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Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... leia

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Low Tech multimídia
dricaveloso · Belo Horizonte (MG) · 20/12/2006 12:56 · 209 votos · 10 comentários ·  
 
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overponto
Foto: Maria Lu Tongon
Processo de construção do Piano Metareciclado
Baixa tecnologia criativa com cultura popular local


Por: Adriana Veloso com colaborações de Tati Wells

Software livre além do computador


O marco da entrada do software livre no Brasil deu-se com o lançamento do Conectiva Red Hat, que a partir de 1996 disponibilizou uma versão traduzida ao português brasileiro do sistema operacional Gnu/Linux. Mas foi de fato a sociedade civil que propagou o uso e construiu as relações de compartilhamento, troca e pesquisa intrínsecas ao projeto de um sistema livre e de código aberto. Ações como o Projeto Software Livre, por exemplo, que realiza desde 2000 anualmente o Fórum Internacional Software Livre (FISL) fizeram com que o Gnu/Linux se tornasse mais utilizado e difundido.

Os avanços das interfaces gráficas e dos programas multimídia também foram de suma importância para a abrangência do uso do software livre, mas principalmente sua filosofia de livre distribuição, possibilidade de modificação e customização, entre outras, atraiu muitas pessoas. E a cultura de uso desta nova ferramenta que fez com que os ideais de livre distribuição, compartilhamento e faça você mesma migrassem para outras áreas, como a produção midiática e musical.

Os Indymedias foram os primeiros websites de notícias que utilizaram a licença copyleft. No Brasil, no final de 2000, chega o Centro de Mídia Independente. Logo depois, pessoas ligadas à música, como coletivo pernambucano Re:Combo, passam a utilizar uma licença de remix. É o início da migração dos ideais do software livre para a arte e a cultura.

Com a receita da feijoada disponível para todo mundo, cada região do país reinventou sua versão, adicionou um tempero regional. O licenciamento que permite executar, estudar, aperfeiçoar e distribuir, originário da GNU General Public License (GPL), passa a ser aplicado em outras esferas que não a do software. O que ocorreu no caso do Brasil, nos últimos dez anos, é que o sistema operacional livre e sua ideologia foi encarado e utilizado como um catalisador para ações que sempre existiram no “mundo analógico”.

Libertando da cultura por meio da tecnologia


A partir da distribuição de uma documentação sobre como produzir, aliada à popularização de mídias como gravadores de Cds e DVDs, tornou-se muito mais acessível divulgar realidades regionais. Pois, em contraposição à diversidade brasileira, o monopólio das mídias trabalha em função do jabá, representando na telinha ou no rádio uma cultura muito mais estadunidense (*) que nacional. Quando muito destaca o sudeste e um nordeste rotulado em jargões comerciais.

Paralelamente, a interlocução das mídias livres trabalha mais diretamente com as pessoas, possibilitando que muitas outras vozes e opiniões sejam protagonistas. Conseqüentemente a diversidade é muito maior. Um simples exemplo sobre a produção musical brasileira: Quem é mais representativo, a Sony/BMG e seus 38 artistas nacionais contratados ou os mais de 30 mil musicistas cadastrados no Trama Virtual que disponibilizam suas músicas em licenças livres?

Neste aspecto os Encontros de Conhecimentos Livres e as Oficinas locais , promovidos desde 2005 pela Ação Cultura Digital, trabalham com a auto-estima das comunidades a partir do momento em que as coloca como protagonistas de sua própria história, oferecendo a possibilidade de auto-documentação da cultura popular local. Foram inúmeros os grupos que gravaram seu primeiro CD ou primeiro vídeo de trabalhos criados por gerações. São novas produções culturais refletindo para o mundo a diversidade nacional.

A instrumentalização tecnológica dos Pontos de Cultura, entidades selecionadas em edital pelo Ministério da Cultura para receberem uma verba com vistas a ampliarem suas ações, seja por meio do kit multimídia ou pelo aprendizado do manuseio de ferramentas livres para a produção multimídia, também fez com que estes agentes se tornassem autônomos em sua produção cultural. Já é possível trocar material entre projetos de todo país e com acesso à internet pode-se conhecer muitas outras realidades além daquelas exibidas no plim plim da Rede Globo, como no Acervo Livre, repositório de publicações abertas de material multimídia, por exemplo.

Reapropriação das ferramentas

Em se tratando da realidade brasileira não faz sentido falar em investimentos milionários em hardware (computadores, filmadoras, etc) para promover essa difusão e produção cultural descentralizada. A grande questão fica em como trabalhar com a diversidade cultural e criatividade com poucos recursos.

O diferencial da abordagem brasileira com relação às ferramentas tecnológicas, ou o hardware, é que de fato temos disponível sucata e para nós o lixo tecnológico deve ser reaproveitado. Um máquina de última geração pode até chegar à classe média alta, porém para fazer inclusão digital, entenda-se lá como for o que esta expressão indique, é preciso ter em mente que reciclar é dar acesso.

O copyleft do hardware

Justamente aí entra o Metareciclagem, proposta que serviu de base para a construção da Ação Cultura Digital. Este projeto não se trata apenas de reciclar máquinas antigas para colocar telecentros em funcionamento. Fazer Metareciclagem é principalmente pensar em como empregar a parafernalha tecnológica para projetos socialmente engajados utilizando-se de criatividade artística para isso. Lembrando que por tecnologia entende-se qualquer objeto manipulado pelo ser humano, de uma lápis a um processador dual core.

Desmontar teclados, fazer com eles sensores e com estes fazer um piano no chão é um exemplo de Metareciclagem. Uma video wall, ou parede de telas de computador antigas, exibindo imagens é aplicar o conceito de Metareciclagem. Estes são apenas alguns exemplos de projetos executados por pessoas que trabalham com baixa tecnologia, arte e multimídia. São coisas assim que encantam as pessoas por serem quase inimagináveis no primeiro olhar, afinal, você pensaria em um piano ao ver um monte de teclados velhos e estragados? (Veja o vídeo do piano em funcionamento)

O que as pessoas que aplicam Metareciclagem em suas vidas de fato fazem é levar o conceito de código aberto ao hardware, à parafernália tecnológica. Pois ao abrir a caixa preta da tecnologia, entender como as máquinas funcionam por dentro, reproduz-se a receita do bolo, da feijoada, utilizando-a de sua própria maneira.

Esse olhar, que vislumbra possibilidades infinitas, reflete a criatividade típica das brasileiras e brasileiros. Se propomos novos usos no artesanato porque não na tecnologia? Além disso, a simples atitude de reaprovetar a baixa tecnologia é negar a obsolecência programada da indústria. Ao abrir as máquinas desmistifica-se o que é um computador, seu funcionamento e sua distância, seja ela de origem financeira ou de aprendizado.

Grupos e coletivos como o Metareciclagem, o Mídia Tática, e o Centro de Mídia Independente, atuantes direta ou indiretamente no MinC por meio da Ação Cultura Digital, misturam o low tech com o multimídia em um contexto de mudanças sócio econômicas do qual emerge os conceitos do software livre e os novos tipos de licenciamento de obras artísticas e intelectuais. Um dos resultados disso é esta publicação, outro estão disponíveis na Internet, mas de fato, tudo isso inicializou um processo colaborativo que muda a forma com que a cultura, a mídia e a tecnologia será vista pelas novas gerações.

(*) O termo estadunidense é utilizado ao invés de norte americanos pois entende-se por norte americanos também os mexicanos e canadenses.

tags: Belo Horizonte MG mais multimidia metareciclagem low-tech tecnologia midia-tatica reapropriacao estudio-livre minc cultura-digital


 
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Oi Adriana. Muito legal. Há algum site que reúna contatos de grupos que fazem metareciclagem pelo Brasil? Poderia ser interessante para as pessoas saberem onde doar seus computadores (teclados, monitores, o que for) em estados diferentes. Abraço
Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 18/12/2006 10:46 
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Opa, eu estou para postar um texto também sobre metareciclagem que tem alguns contatos de grupos metarecicleiros aqui em BH. Mas seria legal fazer esse levantamente nacionalmente.
Sergio Rosa · Belo Horizonte (MG) · 19/12/2006 11:34 
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Oi Helena,
Nessa página tem uns pontos de doação:
http://oxossi.metareciclagem.org/moin/LogisticaDistribuida

Mas para quem se empolgar de verdade com o Metareciclagem, há várias maneiras de participar:
http://oxossi.metareciclagem.org/moin/Participe

Invente a sua:
http://oxossi.metareciclagem.org/moin/Esporos

:)
Abraços,
Marcelo
http://virgulaimagem.redezero.org/
Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte (MG) · 19/12/2006 14:30 
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Sérgio, vai ser massa ver seu texto sobre o Metareciclagem, não deixe de publicá-lo...
Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte (MG) · 19/12/2006 14:31 
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Marcelo, valeu pelos links. Dei uma boa olhada, principalmente nesse linK: http://oxossi.metareciclagem.org/moin/Ajude. Mas senti falta de uma listagem nacional sim, vocês não acham que seria uma boa? Vi, por exemplo, que no Rio tem referência ao Ipe (http://oxossi.metareciclagem.org/moin/Ipe), mas não tem um email, um contato... Ou será que não procurei direito. Resumindo, no Rio, onde se pode doar? Valeu!

Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 19/12/2006 15:22 
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Opa Ei Helena,
estamos ajeitando o site novo do Metareciclagem. A mehor forma de contato é mesmo enviar um e-mail para a lista - > metareciclagem (arroba) colab.info.

abraços!
dricaveloso · Belo Horizonte (MG) · 19/12/2006 22:54 
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Ficou me parecendo viagem DEMAIS, muita pretensão, que acaba tornando os conceitos criados meio vazios. O q mais é possível montar além do piano? Entrei no atalho para uma explicação maior sobre Metareciclagem e lá dentro há uma porção de atalhos incompletos, então não deu pra sacar qual é a da parada. Um abraço.
DiogoFC · Criciúma (SC) · 20/12/2006 17:25 
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Veja mais algumas coisas que já foram possíveis e tente "sacar qual é a da parada":
CyberSocial:
http://metareciclagem.org/gallery/v/galpao/cybersocial/

Videwall:
http://metareciclagem.org/gallery/v/santoandre/videowall/

Experimentações Low-tech:
http://blogs.metareciclagem.org/fff/wp-content/uploads/2006/12/lowtech.pdf

Abraços,
Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte (MG) · 20/12/2006 20:13 
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Legal, cara, valeu a força, mas será q vc não tem uns TEXTOS explicando?
DiogoFC · Criciúma (SC) · 21/12/2006 17:49 
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Oi Diogo, tem uns PDF que podem ajudar:
- Um texto/folder: http://metareciclagem.org/material/metau.pdf
- E uma apresentação mais longa: http://metareciclagem.org/material/Metareciclagem_pt.pdf

legal o interesse!
abraços,
Marcelo
http://virgulaimagem.redezero.org/
Marcelo Terça-Nada! · Belo Horizonte (MG) · 22/12/2006 10:52 
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