“Imperativos modernos”
Após um longo dia de trabalho, chego em casa à noite e ligo a TV em busca de notícias ou algo interessante para me distrair um pouco. Então, mais uma vez me deparo com o familiar tema de abertura da novela “Belíssima”.
Ao ouvi-lo, me dou conta de que vejo esta mesma chamada desde o início do ano, o que significa que o mesmo programa televisivo encontra-se “no ar” há seis meses. Ou seja, já fazem seis meses que grande parte da população brasileira ouve, toda semana, a música sobre a qual pretendo me ocupar aqui: “Do It”, de Lenine - que começa da seguinte maneira:
“Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta “
Como diria o próprio Lenine “esta é uma música toda feita de imperativos” o que, acrescento eu, reflete o “espírito da época” em que vivemos onde o fazer muitas coisas (estudar, trabalhar, estudar línguas, especializar, fazer pós-gradução, limpar a casa, cuidar dos filhos, etc.) é um imperativo que extrapola a nossa vontade pessoal, já que se constitui como “regra do jogo” da vida moderna (ou pós-moderna, “as you like it”...).
Uma vez, eu estava participando de um estudo bíblico, onde se realizou uma interessante reflexão sobre a passagem, narrada pela Bíblia, quando Cristo visita as irmãs Marta e Maria.
Marta, possivelmente pega de surpresa pela inesperada e ilustre visita, corre de um lado para outro procurando, provavelmente, providenciar aqueles cuidados que representariam uma boa expressão da sua hospitalidade. Já Maria não faz nada além de ficar contemplando as palavras que Jesus está lhe dizendo.
A irmã, Marta, fica então indignada com a irmã que não lhe ajuda a servir e coloca a questão diante de Cristo. Que vos parece? Não seria justo que Maria ajudasse sua irmã com o trabalho de servir o visitante?... Pois, curiosamente, Cristo responde à indignação de Marta da seguinte maneira:
“Marta, Marta, estás ansiosa e pertubada com muitas coisas;
entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só;
e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”
[ Lucas 10: 41-42 ]
Após a exposição do texto bíblico, o assunto foi colocado em discusão, e a opinião que me pareceu mais honesta foi a de uma mulher que reconheceu que ela só conseguia se identificar com Marta: a irmã superativa e ansiosa.
Mais do que um aspecto da sua personalidade, o que aquela mulher expressava era a maneira como todos nós vivemos hoje em dia: ansiosos e pertudados, preocupados com muitas coisas e sem tempo para nos ocupar com a “boa parte”.
Ao cantar “Do It”, Lenine traz à tona este tema – que as vezes, por estarmos correndo atrás de tantas coisas nem paramos pra pensar. No entanto, seria esta música um elogio desta filosofia pragmática e desses imperativos modernos?... Penso que não e, para isso, baseio-me não somente na letra da canção, que não terei espaço para aqui me deter, como, também, na música que a segue no disco de que faz parte.
Neste disco, “In Cité”, a música “Do It” é seguida por “Vivo”. E, esta última canção, possui uma letra e um ritmo totalmente oposto ao de “Do It” (lento e com poucos acordes) parecendo, assim, sugerir que, em meio ao agito da vida moderna, é preciso também nos aquietarmos e refletirmos sobre a nossa vida e sobre a nossa condição humana no mundo e sociedade em que vivemos.
O texto está muito bom, mas como a novela não está mais no ar fica estranho. Penso que seria necessário adaptá-lo.
Outra observação:
"já fazem seis meses" . O verbo fazer, neste caso, deve ficar no singular.
eu concordo com a Fabinca :)
Henderson Moret · Campinas, SP 16/12/2006 19:16
Ah...prefiro passar por cima dos erros de Português do texto... O mais importante é o conteúdo.
Eu mesma não trabalho bem com a turma do "porque": porque, por que, porquê, por quê... Totalmente absurdo existir tanta grafia...uso só o "porque" e pronto!
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