Manifesto pela Música Autoral

Ricardo Antunes
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Makely Ka · Belo Horizonte, MG
8/6/2009 · 74 · 28
 

Há um fenômeno na música produzida em Minas atualmente. O que chama a atenção em primeiro lugar é algo aparentemente óbvio na caracterização de qualquer cena: é predominantemente autoral. Segundo, e não menos impressionante é a quantidade. Não há registro na história recente de outra época em que se tenha produzido tanta música como agora. Nem durante o período áureo do Clube da Esquina nos anos 70 nem durante a fase heróica do rock mineiro nos anos 80.

Além disso, há uma peculiaridade que dá liga e amálgama para toda essa produção, algo ainda intangível, dissimulado quase, subreptício, mas identificável na maior parte dessa produção, independente de gênero ou estilo. Esse elemento muitas vezes é identificado como um germe da escola harmônica mineira, ainda que seja a negação dela.

Outra característica dessa cena é o fato de que não há unidade estética, a produção vai da música instrumental ao rock, do regional ao samba, há uma diversidade e uma afinidade ideológica.

Alguns fatores contribuíram e ajudam a entender o fenômeno. Houve nos últimos anos uma significativa profissionalização dos músicos e produtores atuantes na cena. Parte dela é graças ao aporte financeiro injetado no mercado local pelas leis de incentivo, com destaque para a estadual, com dedução do ICMS. Graças às leis a maior parte desses artistas conseguiu gravar seus discos em condições adequadas, montar seus shows com qualidade técnica compatível com os padrões de mercado, adquirir equipamentos e instrumentos de qualidade, além dos produtores terem se capacitado, formalizado suas empresas, etc.

Outro fator importante é o advento da organização inédita dos músicos. Nos últimos anos surgiram algumas entidades e um fórum que ganhou reconhecimento da sociedade e abriu um canal de interlocução com o poder público. A partir dessa articulação foi lançado um programa inédito no país que engloba um edital de passagens, um edital de circulação nacional e um programa de exportação.

Iniciativas como o Reciclo Geral, realizado em 2002, organizado pelos próprios músicos e considerado um marco dessa nova geração, serviram como modelo e incentivo para outras ações. Serviram também para provar a existência de um público ávido por novidade, que naquela ocasião lotou o Reciclo Asmare Cultural durante três meses para ouvir exclusivamente composições inéditas.

Essa música começa a ser reconhecida no Brasil e no mundo. Prova disso são os convites de festivais e casas de espetáculo que começam a surgir. O público local já percebeu esse fenômeno e acompanha a cena com avidez. Tudo indica que somente os elos da cadeia responsáveis pela veiculação e consumo local são os únicos ainda insensíveis ao fenômeno. Só isso explica o fato dessa música não tocar nas rádios locais (com exceção de programas específicos da Rádio Inconfidência, da UFMG Educativa e da Rádio Guarani) e não haver sequer uma casa de shows onde essa produção seja acolhida com um mínimo de dignidade.

Entenda-se por acolhimento digno o cumprimento mínimo de exigências universais para que a música autoral seja apresentada, a saber: som e luz compatível com a formação e tratamento acústico de acordo com o espaço; palco com dimensões adequadas à formação; cachê ou porcentagem mínima da bilheteria; apagamento da luz da platéia e interrupção do serviço dos garçons durante a apresentação; tempo máximo de 2h incluindo possíveis intervalos; alimentação dos músicos; pagamento dos direitos autorais; contrato assinado.

Essas condições, que podem parecer exageradas se considerada nossa situação atual, são comuns em todas as casas de espetáculo que investem no perfil de música autoral em qualquer parte do mundo. Palco, luz, tratamento acústico e atenção do público, redução da luz e interrupção do serviço de atendimento das mesas (em algumas casas os garçons atendem com lanterninhas) são detalhes fundamentais para se conseguir uma ambientação adequada.

Mas sabemos que não se modifica esse atual contexto da noite para o dia. É gradual a profissionalização dos espaços e a resposta do público ao investimento é inevitável. Esse é o primeiro passo, estamos aqui propondo um diálogo aberto com os programadores e diretores de rádios e os donos das casas de shows em Belo Horizonte.

COMUM – Cooperativa da Música de Minas
www.bhmusic.com/comum

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DiogoFC
 

cadê os nomes? não conheço nada de relevante. os famosos são lixo pop como Jota quest, Skank, etc. os bons fazem carreira fora, no Rio ou em SP.

DiogoFC · Criciúma, SC 8/6/2009 13:55
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Marcelo Cabral
 

"Outra característica dessa cena é o fato de que não há unidade estética, a produção vai da música instrumental ao rock, do regional ao samba, há uma diversidade e uma afinidade ideológica." ...Legal isso, diria o mesmo da cena alagoana.

Concordo com Diogo que faltam nomes e links das bandas mineiras que seu artigo trata (e discordo que Skank é um lixo). Faltaram os exemplos mas valeu levantar essa bola da música autoral mineira. Que tal postarmos links de algumas bandas que conhecemos de lá aqui nos comentários?

Em Bh vi uns shows bem legais dessa turma aqui ó

Que mais?

Marcelo Cabral · Maceió, AL 8/6/2009 14:27
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Makely Ka
 

Meus caros, foi uma opção não divulgar os nomes, exatamente para instigar a busca, a procura. Mas se vocês insistem tanto em nomes, aqui vão alguns. Todos tem myspace e alguns tem páginas pessoais: Kristoff silva, Érika Machado, Renegado, Mestre Jonas, Pablo Castro, Maísa Moura, Pedro Morais, Kiko Klaus, Mariana Nunes, Elisa Paraíso, Transmissor, Leopoldina, Rafael Macedo, Quebrapedra, Ramo, Misturada Orquestra, SOMBA, M-UT, Constantina, Graveola, Monno, Julgamento, Aline Calixto, Maurício Ribeiro, Rodrigo Torino, Gilberto Mauro, Vítor Santana, Oscilloid, Corta-Jaca, Madeirame, Renato Villaça, Sérgio Pererê, Antonio Loureiro, Juliana Perdigão, Gastrophonic, Thiago Delegado, Júlia Ribas, Coutinho, Dudu Nicácio, Miguel dos Anjos, Cecília Silveira, Antônio Sant’Anna, Falcatrua, Fernando Sodré, Tabajara Belo, Digitaria, Gardenais, Carolina Diz, Udora, Proa, SOS Periferia, Mila Conde, Kadu Vianna, Paralaxe, Gabriel Guedes, entre outros que vem surgindo a cada dia!

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 8/6/2009 15:06
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Helena Aragão
 

Legal, Makely. Queria que você contasse mais sobre esse evento Reciclo Geral, por que ele foi um marco? Você fala que era um evento de música autoral, mas isso não basta, se deu tão certo é porque teve uma produção diferenciada. Contaê pro pessoal se inspirar. :)

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 8/6/2009 22:53
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César Lacerda
 

Moçada,

A primeira coisa importante é tentar perceber e entender o contexto que envolve o pensamento no qual o Makely se refere. Poderia citar pelo menos 100 bandas atuais com trabalhos maravilhosos, de todos os cantos do mundo, no entanto, sem conexão alguma, ou talvez, com algum grau de relação, ou influência. Poderia falar de Grizzly Bear e de Siba, de Orquestra do Fubá e Mayra Andrade. de Calypso e Bon Iver... No entanto, em qual cidade do mundo podemos perceber e descrever uma cena?

Quando leio algo sobre a união de um grupo de pessoas, que de forma independente, produz seus trabalhos fico profundamente interessado. Assim como identifico na internet o catalisador da força democratizante no mundo, identifico, também, nas produções independentes coletivas (cenas) um profundo motor de ações contemporâneas inteligentes, econômicamente viaveis e democráticas e artísticamente "rizomáticas". Isso em si, demarca e oficializa o nascimento de um pensamento objetivo de como lidar criativamente com questões da música e das artes tão determinantes para o nosso tempo, e mais além, é, no sentido mais integro, a época em que vivemos.

Uma das formas de participar ativamente disto tudo é fazer uso e defender toda a liberdade de aprenizado que enfim atingimos. Pesquisemos!!!! E façamos a época...

César Lacerda · Rio de Janeiro, RJ 9/6/2009 01:08
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roquemedeiros
 

roquemedeiros · Nazaré, BA 9/6/2009 10:51
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DiogoFC
 

CÉSAR, concordo com tudo que você falou, mas não invalida em nada a minha observação.

O sujeito fala de uma cena florescendo em BH e não dá um único exemplo? Como vou saber do que ele está falando? O que chega para o público em geral é o que está na TV e na rádio, que é lixo.

Tudo bem, ele disse que foi opção dele, mas é o mesmo que dizer "olha, vcs precisam ver a cena de cinema em ... PORTO VELHO." O que adianta se eu não esclarecer a que me refiro? Vou pedir que as pessoas entrem no Google e tentem descobrir por si próprias?

DiogoFC · Criciúma, SC 9/6/2009 10:57
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Makely Ka
 

Helena, o Reciclo Geral foi um evento de aproximadamente três meses que reuniu boa parte da geração que hoje atua na cena local. Merece um texto! Acho que aconteceu ali uma conjunção de fatores favoráveis para a coisa ter vingado. Primeiro, era uma "Mostra de Composições Inéditas" num ambiente saturado de releituras, bandas cover e música de barzinho. Depois havia o fato de que para muitos foi a estréia profissional, um show conceitualmente amarrado, as primeiras matérias na imprensa, as primeiras entrevistas para as rádios e tvs locais. Talvez tenha sido efetivamente o primeiro vislumbre da possibilide de viver do próprio trabalho artístico, sem concessões. São relevantes ainda dois fatores: a idéia de movimento coletivo e de autoprodução, de um lado, que arregimentou todos os envolvidos e criou uma dinâmica de divisão de trabalho e tarefas compartilhadas e, de outro, a parceria com a associação dos catadores de papel que cederam seu espaço cultural, na época recém-inaugurado, agregando o sentido de reciclagem à produção musical. De tudo isso surgiram as bases para o que chamamos hoje de contra-indústria. A cooperativa da música, para citar um único exemplo, é consequência direta do Reciclo Geral.

Diogo, sugiro que você entre no google e descubra por si próprio!

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 9/6/2009 11:37
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César Lacerda
 

É Diogo... Eu escrevi aquilo tudo, justamente pra dizer que a importância está na procura, no diálogo, no vislumbre que internet proporciona.

Escrever nomes é meio como receita de bolo... Você vai lá, ouve e aí? Só... Muito pouco.

A coisa caminha por territórios mais perigosos, mais bagunçados...
É a tal da pulga na orelha. =)

César Lacerda · Rio de Janeiro, RJ 9/6/2009 12:44
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ayruman
 

Muito bom. Só cismando... Sucessos!

ayruman · Cuiabá, MT 9/6/2009 16:03
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Helena Aragão
 

Makely, concordo com você: merece um texto! Muito interessante, ainda mais com esse link com a reciclagem (que dá uma ideia de que a música inédita é na verdade o resultado de uma colagem de referências, muitas vezes... olha eu viajando). Tô esperando o texto, promessa é dívida! :)

Em relação à questão da cena, dos músicos integrados em rede, pelo que leio e vejo por aí as coisas estão mais frutíferas neste sentido em vários estados. Mas percebo que ainda falta a integração das cenas de gêneros diferentes, pelos suas questões comuns. Aqui no Rio sinto isso, é difícil ver os representantes de diferentes gêneros conversarem entre si, talvez por uma certa concorrência (de espaço nas casas de show, na mídia etc.) Mas acho que vamos chegar lá. Abraço

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 9/6/2009 18:23
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Alexandre Grecco
 

Muito bom o texto. E fico feliz pela cena músical de Minas estar florescendo. Aqui no Ceará, as afinidades musicais são mais próximas, mas ainda existe um resquício de "pequenês" de pensamento e preguiça de organização que impede que se vá para frente. Um certa síndrome do coitado, medo das grandes gravadoras, do público enfim...

Inclusive vale um texto também. rs

Abraços!

Alexandre Grecco · Fortaleza, CE 10/6/2009 20:34
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Helena Aragão
 

Alexandre, vale mesmo! Conta aí!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 10/6/2009 21:23
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Zemh Teixeira
 

Sou das artes, não especificamente da música. Vejo isso por aqui. O texto é muito bom, técnico, elucidativo, documental.
Parabéns.

Zemh Teixeira · Belo Horizonte, MG 11/6/2009 04:23
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luiz gabriel lopes
 

grande, makely!
realmente já passou da hora dos ilustríssimos senhores dos meios e estruturas (leia-se, dos jornais às casas de shows) atentarem pra qualidade e pra intensidade do que tem sido feito por aqui. e encararem isso com a devida responsabilidade histórica, fomentando a continuidade, alimentando a cena. porque ainda estamos submetidos a um circuito extremamente precário, em que faltam apoios e sobram capenguices de todas as espécies: pouca (e desdenhosa) atenção da mídia em geral, péssimas condições de trabalho e remuneração nas casas de show (mesmo as que se dizem "comprometidas" com os trabalhos autorais)...
parece mesmo a velha história do "santo de casa não faz milagre". como uma desconfiança, ou mesmo uma preguiça de assumir um papel responsável nesse processo, em que é mais fácil ficar em cima do muro e não se envolver.
talvez só mesmo um olhar de fora consiga dar um sacode nessa galera pra perceberem que nem a ponta do iceberg começou a despontar...
abraço grande!

luiz gabriel lopes · Belo Horizonte, MG 11/6/2009 16:10
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Víktor Waewell
 

Oi, gente!
Muito boa a iniciativa!
Assim, não faço parte da cena musical, mas pertenço à cena artística e trabalho com muitas bandas em suas necessidades audiovisuais. Por isso, se me é permitido fazer um comentário, sem desmerecer a louvável iniciativa e os méritos do texto: eu tomaria cuidado com essa história de querer aparecer na Globo, no Estado de Minas ou na Oi Fm.
Assim, não entendo qual a onda da galera que tem como objetivo aparecer nas telas, páginas e ondas dos respectivos. Até onde sei, poucos de vocês levam pinta de comedor, pra vender muitas cópias e aparecer no Faustão. A qualidade de vocês é em outra esfera, e não vejo necessidade de serem reconhecidos pela estirpe aí que citei.

Agora, gosto muito do lance de se criar um espaço de encontro, com o lance do "acolhimento digno". Mais uma vez, de acordo com o meu pequeno credenciamento pra discutir, eu acho que vocês podiam viver de ingressos vendidos para caras como eu.

Abraço e boa sorte a todos!

Víktor Waewell · Belo Horizonte, MG 12/6/2009 15:13
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Makely Ka
 

Luiz Gabriel, soube que o lançamento do disco do Graveola lotou o teatro Francisco Nunes, que comporta 700 pessos. Como ignorar a capacidade de mobilização dessa galera?

Víktor, ninguém aqui está fazendo campanha para conseguir espaço na Globo. Não sei de nenhum artista ou banda desses que citei disputando vaga na Garagem do Faustão. Isso é resultado de certa maturidade da cena, de afinidade ideológica. No Estado de Minas nós até temos espaço, mas os jornalistas impressos em geral há muito que deixaram a função crítica para publicar releases e divulgar eventos, com raríssimas excessões.

A questão das rádios é mais complicada. O rádio ainda tem uma força impressionante na formação de público musical. Queremos simplesmente espaços exclusivos dentro da programação das rádios públicas e educativas (na verdade todas as rádios são, a rigor, uma concessão pública) que são as que atingem diretamente nosso público. O problema é que, mesmo nessas, com as quais temos algum diálogo, o grosso da programação ainda é voltada para a música produzida pela grande indústria. Isso nós queremos mudar.

Bom, enquanto ainda não temos um espaço físico, sejam bem-vindos todos vocês a esse nosso espaço aconchegante!

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 12/6/2009 16:23
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Thiago Carvalho Correa
 

Eu fico feliz em acompanhar todo esse desenvolvimento e mobilizacao ideologica aqui na cidade. Enquanto é verdade que nao há um estilo em evidencia, todos vem aprendendo que precisam entender mais da cadeia de producao do seu proprio trabalho, nao se limitando a producao artistica propriamente dita. Se num passado recente, muito havia pra se reclamar e questionar, hoje pode se dizer que ainda há muito questionamento, porem as engrenagens comecaram a se movimentar por força e impeto proprios, nao dependendo da mesma forma que antes de iniciativas grandiosas de pequenos grupos. O dinheiro continua sim uma parte decisiva da producao...mas a mudança na postura e no método já mostram os frutos oriundos de outra organizacao e sistematica assim como qualidade dos trabalhos como foi dito antes aqui. Que a seleçao aconteça naturalmente no que diz respeito a prosperidade de alguns trabalhos e outros nao... Mas que nao seja exclusivamente por sorte ou ocasiao que alguem venha a se destacar nesse novo horizonte que se abre.

Thiago Carvalho Correa · Belo Horizonte, MG 12/6/2009 23:17
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Kristoff Silva
 

Gostei muito da iniciativa e mais ainda de como o texto começa a responder a pergunta que paira sobre nossas cabeças há tanto tempo: o que é música mineira? Toda matéria que publicam a respeito dos artistas de Minas Gerais , via de regra, abrem com os dizeres” mineiro, mineira, cantora mineira, o músico mineiro”, e eu sempre suspeitei dos valores positivos e negativos desta nota sobre a origem do artista. Sempre pensei que na melhor das hipóteses o jornalista quer se referir a algo da estética daquele trabalho. Mas o que é? Bem, o presente texto começa a tangenciar a questão, colocando até mesmo a negação da “escola harmônica mineira” como traço que reforça que pelas bandas de Minas a escolha por um desenvolvimento da harmonia é algo que caracteriza sua música. Hoje em dia creio que essa senda se aprofunda nas questões do arranjo também. Noutros termos, sinto que boa parte dos artistas que produzem algo que reúne mais características do que se pode chamar de música mineira busca também uma forma de descrever essa harmonia de uma maneira também recheada de surpresas. Nomes? Eu aponto o grupo Quebrapedra, Ramo e Madeirame e os compositores Rafael Macedo, Antonio Loureiro e Pablo Castro, indicando que estes e outros ainda não citados possuem página no Myspace.
Ao lado disso, o texto logo fala diversidade e uma afinidade ideológica, que são responsáveis pelo trânsito de informações entre os estilos e estéticas, e formação de parcerias ideológicas e às vezes artísticas. Então, mesmo os trabalhos que buscam outra coisa, como a síntese pop( coisa que eu admiro muitíssimo), o diálogo com a tradição do choro e do samba, rap e outras, como os músicos vão criando uma grande rede, vemos trabalhos que carregam um tanto dessas características do grande laboratório musical que sempre foi Minas Gerais, onde outrora caminhou Uakti com seus buracos pelo corpo a produzir uivos encantadores, pisam hoje as folhas secas da “música precária” e indescritível do Grivo.
Evoé Transmissor, Graveola e o Lixo polifônico, Juliana Perdigão, Maísa Moura, Mestre Jonas, Misturada Orquestra, Elisa Paraíso, Dea Trancoso, Marina Machado, Alexandre Andrés, Prucututrá, Érika Machado, Pedro Moraes, Corta-Jaca, OscilloID, Leopodina, Vitor Santana, Janet&Clair, e uma miríade de nomes ainda não citados.
Um abraço e boa viagem.

Kristoff Silva · Belo Horizonte, MG 13/6/2009 12:11
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luiz gabriel lopes
 

tem uma coisa importante a se dizer, que é a mudança de papel dos meios de comunicação nessa história. porque já é óbvio que, depois da internet, o foco se tornou outro, as possibilidades de consumo e produção se abriram de uma forma até então impensável...
e daí, tenho visto que, se a influência dos grandes meios ainda se mantém muito forte, é muito por uma questão de educação mesmo, de uma tradição de passividade por parte do "grande público", que na maioria está acostumado a ter como ângulo máximo de escolha a mudança de canal na tv.
felizmente, aos poucos isso começa a se tornar uma postura obsoleta: com as ferramentas na mão, acredito que o hábito de se pesquisar e buscar coisas que não estão necessariamente no mainstream vai se tornar cada vez mais cotidiano e acessível - já é uma realidade, em pequenas proporções, vide a gigantesca legitimação pública de portais como o myspace.
a partir daí, todo um movimento de descentralização se segue como consequência, o que num primeiro momento é muito positivo, uma vez que assina uma autonomia muito maior, uma possibilidade de independência do músico que antes não existia.
mas ainda vejo muita gente "amarrando", escondendo o ouro, e se posicionando contra a distribuição de música por download... e aí, não sei se é por uma diferença geracional, mas fato é que eu vivencio essa realidade praticamente desde que me entendo por músico, e a considero tão incontornável quanto proveitosa, se dela for feita uma utilização inteligente e crítica.
estamos aí pra botar a cara a tapa, e se hoje as fronteiras não são mais as do espaço físico, bom pra nós.
mas é claro que toda uma discussão sobre como isso pode se dar da melhor forma ainda está por ser feita.
e aí?

luiz gabriel lopes · Belo Horizonte, MG 13/6/2009 14:00
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Kristoff Silva
 

Bom, eu fico particularmente interessado nessa discussão proposta pelo Luiz Gabriel, quando voltada não somente aos assuntos do direito autoral, da economia ou da renda que pode ou não ser gerada pelos donwloads, etc, mas também para a questão do congestionamento de informações musicais que esa nova realidade traz em seu bojo. BOm, então, por agora é só uma proposta de falarmos juntos sobre isso também, sobre como a gente imagina que pode se dar um possível "desembaralhamento" dos fios nessa imensa rede , se é que ele vai ser mesmo possível, rsrsrrsrsrs....

Kristoff Silva · Belo Horizonte, MG 13/6/2009 15:04
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Thiago Love
 

Entendo que falte locais apropriados aos músicos mas creio que há um círculo vicioso e tentarei explicar o porque. Se estiver errado peço simplesmente que desconsiderem meu escrito.
Há poucas apresentações destes "novos" músicos porque há poucos locais que os considere musicalmente e mantenha com eles uma relação profissional. Mas, também há pouca divulgação dos trabalhos, das apresentações, dos shows. Não há uma rede de divulgação que seja minimamente eficiente, ou que vá muito além da divulgação boca a boca.
Creio que na medida em que os empresários começarem a ver que existe um público mais intenso e "fiel" - é uma boa palavra? - e que gere lucros mas que também cobre um espaço que seja mais apropriado, estes espaços surgirão.
Por vezes tenho impressão que temos saudades dos antigos mecenas que patrocinavam a arte pela arte. Infelizmente o mundo capitalista transforma tudo em produto e produto ou é lucrativo ou e produto extinto. A classe artística tem que saber ou lidar com isto ou criar outros meios passíveis da divulgação de suas criações.
Será que falei alguma coisa que presta?

Thiago Love · Belo Horizonte, MG 13/6/2009 21:05
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Matheus Brant
 

Apenas para contribuir com mais informações sobre a cena em BH, coloco aqui uma matéria publicada no Estado de Minas de 22 de maio sobre a música autoral no samba.

ESTE
SAMBA
ÉMEU

EDUARDO TRISTÃO GIRÃO

Nem só de Trem das onze, As rosas não falam, Flor de lis, Foi um rio que passou em minha vida e Ai, que saudades de Amélia
vive o samba de Belo Horizonte. Literalmente. A geração de artistas que começou a tocar pelos bares da cidade ainda nesta
década, pouco a pouco faz o público sambar ao som de composições próprias – nobre e corajosa iniciativa que injeta sangue novo nas veias do samba feito em Minas Gerais. Enquanto alguns grupos mesclam canções clássicas e autorais em seus shows, outros arriscam ainda mais e partem totalmente
para o repertório autoral. Há até quem planeje mostrar o gingado próprio no exterior. E não há crise que impeça os
sambistas daqui de gravarem discos.Um dos exemplos mais recentes de que o novo samba belo-horizontino tem orgulho
de mostrar sua face é o grupo Chapéu Panamá. Criado em 2005, desde o início apostou nas músicas próprias e soube pavimentar
o caminho para o lançamento do primeiro disco, Ao vivo na biblioteca, mês passado. Recheado de composições de seus
integrantes, o álbum também conta com sambas de outros compositores da cidade, como Ronaldo Coisa Nossa (Bar Opção) e Mauro Zocratto (Copo Lagoinha).A temporada de lançamento do álbum termina nesta quinta, com show no Estúdio B. Matheus Brant, violonista do Chapéu Panamá, conta que a receptividade do público em relação as músicas escritas pelo grupo não éalgo fácil de ser sentido: "Não sei se é vantagem ou desvantagem,mas a pessoa que gosta de samba se identifica com qualquer tipo de samba, só por ser samba. Isso facilita a receptividade, a pessoa ouve com mais boa vontade. Se não gosta, pelo menos dança. Era um medo nosso essa receptividade, mas foi bom.A maior preocupação é elaborar um repertório que não seja maçante".
O caminho até a estreia com um disco praticamente autoral não foi dos mais fáceis. Afinal, o público das noites de samba nem sempre está em busca de novidades. "Em shows, só avisamos que uma música é nossa depois de tocá-la. Já tivemos problemas com isso. Produtores já reclamaram que a gente estava tocando muita música própria.Éaquele papo: ‘A música de vocês é
muito boa, mas aqui não é o lugar’. Muitas vezes, esses caras nem sabem nada.É só não falar que a música é nossa. Se a galera curtir, sambar e dançar, o objetivo deles está atingido", revela Matheus. "Nosso trabalho só foi possível de ser realizado por causa dos shows em que a gente tocava sobretudo releituras. Nunca deixamosde tocar nossas músicas,mas era em bem menor número. Em festa particular, festa de faculdade, não tem como tocar muita música nossa. Hoje não fazemos mais esse tipo de evento", comemora. "A expectativa é que esse novo CD da Aline Calixto dê uma movimentada. Ela pode desempenhar esse papel.Acena de samba em BH está pronta. Isso jáéumpasso. Começar do zeroémais difícil", finaliza. Por falaremAline Calixto, a carioca criadaemMinas e reveladaemBelo Horizonte foi contratada pela gravadora Warner e,mês que vem, colocará na praça seu primeiro álbum. O repertório incluirá algumas canções
dela em parceria com sambistas da capital mineira. "Vejo novidade legal em relação ao meu trabalho.Quando agente canta
e vai tornando esse repertório próprio um hábito, as pessoas vão começando a reconhecereapedir essas músicas.Émuito bacana.Também é importante divulgar o trabalho de grandes mestres, pois tem muita obra adormecida por aí.Defendo a mescla", diz a cantora.
GUINADAS
Umdos mais conhecidos grupos de samba da cidade, o Zé da Guiomar promoveuguinada radical na carreira, ano passado,
com o lançamento do seu segundo disco,Osambatá: ao contrário do antecessor, é composto quase que só por sambas escritos pelos integrantes da banda. "Era preciso mudar o caminho, pois não somos só intérpretes, temos veia autoral. Coincidiu de sair uma leva boa de sambas e agente estar com projeto aprovadoemlei de incentivo. Esse tipo de trabalho dá mais consistência e identidade à banda", diz o cavaquinista
Valdênio. "OZédaGuiomar está há oito anos na estrada e há dois agente vem incluindo músicas autorais no nosso repertório. Pelo menos30% do queagente toca na noite é autoral.A receptividade tem sido muito boa. Tem músicas nossas que o povo já canta
com a gente, com refrão bem fácil. A gente tem muito apoio das rádios daqui e estamos sendo muito executadosemBrasília e Salvador. Com isso, direito autoral vai pingando.O caminho é esse. Temos que dizer alguma coisa", afirma.

Matheus Brant · Belo Horizonte, MG 17/6/2009 12:48
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Matheus Brant
 

Continuando a matéria:

BÊNÇÃO DO FORRÓ
Em alguns casos,achance
de sucesso ao defender sambas de lavra
própria está em caminhos improváveis. O
grupo Samba de Luiz, por exemplo, optou
pela fusão musical como maneira de mostrar
ao público da cidadeumtrabalho diferente
do habitual. “A gente ficou 10 anos
mamando na teta do forró. Na verdade, somos
um monte de forrozeiros que sempre
teve uma pegada mais sambada no palco.
Comooforróéumritmo puristaeregionalista,
pensamosemtrazê-lo paraagalera do
samba que não o conhece e não empurrar
o samba nos forrozeiros.OLuiz do nome é
em homenagem a Luiz Gonzaga”, afirma
Marco Túlio Araújo, percussionista do grupo,
fundadoem2006.
Mesmo quando incluem releituras no
repertório – que atualmente é quase todo
autoral –, tratam de fazê-lo com o tempero
nordestino. Assim, venderam as5mil cópias
do primeiroCD(independente)e2mil
do DVD. “Já estamos na produção do segundo
CD, que terá participação do Silvério
Pessoa,ecolocando músicas dos ensaios no
site. Trabalhamos muito o nosso site. O
pessoal já está acostumado a acessá-lo. Temosfã-
clube e tudo”, orgulha-se Marco Túlio.
“As pessoas aprenderam a ir ao show,
gostar da banda, comprar o CD, ficar duas
semanas ouvindo e depois querer outra
coisa. Se você não mantém qualidade na
trabalho, some. Hojeomercado está preparado
para aceitar trabalhos sólidos, de longo
prazo”, aposta.

Em Paris

Depois de trilhar os caminhos da canção mineira com a cantora
Leopoldina num bom disco lançado em 2005,omineiro Dudu
Nicácio (foto)decidiu investir no samba. Resultado: fezoutro trabalho
notável, desta vez comomúsico carioca Rodrigo Braga.
Das 11 músicas do álbum Dois do samba, 10 são assinadas pela
dupla. Dudu, que trabalha paralelamente como advogado, tira
seu sustento das duas atividades e não pretende abrir mão de
nenhuma delas. Coordenador do programa Polos de cidadania
da UFMG e do Fórum Mineiro de Direitos Humanos, ele idealizou
com Mestre Jonas e Miguel dos Anjos o projeto Samba do
compositor, que valoriza talentos da cidade. “Já estou preparando
o segundo disco com o Rodrigo, trabalhando numa série de
sambas em homenagem a Adoniran Barbosa e tenho proposta
para tocar no Favela Chic, em Paris, emjulho”, afirma

Matheus Brant · Belo Horizonte, MG 17/6/2009 12:50
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francesco napoli
 

concordo com o makely e ainda citaria: 7 estrelo, borTam, carla gomes, !slama, raphael sales, chicó do céu, batucanto, pêlos de cachorro, fred zapata, o furo, fora os que eu me esqueci...

francesco napoli · Belo Horizonte, MG 21/6/2009 13:32
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Júlia Tavares
 

Como paulistana moradora de BH há dois anos, não me canso de me assustar com o fator "rádio" apontado por você, Makely. Mas tenho uma observação: Guarani e a Inconfidência sequer parecem antenadas nas novidades da grande indústria. Insistem em tocar músicas do arco da velha do (cansativo) Clube da Esquina e derivados (Flavio Venturini, 14 Bis, etc...). Haja ouvido!!! O que será que está por trás deste disco arranhado?
Abraços e força!
Júlia.

Júlia Tavares · Belo Horizonte, MG 29/7/2009 19:32
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Makely Ka
 

Pois é Júlia, acho que o que está por trás disso é a concepção reacionária de que a música boa é a que foi feita 30 anos atrás. Colabora também uma certa preguiça inercial, porque não é possível que os caras que trabalham com isso não se disponham a dar uns cliques e conhecer um pouco do que está acontecendo aqui, debaixo do queixo deles...
Beijos

Makely Ka · Belo Horizonte, MG 29/7/2009 22:51
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oscilloID
 

Vou colar aqui alguns trechos de uma reportagem que acho muito importante... não sei se fujo muito do assunto, pois sinto uma necessidade de articulação de vários setores da sociedade para que certos fenômenos sociais ocorram. O interesse de empresários em perceber uma fonte de crescimento financeiro e social na produção autoral é demanda universal... já percebi lendo os comentários anteriores. E a internet tem sim sua importância como catalizador de vários processos, mas não podemos esquecer que por trás da Mallu Magalhães que pareceu "bombar" através do myspace, existe uma máquina gigantesca e uma grande estratégia empresarial forte.. quero dizer, na rede que parece super democrática existe também uma série de desequilíbrios.. acho que isso não é novidade pra ninguém. Enfim: alguns trechos ++++

O presidente Lula não quer deixar o governo sem dar início a um grande programa para democratizar o acesso à internet no Brasil. A ideia é discutida há pelo menos três anos e só não saiu do papel porque não se chega a um acordo sobre o rol a ser assumido pelo poder público na área. As discussões estão polarizadas entre o ministro Hélio Costa, das Comunicações, favorável a um plano a ser tocado com a participação das grandes empresas, e o secretário de tecnologia da informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, que trabalha no projeto de criação de uma rede pública.
Uma das primeiras críticas à proposta passa pelo próprio nome do programa: Plano Nacional de Banda Larga, o que pressupõe acesso de alta velocidade à internet. Os estudos do setor privado se referem a conexões entre 250 quilobits por segundo (Kbps) a 1 megabit por segundo (Mbps). Embora não haja uma definição consensual, a Organização das Nações Unidas (ONU) só considera como banda larga acessos com velocidades superiores a 2 Mbps, ou seja, o dobro do teto que as operadoras brasileiras querem oferecer em cinco anos. Procurado pela reportagem, o ministério não concedeu entrevista.
As repetidas panes na rede de internet da Telefônica, que deixaram milhões de usuários sem acesso e levaram a Anatel a proibir a venda do serviço de banda larga Speedy, ocorreram em grande parte devido ao aumento de uso de capacidade pelos internautas, que usam a rede cada vez mais para trocar vídeos, imagens e um volume grande de dados. O Programa de Banda Larga Popular, criado pelo governo de São Paulo e oferecido apenas pela Telefônica, prevê 250 Kbps por 29,80 reais mensais. A velocidade não garante sequer que o usuário realize telefonemas pela internet, um dos objetivos de quem contrata o serviço.
“Não dá para reduzir a exclusão digital e aumentar a eficiência das empresas brasileiras com acessos de 250 Kbps”, afirma Luiz Cuza, presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp), entidade que representa mais de 40 empresas do setor, a maioria de pequeno porte. “Se estamos pensando em um horizonte de cinco anos, é preciso assegurar no mínimo 10 Mbps para qualquer região do País.”
O executivo afirma que algumas das aplicações mais importantes da internet, como a telemedicina, que permitiria a um clínico geral do interior discutir resultados de exames médicos com especialistas de grandes capitais, ou o ensino a distância, com aulas em vídeo, só são possíveis com grande capacidade de tráfego de dados na rede. Para Cuza, uma das únicas explicações para a imposição de um limite de 1 Mbps à velocidade a ser oferecida pelo programa é a preocupação das operadoras com a possibilidade de o acesso público “canibalizar” os serviços hoje pagos. O melhor exemplo é o da telefonia de longa distância, que tem custo zero quando as chamadas são feitas pela internet.
“Não adianta, seja qual for a proposta escolhida pelo governo, oferecer apenas a tomada com a conexão e não dar à população condições de comprar o computador, conhecimento necessário para acessar a rede e utilizá-la também com finalidades educativas”, afirma Cuza, da Telcomp. Ele também manifesta preocupação com o fato de que nenhum estudo levado adiante no governo abre as discussões para outros setores, além do de telecomunicações. “A internet é capaz de dar mais competitividade à economia e melhorar o nível de educação nas escolas, daí a necessidade de trazer à mesa entidades empresariais e representantes de toda a sociedade”, afirma.
O executivo admite que, seja qual for o modelo escolhido, o importante é que o acesso seja ampliado rapidamente. A pesquisa Barômetro Cisco da Banda Larga mostra que só 5,8% dos brasileiros se conectam à internet em alta velocidade, índice inferior ao da Argentina (8,8%) e do Uruguai (7,6%). Na Coreia do Sul, 86% dos lares dispõem de conexão, enquanto na Austrália, apesar do território grande e da população dispersa, a taxa é superior a 50%. Mais uma vez, o Brasil periga ficar nas últimas fileiras de uma corrida tecnológica.

na integra:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=7&i=5401

oscilloID · Belo Horizonte, MG 6/11/2009 15:37
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