebida alcoolica. Os bares mais fuleiros (95%) são obrigados a fecharem suas portas.
Aqui a Lei Seca não é para todos!!!

Rita Fagundes · Aracaju, SE 29/3/2007 23:12
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Rita Fagundes
 

Resumindo, se vc tem grana, se pode pagar caro, podes beber na madrugada cascavelense.

Rita Fagundes · Aracaju, SE 29/3/2007 23:13
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Clotilde Tavares
 

Esse assunto é interessante. Mas eu queria saber quais são essas "exigências" da lei que podem ser cumpridas pelos bares da "nata" e que ficam fora do alcance dos bares "fuleiros".

Clotilde Tavares · João Pessoa, PB 31/3/2007 08:12
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Bia Marques
 

Seria legal conhecer o teor da lei, até pra entender como são as exigências e distinções entre estabelecimentos e nunca é muito repetir que "leis e linguiças, melhor não saber como são feitas", mas fundamental conhecer para validar (ou não) sua aplicação.

Bia Marques · Campo Grande, MS 1/4/2007 10:30
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Rita Fagundes
 

Entre os requisitos estão:
Licença da Vigilancia Sanitária, Alvará do Corpo de Bombeiros, rampa para deficientes... O problema está na exigência de isolamento acústico, a grande maioria dos bares são pequeninos, do tipo familiar, não existem funcionários e o fluxo de pessoas é pequeno, não há som alto e esses pequenos estabelecimentos não conseguem fazer o tal isolamento. Muita coisa precisa ser esclarecida para a população, mas a intenção continua a mesma: coibir a bebida alcoólica. E onde? Só nos bares pequenos, frequentados por trabalhadores e estudantes.

Rita Fagundes · Aracaju, SE 7/5/2007 18:43
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