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Excelente o texto de Boaventura de Sousa Santos, Socialismo do século 21, na seção opinião da Folha de S. Paulo, do dia 7 de junho de 2007. O artigo começa lembrando as promessas do capitalismo depois da queda do Muro de Berlim que acenava com um crescimento, baseado em liberdade e benefícios para todos e mostra o que realmente aconteceu. “À revelia de todas essas previsões, houve, neste período, mais guerra que paz, as desigualdades sociais se agravaram, a fome, as pandemias e a violência se intensificaram, a China "se desenvolveu" sem liberdade e mediante violações massivas dos direitos humanos e, finalmente, o socialismo voltou à agenda política de alguns países”, diz um trecho. E segue mostrando quais seriam as características desta alternativa.
O que isso tem a ver com o Linux? É que, logo no início da leitura, me veio o Linux na cabeça. E, lá pelo meio do texto, não é que aparece uma comparação entre o Microsoft Windows e o Linux? A filosofia do sistema operacional me parece ultrapassar questões relacionadas apenas à informática e avançar sobre conceitos de cooperação, solidariedade e, acima de tudo, sentimento de pertencer a um grupo de pessoas (seus usuários) que discordam da situação vigente e, melhor ainda, fazem alguma coisa para mudá-la.
Aqueles que optam pelo software livre, com uma só tacada, dizem não ao monopólio comercial, questionam a lei do direito autoral, reforçam um grupo já forte e coeso, declaram que existem sim alternativas ao curso da história, e repelem a idéia de automatismo tecnológico. O desenvolvimento da informática seguiu o caminho do "espete e use" (plug and play), das instalações automáticas, do usuário escravo da máquina, impotente quando ela "faz o que quer". O software livre exige que se saiba o que se está fazendo e que se tenha controle total sobre o computador. Exige raciocínio, algo de que, parece, as pessoas têm fugido cada vez mais.
Acontece que precisamos lembrar que não basta apenas reclamar - dos vírus da internet, dos programas que não funcionam, da política, do emprego, do casamento. Mudanças pedem esforços e sacrifícios. A quem estiver disposto a encará-los, estará a espera uma doce recompensa.
Nosso colega de Overmundo Egeu Laus coloca: “Mas, me fica a pergunta: existiria Linux se não existissem computadores? E eles seriam construídos sem a competição comercial?” Coloquei a reposta como comentário, mas, para quem não lê os comentários, aí vai. Certamente que não, sem computador, não há Linyx e sem competição de mercado na há computador. Mas há aspectos a serem considerados. Os computadores (hardware) se desenvolveram junto com os sistemas operacionais e os programas (software). Acontece que, em certo momento desta história, descobriu-se que o mais rentável eram os programas (Bill Gates foi o primeiro a se beneficiar disto), e não as máquinas, como se pensava no início. A competição fez, faz e sempre fará os preços do hardware despencar. Assim, pode-se optar por máquinas baratas (montadas peça por peça por aquele cara que saca de computador) ou caras (como marcas tipo Dell, HP, IBM e congêneres).
Quanto aos programas, a outra história. Trata-se de propriedade intelectual de produtos que muito poucos são capazes de desenvolver. A questão é: ou você compra o programa que quer (se tiver grana, geralmente, muita) ou não compra (ou opta um pirata que é a saída barata, mas que sempre envolve riscos e problemas de funcionamento, além de me parecer meio cambeta).
O software livre é a possibilidade de usar o computador como todos nós gostáriamos (com programas originais) a um baixo custo (atende-se que o software livre não é "de grátis", mas sim "livre" para uso). E é esta solução que nos livra da Microsoft, por exemplo, que é a empresa que mais lucra no ramo da informática e, note-se, produz basicamente software.
Por isso, a nós, seres pensantes, resta esta possibilidade de reestruturar o que passa ao nosso redor, sejam os computadores, seja o sistema socio-político-econômico. Parece que está na hora de começar.
tags: Natal RN cultura-e-sociedade
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Mas, me fica a pergunta: existiria Linux se não existissem computadores? E eles seriam construídos sem a competição comercial?
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 13/6/2007 23:29
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Certamente que não, para as duas perguntas. Mas há aspectos a serem considerados. Os computadores (hardware) se desenvolveram junto com os sistemas operacionais e os programas (software). Acontece que, em certo momento desta história, descobriu-se que o mais rentável eram os programas, e não as máquinas, como se pensava no início. A competição fez, faz e sempre fará os preços do hardware despencar. Assim, pode-se optar por máquinas baratas (geralmente, montadas peça por peça por aquele cara que saca de computador) ou caras (geralmente, com marcas tipo Dell, HP, IBM e congêneres).
Quanto aos programas é uma outra história. Trata-se de propriedade intelectual que muito poucos são capazes de desenvolver. A questão é: ou você compra o programa (se tiver grana, geralmente, muita) ou não compra (ou opta um pirata que é a saída barata, mas que sempre envolve riscos e problemas de funcionamento, além de me parecer meio cambeta).
O software livre é a possibilidade de usar o computador como todos nós gostáriamos (com programas originais) a um baixo custo (atende que o software livre não é "de grátis", mas sim "livre" para uso). E é esta solução que nos livra da Microsoft, por exemplo, que é a empresa que mais lucra no ramo da informática e, note, produz basicamente software.
Um abraço e valeu pelo comentário.
Affonso H. Nunes · Natal (RN) · 14/6/2007 13:22
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