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Livros que recontam a história afro-brasileira
Monica Ramalho · Rio de Janeiro (RJ) · 9/5/2006 21:02 · 48 votos · nenhum comentários ·  
 
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overponto
Marcelo Pacheco

Uma editora na qual o livro é mais do que um produto, mas um meio de divulgar a tradição milenar de um povo, constituído por grupos étnicos das mais variadas culturas. A Pallas, especializada em temas afro-brasileiros, assume o risco e usufrui as benesses de publicar títulos importantes para o segmento, mesmo aqueles que atraem um pequeno número de leitores. Por trás desta empresa familiar - e peculiar -, há uma mulher branca, de olhos azuis e firmeza no que diz: a historiadora Cristina Warth.

“A cabeça do meu pai, Antônio Carlos Fernandes, era voltada para administração e ele quis investir em livros populares, com orações, receitas e simpatias”, diz a diretora, que só foi suar a camisa na empresa depois de muita pressão. “Ele andava mal de saúde e disse que venderia a editora para andar na praia se eu não aceitasse o trabalho. Então, propus algumas novidades e ele concordou, desde que também me comprometesse em preservar os títulos que saíam bem”, recorda.

Um dos best-sellers da casa é o ‘São Cipriano’, que deve ter quase a mesma idade da Pallas, criada em 1975. “Este clássico vende hoje cerca de 10 mil exemplares por ano, mas este número já foi quase três vezes maior”, calcula por alto. É engraçado ouvir a empresária falar com tamanha naturalidade sobre estes livros – entre eles o também campeão de vendas ‘Como agarrar seu amor pela magia’ – pois eles foram, durante uns bons sete anos, as pedras que afastaram Cristina, então professora recém-formada, da rotina da editora.

“Hoje estou apaziguada com esses títulos do meu catálogo”, emenda. Ela ressalta que a Pallas trabalha com um universo que há muito necessitava de registro, pois era passado de geração em geração para iniciados e baseado em segredo. Cristina lembra que ficou chocada quando se aproximou pela primeira vez da temática afro-brasileira, sobretudo no que tangia às religiões. “Percebi que a religiosidade de origem africana não recebia um tratamento literário consistente”.

Atualmente, com o declínio do preconceito contra negros e outras minorias, os assuntos que a Pallas quer aprofundar interessam cada vez mais leitores de todas as raças. Talvez porque não exista mais aquela negativa folclorização do negro e de suas formas de cultuar os orixás. Cristina foi uma das agentes desta mudança. Ela saiu em busca de novos autores para renovar o catálogo da editora. “Parte deste material tem origem na pesquisa acadêmica, mas também convidei o povo-de-santo para contar suas experiências”, comenta.

Tempo de nitidez
A chegada da terceira geração da família ao comando da Pallas, através de Mariana Warth, coincide com o início do trabalho do jornalista Marcelo Pacheco à frente do marketing da editora. Mariana, filha de Cristina, entrou para engordar a prateleira de infantis que colocam o negro como protagonista das histórias e Marcelo quer obter melhores resultados do que a antiga posição de assessor de imprensa era capaz de oferecer.

“Editoras vendem conceito e não apenas livros”, explica Pacheco. Antes mesmo de efetivar a primeira ação, que vai girar em torno dos 118 anos da abolição da escravatura, a ser comemorada no dia 13 de maio, o jornalista já abriu negociações com uma fabricante de lentes. “Qualquer associação é um mercado que se potencializa. Não será difícil conjugar livros com usuários de óculos e lentes de contato”, comenta, sinalizando um tempo ainda mais nítido aos rumos da editora.

tags: Rio de Janeiro RJ literatura etnica livro negro religiao



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