Mais ARTE, por favor!

The New Yorker
performances de Chris Burden: “Shoot”(1971) e “Trans-fixed”(1974)
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Rafael Costa · Belo Horizonte, MG
21/3/2008 · 150 · 22
 

Parece já ser uma sensação comum a muitos dos que (,teimosamente, ainda) se interessam por arte: a arte contemporânea - ou a que se produziu nas últimas cinco ou seis décadas - está em desencontro. E por desencontro quero dizer, sem graça, sem propósito, sem relevância. Alguns apontam como causas desse desajuste o excesso de teoria (?) e politização e a tentativa (frustrada) de aproximar a arte da vida.

Quanto a mim, que me interesso mais por empirias, tomo como índice do fracasso artístico do nosso tempo as perfomances . Em outros termos: o fato de tratarmos essas apresentações como arte é um sinal de que a coisa vai mal, muito mal. Não que eu tenha alguma coisa contra uma pessoa abrir um monte de guarda chuvas simultaneamente para logo em seguida fechá-los. Também não me importa que alguns sujeitos decidam se automutilarem, ou crucificar o corpo no capô de um fusca. Bizarrices humanas são sempre bem vindas: muitos circos ainda continuam lucrando com as mulheres barbadas, com os anões, com homens de três mãos. Mas o que há de estético nessas apresentações? Respondo: nada. São apenas provocações, que quando não são imediatamente tomadas como motivo de riso, caem no esquecimento, rapidamente.

O problema das perfomances - e vá lá, da arte contemporânea - é o desejo vão de rupturas. Os não-artistas empenham-se em rasurar todos os patrimônios artísticos que os precederam, para isso procuram afastar-se dos ambientes e linguagens que legitimam a tão maltratada Cultura tradicional. Nesse jogo de vale tudo, só há dois motivadores: ser sempre contrário e fazer sempre uma "novidade". O mais risível é que tais não-artistas parecem não se darem conta de que o esquema Cultural que eles querem tanto destruir é o mesmo que cria as condições de produção e circulação dos seus ready-mades ou das suas perfomances. Isso sem falar que a Cultura a ser destruída é a mesma que propicia o arcabouço intelectual que lhes permite hoje dar seus chiliques.

Se o urinol de Duchamp teve alguma conseqüência, foi justamente o de reafirmar a necessidade dos meios legitimadores, na medida em que, ao tomar do mundo um objeto e ressignificá-lo como obra de arte, o artista continua a aceitar-se como o legislador: é ele quem determina o que é e o que não é arte. É bem provável que o gesto duchampiano tenha sido orquestrado para chamar atenção para esses imperativos. Mas é ainda mais plausível acreditar que Duchamp pretendia expor o esquema para em seguida destruí-lo. Algo como tese-antítese-síntese. A destruição, entretanto, nunca se efetivou. O que assistimos no século XX foi exatamente ao contrário: a institucionalização dos ready-mades, que foram "estetizados", no momento em que se tornaram um fetiche, um símbolo do que era "novidade". Contudo, como muito bem lembra Ferreira Gullar, - no indispensável o Argumentação contra a morte da arte (Editora Revan) - o "novo" é sempre datado, por não se constituir como linguagem.

Um urinol hoje já não causa nenhum impacto. Já perdeu o seu tom provocativo. Por outro lado, Les Demoiselles d'Avignon continua nos impressionar, a ser ousado. Isso só ocorre porque a transgressão de Picasso não se dá no sentido de destruir a linguagem pictória, mas, sim, de reafirmá-la. É curioso que essa busca insana pela novidade, pelo diferente não traga nenhum outro elemento efetivamente novo. Nas atitudes e obras dos profetas contra-cultura (prefiro chamar de não-cultura), nos espetáculos, apertos de mão ou guarda-chuvas, há pouca diferença em relação aos ready-mades feitos no começo do século passado. Em tudo isso há a mesma falta de linguagem, a incapacidade de criar algo menos circunstancial. A evidência dessa carência de linguagem é a percepção que de que tais obras perderam a capacidade de transmitir-se, isto é, de funcionarem como objetos auto-explicativos. Não por acaso, há, por vezes, a necessidade de um manifesto, de uma explicação; sem se dar conta do seu narcisismo ridículo, o artista se alimenta do próprio embuste nas entrevistas: meu objetivo com essa obra era mostrar o horror disso-daquilo, denunciar essa-e-aquela-barbaridade. Cabe relembrar o artigo de Monteiro Lobato (O Estado de S. Paulo 20/dez/1917) a respeito da exposição de Anita Malfatti (não, não estou comparando Malfatti às mentes brilhantes dos nosso século - mas é que o paragráfo do Lobato vem a calhar):

"A fisionomia de quem sai de uma destas exposições é das mais sugestivas. Nenhuma impressão de prazer, ou de beleza, denunciam as caras; em todas, porém, se lê o desapontamento de quem está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de raciocinar, e muito desconfiado de que o mistificam habilmente. Outros, certos críticos sobretudo, aproveitam a vaza para "épater les bourgeois". Teorizam aquilo com grande dispêndio de palavrório técnico, descobrem nas telas [,obras e perfomances] intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com a independência de interpretação do artista e concluem que o público é uma cavalgadura e eles, os entendidos, um pugilo genial de iniciados da Estética Oculta. No fundo riem-se uns dos outros, o artista do crítico, o crítico do pintor e o público de ambos."

Chama atenção que essa ruptura-a-todo-custo é muito mais característica das artes plásticas do que da literatura. Acreditar que Joyce promoveu um rompimento com os procedimentos lingüisticos, não implica na produção (ou tentativa) imediata de outras realizações como o Ulisses. Também no caso da nossa literatura, experimentamos pseudo-machados, cópias de gracilianos e gente tentando ser Clarice. Mas não vemos até agora ninguém procurando seguir a linha re-estruturante de Guimarâes Rosa. Já do outro lado, não nos param de surgir marcelduchamps.

Outro equivoco é tentar aproximar vida e arte. Há nesse empreendimento dois problemas: um ético e um estético.

A arte nunca será capaz de fidelizar as angústias e demais reclames da alma humana. Ao tomar para si o emblema de representante dessas questões, o homem as reduz - o que em alguns casos não é apenas ridículo, mas eticamente condenável. Ao tentar denunciar os horrores da Guerra do Iraque, decepando a própria perna, ou empilhando milhares bonecos numa calçada, o artista(?) banaliza o sofrimento - ou sabe-se lá que outros sentimentos - de um soldado obrigado a experenciar de uma só vez o amor ao próprio corpo, o desejo patriótico e a guerra acachapante.

Esteticamente, a arte não pode se aproximar da vida justamente por ser, antes de mais nada, símbolo. Ora, um símbolo não pode, por definição, perder sua materialidade, seu significante. A arte opera sempre por metonímia, por recorte, seleção do todo. Por mais que projete sintagma sobre paradigma, o poeta nunca conseguirá retomar o conjunto de objetos, seres e simbologias que produzem a empiria da vida. Ninguém é louco o suficiente para afirmar que um quadro retratando uma sala é a sala. Isso sem falar que a vida que o autor julga representar não passa de uma resposta axiológica e, portanto restrita, ao todo simbólico que o circunda.

Li recentemente não me lembro onde, que na próxima Bienal de arte de SP haverá um espaço vazio. Seria uma forma de protesto silencioso à escassez e pobreza da produção atual. É uma boa iniciativa. Ao invés de tentar salvar o mundo, os artistas deveriam, primeiro, salvar a Arte.

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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido RafaeL:
Vou ser sincero com você: li, com interesse, o seu postado, mas sai dele um tanto decepcionado. Quando li que falaria das artes plásticas "das últimas seis décadas" achei que você faria generalizações sociológicas interessantes para justificar as suas críticas mas o que ví foram críticas aos que você mesmo chama "não artistas", novidadeiros, vanguardistas de plantão, etc. Enfim, você justifica uma generalização com atitudes individuais das pessoas que se pretendem artistas, com algo muito mais em nível psicológico do que propriamente sociológico. Acho que é simples assim: não artista produz não arte e mesmo que engane muitos, no início, no final a gente sabe como a história é implacavel com os mistificadores. Agora eu pergunto, só pra saber: quem, afinal tinha razão: Anita Malfatti ou Monteiro Lobato?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 19/3/2008 23:20
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Rafael Costa
 

Joca, concordo que o juízo histórico é o melhor de todos. Não por acaso, continuamos a gostar de Gaugin, Pissarro, Degas, etc, etc... Não quis procurar elementos sociais ou histórico para entender o porquê da arte ter se descambado para essas perfomances. Não acho que a arte seja um espelhamento das questões sociais. Acho que o problema é mais uma questão de tentar seguir uma perspectiva de ruptura, já desgastada. Claro, existem de fato, coisas interessantes sendo produzidas. Mas (a exemplo da ultima bienal de SP) a sensação que fica é a de que chegamos a um momento de extrema pobreza estética.

Quando à polêmica do Lobato, sim, ele estava equivocado. Os adjetivos e comentários nao se aplicavam à Anita. Mas vem a calhar - como disse - pros nossos artistas (?).

Uma coisa que me chateia é o medo da crítica de ser conservadora, de condenar uma 'vanguarda', como se o que fosse novo devesse ser imediatamente aceito.

ps: andarilho?

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 20/3/2008 11:44
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Sobre o PS: Já fui, dos bons, e ainda tenho esperança de voltar a ser. Hoje tou bem mais para paradilho, infelizmente.
Quanto ao resto, acho que o seu comentário foi mais esclarecedor que o Postado, pois entendi que trata muito mais de lamentar do que, propriamente, de refletir sobre porque isto vem ocorrendo.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 20/3/2008 11:53
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Em tempo: obrigado por não questionar a minha angelical figura.

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 20/3/2008 11:55
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Paulo Esdras
 

"A arte não pode se aproximar da vida justamente por ser, antes de mais nada, símbolo".

Eu digo que a arte é, antes de mais nada, comunicação.

Penso que a crítica aos que você chama de "não-artistas" transpira a nostalgia artística. Mas, o rompimento com este tipo de arte (ou não arte, como queira) pode sim ser visto ainda hoje. Esta busca pela originalidade está marcada em todas as diversas formas artísticas. Assim nasce o estilo que imortaliza (ou não) o artista.

A pedra no caminho de Carlos Drummond de Andrade só pode ser entendida se você entender o que significa o rompimento e seu contexto histórico. Este é só um exemplo de que a arte não é aquilo que pensas, mas sim o que é.

Paulo Esdras · Brumado, BA 20/3/2008 16:21
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taloverde
 

Caro Rafael e prezados companheiros que ilustram essa discussão, sou artista plástico e acompanho a emergência da arte contemporânea em nossa terra desorganizadamente colonizada. Diante disso, o que me chamou a atenção no texto “MAS ARTE, por favor!”, foi a clarividência dos paradoxos, neste, inseridos. Seja em sua exclamação, conclusão ou, até mesmo, em sua edição. Disse eu, certa vez para um suposto jornalista, em uma dessas aberturas de mostras contemporâneas:

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 05:24
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taloverde
 

Vamos deixar as formalidades de lado e sermos realmente nós mesmos, não concordas?! Talvez essa observação sirva mais para eu mesmo - que insisto em frequentar essas aberturas de mostras, que nada tem haver com meus ideais artísticos -, sobretudo por ser eu um anti social. Como cantaria um dos grupos componentes do Rock Pop, nos anos oitenta: estão assassinando a ARTE CONTEMPORÂNEA!!! Somos obrigados, enquanto artistas ou apreciadores dos mesmos, a alienarmo-nos diante do império mercantilista das artes plásticas "contemporâneas"! Que me remete a loucura do catolicismo medieval ou a soberba evolucionista darwiniana. Puta que pariu! Eu nunca vi tanto artista óbvio e preguiçoso sendo almejado por olhos ignorantes, segmentados em uma medíocre ótica exterior e manipuladora - covardemente aproveitadora de um determinado subdesenvolvimento aculturado e continental. Seremos eternamente colonizados! E, como se não obstante fosse a política, a cultura e a economia bosta desse país; somos obrigados, também, a sermos subservientes de um segmento artístico, louvado pela soberania Europeia. Que bosta!!! Meu caro, estou, conscientemente, me controlando para não tornar-me um homem insuportável, por isso opto por me tornar esquisito - não fico por muito tempo em determinados grupos ou expondo-me em diálogos eufemicos ou efêmeros -, entretanto, como não exprimir pensamentos pulsantes e seguros?! Não me leve a mal e não me interprete como um presunçoso, mas, posso estar utilizando sua cumplicidade oportunamente, pois não o conheço bem, ainda não posso chama-lo de amigo e sei que és um jornalista respeitado nesse meio, por isso exclamo a ti. Sendo ainda mais verossímil e estimulando suas dúvidas; não estou dando a mínima para a pejorativação da minha índole. O que quero dizer é que, embora estejamos em um dos circuitos de artes mais efervescentes do globo terrestre - me refiro a São Paulo -, as obras que observamos e os autores que as criam são, em sua maioria (para não ser injusto): uma babozeira só!!! Uma piada!!! Um vazio!!! Um desprovimento de talento!!! Uma arte ignóbia!!! Ignomínia!!! A poética e o gestual que tanto ressaltam, estão muito mais explicitos nos textos escritos, que "ilustram" as mesmas, do que nas obras em si "mesmadas"!!! Efêmero é elogio para o que estamos testemunhando nesse universo, isso é um vácuo sem concepção! Antes aturar a carência de Ivo Mesquita, na curadoria da Bienal de São Paulo 2008! Isso, para mim, é a contra afirmação do título de um dos grandes livros de Nietzsche: "O Andarilho e Sua Sombra" (1880), é a extração da sombra de quaisquer que sejam os artistas "or" estimadores desses - fazendo usufruto da única palavra (quaisquer) de nosso idioma que lê o plural em seu próprio corpo. Mais uma vez: que bosta tudo isso!!! Ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha ha!!!! E os "Salões" e "Bienais"?! Pensas que sou igênuo o suficiente para iludir--me com tamanha inconsistência?! Não, não sou tão pobre para isso!

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 05:26
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taloverde
 

Rafael, achas mesmo que o problema está no surgimento de novos segmentos artísticos? A performance, por exemplo, já possui relevância desde a década de 70, com grandes concepções da artista Marina Abramovic, como em uma de suas obras “O Ritimo”, de 1974 - que por sua vez, também pode ser conferida no título “Arte Contemporânea, Uma História Concisa“, pg. 113, de Michael Archer - para mim, não se trata da inexistência da arte, mas de como esta encontra-se conduzida. Como o HOMEM e todas as outras existências, a virtude das artes plásticas também sofreu suas alterações, diante da evolução. Nós, artistas visuais contemporâneos, sofremos, em nossas criações embrionárias ou publicamente consolidadas, a agressão de um público e mercado desprovidos da capacidade para compreender tamanha importância…

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 05:26
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taloverde
 

Temos, apenas no Brasil, artistas como Cao Guimarães, Milena Travassos, Gil Vicente, Marepe, Tito Oliveira, Vauluizo Bezerra, Ana Holck e muitos outros, enunciando, em alusão ou não a Marcel Duchamp, suas idiossincrasias através de seus trabalhos ou produtos, de maneira plausível. Isso é bastante expressivo nessa extraordinária esfera peculiar.
Para o que se refere sobre arte e realidade, ressalto que, a anti-ética encontra-se na afirmação que distingui uma da outra. Pois, o artista é, enquanto artista, compelido em suma, a conceber sua estética por meio de suas sensações, seja essa de qual forma for. Portanto, para mim está claro uma afirmação: o provimento de um sistema filosófico que atribui à experiência a origem do comportamento humano, estabelece a antítese de seu pensamento através de sua própria oratória, diante da negação de uma elucidada simbiose entre o retrato de uma sala e uma sala, idealizado no elemento imaginário de um criador…

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 05:58
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taloverde
 

Isso, enquanto registro estético, é símbolo, logo, é também, realidade.
Quanto a justaposição da literatura com as artes plásticas, penso que; as palavras do Monteiro Lobato descrevem sua sensação provocada pela Obra da Anita Mafalti e narra, de forma obvia, as dicotomias entre uma classe artística, intelectual e a desesperada ou igenua gargalhada do cidadão comum. Penso que o M. L. disse coisas mais relevantes em seus contos infantis.

É meu caro, perdão se falei muito, mas não pude deixar de observar sua perspicácia e precipitação oscilantes, em um texto que, embora impreciso, é bastante arrojado. Acontece. O importante é podermos trocar e satisfazermo-nos com isso tudo. Parabéns.

Grande abraço

PS: não acredito que o Vázio concebido pelo curador Ivo Mesquita para a próxima Bienal de São Paulo, seja se quer um protesto para o que chamamos de estagnação artística visual, para mim, com todo respeito a sua deste ser, essa é uma atitude que alimenta sua vaidade e carência, e pior; rompe, ocupando um saguão inteiro da bienal com essa ideia insossa, a possibilidade de enunciar novos artistas da cena nacional. O que para mim seria a solução para os que não enxergam o desenvolvimento conciso da nova geração de artistas do Brasil. O problema é bem maior do que pensas meu caro...

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 06:29
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maha
 

Concordo plenamente com o Talo Verde. E só para complementar a respeito do vazio para próxima Bienal de São Paulo, afirmo que não é um protesto em relação a escassez da "boa arte" e sim um oportunismo, aproveitando-se do descaso proveniente de gestões corruptas - que para nós, conhecedores desse mercado, não nos causa novidade alguma -além de nunca ter beneficiado a cena de arte contemporânea nacional. O que sempre regeu foram os próprios interesses da gestão da Bienal.

maha · São Paulo, SP 21/3/2008 12:52
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Rafael Costa
 

taloverde, vejo q sua indignação é grande.
contudo, não me mostro tão indignado porque
felizmente temos boas obras de que nos lembrarmos;

essa gente de hoje, devemos prestar-lhe homenagem e esquece-la.

"é símbolo, logo, é também, realidade"...
se é simbolo, como ser realidade?? o símbolo nunca tem a simultaneidade da realidade...

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 21/3/2008 13:09
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taloverde
 

Caro Rafael, não é uma questão de indignação, mas, de sobrepor justamente, um argumento diante da justificativa. Penso que é dessa forma que devemos nos colocar: através de contundência. Reforçando o que eu quis dizer no texto anterior, apreendo de seu pensamento uma certa inconsistência, entretanto, este não é de todo ruim, possui também inteligência, pecisa apenas amadurecer ou aprofundar-se mais em um determinado assunto que lhe interesse. Um Advgado Rafael, não poderá defender o réu, se não possuir domínio sobre o conhecimento jurídico. Portanto, sugiro que pesquise mais sobre arte contemporânea para organizar melhor suas opiniões. Quanto ao que indaga em minha frase/afirmativa, a avaliação desta deve encontra-se através de seu contexto, devido a isso a construção de um texto possui inicio, meio e fim "Isso, enquanto registro estético, é símbolo, logo, é também, realidade". Um símbolo caro Rafael, é, também, qualquer objeto material que, escolhido ou constituido arbitráriamente, pode ser usado para representar uma forma. Assim sendo, repito: um símbolo, enquanto forma ou matéria, pode também ser uma realidade. Mas... "Simultaneidade da realidade" Rafal?! He he...

Grande abraço

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 14:03
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Rafael Costa
 

talo, talvez esse seja um dos problemas desse estado de coisas: excesso de contundência - aliás, contundência vã.
Repito: há problemas no seu conceito de símbolo. Claro, sem dúvida, um urinol pode ser elegido como um símbolo e transformado em metáfora. Contudo, como disse no texto, essa metáfora funciona graças ao fetiche (por parte do público/críticos) e ao narcisismo do artista - que, ao tentar desconstruir e questionar as estruturas legitimadoras da arte acaba, paradoxalmente, reafirmando-as, na medida em que se torna o juiz: é arte o que eu digo. Ou: é símbolo o que EU digo que é simbolo.
Ao contrário do que vc diz (ou tenta dizer) o símbolo não pode - nem "enquanto registro estetico" - SER a realidade. Ora, o real pode mesmo ser circunscrito a um objeto? A expressão realidade simultânea me saltou à cabeça por lembrar de um escrito do professor candido: a palavra - por melhor que seja o poeta - não poderá nunca traduzir a realidade, porque ela é simultânea.

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 21/3/2008 17:37
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Rafael Costa
 

ainda em tempo: o mundo prescinde das perfomances imbecis de mrina abramovic

Rafael Costa · Belo Horizonte, MG 21/3/2008 17:39
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dudavalle
 

Outro dia encontrei com a arte contemporanea ela me pediu para te perguntar o que eh "cultura tradicional".

dudavalle · Rio de Janeiro, RJ 21/3/2008 17:42
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taloverde
 

He he... Peço perdão por meu sorriso Rafael, não estou sendo irônico, apenas me divirto com algumas de suas colocações, sobretudo quando percebo você mesmo mudar o proprio olhar deparando-se com seu reflexo no espelho. Rafael, não sei o que fazes, quantos anos tens ou o que pretendes fazer perfeitamente um dia, mas, está claro para mim, que alguém que se dispõe exigir contundência de uma determinada expressão artística por meio de um baseamento raso, condene, em meio termo, o problema desse estado de coisas com o excesso do que procuras. Não meu caro, não há problemas no meu conceito de símbolo, mas, em sua suposta "pregação" de palavras. Sem dúvidas, não apenas um urinol como o retrato pintado de uma sala, não poderiam ser "elegidos", ou ao menos eleitos como simbolos, estes, enquanto emersos do elemento imaginário de um criador, são concebidos como uma compleição ou lei fundamental de uma forma e matéria. Assim sendo, torna-se objeto, estética e realidade simbólica. Reformulando para seu melhor entendimento, a realidade pode ser circunscrita a um objeto (leia ou pesquise Gaston Bachelard, sobre A Arte e a Existência) . A condenação do narcizismo de um artista é sobreposta pela presunção inconsciente de uma opinião. Seu apego aos segmentos obsoletos das artes plásticas é evidente, sobretudo em despeito a linguagem pictórica, isso explicita ainda mais seu pensamento impreciso quando cita pintores expressionistas como parâmetro para discorrer sobre a produção artística/contemporânea e atual. Não imagino o quanto conhece de literatura ou poesia, mas estou certo que, de arte conhece muito pouco...

Passar bem meu caro

taloverde · São Paulo, SP 21/3/2008 23:42
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Makely Ka
 

Rafael, nas sua crítica você está reproduzindo argumentos já gastos de Ferreira Gullar e Afonso Romano de Santana. Não sei se você tem idéia do que isso significa, mas eu considero um alinhamento ultraconservador para um jovem artista. Seja como for é uma opção sua e espero que não prejudique o desenvolvimento de sua obra. E mais uma coisa, essa tarefa de salvar, resgatar, recuperar a arte não é dos artistas. Melhor chamar o corpo de bombeiros.
Abraços

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 22/3/2008 04:03
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clara arruda
 

Como só consigo ver um trabalho de arte com o coração(independentemente de ser ou não visual)Dou meu voto para a arte...Sempre.deixo os comentários para vcs meus artistas del mundo.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 22/3/2008 06:56
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Paulo Esdras
 

E o que falaria um pintor realista defronte um quadro abstrato no inicio da mudança?

Paulo Esdras · Brumado, BA 27/3/2008 13:01
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taloverde
 

Caro Rafael e demaisformadores de opiniões presentes aqui nessa discussão, estou com uma colaboração na fila de votação, de nome "Uma Feira, Outra Análise e a Inércia", texto analitico que faz alusão ao futebol para discorrer sobre os parametros estabelecidos nos trajegtos de um artista, que anseia alcançar sua projeção no mercado de arte contemporânea atual e fortalecer com isso, o circuito nacional. Gostaria de convidá-los à conferir meu pensamento, expor suas idiossincrasias e, se possível for, votarem para a publicação do texto.

Muito grato e grande abraço a todos!

Tito Oliveira

taloverde · São Paulo, SP 27/3/2008 13:43
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ayruman
 

A Arte ou a "Não Arte" espelha em nossos dias o Vazio, a escuridão da Alma Humana!
Muito bom eoportuno este tema.
Luz e Paz Sempre. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 4/5/2009 00:07
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