“E você? Tem o costume de freqüentar galerias de arte da nossa cidade?â€. Jornalista e entrevistada inverteram os papéis, e tudo o que consegui responder foi um “erm... não muitoâ€, engasgado e sem graça. A artista plástica Cláudia Renault foi a responsável pelo questionamento, em relação ao qual eu não pude fazer nada, senão me incluir em uma geração que simplesmente não visita as diversas galerias existentes pelas capitais desse paÃs.
Gustavo Maia e Ronaldo Garcia bem que têm idade para fazer parte dessa geração. Só que o contato acontece, naturalmente, por meio da profissão que escolheram: artistas plásticos. Os dois trabalham juntos em uma casa grande e antiga, com um jardim enorme na entrada. O bairro é um dos mais tranquilos de Belo Horizonte, o Santa Tereza.
A idéia de montar um ateliê coletivo surgiu já nos primeiros anos na Escola Guignard. A função desse projeto (o qual leva o nome de “Mamacadelaâ€) não se limita à produção dos integrantes do coletivo, mas também tem o objetivo de fomentar o circuito artÃstico da cidade. “A idéia era criar esse espaço para que continuasse havendo uma troca de informações e experiências pós-faculdade. Um aspecto importante na sua concepção é de que o local funcionasse também como uma canal alternativo de arte. E em apenas alguns meses de atividade já organizamos quatro exposições aquiâ€, explica Gustavo. Não tardou para que o coletivo crescesse. Logo após a primeira exposição, um novo artista, Ramón Martins, foi convidado a formar o trio que atualmente coordena as atividades no ateliê.
Para atrair um público desacostumado a freqüentar as galerias tradicionais, eles organizam festas nas inaugurações de exposições, buscando sempre manter um diálogo com profissionais e produtores de diferentes áreas. De acordo com os idealizadores, a idéia tem funcionado. “Comprovamos algo que já imaginávamos: a produção artÃstica na cidade é grande, mas ela, muitas vezes, não alcança os meios tradicionais. Em cada festa que realizamos aqui, descobrimos que cada um tem um pouco de produtor e artista, pois várias pessoas nos procuram com trabalhos e idéias para realizar na casaâ€, afirma Ronaldo. Se o interesse do público existe, e os espaços também, agora falta criar o hábito de freqüentar, de sair da nossa casa.
“Iniciativas como a do Mamacadela deveriam ser permanentes. Não é só necessário como recomendável não ficarmos presos aos espaços existentes. Os novos artistas devem ocupar esse novos espaços, ver o que tá acontecendo na cidade, trocar informações, ampliar os horizontesâ€, ensina a também professora Claúdia Renault.
“Meia-dúzia que produz para meia-dúzia consumirâ€
As galerias de arte se tornaram com o tempo ambientes não muito receptivos. Elas acabaram por criar um vÃnculo forte com o comércio. As portas parecem fechadas para quem não pode ou não tem interesse em comprar as obras que elas oferecem. Logo, o público que não compra se torna praticamente invisÃvel. Existe uma meia-dúzia que consome o que uma outra meia-dúzia produz. De acordo com Gustavo e Ronaldo, isso só ajudou a criar e fortalecer um circuito fechado e elitizado de artes plásticas.
“Não existe muito essa cultura disseminada no Brasil de freqüentar galerias, as quais sempre foram associadas a uma elite que pode comprar. Isso acabou criando a idéia de que ela é apenas uma loja. Nós queremos sim vender nossos trabalhos, precisamos disso para continuar, mas de forma alguma queremos que o público fique restrito aos compradoresâ€, afirmam. O Mamacadela não pretende fechar as suas portas agora para aquela mesma meia-dúzia. Embora o objetivo seja atrair um público novo, nesse não estão os principais compradores, por isso a necessidade de manter o contato com os dois “mundosâ€, ou misturá-los.
Quanto ao trabalho individual de cada um, ambos defendem a idéia de que só tendem a crescer. Trabalhar em coletivo é trabalhar por afinidade, por objetivo comuns, mantendo constantemente uma troca de informações.
ei Sérgio, você conhece o trabalho da PatrÃcia Caetano ai em BH?
Ela é maravilhosa!!
Nao conheco nao. Me conta aà o que é!
Sergio Rosa · Belo Horizonte, MG 8/4/2006 10:40
Ih, foi com erro, e o pior é que não apaga... mas vamo lá, de novo (sem caps lock): bacana a iniciativa. Realmente, é essa a impressão que a gente tem em relação às galerias de arte. Por aqui, alguns artistas até buscam fazer aquela velha exposição coletiva, que atrai curiosos e cria uma relação mais próxima entre o artista e o público entendido de uma forma mais ampla que a de um potencial comprador...
Tati Magalhães · Maceió, AL 11/4/2006 14:19
A Patricia é artista plástica, ela participou daquela expo 5vs1 (ou 6vs1?) que rolou em BH.
Olha os desenhos dela em www.fotolog.net/ilustra
são super femininos, super delicados...ai, eu sou suspeitÃssima pra falar, hahaha
:-)
Maravilhoso o espaço e a proposta dos caras e maneirÃssima a matéria. Adorei. Parabéns!
Ana Murta · Vitória, ES 13/4/2006 22:21Maravilhoso o espaço e a proposta dos caras e maneirÃssima a matéria. Adorei. Parabéns!
Ana Murta · Vitória, ES 13/4/2006 22:21
Natacha, também sou suspeito para falar do trabalho, adoro a PatrÃcia e sei o quanto ela ama a arte e o trabalho. Fiquei alegre ao ver seu comentário e adiciono outro link: o que está no fotolog foi publicado no flickr também.
Otima!!!!!
Uma galeria e varios
pensamentos juntos.....
BACANA!!!
Olá, Debora.
O ateliê ficava na Rua Pouso Alegre, no bairro Floresta. Não sei se ainda é lá. Vou te passar o e-mail do Gustavo Maia por mensagem.
abcs
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!