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Lundu, um ritmo afro-brasileiro

Domínio Público
Dança do lundu, 1825, registro do alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858)
1
Ari Donato · Salvador, BA
1/7/2008 · 196 · 27
 

Imaginando que se pudesse escrever a Música Brasileira em uma pauta e tomássemos uma faixa, pegando da época da colonização até o início do século XX, mais precisamente 1917, ano da gravação do que seria o primeiro samba (“Pelo telefone”) por Ernesto Joaquim Maria dos Santos (1891-1974), o Donga, perceberíamos que alguns dos gêneros musicais correntes neste período diminuem, enquanto outros aumentam e se subdividem.

Entre os que se retraem está o lundu, oriundo da música popular urbana, uma ramificação que se distanciou dos elementos africanos e indígenas, estes espalhados por todo o País e em tom mais acentuado na zona rural. Conforme verbete da Enciclopédia Barsa Universal, o que se define como música urbana, vinda da aculturação afro-européia, evoluiu em algumas regiões da então colônia, mais nos centros urbanos, especialmente o Rio de Janeiro.

Entretanto, se o Rio de Janeiro, sede da capital federal, montou os primeiros acordes desta que seria a música popular urbana, sob influência das emboladas de Almirante (1908-1980) e de Noel Rosa (1910-1937), do baião de Luiz Gonzaga (1912-1989) e de outros gêneros, a exemplo do cateretê, batuque, samba e maxixe, foi a Bahia, com o lundu e a modinha, que forneceu a base para os primeiros elementos rítmicos e melódicos do cancioneiro do Brasil.

O radialista, musicólogo e pesquisador natural de Juazeiro (BA) Perfilino Neto (67 anos) vê a Bahia como pioneira da Música Popular Brasileira, em seu depoimento sobre o lundu, escrito para a Secretaria da Educação do Estado da Bahia, em 2000. Diz ele que a trajetória da música brasileira começa em fins do século XVII, quando o poeta satírico Gregório de Mattos Guerra (1633-1696), o Boca do Inferno, já compunha e cantava lundus, acompanhando-se à viola.

Somente meio-século depois das cantorias de Gregório de Mattos é que o poeta e violeiro fluminense Domingos Caldas Barbosa (1738-1800) passa a difundir essas cantigas. Perfilino Neto defende que o poeta, mulato, filho de português e uma escrava levada de Salvador para o Rio de Janeiro, cantava, na verdade, modinhas anteriormente divulgadas em saraus pelas ruas de Salvador e que lhe foram, inegavelmente, repassadas por sua mãe.

Em sua coletânea em dois volumes, “Viola de Lereno”, publicada em Portugal (1798 e 1822) e na Bahia (1813), Domingos Caldas Barbosa trazia poemas com fraseado próximo ao da modinha e do lundu. O compositor e poeta juntava traços afetivos do brasileiro de forma distinta da dos portugueses e com abordagem romântica, embora pouco profunda. Em Lisboa, para onde foi estudar, suas trovas ao som da viola de arame foram muito apreciadas.

“Este lundum me dá vida
Quando o vejo assim dançar;
Mas temo se continua,
Que lundum me há de matar

Ai lembrança
Amor me trouxe o lundum
Para meter-me na dança”?


José Ramos Tinhorão, no livro “Domingos Caldas Barbosa, o poeta da viola, da modinha e do lundu”, ao buscar as razões que levaram o primeiro menestrel brasileiro a escrever este “Lundum em louvor de uma brasileira adotiva”, em “Viola de Lereno”, defende (pág. 123) que a palavra lundu vem de calundu, dança ritual religiosa africana (às vezes chamada de lundu), que induz a um estado de possessão ao qual se dá o mesmo nome.

Tinhorão diz, ainda, que, na Bahia, o poeta Gregório de Mattos Guerra mostrava um padre maganão (negociante de animais ou de escravos) a zombar da possessão da sua amante pelos calundus, comentando: “que lhe dava [o padre] dos lundus/ se é mais que os lundus magano?”. Daí, raciona Tinhorão, que mais tarde dizia-se estar alguém “com seus lundus”, “ou calundus”, quando possuído de profunda tristeza e melancolia.

Assim, igualmente apreciado nos principais centros urbanos do Brasil, o lundu chega ao século XIX na qualidade de forma musical dominante e de primeiro ritmo afro-brasileiro, permanecendo nesta condição por muito tempo. É quando os principais compositores da época dão-lhe a formatação musical, enquanto a viola se firma na condição de instrumento de acompanhamento. No início do século XX começa a apresentar os primeiros sinais de perda de evidência.

Mas, foi um lundu (“Isto é bom”) o primeiro ritmo registrado em disco fonográfico no Brasil, 15 anos antes do clássico samba de Donga. Embora a gravação tenha ocorrido no Rio de Janeiro, em 1902, pela Casa Edison (pela gravadora alemã Zon-O-Phone, que lançou o primeiro selo com gravações de música brasileira), o autor e o intérprete eram baianos. O primeiro, o ator e compositor Xisto de Paula Bahia (1841-1894), era de Salvador; o segundo, o cantor “Baiano”, registrado Manoel Pedro dos Santos (1870-1944), de Santo Amaro da Purificação.

FUSÃO DE ELEMENTOS
Antes de tomar a forma musical, o lundu era considerado indecente e impedido de ser mostrado nas ruas e teatros, tanto que até o final do século XVIII não era uma dança brasileira, mas um folguedo africano. Para alguns estudiosos, na condição de primeiro ritmo afro-brasileiro em formato de canção, o lundu seria, historicamente, o ponto de origem do samba, em um processo de avanços que envolveria, também, o maxixe, embora não haja um consenso entre os musicólogos.

Historicamente, o ritmo surgiu da fusão de elementos musicais de origens branca e negra, mas tem base na África, de onde veio, a bordo dos navios negreiros, na forma de dança. Depois, em meio ao sofrimento dos escravos, passou a canto, saltando de dança erótica para canção solo e, depois, para música de salão, tal qual aconteceria com blues, no início do século XIX, surgido do meio dos negros africanos levados para a América do Norte.

A dança, ora era branda, ora era selvagem. Mas, sempre executada ao som de batuques e toques e de viola, seguindo uma coreografia marcada pela umbigada e o requebrado dos quadris. A encenação era tão carregada de sensualismo que as autoridades da Corte, ao tomarem conhecimento das características, proibiram a dança. Assim está em “Cartas Chilenas”, de Tomás Antônio Gonzaga:

A ligeira mulata, em trajes de homens,
Dança o quente lundu e o vil batuque,
E, aos cantos do passeio, inda se fazem
Ações mais feias, que a modéstia oculta.
Meu caro Doroteu, meu doce amigo.


A Enciclopédia Barsa Cultural relaciona entre compositores na Bahia, do primeiro e do segundo impérios (1822-1889), Domingos da Rocha Muçurunga, autor de uma Artinha Muçurunga, e seu filho Zuzinha. Outros importantes, foram Chico Cardoso, José Pereira Rebouças, Damião Barbosa, Joaquim Silvério de Bittencourt e Sá, Maciel Tomé, Augusto Baltasar da Silveira e os padres Maximiano Xavier de Santana e Guilherme Pinto da Silveira Sales.

Mas, foi no Rio de Janeiro, na condição de capital federal, que lhe dava importância política, aliada à uma intensa vida teatral, como registra a Enciclopédia Barsa, que o lundu e a modinha ganharam as ruas do centro da cidade, já na fase pós-Xisto Bahia e algumas décadas antes de os dois ritmos recuarem na pauta da música brasileira, dando espaço para, mais tarde, florescer o samba, também com fortes raízes na Bahia.

Abaixo, a letra da primeira composição gravada em disco no Brasil, pelo cantor Baiano. Também gravaram mais tarde este lundu, dentre outros, Jorge Veiga, Nara Leão e a dupla Vitor da Trindade e Carlos Caçapava.

Isto é bom
(Xisto Bahia)

O inverno é rigoroso
já dizia a minha vó
quem dorme junto tem frio
quanto mais quem dorme só
Isto é bom
Isto é bom
Isto é bom que dói
A saia da Carolina
Custou-me cinco mil réis
Levanta a saia mulata
Que eu dou cinco e dou mais dez
Isto é bom
Isto é bom
Isto é bom que dói
Mulata levanta a saia
Não deixa a renda arrastar
Que a renda custa dinheiro
Dinheiro custa ganhar
Isto é bom
Isto é bom
Isto é bom que dói
Minha mulata bonita
vamos ao mundo girar
vamos ver a nossa sorte
que Deus tem para nos dar
Isto é bom
Isto é bom
Isto é bom que dói
Os padres gostam de moça
E os casados também
E eu como rapaz solteiro
Gosto mais do que ninguém
Isto é bom
Isto é bom
Isto é bom que dói
Iaiá você quer morrer
Quando morrer, morramos juntos
Que eu quero ver como cabem
Numa cova dois defuntos
Isto é bom
Isto é bom
Isto é bom que dói
.
......................

Nota do autor
Este texto veio com a sugestão de Spírito Santo, quando escrevi “Literatura da Viola”. Não acrescento nada de novo e, à exceção de uma conversa com o baiano Perfilino Neto, tudo aqui é resultado de compilação do que já foi publicado e da leitura do livro de José Ramos Tinhorão.

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Compulsão Diária
 

Ari, gostei do texto: não conhecia a história do lundu. Admiro Josá Ramos Tinhorão pela pesquisa séria e honesta que faz sobre música brasileira, em geral.

Isto é bom que dói. Pois é, essa dor - calundu- quente marca nossa alma. Lembro de minha avó, baiana, qdo eu estava birrenta ela dizia " Sá menina tá de calundu", e tive tb ´tias , duas, Iaiás. Lindas! Eu não sabia dissso. O lundu esteve desde sempre comigo.

Obrigada, meu amigo, pela deliciosa leitura de hoje.
Histórias que só Ari sabe contar.
Beijo

Compulsão Diária · São Paulo, SP 28/6/2008 22:41
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Ari Donato
 

Obrigado pelas palavras.
Pois é, não adianta fugir, temos mesmo um pé na África. Não chega a ser a 'mama', mas está em nós.

Ari Donato · Salvador, BA 28/6/2008 22:48
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Spírito Santo
 

Ari,

Para o livro que estou pubicando intitulado 'O Samba e o Funk do Jorjão', andei investigando certos interessantes aspectos do tema 'Lundu' que ainda demandará muita polêmica, com certeza:

(Alguns trechos para apimentar a conversa)

..O musicólogo Baptista Siqueira em apurado e bem fundamentado estudo faz pertinentes considerações sobre a linha evolutiva que parece ligar um gênero musical africano, oriundo das fazendas de café do interior, conhecido como Calundu (Ka-Lundu ou simplesmente Lundu) e as diversas formas de música popular urbana que, germinando nas ruas e salões da Corte, desaguaram no que se conhece hoje como Samba..."

...Liceu Vieira Dias (músico e pesquisador histórico de Angola) afirma que o nosso Samba se originaria diretamente do Kaduke que seria o mesmo Semba ou MaSemba, aqui rebatizado de Lundu, palavra que vem (neste caso) de “Ki-Lundu” significando espírito, ente sobrenatural. “Estar com os calundus” como se diz em Angola – e se dizia também por aqui – pode querer dizer, em tradução livre, ‘estar fora de si”...“amuado”...

...É provável também que o germe da adorável ‘indecência’ ou ‘chulice’ do Lundu ..., entre outros meios, tenha migrado da Roça para os salões da Corte, na bagagem dos amigos e parentes dos senhores de escravos, que adquiram na época (já na segunda metade do século 19) o insidioso hábito de obrigar seus negros a exibir dotes musicais e coreográficos, nas tardes de sábado nos terreiros, para o deleite de suas visitas.

...Teria sido o Kaduke ...o gênero musical que aqui reciclado e rebatizado de ‘Lundu’, acabou virando coqueluche na Corte?..

...Podemos especular portanto que, ao tornar-se a palavra Lundu indelevelmente ligada a dança picaresca e mundana que eletrizou a Corte, tenha sido necessário dar ao KaLundu da Roça um outro nome: Jongo por exemplo. Há no entanto, como poderemos observar detidamente nestas nossas reflexões, diversas confusões e equívocos obscurecendo conclusões definitivas sobre este assunto...

...A palavra ‘Lundu’, por outro lado, apesar da eventual correção de nossas especulações etimológicas, parece ter servido para designar uma dança popular urbana de natureza francamente mestiça, fruto da mistura ocorrida entre chulas, modinhas e danças picarescas, de salão, de sabor europeu, muito em voga no século 19 na Corte do Rio de Janeiro e na Bahia, com as inúmeras danças trazidas pelos negros da Roça, das senzalas, logo em seguida a abolição da escravatura...

...É exatamente isto que nos sugerem verbetes de dicionários da época, como os seguintes:
“...Lundú ou Landum. Dança e musica chula brasileira, em que as dançarinas agitam indecentemente os quadris. (...)
“...Choradinho. Espécie de toada musical, ao som da qual dançam o Landu ou Lundú. É tambem o nome de uma das variedades dos bailados, a que chamam samba. Chorado: Tocado ou cantado em tom plangente.”
Côco. Nome impropriamente creado pela populaça, para designar uma dança e musica, chula brasileira, ao som da qual se exhibe a plebe em seus regosijos, dançando de modo buliçoso com requebros e meneios indecentes, e subordinado á monotonia de um batuque de palmas e castanholas. É uma verdadeira imitação do Landú ou Lundum (uma dança de salão européia)
Fadinho. Toada musical executada em Portugal, de onde é oriunda, ao som da qual exhibem uma dança, mui semelhante ao nosso Landú. (...)


E por aí vai.

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 28/6/2008 22:48
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Ari Donato
 

Obrigado pelas informações complementares, meu amigo. Vou deixar aqui, arquivadas. Há pesquisadores e músicos, até portugueses, que defendem a ligação do fado com ritmos afro-brasileiros e, aí, estaria o que você fala ai em cima, citando o Fadinho. Obrigado.

Ari Donato · Salvador, BA 28/6/2008 22:59
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Doroni Hilgenberg
 

Oi Ari, bom dia amigo!
Profundo seu texto, não sabia nada sobre o Lundu, a não ser que era uma dança africana.
Interessante notar que todas as coisas tem sua origem, sua razão de ser e estar no mundo e é bom saber que um bom tanto delas provém da Mãe Africa.
Bjsssss com carinho

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 29/6/2008 09:21
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Ari Donato
 

Vivendo aqui, nesta Cidade d'Oxum, apercebemos essa grande ligação com a África. Obrigado pelas palavras.

Ari Donato · Salvador, BA 29/6/2008 12:34
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celina vasques
 

Maravilhoso! Meu poeta voce é genial!!!

Adoro tudo que voce escreve e tenho paixão pela sua Bahia!

beijos

celina vasques · Manaus, AM 29/6/2008 12:43
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Ari Donato
 

Pode dizer paixão por nossa "Bahia", se se refere a Salvador, uma cidade que tudo dá e nada pede. É, realmente, uma cidade-mãe.

Ari Donato · Salvador, BA 29/6/2008 12:54
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Nydia Bonetti
 

Mais um texto fantástico, Ari. Esta faceta de Gregório de Mattos, compondo e cantando Lundu, confesso que não conhecia. Belo trabalho de pesquisa.
Abraços
Nydia

Nydia Bonetti · Campinas, SP 29/6/2008 18:30
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Ari Donato
 

Pois é, minha amiga. Ele tinha, também, seu lado romântico, mesmo que satírico. Obrigado e abraços.

Ari Donato · Salvador, BA 29/6/2008 20:51
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Nic NIlson
 

Cara, primeiro deixa eu pedir sua bençao e de Spirito Santo... Nao q vcs sejam santos e milagreiros, mesmo morando onde moram, mas pq diante de tamanha minha ignorancia tantanha, só tenho aprendido e apreendido suas experiências e justo eu q gosto tanto de história, principalmente a musical.... (uma pergunta: pq nunca falam de Chiquinha Gonzaga? Aprendi q ela fez entrar o LUndu o maxixe e outros nas altas rodas, foi mesmo ou estou mais por fora q caroço de caju?)
Mas caras, vcs sao p mim mestres e humildemente aplaudo-os de pé!
( mas naum é pra ficar se achando naum, eheheheheheheh - brincadeira sei da vossa humildade, coisa q ainda me falata aprender c vcs. )

Nic NIlson · Campinas, SP 30/6/2008 23:06
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Nic NIlson
 

Cara, primeiro deixa eu pedir sua bençao e de Spirito Santo... Nao q vcs sejam santos e milagreiros, mesmo morando onde moram, mas pq diante de tamanha minha ignorancia tantanha, só tenho aprendido e apreendido suas experiências e justo eu q gosto tanto de história, principalmente a musical.... (uma pergunta: pq nunca falam de Chiquinha Gonzaga? Aprendi q ela fez entrar o LUndu o maxixe e outros nas altas rodas, foi mesmo ou estou mais por fora q caroço de caju?)
Mas caras, vcs sao p mim mestres e humildemente aplaudo-os de pé!
( mas naum é pra ficar se achando naum, eheheheheheheh - brincadeira sei da vossa humildade, coisa q ainda me falta aprender c vcs. )

Nic NIlson · Campinas, SP 30/6/2008 23:06
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Spírito Santo
 

Nic,

Não sei pelo Ari, mas, para mim Chiquinha (que aliás já é faladíssima) tem também importancia transcendental só que, noutro aspecto: o da difusão da onda toda na incipiente mídia de então. Ela é uma espécie e Tom Jobim da história, agregadora de gente boa, uma locomotiva daquela MPB que, pelo filtro dela, soava como uma espécie de Bossa Nova (bem mais popular que a do Carnegie Hall, é claro).
O que o Ari falava e eu tentei endossar era da origem meio escondida da coisa toda, o DNA desta original música popular que temos hoje em dia e que, cada dia fica mais visível veio, basicamente, da África mesmo.
É que se a gente não fala e insiste, os etnocentristas de plantão iam ficar insistindo que tudo de bom da nossa música foi mérito da Polka, do Schotishe e da Mazurka.
É que eu acho que nem só de sarau de salão e reunião de apartamento de Nara Leão, viveu a nossa música popular (muito pelo contrário, aliás) Sacou?

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 1/7/2008 08:07
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Ari Donato
 

Nic, eu vou pelo caminho trilhado pelo Spírito Santo: a intenção foi mostrar as origens e, novamente, a presença da viola no surgimento da modinha e do lundu.
Acho que vale também algo sobre a Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwirges Neves Gonzaga). Segundo o que se tem escrito sobre ela, são mais de 2.000 composições, entre as quais, além de lundus e maxixes, estão valsas, polcas, tangos, fados, serenatas e músicas sacras.
Se há algo em que nós nos destacamos, mundialmente, é na música, no número de ritmos. No esporte, à exceção do futebol, não temos projeção; na arquitetura e engenharia, somos fracos; na literatura, a marginalidade da língua portuguesa nos impede de chegar mais alto; e na informática, mais compramos do que produzimos. Então, a música tem nos salvado e o leque é muito grande. Fico devendo. Abraços.

Ari Donato · Salvador, BA 1/7/2008 10:58
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Doroni Hilgenberg
 

Ari, voltando para seu maravilhoso texto.
Bjsss com carinho

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 1/7/2008 12:12
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Márcia Shoo.
 

delícia de texto. para se guardar e reler sempre como fonte de pesquisa.
votado!
abs

Márcia Shoo. · Rio de Janeiro, RJ 1/7/2008 12:18
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Ari Donato
 

Obrigado a Doroni, sei que não me deixaria, e a Márcia. Um abraço a ambas.

Ari Donato · Salvador, BA 1/7/2008 12:30
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Raiblue
 

Ah,a nossa mama África e nossas raízes melódicas ...

Adorei conhecer o 'lundu' através de uma pesquisa tão bem conduzida.Adoro o Gregório de Mattos, mas não sabia das suas cantorias e composições de lundus...Fiquei muito curiosa ...gostaria muito de ouvir um...Você não cantaria um pra gente não,Ari,com sua viola....e postaria aqui...?...seria bem bacana!

Mais uma vez parabéns e muito obrigada pela grande pesquisa!
um beijo azul..
Raiblue

Raiblue · Salvador, BA 1/7/2008 12:45
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Ari Donato
 

Raiblue, encontrar lundus cantados pelo Gregório eu posso ver, mas, eu cantar? Vai demorar um pouco...Obrigado.

Ari Donato · Salvador, BA 1/7/2008 15:10
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

um grande abraço você é muito bom.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 1/7/2008 17:12
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Denis Sen@
 

Salve a cultura afro-brasileira!!!

Muito bom!

Axé!

Denis Sen@ · Salvador, BA 2/7/2008 00:13
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Regina Lyra
 

Ari,
Neste overmundo vamos descobrindo as pessoas e seus trabalhos. Esta é grande importância da internet.
Sua pesquisa tornou-se um texto de excelente leitura e com uma metodologia ótima e de raciocinio lógico.
É ler e aprender.
Beijos e votos,
Regina

Regina Lyra · João Pessoa, PB 2/7/2008 01:23
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Ari Donato
 

Obrigado a Denise e a Regina. Seus comentários me deixaram feliz.

Ari Donato · Salvador, BA 2/7/2008 10:59
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carlos magno
 

Poxa , que texto interessante amigo, Ari Donato. O assunto é muito importante pra mim que também sou compositor e interprete de música popular eessas digas tem bastante conteúdo. A muito que não vejo o meu amigoJosé Ramos tinhorão que por sinal possui dos quadros meus, pintados a óleo sendo que um é um bloco de sujo que fiz a pedido dele. Meus sinceros aplausos abraços, amigo. Ari.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 5/7/2008 14:54
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Pedro Monteiro
 

Ari.
Um universo de riquezas e raízes culturais profundas.
Parabéns

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 9/7/2008 22:48
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Ari Donato
 

Obrigado a Carlos e a Pedro Monteiro, pois falam de cátedra.

Ari Donato · Salvador, BA 10/7/2008 17:14
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azuirfilho
 

Ari Donato · Salvador (BA)
Lundu, um ritmo afro-brasileiro

Um Trabalho Maravilhoso e de muito fólego.
Um Capricho que valeu
Grande colaboracáo para o Overmundo e todos nós.
Para a Juventude que esta se formando.
Muito merecimento e dignidade.
Parabéns .
Abracáo Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 15/7/2008 01:17
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