Los Hermanos, uma cópia de Chico Buarque? Parte 1

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Chico Buarque é músico, cantor, compositor, teatrólogo e escritor
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Dewis Caldas · Cuiabá, MT
18/3/2007 · 129 · 14
 

Às vezes fico aqui comigo, será mesmo que a banda Los Hermanos é uma tentativa frustrada de juntar Chico Buarque com rock. Ou o velho Chico já é rock? Ou o Los Hermanos é música popular brasileira? É engraçado o quanto tentam sempre rotular alguma coisa, seja o que for. Não que rotular seja coisa ruim, logo porque, todos nós somos rótulos de algo, mas quando se tem um rótulo, fica até mais fácil para falar sobre. Falo isso, depois de uma pequena discussão com um amigo, tive uma série de leituras quanto a esse fato.

Los Hemanos, é uma banda dos anos 00’, mesmo tendo nascido nos anos 90. No início, sua influência hardcore era muito mais visível, batidas fortes, rápidas, e por que não nervosas? E isso distanciava (ou piorava) a distinção da banda quanto às outras. As letras poéticas e intelectuais chegaram aos ouvidos de um primeiro público, falo isso antes mesmo do primeiro Cd, onde ainda eram conhecidos pelas Demo “Amor e Folia” e “Chora”, trabalhos independentes que deram a banda uma certa notoriedade, alguns showzinhos em faculdades, e pequenos bares do Rio de Janeiro, como uma vez disse Bruno Medina, “era moda alguém ter a nossa fita”, lembrou o tecladista.

Pois bem, logo depois do primeiro disco, o falado e falado Los Hermanos, de 1999. Que tem a música que foi axézada, sertanejada, forrozada, dancezada Anna Julia, e que serviu para dar todo o impulso da banda pra uma gravadora, mídia nacional, Faustão, Fantástico, Sbt e tudo mais que se tem hoje em dia. Disco esse que ainda trouxe outros clássicos da primeira fase da banda como Primavera, Quem Sabe, Azedume, Pierrot e Outro Alguém... Porém, ainda como músicas populares, de fácil arranjo e no formato Chiclete (que é o que cola) Se via de longe, pela batera e guitarradas sujas, a enorme influência da banda punk, hardcore e indie, então aí vai uma dica, vale a pena ouvir Primavera, Azedume e Tão sozinho, gravadas nas primeiras fitas demo da banda, que podem ser ouvidas no site oficial - (www.loshermanos.com.br).

Falo das influências, para se chegar “no ponto” da discussão, que é a vinda do Chico Buarque à Banda. No segundo e terceiro disco, o Bloco do Eu sozinho e o Ventura, respectivamente lançados em 2001 e 2003, os 4 amigos cariocas, sem o baixista Patrick Laplan, e com a produção de Chico Neves, tomam uma nova sonoridade, sem jogar muito as guitarradas sujas, e um vocal menos gritado, e mais sufocante. As músicas que antes falavam de amor perdido e severo, agora falava de saudades, da euforia, com uma nova perspectiva musical. Ali, era o ponto que o Barba começa a se provar, aceitando novos desafios em colocar batidas mais complexas, variações de tempo e fusões rítmicas mais elaboradas, o que ele confessa tempos depois, ao falar que gosta do problema, e assim, montar algo por cima da música. A partir daí, Los Hermanos começa a experimentar novos timbres, e a maturidade singular para, dois anos depois, fazer um disco tão bom quanto. Na minha cabeça, esse é um disco que poderia ser duplo, assim como o Revolver e Rubber Soul, dos Beatles, tamanha a semelhança entre os dois, tamanha a continuação da idéia. Nesse momento, a banda já havia esquecido dos anos 90, da época da faculdade, e agora ouvia Noel Rosa, Cartola, Beth Carvalho, Jair Rodrigues, Paulinho da Viola, Bob Marley, Tom Jobim, Tom Zé e Chico Buarque. Daí se seguia a 4, o último Cd da banda, que gerou toda essa polêmica. Sobre isso, falo logo mais na parte 2.

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Rodrigo Nogueira
 

Texto interessante Dewis! Tem um trecho bem interessante que, pra mim, sintoniza a influencia do samba na música dos caras. "As músicas que antes falavam de amor perdido e severo, agora falava de saudades, da euforia (samba), com uma nova perspectiva musical" Cara o samba é dor na alegria ou uma tristeza feliz, que eles absorveram ouvindo essa galera que vc cita no texto. Espero a segunda parte.

Rodrigo Nogueira · Rio de Janeiro, RJ 15/3/2007 16:01
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xYURIx
 

vivemos épocas em que as bandas parecem bastante com suas influencias... o que é bem diferente de ser uma 'cópia'.
... ansiosamente aguardando a 2ª parte.

xYURIx · Aracaju, SE 16/3/2007 21:34
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Dewis Caldas
 

é exatamente o que defendo.
Abraços, logo mais a 2º e (se for preciso), a 3º parte.

Dewis Caldas · Cuiabá, MT 16/3/2007 21:45
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aNNaFLaVia
 

Ansiosa pela segunda parte!

aNNaFLaVia · Recife, PE 18/3/2007 11:31
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Daniel Duende
 

Texto bacana! Quero ver a segunda parte.

Abraços do Verde.

Daniel Duende · Brasília, DF 19/3/2007 00:13
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Leandróide
 

Vou esperar pra me pronunciar com a chegada da 2a parte. Vai demorar? Tá na fila de edição?

Abr.,
L.

Leandróide · Florianópolis, SC 19/3/2007 01:05
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Luciano Carôso
 

Na minha não tem muito essa coisa de "influências da banda". O discurso da banda se deve a Marcelo Camelo, em primeiro plano, e a Rodrigo Amarante. Esses são, pelo menos na autoria declarada das músicas, os que determinam os caminhos composicionais do trabalho. Marcelo, por exemplo, provou ser um compositor de uma versatilidade admirável. Da competentíssima (do ponto de vista composicional) Anna Júlia ao antológico samba Cara Valente, essa versatilidade surge realmente inadequada para ser enquadrada nesse universo cheio de entraves estéticos e afeito a preconceitos, conhecido genericamente como Rock. Não me entendam mal: não quero ofender ninguém nem iniciar uma celeuma em torno do tema. Essa opinião é fruto de observação e reflexão acerca do que leio e do que ouço por aí.
As influências de Camelo vão muito além do Rock. Passam por música brasileira na acepção mais ampla que esse conceito pode ter. Graças a Deus. Aliás, só pra citar dois nome, Cazuza e Renato Russo são exemplos indefectíveis que dar vazão a tais influências não faz mal a ninguém. Esses dois últimos escreveram definitivamente seu nome em nossa história. Camelo está indo pelo mesmo caminho.

Luciano Carôso · Salvador, BA 19/3/2007 02:27
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Luciano Carôso
 

... só pra citar dois nomes, eu quis dizer :-)

Luciano Carôso · Salvador, BA 19/3/2007 02:32
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Carlos ETC
 

Vejo com muito "bons olhos" esse respeito (e busca) dos novos artistas para com os mestres da nossa MPB. Acho que eles estão bebendo de uma fonte sempre rica e revigorante. Cada releitura que se faz às obras do Chico, Cartola, Paulinho, Belchior, Gonzagão, Gil, entre muitos outros, faz gerar frutos impressionantes.

Esses ícones, na minha opinião, são e serão sempre inspiração para as novas obras de qualidade, criados com uma roupagem nova ou com as antigas vestes, sempre bem vindas.

Na época, fiquei muito impressionado com as canções dos Los Hermano. Como disse o Luciano, graças a Deus que a nossa MPB sempre encontra um vestuário novo pra desfilar pra gente! Demais! Também fico esperando a segunda parte! Gostei muito do texto.

Carlos ETC · Salvador, BA 19/3/2007 12:34
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Dewis Caldas
 

Opa,
Jà saiu a segunda parte. Abraços

http://www.overmundo.com.br/overblog/los-hermanos-uma-copia-de-chico-buarque-parte-2

Dewis Caldas · Cuiabá, MT 22/3/2007 11:38
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Ulisses Ba Calhao
 

É melhor eu ler, ja q o 1º nao tem pé e nem cabeça!

Ulisses Ba Calhao · Campo Grande, MS 28/3/2007 10:08
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Ney Hugo
 

Concordo que "vivemos épocas em que as bandas parecem bastante com suas influencias... o que é bem diferente de ser uma 'cópia'."

Mas quem ouve "Noel Rosa, Cartola, Beth Carvalho, Jair Rodrigues, Paulinho da Viola, Bob Marley, Tom Jobim, Tom Zé e Chico Buarque" acha Los Hermanos legal.

Só legal

e não genial como muita gente diz ser.

Ney Hugo · Porto Alegre, RS 28/3/2007 20:36
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Bruna Célia
 

também achei seu texto meio sem pé nem cabeça. Vou correndo ler o dois para ver se acho algo a ver com o título. Ou era essa sua intenção?

Bruna Célia · Goiânia, GO 2/5/2007 20:15
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Helder Dutra
 

indo ler a segunda parte...

Helder Dutra · Rio de Janeiro, RJ 28/6/2008 15:43
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