Para começo de conversa, o nome é até difícil de entender. Conseqüentemente, também complicado de pronunciar. Inspirado em uma sobremesa italiana que, entre outras coisas, tem como ingredientes básicos sorvete de creme e carolinas cobertas por calda de chocolate, a banda pernambucana Profiterolis apresenta em seu repertório canções que nem sempre são tão fáceis de ser ingeridas. Seja isto pelo apelo não-pop de suas linhas melódicas, como também a temática de suas letras, carregadas de ironia e sarcasmo.
Para explicar melhor é bom voltar onze anos, onde tudo começou. “A primeira formação durou cerca de cinco anos, e só tinha como integrantes Tomaz, meu irmão; Paulo e Fabão. Nessa época os três só gravavam em fita K7, meio que por diversão”, lembra Mateus, o baixista, que na época só acompanhava de longe. Mas a partir de 2000, a banda tomou vergonha na cara e iniciou uma fase de ensaios em estúdios
Hoje a formação está mudada. Restaram Tomaz (voz, violão, guitarra e teclado) e Paulo Jr. (pandeiro, efeitos e voz). Juntaram-se a eles, Carlos (guitarra), Lara (violão, percussão e voz), Leonardo (bateria e voz), Mateus (baixo) e Diego (teclados). A entrada de toda essa galera fez com que a banda mudasse sua sonoridade, que antes era resumida a guitarra e instrumentos de percussão.
Segundo o baixista, “tem muita música que a gente toca hoje que é daquela época, o que mudou foi que o som ficou maior e os arranjos mais elaborados”. A Profiterolis dessa nova fase busca um som menos hermético, vai atrás de uma musicalidade mais acessível, mais simples, porém sem descaracterizar o punch experimental que sempre adotou.
Ao escutar a banda pela primeira vez, você nota claras referências de artistas como Tom Zé e o pessoal da Tropicália. Para Mateus, vai além disso. “A gente escuta de tudo, desde Rock até Soul Music, passando também por jazz”, analisa. Mais referências e influências? “David Bowie, Marvin Gaye, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Beach Boys, Miles Davis, Mozart (risos)”.
A Profiterolis tem em seu cast integrantes que compram a idéia de viver de música, e isso é um grande passo para o desenvolvimento interno do grupo. “Metade da banda estuda música e acho que isso ajuda muito, pois a gente fica mais familiarizado com os instrumentos e ao mesmo tempo com a linguagem musical como um todo. Seja tocando ou estudando”, acredita Mateus.
Música em Pernambuco
Pernambuco é referência no Brasil em termos de música. O estado, invariavelmente, tem demonstrado sinais de vitalidade ao revelar bandas de pura qualidade autoral. Inserida no rótulo indie que assola o estado, a Profiterolis consegue ser uma das poucas bandas da safra que apresentam uma identidade própria.
“O potencial dos artistas pernambucanos já está mais do que comprovado, o problema é que a estrutura de sustentação é falha, falta profissionalização em todos os âmbitos. Resumindo: Grana”, denuncia Mateus que também rasga elogios a bandas conterrâneas como Nação Zumbi, Mombojó e a debutante Ahlev de Bossa.
A Profiterolis lançou um single virtual (Licor de Jenipapo e Troco) pelo selo independente Bazuca Discos que é encabeçado pelo pessoal do Coquetel Molotov. “A gente é amigo da galera do Coquetel Molotov faz muito tempo. E eles sempre nos deram muita força, sempre fomos convidados pra festivais organizados por eles”, contextualiza o baixista. E completa bem humorado: “Baixem as músicas no site e gostem ou não!”.
Single Virtual aqui:
Profiterolis - Troco
Profiterolis - Licor de Jenipapo
Ou aqui:
Profiterolis.com
* texto originalmente publicado na Revista Paradoxo (www.revistaparadoxo.com)
Adorei o "a banda criou vergonha na cara"...
Viva a banda com cara de sobremesa!!!
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