Literatura feita em casa

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Eduardo EGS · Porto Alegre, RS
15/5/2006 · 104 · 3
 

Reunir um grupo de pessoas pra discutir textos, aperfeiçoá-los e publicá-los com toda a liberdade. E por liberdade leia-se lançar obras sem preocupações com critérios extra-literários, como potencial de vendas, além de ter independência criativa. Dessa idéia surgiu a Casa Verde, projeto envolvendo oito escritores gaúchos - Caco Belmonte, Christina Dias, Filipe Bortolini, Flávio Ilha, Laís Chaffe, Luciana Veiga, Luiz Paulo Faccioli e Marcelo Spalding – e que começou em junho de 2004.

A democracia no grupo

Se não é um projeto inédito (iniciativas desse tipo podem ser encontradas em outros lugares do Brasil), com certeza é bem sucedido, pois em menos de dois anos existência já lançou três livros: Fatais, Contos de bolso e Era uma vez em Porto Alegre, todos de 2005. E também interessante, por ter tantos componentes. Como tomar decisões? “Os oito escritores que hoje integram o grupo têm por hábito trocar textos e opiniões sobre eles. Reescrevemos muito, mas, na hora ‘H’, se um autor quiser assumir o risco, pode inclusive publicar um conto que tenha desagradado a todos os demais colegas”, conta a Laís Chaffe, idealizadora da Casa.

Mas a discussão entre os membros é fundamental. Um bom exemplo é o fato dos projetos de antologias terem sido debatidos e aprovados pela maioria dos integrantes. A liberdade total também aparece quando o assunto são os textos, sendo cada um responsável pelo seu, pois ninguém tem direito a veto. “No caso dos livros individuais, alguns previstos já pra 2006, essa independência vai ser ainda maior: cada autor tem a palavra final não apenas quanto ao texto, mas também quanto ao projeto gráfico, colaboradores, entre outros aspectos”.

Uma alternativa ao mercado

Esse grau de liberdade é realmente difícil de ser alcançado em qualquer editora. E o grupo sabe que não adianta reclamar do mercado sem fazer nada. Por isso a opção de lançar os livros por um selo próprio. “As leis são cruéis, e por isso mesmo acredito que o Estado deveria garantir recursos pra que a cultura não ficasse a mercê dessas leis”. A saída? “Cabe a nós trabalharmos pra abrir espaço, seja cobrando políticas públicas que ao menos minimizem os problemas, seja buscando alternativas pra não nos sujeitarmos ao mercado”.

Além desse compromisso com o lançamento de livros dos seus autores, a Casa Verde também participa de debates em escolas, como integrante do projeto Autor presente, do Instituto Estadual do Livro. O objetivo é compartilhar as experiências literárias com professores e alunos das redes pública e privada. “Pra nós, a troca com novos leitores é, mais do que um compromisso, um prazer. Se não for assim, é preferível que o escritor fique em casa. Aliás, não faltam exemplos de excelentes escritores que preferem o isolamento”. Acertadamente.

Mais publicações

A movimentação da Casa Verde em 2006 vai ser intensa. Estão programados os lançamentos de algumas obras individuais. O Caco Belmonte vai ser o primeiro. Além dele, entram na fila o Marcelo Spalding, o Flávio Ilha e a própria Laís, que também estão trabalhando nos seus livros, mas sem datas definidas para lançamento. E uma nova antologia de minicontos nos moldes do já lançado Contos de bolso, com a participação de vários autores convidados, está nos planos do grupo.

Pelo jeito não vão faltar atividades neste ano pros ‘casa-verdianos’. Nem desafios. “O desafio maior é permanecermos atuantes, dando continuidade e aprimorando nosso trabalho”, projeta a Laís, mostrando que a Casa está crescendo, com muito profissionalismo. Uma boa amostra do trabalho deles pode ser vista no site. Lá dá pra comprar os livros do grupo e ler alguns contos dos escritores, entre outras coisas interessantes. Como se pode ver, o lado caseiro desta história aparece apenas no nome.

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Rômulo Ar.
 

sensacional a idéia, espero encontrá-los por aí.

Rômulo Ar. · Porto Alegre, RS 9/6/2006 09:39
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Sofia Amorim
 

Muito interessante

Sofia Amorim · Ribeirão Preto, SP 17/10/2006 18:04
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Oliv Bepe
 

Muito boa a iniciativa!!
Além de exercitar a liberdade para escrever e publicar, o projeto é um incentivo às produções literárias...

Oliv Bepe · Ribeirão Preto, SP 19/4/2007 23:19
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