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Malthus não estava tão errado: Santa Catarina

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Mauro Pitanga · Manaus, AM
13/1/2009 · 54 · 2
 

Malthus não estava tão errado: Santa Catarina
Mauro Pitanga*

Quando se Lê a teoria de Thomas Malthus (XX), hoje, percebe-se certa ingenuidade nas suas palavras. É difícil encontrar alguma crítica favorável à Malthus. Quase ninguém o recepciona. No Brasil, suas teorias ganharam menos força ainda. A esquerda brasileira apoiada por sociólogos e, sobretudo antropólogos, assim como também pela igreja católica, por muito tempo, e ainda hoje, se manifestaram contra todos os tipos de controle de natalidade. A tese era basicamente a seguinte: a distribuição demográfica brasileira é desigual – há muita terra. Há terra para todos. Ou, há muita comida. Todos os dias os Ceasas jogam comida no lixo. Comida tem. O que não tem é dinheiro para comprar nem vontade de distribuí-la para os mais pobres. Ser politicamente correto custou caro ao Brasil.

Ao contrário - quando assistimos a um filme futurista, como Mad Max (1979), daqueles que retratam um mundo sem perspectiva, um mundo onde todos são guerreiros. Vilarejos sem comida. Sem água. Empoeirados. Homens famintos e sedentos que brigam entre si pela sobrevivência -, a teoria de Maltus não parece distante. A força da imagem é reveladora e convincente.

Santa Catarina está sendo, infelizmente, um bom exemplo do ponto em que o ser humano chega para se alimentar e alimentar os seus. Supermercados pilhados, lojas saqueadas. Não se sabe ainda se os alimentos que chegam não são suficientes e, portanto, os saques são “justificados”. Não se sabe ainda se os furtos são para gerarem dinheiro para reconstrução de casas e para a compra de móveis, utensílios, etc. Coisas de “pequeno valor” - em épocas de tragédia - foram furtadas: fones de ouvido, walkman, pilhas, balas, pirulitos, chicletes, desodorante... Nada foi poupado. O que explica isso? Oportunismo? Pânico?

Um outro Thomas (Thomas Hobbes - XVI-XVII), alguns séculos antes, escreveu que “o homem é lobo do homem”. Retratou a maldade do homem. Guardadas as devidas proporções, um mundo administrado pelo homem retratado pelo Thomas do século XVI, pode gerar um mundo descrito pelo Thomas do século XX. O resultado é sombrio. Eu disse que é sóbrio. Não disse que seria, ou será. Já é sombrio. Está sendo sombrio. E todos têm culpa nisso. Não cobramos aos nossos maus-políticos, não cobramos a prisão do rico corrupto, jogamos lixo nas ruas para entupir os bueiros. Cortamos e deixamos cortar árvores. Não cobramos a devida aplicação dos impostos. Santa Catarina chora hoje pelo que todos nós poderemos chorar amanhã.

No fundo, as visões dos dois Tomas se coadunam num mundo de pouca perspectiva. Mais ainda há uma esperança: A visão do terceiro Thomas. O Tomas Morus (XV-XVI). A visão utópica. Também guardadas as devidas proporções. Ele traz a mensagem do conforto, do que tudo é possível, de que podemos avançar e vencer. Ele traz a mensagem da necessidade, mas, sobretudo da possibilidade. Santa Catarina grita socorro. Mas não é só isso. Junto dela grita a natureza, as encostas, os rios, os céus, a pobreza, a falta de organização, a falta de planejamento, os descasos políticos, as árvores cortadas. Esses gritos ecoam com tamanha força que devemos nos perguntar o quão distante estamos disso tudo.

*Professor de História em Manaus/AM

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graça grauna
 

bom trabalho.

graça grauna · Recife, PE 11/1/2009 23:20
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N.Lym
 

Muita curiosa a relação que vc fez!
Votado!!=]

N.Lym · Fortaleza, CE 15/1/2009 00:27
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