Observatório

A história do Overmundo na memória de seus colaboradores
O Overmundo foi pensado para trazer à luz a cena cultural brasileira, independente da grande indústria cultural e que, justamente por ser independente, não costumava figurar com destaque nos grandes meios de comunicação. Algum tempo passado, constatamos que ainda há muito o que fazer e que, a cada dia – sobretudo com o advento da internet colaborativa e de ferramentas de autopublicação... leia

 
Lobby das gravadoras e propriedade cruzada
deleve · Niterói (RJ) · 26/5/2008 23:54 · 178 votos · 8 comentários ·  
 
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overponto
Antigamente, até o ano 2000 mais ou menos funcionava assim: as gravadoras gravavam quem elas queriam e achavam que faria sucesso, então, faziam a divulgação em rádios e Tvs.

Na maioria das vezes fechava-se o pacote. Por exemplo, fechou pacote com a Globo, fechou com TV e seus variados programas com variados públicos; fechou também com suas rádios AM e FM e seus variados públicos, mais seus jornais, suas revistas e seus sites em território nacional. Isso se fechar só com a Globo. Se fizer contrato com mais outras empresas de comunicação que também têm rádios, jornais, revistas e etc, isso se multiplica muito. Não é pouca coisa. E não é barato. É caro. Muito.

Mas depois dos computadores, da grande rede e da pirataria (graças a Deus) o jogo mudou um pouco.

O ministro das telecomunicações continua privilegiando e sendo indicado pelos conglomerados de comunicação e suas rádios e TVs ( meios diferentes, mesmos donos ) e deputados e senadores são donos, ou como eles preferem eufemizar, são cotistas das afiliadas das grandes redes em seus estados. Pra mim, não muda muito se são donos por inteiro ou cotistas já que ao deputado seu interesse empresarial pode vir 1º em suas escolhas no congresso.

Mas as gravadoras sofreram mais.

Com a pirataria perdeu dinheiro e com a internet perdeu muito de sua influência e credibilidade no meio musical.

Se antes ter um contrato era um sonho quase incacansável por qualquer músico que se prezasse, hoje o mesmo é quase um pesadelo indesejável pois pode ser uma geladeira de anos para a maioria deles.

E nisso o mercado independente cresceu como nunca e tem hoje seu maior bum. Qualquer um hoje pode botar a boca e mostrar sua arte, o que é muito democrático e bom.

Incrivelmente não se vê a mesma “independência” nas rádios e TV's. O lobby das gravadoras com os meios de comunicação e seus donos ainda é fortíssima e quase – quase? - não se vê artistas independentes nas grandes redes de comunicação.

Na TV, nos programas mais assistidos só se vê os mesmos poucos e privilegiados artistas de gravadoras que ainda têm o seu espaço intocado lá.

As tentativas ainda são muito tímidas. Existe um quadro chamado “Pistolão” no Faustão, mas ainda tem que ser amigo de alguém muito famoso para poder fazer.

Partindo deste princípio, penso que as gravadoras não devem estar assim tão falidas.

Como pode a internet mostrar tantos artistas, bons artistas e ótimas músicas e somente os artistas de gravadoras têm espaço na TV e no rádio?

Claro que a concentração de mídia na mão de poucos donos, a chamada propriedade cruzada (na qual não se pode ser dono de mais de um veículo de mídia, é ou jornal ou Tv ou rádio, não pode ter dois juntos ou mais, como normalmente acontece aqui) influi totalmente na disparidade de espaço dado aos artistas contratados pelas grandes empresas que têm poder, dinheiro e influência política e os outros que estão sozinhos e têm tão somente a boa música.

Com essa influência toda, não é de se espantar que nossos políticos não votem e não discutam sobre isso. Para que discutir isso quando você também é dono de canais de rádios e TV's e retransmite o sinal das grandes empresas de comunicação que recebem para manter estes artistas lá? É incoerente pros negócios, não é verdade?

Ah, mas alguém pode dizer que “os negócios” são ilegais e que os deputados não podem ou não poderiam ser donos de canais de rádios e TV's. Sim, isso é verdade. Eles não podeRIAM. Mas são. Até o ministro das comunicações tem a sua rádio (clique aqui para ler sobre).

Dizem que com a rádio digital o número de canais no rádio vai aumentar. Na TV ainda nada. Mas se isso acontecer provavelmente vai aumentar e melhorar muito o mercado independente de música que sobrevive graças a internet e este poderá inclusive sair do meio internet e entrar no meio rádio, muito mais popular e ainda muito mais democrático e poder ganhar as ruas e tocar país afora.

Hoje só se ganha dinheiro fazendo shows, mas fazer shows ainda é muito difícil. Dificilmente alguém contrata um show de alguém que não toca na rádio. Se você não toca na rádio você não existe, não é conhecido e se você não é conhecido porque trazê-lo para fazer show? Que empresário contrata para perder dinheiro?

Com a regulamentação de propriedade cruzada e a abertura do espectro de rádios e TV's a mais empresas e mais diferentes tipos de negócios, podemos ter com isso a abertura à bandas independentes o mercado independente vai de vez conseguir se auto gerir sem somente se auto sobreviver e depender de festivais que não pagam caché mas recebem dinheiro através de patrocinadores que geralmente não é repassado aos artistas. Ou seja, estes não recebem mesmo tocando.

Enquanto isso não acontecer e a regulamentação não for sequer discutida como se não fosse necessária ao país teremos 20 artistas muito famosos fazendo muitos shows e tocando na rádio e ganhando dinheiro com mega-shows lotados em estádios de futebol e publicidade enquanto todo o resto – sabe-se lá o nº de artistas independentes e populares – vão cotinuar na vontade de querer estar fazendo shows e vivendo de música. Sem poder se dedicar aquilo e sem até gerar empregos já que um espetáculo musical gera-se muitos empregos.

Mas nossa política, infelizmente, é outra.

Desestimulamos a criatividade do nosso povo e vetamos que o próprio povo possa decidir sobre o que ele quer ouvir, deixando isso por anos na mão de executivos de gravadoras, que sempre pensaram 1º no lucro das empresas que trabalhavam ou eram donos. E isso continua assim nas TV's e rádios.

Será que isso um dia muda?

Talvez no dia em que regulamentem a propriedade cruzada. Ou talvez no dia que a internet cobrir 95% do território nacional assim como a televisão.

É, esse dia deve vir mais rápido.

Isso se não mudarem as regras da internet.

***
Mais infos sobre essa politica:
http://www.youtube.com/watch?v=T_zm0ZS5DQ8
http://www.youtube.com/watch?v=D54SacPPYyQ
http://www.youtube.com/watch?v=eVn0kx6mvW4
***

tags: Niterói RJ cultura-e-sociedade jaba deleve musica monopolio radio-comunitaria tv-comunitaria propriedade-cruzada monopolio-das-comunicacoes


 
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dudavalle manifesto 171 :-)))
dudavalle · Rio de Janeiro (RJ) · 23/5/2008 20:24 
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http://dicamelim.blogspot.com
hhtp://tramavirtual.com.br/de_leve
deleve · Niterói (RJ) · 24/5/2008 11:42 
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Olá Deleve,
muito bom ler seu texto.
A gente precisa se manifestar mais sobre essa ditadura brasileira, onde as armas principais são modarça e antolhos!

A concentração das midias nas mãos dessa meia dúzia que somados não dão 1, rouba o ar não só da cultura e da formação da opinião pública, mas principalmente da manifestação popular, impedida de se organizar.

Como é que nossos políticos podem falar de distribuição de renda se a mentalidade oficial é a do acúmulo das possibilidades de geração de renda existendes na posse da terra e na liberdade de se manifestar diante do outro?

Quer dizer, a gente já padece tentando desenvolver uma virtude, lutando quase que contra tudo e todos e os poucos entre nós que conseguem desabrochar estão obrigados, prá sair da pindaíba, a se submeter a essa mentalidade no poder, a vestir esse mesmo padrão asfixiante... né mole não!

Escrevi um pouco sobre isso no texto IMPRENSA BRASILEIRA, 200 anos de monopólio.
Bjs,
Carla.
Carla Pereira da Fonte · Rio de Janeiro (RJ) · 26/5/2008 10:32 
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Amigo vc foi no olho do furacão. É exatamente isso o vc falou. Veja bem, temos o nosso trabalho sendo executado em vários paises, mas aqui ninguem dá a mínima.
Existe nesse nosso pais, vários artistas que se divulgados honestamente pelas rádios, dá pra fazer uma tremenda revolução na mpb.
Se todos nós que temos trabalhos prontos unir mos as forças, eles terão que abrir as portas.
Parabens pelo texto e vamos nessa.
Um grande abraço.
Valdo Aguiar
HERVA
Valdo Aguiar · Rio de Janeiro (RJ) · 26/5/2008 20:14 
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Concordo, além de criminalizarem o jabá. Vivemos numa cultura musical que é resultado de mais de 15 anos de coronelismo radiofônico de gente como Tutinha, da jovem pan, Rei do jabá. Coronelismo porque ele assume que tudo é pago sem o menor pudor, como se nao fosse uma pratica anti-etica (e por isso crime em outros países), como mostra esta entrevista aqui http://www.cenarock.com/site/conteudo.php?entrevista=28

Lucio K · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2008 00:43 
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Botou pra fuder...
blequimobiu · Salvador (BA) · 27/5/2008 12:41 
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É deleve...a pergunta que não quer calar: Será que isso muda?
Já percebeu que o ministro da cultura pouco se manifesta sobre o assunto. Na posição que ocupa, sendo ele quem é: Gilberto Gil. Inimaginável. O nosso "pop star brasil", com um histórico de atuação política, na recente história do Brasil, chega ao ministério, realiza ações interessantes, mas aquém do necessário e pouco se manifesta sobre a "chantagem intitucional" do mercado de música no Brasil, que é notória a qualquer um que consiga exercer mínima reflexão. É de ficar pasmo a omissão do ministro. Será que isso muda?
Mansur · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2008 14:44 
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É isso aí...
Beto

Roberto Girard · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2008 16:01 
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