Ela nasceu na Alemanha, em 1921, mas prefere ser chamada de inglesa – já que é filha de ingleses. Tratá-la como alemã soa como um insulto, ao menos foi o que ela revelou durante uma entrevista com jornalistas em Palmas. “Eu não sou alemã. Filhos de ingleses são ingleses sempre, independentemente de onde nascem”, disparou com suavidade.
Morou em Paris, onde estudou artes dramáticas e clássicas. Naturalizou-se brasileira, na década de 30, quando chegou ao Brasil, e tornou-se carioca de coração. Agora, essa cidadã do mundo é também cidadã tocantinense, desde o dia 10 de novembro.
Nada de estranho se eu não estivesse falando de Lily Marinho, 85 anos, viúva de Roberto Marinho – fundador das Organizações Globo.
Sobre tornar-se tocantinense, num título que veio com direito a diploma e tudo – uma espécie de nova certidão – dona Lily respondeu com bom humor a uma Assembléia Legislativa lotada de parlamentares tocantinenses, jornalistas, autoridades e curiosos. “Agora em todas as ocasiões em que eu for, tenho que estar atenta para me comportar como uma verdadeira cidadã tocantinense”, disse ela num discurso com sotaque francês.
A quem se pergunta: por que Lily Marinho seria cidadã tocantinense?
A honraria não veio por acaso, Lily esteve no Tocantins por três vezes e mantém uma amizade com o governador Marcelo Miranda e a primeira-dama, Dulce. Na segunda vez que esteve por essas escaldantes terras, Lily decidiu que daqui partiria a exposição “Camille Claudel, a sombra de Rodin”, para o restante do País. A mostra passou primeiro por Palmas – onde recebeu mais de 25 mil visitantes -, depois Manaus (AM), Belém (PA) e Vitória (ES), e agora chega a Belo Horizonte (MG) antes de ir para o Sul.
Agora, além de se tornar tocantinense de fato, Lily Marinho começa por Palmas a itinerância da exposição “A arte Brasileira na coleção de Lily Marinho – séculos XIX e XX”, aberta ao público até o dia 10 de janeiro, no hall do Palácio Araguaia.
Por que o Tocantins foi escolhido? Com a palavra, Lily: “Primeiro, eu gostei muito daqui, do povo, da gentileza em me receber. E depois, é uma coisa que vem dos céus, acredito muito nessas coisas e eu peguei um amor pelo Tocantins”.
Segundo ela, há uma ligação cósmica entre ela e o Tocantins. “Esse amor que tenho por aqui é uma coisa incomum, acredito que em outra vida eu tenha nascido aqui”.
Simpática e com fôlego invejável – sim, porque a agenda dela no Tocantins teve início às 15 horas do dia 10 e terminou às 2h da madrugada do dia 11, quando ela embarcou de volta ao Rio – Lily se mostrou atenciosa a cada pergunta ou parada para foto.
Lenda ou não, duas questões sobre a vida da socialite ficaram na cabeça de quem acompanhou sua vinda. Primeiro, boatos deram conta de que dona Lily não dorme fora de casa – quando está no Brasil. Segundo, ela só acorda depois das 17h, quando não tem compromissos.
Frenesi
Aqui Lily tirou fotos, fez discursos, distribuiu sorrisos. Estava mais para atriz, estrela global. O povo perguntava no saguão da Assembléia: “quem é essa?”. "É dona Lily", diziam outros. E causou uma confusão na abertura da mostra.
Também pudera, imprensa se imprensando e imprensando tudo – quadros, público e autoridades - curiosos e um espaço pequeno entre as obras para circular. Era um acontecimento. Todos queriam um registro ao lado da musa que conquistou Roberto Marinho, que se tornou embaixadora da “Boa Vontade”, da Unesco, e depois uma mecenas brasileira.
Máquinas amadoras rivalizando espaço com fotógrafos da Caras, do Jornal do Tocantins (TO), Tribuna do Norte (RN), A Crítica (AM), TV Amazon Sat (AM), Estado do Maranhão (MA), Diário do Grande ABC (SP), Folha de Pernambuco (PE), Rede Gazeta (AL) e Jornal O dia (PI), entre outros.
Em um momento, Romaric Büel, curador da mostra, gritou: “Cuidado com os quadros”, preocupado com a movimentação frenética dos jornalistas. Lily parecia não se incomodar. Antes de ir para o jantar especialmente oferecido a ela na casa do governador, Lily parou no saguão do Palácio para ouvir uma banda que animava o coquetel dos convidados.
Ping-pong
Tocantins: “Eu gosto do povo daqui e, como eu disse, vem dos céus. É uma coisa que não tem explicação. Não me incomodo com o calor (Palmas tem média de 37 e 40 graus), o que me incomoda é o frio”.
Cidadã Tocantinense: “Achei uma grande honra ser cidadã tocantinense. No meio de vocês, que são tão simpáticos, agradáveis. Na próxima vez venho com o resto dos quadros”.
Sobre a exposição: “Comecei a comprar as peças em 39 (1939), quando cheguei ao Brasil. Mas isso não tem nada a ver com a coleção do Roberto (Marinho), que é de mais de 800 quadros, mas a minha também é valiosa”.
Motivação: “Espero sucesso dessa mostra com as crianças. Eu penso muito nas crianças e parece que faltava cultura. Eu adoro as crianças e penso muito nelas”.
Jalapão: “Gostaria de ir ao Jalapão, mas quando venho volto de noite e teria que ficar um dia inteiro para ir lá”.
Opção por ser mãe: “Estudei piano, canto, estudei isso e aquilo, ela (mãe) queria que estudasse harpa (risos), mas eu não topei, de maneira que ela queria que eu fosse artista. Mas eu preferi a vida de casa com filhos. Mas não há arrependimento nessa escolha, pelo contrário. Deus me livre! Primeiro eu não acharia mais nada no teatro com a minha idade (risos)”.
Lula: “Lula, eu tenho muita admiração por ele, primeiro. Acho que um homem que vem de onde ele vem e chega a ser Presidente da República é uma coisa fantástica. Eu acho que ele vai fazer um governo muito melhor”.
Achei o artigo bem interessante. Quanto ao aspecto formal, acho que o ping pong não é tão relevante. Enfim, é só uma opinião.
Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 23/11/2006 22:47Sugere que fosse cortado o ping pong, é isso? Achei legal colocar porque é a visão dela sobre algumas coisas...(isso não é uma defesa), apenas estou justificando o por quê de tê-lo colocado no texto.
Glês Nascimento · Palmas, TO 23/11/2006 23:11
eu acho que o ping-pong esta' lega, da' uma outra visao e adiciona leveza ao artigo (que esta muito legal).
ronaldo lemos · Rio de Janeiro, RJ 24/11/2006 14:09Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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