Alguém precisa dizer: o rei está nu. Direi eu, expondo-me ao apedrejamento.
Literatura brasileira? Qual? Está agonizante! Pelos meus cálculos de leitor criterioso, o último autor grande que tivemos foi o quase desconhecido e desprezado José Cândido de Carvalho.
Desconhecido e desprezado por quem deveria conhecê-lo - o leitor. Porque de uma maneira geral o que esse autor maravilhoso - de um livro só - fez foi colocar o seu boi na sombra. Sempre, é claro, sob o patrocínio de boas amizades governamentais. Isto estraga qualquer um, principalmente quando se trata de um artista. Está, ou estava - nem sei se ainda vive - na ABL, estragando-se de mistura com os papeleiros e carimbadores que compõem aquela agremiação.
Se digo que José Cândido de Carvalho é autor de um livro só - O Coronel e o Lobisomem - obra que além de belíssima foi um marco e deu uma reviravolta boa mas infelizmente passageira em nossas tristes, desinspiradas e raquíticas obras publicadas -, é justamente porque "Olha pro céu, Frederico!", publicado alguns anos depois, é um péssimo livro e fez o enterro do autor. E, atenção: eu disse tristes, desinspiradas e raquíticas obras publicadas e não tristes, desinspiradas e raquíticas letras brasileiras. Porque deve haver muita coisa boa, apodrecendo em gavetas de autores sem padrinhos.
E, por falar em O Coronel e o Lobisomem, vale aqui sublinhar que Dias Gomes chupou, descarada e vergonhosamente, todo o linguajar e mesmo personagens com roupa e tudo da obra mencionada, para criar o seu Odorico Paraguaçú e ir fazer sucesso na televisão. Qualquer um que tenha conhecido os dois - livro e novela televisiva - constatará o plágio descarado. Aliás, o que esperar dessa gente que escreve para a TV?
No mais, nada. A não ser gasto inútil de papel e tinta. Quem sabe distinguir entre um livro que possui valor - pequeno, médio ou grande - e que permanecerá após o desaparecimento das pessoas e instituições que lhe dão sustentação, e aqueles que não têm valor nenhum, saberá que, por exemplo, os livros escritos por João Ubaldo Ribeiro não ficarão.
Um misto de fazedor de livros e de cronista de si mesmo, sendo, na minha opinião, um homem extremamente desinteressante, João Ubaldo não passou de "O Sargento Getúlio", bom livro por sinal. Foi o que bastou para que a projeção alcançada - e as benesses aceitas - transformassem-no num escritor capenga, embora incensado pelos não poucos amigos.
Isto sem contar que escarrou na cara de todos os seus leitores, nas "Páginas Amarelas" da Revista Veja, onde eu li, estarrecido, a avaliação que João Ubaldo Ribeiro fez do leitor brasileiro, inclusive tripudiando aqueles que não entenderam - ou não identificaram - que as cenas iniciais de "Viva o Povo Brasileiro" são uma paródia de luta entre deuses da mitologia grega, transposta para o "baianês". Eu entendi. E larguei este livro lá pela metade, muito antes de ler a tal entrevista, simplesmente por tratar-se de uma obra onde as narrativa dá voltas e mais voltas, como um cão procurando a própria cauda, sem achar, nada, é claro.
Falando em incenso e em amigos, enquanto escrevo essas mal traçadas, fui ao Google confirmar se o nome do livro era mesmo "pro céu Frederico!" ou "para o céu Frederico!". Primeiro resultado alcançado: um artigo chapa-branca, escrito por Carlos Heitor Cony, no site da Academia Brasileira de Letras, dizendo que esse livro é "um grandessíssimo romance". Perdoável. Coisas de compadres. Mas não é verdade. É mentira. E da grossa.
Carlos Heitor Cony, autor de inúmeros livros, nenhum deles prestável, foi um apaniguado do Sr. Adolfo Bloch, seu patrão, durante toda vida. Não podia dar mesmo em boa coisa. Um autor precisa de independência, liberdade. E de obstáculos. Um grande autor, um autor imortal, é sempre um solitário e, na maioria das vezes, tem sido um desvalido. Péssimo isto! A miséria não é um bom pré-requisito à glória, mas, por outro lado, o excesso de graxa causado pelos apadrinhamentos parece ser um fator determinante entre fulgurar ou fazer figuração. Escritor não pode ter carteira assinada e nem ser funcionário de nada e nem de ninguém.
O meu grito é dado em favor dos jovens talentos brasileiros.
Por que fui eu encontrar, nas bibliotecas públicas dos mais profundos confins canadenses, a "obra completa" do Sr. José Sarney? Como foram parar lá "Saraminda" e "Marimbondos de Fogo", distribuídos com a máxima fartura pelas incontáveis librarys branchs daquele país - onde morei e trabalhei por cinco anos consecutivos? Talento? Universalidade? Ou favorecimento ilícito? Quem pagou pelas veleidades literárias, pela vaidade do "autor" José Ribamar Sarney, ex-presidente da república e acadêmico impudico? Por que não encontrei nenhum outro autor brasileiro naquelas incontáveis bibliotecas?
O título era mesmo "pro céu, Frederico!". Mas o autor, infelizmente, desviou seu olhos dali, cravando-o em outras tristes plagas...
Não entro no mérito da questão, Baduh.
Por que?
Porque quero ler inúmeras críticas e quero ver posicionamentos mil,
que é o que precisamos, enfim...
Muito bom!!!
Muito obrigado, Rangel. Também estou aqui, aberto aos pensamentos que não fechem com o meu. Esta é a minha visão. É o que venho observando ao longo das décadas... E... os "príncipes" mencionados não nos legaram nada, absolutamente nada! Niguém os conhece, ninguém os lê ou leu. Legaram foi um monte de imóveis caros aos seus herdeiros... E não foi com a venda de livros. Foi com as benesses recebidas dos amigos poderosos. Escritor que não faz livro bem vendido... rico! Cargos de "adido cultural", faturando em dólares, bolsas e mais bolsas direcionadas exclusivamente para eles... E, livro prestável que é bom... NADA! Taí, num dos exemplos, Antonio Callado, que escreveu um montão de livros, chatíssimos todos. Quarup é intragável, absolutamente intragável. Vendeu? Não. Publicações às custas de arranjos com gente do governo... essas coisas! Veja lá Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos... Comeram o pão do Diabo... essas coisas... insuportáveis!
baduh · Rio de Janeiro, RJ 12/8/2007 14:53
BADUH,
não vou entrar tb no mérito do valor dos autores que vc cita, mas muito do que vc disse é a mais pura verdade. Ressalvo algumas questões:
Sim, a Academia merece todas as críticas. Apenas para termos a certeza do quanto ela vale, ela que é quase a razão de viver de muitos escritores ou ditos escritores, cito CARLOS DRUMMOND: "Não tenho espírito acadêmico, não tenho a tendência para ser acadêmico. A Academia, então, não me produz uma sensação de desprezo nem de desgosto. Apenas relativo distanciamento(...)Acredito que - sendo uma instituição composta por quarenta pessoas - dificilmente, em qualquer lugar do mundo, essas quarenta pessoas serão bons escritores. Haverá, sempre, uma parcela de escritores menores e, até, de maus escritores." Ele nunca aceitou pôr o fardão.
...
Também concordo que muitos ótimos escritores devam estar engavetados sem condições de publicar. Talvez pela própria condição de nossa literatura, de poucos leitores, a indústria editorial só quer publicar, seja o que for - péssimo ou bom - de alguém famoso, cujo sucesso de vendas acontecerá mais pelo conhecimento da pessoa e não pelo valor de sua obra. Nessa condição engolimos muitos sapos Brasil afora. E o que é bom, na maioria das vezes, fica escondido, sem a menor chance de aparecer.
Abcs
Ah, ia esquecendo de dizer: seu texto é muito bem escrito. Com a verve de quem sabe o que diz. Essa é a primeira condição para quem se aventura em terreno tão escorregadio e de difícil equilíbrio, a literatura.
abcs
Meu prezadíssimo JJLeandro!
Muito obrigado pelos seus comentários.
O que me preocupa na ABL é que trata-se de uma entidade extremamente cara, que suga verbas da Cultura. O que Marcos Maciel está fazendo agora por lá? Quais são os romances que ele escreveu? E Sarney? Sarney nos sai caríssimo, porque além dele próprio, ainda tem dois filhotes que vivem agarrados às tetas do Brasil. Roseana Sarney é dono de uma infinidade de apartamentos, no caríssimo bairro do Leblon -RJ. Sarna Baby, o morgado de Sarney, mais dia, menos dias, me aparece também lá pela ABL...
Todo esse dinheiro, do luxo extremo da ABL, por exemplo, deveria estar aqui, no Overmundo, incentivando jovens talentos, em vez de servir de veículo às vaidades doentias de um Roberto Marinho, acadêmico semi-analfabeto, já falecido, que Deus o tenha e o tenha bem tido, sem brincar de devolver...
No mais, embora o problema não esteja localizado somente na ABL, longe disso, infelizmente, está espalhado de forma metástica por todo o nosso prejudicado país. Mencionei e dei destaque à ABL somente porque é um exemplo muito visível: é composta, em sua imensa maioria, por papeleiros, por burocratas que, não escreveram, ou, se o fizeram, foi de forma execrável. E por alguns péssimos "escritores", como Paulo Coelho, o "Bispo Macedo dos Livros". hahahahhahha Mas é a pura verdade! Eu tenho aqui em casa um totó que escreve dez vezes melhor que o PC!
Enquanto isso, os nossos artistas verdadeiros, os nosso jovens talentos, somente não morrem mais de tuberculose porque saiu de moda...
Agradecidíssimo pela sua mensagem, os meus mais cordiais respeitos e um forte abraço aqui deste overmano,
Baduh
Meu Caro baduh,
Vou começar pelo fim, sou dos que perfilam na observação de que a ABL passou de um grêmio literário para um funeral antecipado. Mas defendo que ela deve continuar, se mal habitada por deficiência nossa. (O que fazer)?
Entre nós "tudo" para ter valor tem de ser chapa branca, dos juristas só Sobral Pinto não precisou; na engenharia arquitetura, Oscar, não precisava; nas letras há um sem número (se não chega a nosso conhecimento é extamente por não ser chapa branca), entre a chapa estatal e modernamente de algum império de comunicação (Globo e afins).
- A pergunta é como se vai sair disto?
Um abraço, andre
Boa pergunta, querido Andre!
Também não a sei responder... E fico pensando como é possível que homens que já têm tudo, em termos materiais, ainda, por vaidade pura, gastem tanto dinheiro da Cultura na manutenção das luxuosíssimas instalações da ABL...
Se vedêssemos a ABL, no regime de "porteira fechada", com a verba apurada daria para se montar uma editora e gráfica para talentos em flor, uma em cada estado brasileiro...
O endinheirado quer a glória? Que compre e mantenha a ABL... hahahahahhahahahah Já pensou? O Paulo Coelho e o Sarney têm a grana suficiente... Privatização já! hahahahaha Mas nada de sumir com o dinheiro... Entreguem a grana na tesouraria do Overmundo, na mão dos artistas das letras!
Um abração, overmano para você!
Baduh
Aproveitando a idéia: as editoras e gráficas ficariam vizinhas às padarias comunitárias, que ficariam ao lado dos postos de saúde, que estariam ao lado das bibiotecas, que...
Realmente Baduh, precisamos privatizar isso logo!
Vim parar no seu texto porque ele era um dos mais bem votados. Estava na cabeça, aliás. Pensei que o assunto era literatura. Me decepcionei. Estou cansado de ler no Overmundo texto sobre os que não fazem. Quando você tiver um texto propositivo de literatura, sobre alguém que faz, rico e tal. Peço a gentileza de ser convidado para ler.
Roberto Maxwell · Japão , WW 15/8/2007 12:11
Roberto.
Eu tenho um texto, ainda em votação, no seguinte link:
http://www.overmundo.com.br/banco/despertar-um-conto-em-tres-dimensoes-desordenadas
Acho que tenho o direito de me expressar sobre os crimes que andam por aí, impunes, pepetrados pelos barões amamentados pelas verbas destinadas à Cultura no Brasil. É escorraçá-los, debaixo de vaias, como já andam fazendo com José Sarnoso, que até mesmo já processou, em vão, o Movimento Fóra Sarney. Sim, fóra, porque o desgraçado não é mais presidente da república mas ainda estende seus tentáculos sugadores por toda parte! É um lindo e dinâmico movimento, o "Fóra Sanrney." Ele anda se sentindo totalmente encurralado... Bem feito!
Você tem todo o direito de não ler o que não gosta. O link eu somente colei aí acima para que você realmente saiba que eu faço sim. Mato a cobra e mostro o pau.
Mandar recados deste teor é perda de tempo! Tanta coisa boa, maravilhosa, no Overmundo! Não gostou do meu pobre texto? Pule! Passe adiante! Não perca o seu tempo e nem o meu.
Se ainda fosse contestar com argumentos o que eu escrevi, isto sim, seria interessantíssimo e eu já recebi críticas riquíssimas! Gente discordando de mim, com argumentos! Queixas não! Queixas, favor procurar o Bispo. Este aqui que, respeitosamente se despede de você, não recebe queixas.
Baduh
Rangel, meu querido amigo!
Em primeiro lugar, desculpe-me por ter acentuado Fora Sarney! Não costumo revisar o que escrevo nas respostas, por ter muito pouco tempo disponível. E ainda, segundo Lacan, quando a gente acentua erradamente uma palavra, das duas, uma: ou foi fuga precipitada da escola ou, pior ainda, o desejo de reforçar demasiadamente uma ação que se propõe - a ação de despejo, definitiva, de um parasita que nos sangra há gerações!
Sim! Há dinheiro demais sendo jogado fora em projetos imbecis e luxuriantes... Até estátuas levam vantagem sobre os artistas das letras. É usar o dinheiro corretamente, empregá-lo em semear cultura, luz!
Um grande abraço, querido!
Baduh
É Baduh, não perca o nosso tempo escrevendo esse tipo de texto, isso sim. No mais, argumentar com o que? Você não apresentou nada que merecesse ser argumentado. Produza um texto propositivo e seja educado. Seu texto de queixas é muito mais extenso que o meu e eu o li até o final. Portanto, eu escrevo o que eu achar conveniente. Agora, não perca tempo respondendo. Afinal, a minha fala não te diz nada, não é? Agora, não seja infantil, porque você sabe muito bem o que eu escrevi e o tamanho da sua crítica. Agora, porque eu a fiz sem dizer que seu texto está bem escrito ou coisa assim, não mereço resposta? Isso prova, mais uma vez, a pobreza do teu argumento. Aliás, aqui mesmo nessa página tem um texto idêntico. E, de boa, tenha certeza absoluta que eu passarei de longe das colaborações assinadas por você. E, se você se incomoda com recados de qualquer teor, escreva um blog pessoal e desative o sistema de comentários.
Roberto Maxwell · Japão , WW 15/8/2007 12:45
hahahahah Isto é fake! É fake de Sarna Baby, ou algum dos seus trutas!
hahahahahahahahahahhaahahahah
Ei, Roberto, adeus. Escreva lá um conto ou um texto qualquer e mostre aqui prá gente. Se colocar os links de teus textos aqui, prometo, respeitosamente, lê-los e comentá-los.
Infelizmente o Overmudo não nos permite deletar bobajadas postadas por despeitados. Eu peço: se tiver alguma outra coisa a postar aqui, nos comentários de um texto de minha autoria, que sejam links que remetam aos teus textos próprios, para que eu possa saber com quem estou falando.
Desista. Você não poderia comigo...
Baduh
Esclareço aos escultores que não tenho absolutamente nada contra estátuas.... ahahahahahahahaha
O que ocorre é que há uns monumentos... caríssimos... feitos por empreiteiras... e isto é Cultura. Cultura superfaturada - todo mundo leva.
Aquelas comemorações dos 1500 anos do descobrimento do Brasil... a construção da "caravela"... aquilo foi uma farra com o dinheiro saído, inteirinho, de verbas culturais! Enquanto isso, nossas bibliotecas caem aos pedaços! Há um número incontáveis de cidades brasileiras que não as têm. E nem sequer livrarias (ou seja: nem pagando, só se der lucro, muito lucro). É aí que tem de entrar o Estado. E não entra.
Tenho incontáveis amigos pelo Brasil afora e, aliás, tenho também a felicidade de conhecer nosso país, de ponta a ponta. Não são poucas as queixas da falta de uma simples livraria... Biblioteca pública? Nem pensar!
A minha denúncia, a minha indignação, é tão somente porque, enquanto inúmeras cidades não possuem lojas que vendam livros, nem bibliotecas, os "príncipes da cultura" esbanjam as verbas que seriam destinadas a elas.
Nascido e criado no Rio de Janeiro, conheço bem o luxo, o fausto esquizofrênico da Academia Brasileira de Letras. É um crime! Só faltam colocar os vasos sanitários em ouro maciço. Ora bolas! Eu quero mais é ver os caboclos lendo, recebendo livros! E que se explodam aqueles velhos cheios de vaidades criminosas e taradas!
Baduh
Baduh, só agora soube da existência deste manifesto. E pelo que vi aqui, uns não "entraram no mérito" e um outro desparou comentários cavilosos contra tua pessoa...puro sofisma. Alías, sofistas, vários deles, estão espalhados por aí, enfim...
Teu texto me lembrou, em alguns momentos, das críticas de Fernando Jorge na revista Imprensa. Devo confessor, que, em se tratando de literatura, estão a engatinhar... Mas se tivesse que apostar minhas fichas, não preciso dizer mais nada...
Um abraço.
Eu quis dizer que "estou" e não "estão". Falha nossa.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 20/9/2007 09:34
Inclusive Baduh, Fernando Jorge escreveu o seguinte livro: A academia do fardão e da Confusão. Acho que você vai gostar. O escritor acusa neste livro a Academia Brasileira de Letras de ser medíocre e chama alguns de seus integrantes de mesquinhos e criadores de intriga. (Risos)
Um abraço.
Como todo o respeito, acho o Cony um excepcional escritor.
Marcelo Moutinho · Rio de Janeiro, RJ 29/7/2008 18:20Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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