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MACUCA X TREM BALA
Fátima Venutti · Blumenau (SC) · 7/9/2008 09:16 · 98 votos · 8 comentários ·  
 
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overponto
Macuca X trem-bala

Não é por acaso que escrevi o livro “Terceiro Apito”. Mais uma vez o trem se faz notícia. Primeiro a inauguração, pela ministra do Turismo, Marta Suplicy, do trem de luxo Great Brazil Express (precisava ter o nome em inglês?) em abril, que faz a ligação entre Ponta Grossa e Cascavel. Depois a ministra Dilma Rousself anuncia a negociação de parceria com os E.U.A. para a construção de uma ferrovia bioceânica, ligando o Atlântico ao Pacífico. O trecho brasileiro compreenderia a malha entre a cidade de Paranaguá (PR) e Maracaju (MS). Aproveitando tais trilhos a ministra ainda anuncia a licitação, para fevereiro de 2009, da construção do trem-bala que ligará São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas. O projeto faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

As novidades ferroviárias não param por ai. Ainda esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Contagem(MG) para fazer a entrega da nova locomotiva da empresa GE, primeira de grande porte a ser produzida no Brasil e afirmou que a empresa “marcou um gol extraordinário acreditando no potencial ferroviário brasileiro". Otimista, nosso governante ainda diz que o país poderá tornar-se um dos maiores exportadores mundiais. Mas se salva ao afirmar que para que isso aconteça, “precisamos de meios de transporte mais baratos”.

Toda essa “viagem” destaca a importância do transporte ferroviário e que o Brasil em breve voltará a “andar nos trilhos”. Então, permito-me, como cidadã apaixonada por trens e suas nostálgicas lembranças, questionar quando teremos o prazer de ouvir novamente o apito do trem aqui em nosso Vale do Itajaí. Tendo em vista as recentes notícias dos vagões da economia e da política, provado está que este “senhor de ferro” tem eficácia, segurança, utilidade e é um meio de transporte moderno, de primeiro mundo, com retorno econômico e turístico comprovado em países Europeus. Mais do que isso, a Associação de Preservação e Conservação das Ferrovias em Santa Catarina tem sofrido os percalços do descaso e da falta de consciência histórica por parte de alguns menos apaixonados pelas locomotivas.

Então, se provado está que é uma alternativa moderna e econômica interessando comercial e turisticamente, por que não pedir aos governantes catarinenses que recriem os trilhos no caminho já existente e permitam a circulação da centenária “Macuca” (e outras preciosidades) nos embalando no seu doce chacoalhar, para que possamos cheirar a fumaça do passado em presente, renovando nosso turismo tão regado a tantos chopes? E ouvir novamente o chamado... PIUÍIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!

Fátima Venutti
Autora da obra Terceiro Apito

tags: Blumenau SC cultura-e-sociedade ferrovia conomia turismo trem


 
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Realmente a discussão e implementação de variáveis nos transportes precisam acontecer. A malha rodoviária sucateada, os aviões em crise, temos que achar novos meios de locomoção, não só para pessoas, mas para as mercadorias e commodities.

Quanto à nostalgia é sempre bom resgatar um vínculo com as nossas mais caras lembranças e fixar na realidade o que antes era apenas imaginário. A revitalização não significa ser retrógrado, mas ser atual na lembrança. Desde que lembrar tornou-se um fardo, pois nossas vidas se baseiam em consumir e jogar fora, lembrar-se de tudo passa a ser o ato contraproducente no dia a dia. Quem pára e se lembra do antigo celular? Quem já sente falta do antigo carro? Nossos computadores são trocados a cada ano, ou dois no máximo, e se não são ficamos com raiva pois aqueles não mais correspondem às nossas necessidades.

Resgatar a lembrança e valorar os vínculos duradouros que fazem o link entre passado e presente, podem ser um bálsamo para nossas vidas, corridas, apressadas e consumidas.

Que venham os vapores, os trem balas e demais apitadores da nostalgia!

Belo texto!

--

Aproveite e passe em http://www.overmundo.com.br/banco/governo-mundial-caos-intriga-e-dominacao
leandroDiniz · Niterói (RJ) · 5/9/2008 11:46 
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Informação interessante. E, também uma história resgatada. Viajar de trem é muito bom, não?
Hideraldo Montenegro · Recife (PE) · 5/9/2008 18:59 
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Fátima,
Que maravilha de texto
Eu que viajo todo o ano ai para o Paraná,
(moro em Manaus, mas sou de Ponta Grossa)
vou poder andar de trem Bala.
Mas que venha qualquer trem já
esta mais que bom, pois cansamos
de estradas poeirentas
queremos ver mato e arvores.
Isso que é noticia boa.
bjssssss
Doroni Hilgenberg · Manaus (AM) · 5/9/2008 22:07 
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Troco meu trem por 01 trem bala
Na minha cidade Taubaté -Sp
Passa diariamente
77 trens sentido são paulo
77 trens sendido rio de janeiro ( não precisava voltar, mais volta)
cada 01 dá 5 apitos para cruzar a cidade :
São 77 + 77 : 154 - x 5 : 770 apitos : piuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...André Luiz Mazzaopi
O Filho do Jeca piui. .............
Andre Luiz Mazzaropi · Taubaté (SP) · 6/9/2008 12:07 
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Belo texto.
O pessimismo reina quando se trata de transporte ferroviário aqui no Brasil.
O sonho seria um Brasil cortado por trilhos como o corpo humano por vasos sangüíneos, impossível.
A manutenção das rodovias $atizfaz nossos políticos.
Viva à ferrovia!
Ana_e_Lauro_Alagoas · Maceió (AL) · 6/9/2008 23:02 
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À parte o romantismo com o que concordo em seu texto,
Fátima, pode-se entender outros tantos motivos para a desativação
do modal ferroviário no Brasil, além das atávicas políticas
oportunistas de favorecimentos de grupos que costumam
ocorrer em quaisquer govrnos, desque que o Brasil foi
ocupado pelos portugueses.

cito
Os precedentes têm forte influência sobre nosso pensamento.
Mesmo o trem mais moderno e mais tecnológico
corre sobre trilhos de bitola convencional.
As ferrovias britânicas adotaram essa bitola
porque as antigas máquinas de fabricar eixos
e rodas para carruagens só podiam fazer eixos desse tamanho.
As carruagens tinham eixos desse tamanho
para caber nos sulcos escavados
ao longo do tempo nas estradas
da Grã-Bretanha.
As estradas da Grã-Bretanha tinham sido construídas pelos romanos,
e os sulcos foram escavados por carruagens romanas.
Os eixos das carruagens romanas
tinham o tamanho adequado para carruagens
puxadas por dois cavalos romanos.
Assim como o moderno sistema de transporte
é submetido a um critério que valia para os cavalos da época romana,
também os pensamentos são moldados
por gerações e gerações de pensamentos antigos.
Nós continuamos a seguir os mesmos sulcos cavados
há milênios, sem perceber que a razão original das regras
já desapareceu há muito tempo.
Revista Planeta, jan./2004 (com adaptações).
-----
Considera-se neste trabalho
que a inexpressiva participação ferroviária no
processo de integração regional está relacionada
ao tipo de desenvolvimento
econômico e social realizados historicamente pelos países da Região.
Assim, se por um lado, as ferrovias sul-americanas contribuíram,
e contribuem, ao processo de integração econômica
por outro essa contribuição aconteceu
somente em alguns dos espaços econômicos dos países da região,
cuja predominância estavam
e estão direcionados à produção exportadora de
matérias-primas;
as ferrovias sul-americanas contribuíram,
até meados do
século XX, para a integração
intra-nacional e inter-regional:
seja através da expansão de linhas férreas
em âmbito nacional quanto pela construção
de conexões internacionais,
que serviram para aumentar a possibilidade de
trânsito nacional e inter-regional
do transporte de passageiros, de mercadorias,
animais ou pequenas expedições, na Região.
Porém, a partir de 1955, observa-se
uma verdadeira “operação-desmonte”
que foi desarticulando-nas desta
função de integrarem a Região
tanto em relação ao espaço intra-nacional
quanto inter-regional . (in Integração Ferroviária Sul-Americana:
Por Que Não Anda Esse Trem?
Ivanil Nunes

Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 7/9/2008 16:04 
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A íntegra da tese de Ivanil Nunes pode ser acessada neste endereço.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 7/9/2008 16:08 
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Não fosse a insensatez em construir estradas, que hoje são fantasmas, já estaríamos no topo do mundo, sem a perda de 50% de nossa produção agrícola por falta de transporte ferroviário.

Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro (RJ) · 17/9/2008 16:41 
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