Revelando o concurso Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... > leia
Luma e sua irmã, emocionadas ao ouvir o depoimento em vídeo da avó
Há cerca de 3 anos, a jovem Luma Yuri Matsubara surpreendeu no Tokyo JVC Video Festival. Um pequeno auto-documentário, produzido dentro de um projeto para crianças estrangeiras e de famílias multi-culturais, simplesmente arrebatou o público internauta e levou o prêmio por ele dedicado através do voto. Até então, a menina não devia sequer imaginar que suas questões sobre identidade interessavam a tantas outras pessoas. Luma nasceu no Brasil. Mas veio pequena para o Japão, com a família. Estudou em escola japonesa e, aos poucos, sua raiz no país de nascimento passou a ser apenas a relação estabelecida com os parentes brasileiros.
No entanto, como no caso das outras crianças de dekasseguis, o passaporte verde e o reconhecimento social insiste em rotulá-las como “brasileiras”. A dúvida foi a matéria para o premiado Lemon. Com uma câmera inquieta, Luma ia perguntando aos parentes e colegas qual era, para eles, a sua nacionalidade. A resposta, em bom japonês e em bom português, era quase sempre a mesma: burajiru-jin, brasileira. A obra, infelizmente, não está mais disponível na rede mundial de computadores.
Poucos anos se passaram e apenas uma coisa não mudou: o amor de Luma pela câmera. De lá para cá, a menina produziu outros filmes e está na equipe que gravou/editou os inúmeros depoimentos de japoneses migrantes. O afinco no registro de estórias da migração por uma ótica tão particular, faz da jovem Luma uma espécie de “cineasta do movimento dekassegui”.
Quanto à sua questão de identidade, a agora moça arrematou em entrevista realizada durante um evento no ano passado: “eu ainda não sei se sou brasileira ou japonesa. Minha família é brasileira. Meus avós são japoneses que foram para o Brasil. Eu cresci no Japão e então acho que posso me considerar japonesa”. Diz ela pouco antes de arriscar algumas frases em português, língua que decidiu estudar. Pelo visto, apesar de se sentir confortável como japonesa, Luma não é uma menina como as outras. Seu olhar como cineasta é a prova disso.
Acredito que a dúvida/aflição de Luma é bem maior que ser dekassegui é algo que realmente interessa para todos, pois trata-se de relações/conflitos. Algo que infelizmente por leis e leis acabam por rotular à todos. Gostei muito! Higor Assis · São Paulo (SP) · 28/1/2008 17:03
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Poxa, fiquei interessado em assistir a esse curta, não existe nenhum lugar da net onde eu possa encontrá-lo ? Jornalista81 · Brasília (DF) · 31/1/2008 23:29
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Pois é, o curta esteve na internet por um bom tempo. Depois sumiu. Roberto Maxwell · Japão · 1/2/2008 00:30
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