LUIZ GONZAGA É CEM: HOMENAGEM A MARCOS VALENTIM

Capa do disco compacto de Marcos Valentim
Marcos Valentim, parceiro de Luiz Gonzaga num único baião
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Abílio Neto · Abreu e Lima, PE
11/3/2012 · 5 · 1
 

Há no vasto repertório de Luiz Gonzaga um parceiro quase desconhecido cujo nome era Marcos Valentim. Este cantor de quem pouco se sabe tornou-se parceiro de Luiz Gonzaga por mero acaso. Luiz conhecia os bons letristas e aquele jovem cantor era parceiro de Adelino Moreira e Manoel Macedo de quem pôs letra até num baião (Baião Manhoso) e tinha outro baião composto somente por ele: “Baião Diferente”.

Valentim que chegou a namorar o rock dos anos 50 se afinou mesmo foi com o samba-canção de Adelino Moreira. Gravou alguns compactos com músicas dele e parou.

Luiz Gonzaga tinha um esboço melódico pronto e uns versos que diziam:

“Quando chegou pra cidade o menino
Já tinha um nome que era Baião
Porém agora ficou tão granfino
Nem liga pro sertão”

O que Luiz Gonzaga queria dizer com isso? Que não a pessoa dele, mas o ritmo baião havia se tornado elitizado e não ligava mais por sertão. Mas qual o motivo? Lúcio Alves, cantor pré-bossa, da elite, havia gravado em 1954 um baião (Lúcio Alves e Haroldo Barbosa) chamado “Baião de Copacabana” que era horroroso aos meus ouvidos, mas provou que o gênero baião trazido por Gonzaga chegou às boates chiques da zona sul carioca onde ele se apresentava. Aliás, estava lá desde 1951 com Sivuca e Carmélia Alves.

Pois bem, um dia Gonzaga encontrou com Marcos Valentim numa emissora de rádio, mostrou a primeira parte do baião e os versos que havia composto e perguntou ao jovem cantor-compositor de pouquíssimas peças se ele não queria terminá-la fazendo a segunda parte da música e colocando-lhe letra. Gonzaga era mestre em fazer isso: dava o mote, o ritmo e os primeiros versos musicados, ou seja, o esqueleto da música e o parceiro que concluísse tudo. Com Valentim foi desse modo e a música ficou completa dentro de pouco tempo com a última parte da letra dizendo assim:

“Ai, ai, Baião, você venceu
Mas no sertão ninguém lhe esqueceu
Ai, ai, Baião, siga seu destino
Você já cresceu, já nos esqueceu
Ficou tão granfino.”

Quando Luiz Gonzaga vestiu a música com os arranjos que ele chamava de introduções,dando aquelas paradinhas, aquele baião ficou uma beleza. Simples e contagiante! Um baião narrando o esquecimento que o gênero criado por ele tinha dado ao sertão de onde saiu, só sendo mesmo coisa da cabeça genial de seu Luiz.

Essa música foi gravada no começo de 1955 e lançada em março daquele ano em disco RCA de 78 RPM com o nome de “Baião Granfino”. É a única parceria de Luiz Gonzaga com Marcos Valentim de quem eu só conheço mais duas composições. Está completando 57 anos neste março de 2012, essa joia de música.

Então, acho que o músico que o ajudou a fazer esta pérola deve merecer todo o reconhecimento dos fãs de Luiz Gonzaga no ano do seu centenário. É a homenagem que podemos fazer ao compositor desconhecido, ignorado pelo dicionário de Ricardo Cravo Albin, sites Clique Music e Discos do Brasil, mas parceiro de uma única música que é extremamente importante para a história do baião!

Para ouvir “Baião Granfino” na voz de Luiz Gonzaga e com um solo de sanfona de arrepiar, clique aqui.

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Abílio Neto
 

Comentário feito no Facebook pelo pesquisador Bruno Negromonte:

"Recentemente, ao ver algumas coisas sobre o Adelino Moreira, vi que na série de três discos lançados sobre a obra dele nas décadas de 60 e 70 e intitulada como "Encontro com Adelino Moreira", o Marco Valentim participa de dois desses volumes. O primeiro foi "Encontro com Adelino Moreira - Vol.02" e o segundo foi no álbum "Encontro com Adelino Moreira na churrascaria Cinderela", onde dentre vários intérpretes há novamente o Marcos cantando "Saudade resto de amor"."

Obrigado, valeu amigo!

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 14/3/2012 18:00
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