Marcas do maior Carnaval e o assalto-porrada

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Felipe Leal · Rio de Janeiro, RJ
25/2/2007 · 291 · 24
 

Ostentando um título desses, era de se esperar que uma festa indescritível tomasse as ruas e palcos de Olinda e do Recife, em Pernambuco. Sim, provavelmente este foi o melhor Carnaval do qual se tem história nas duas cidades, uma explosão de cores, sons e animação. Da Zona Sul à Norte, os palcos descentralizados foram um sucesso já consagrado, já que moradores das mais diversas comunidades, oito no total, tiveram a possibilidade de acompanhar shows como Nação Zumbi, Zélia Duncan, Zeca Baleiro e Mombojó. Isto tudo sem a necessidade de se deslocarem até o Centro do Recife, contribuindo ainda mais para o inchaço costumeiro nos dias de festa.

Entretanto, no meio de tanta alegria, vários problemas, ligados à frágil questão da violência no estado. Além de um número que a Secretaria de Defesa Social (SDS) considera irrisório, 70 homicídios, os foliões e muitos turistas foram obrigados a conviver com arrastões freqüentes e com a nova modalidade utilizada pelos bandidos, a do assalto-porrada.

Nela, grupos de marginais, que chegam a 15 ou 20, cercam um determinado cidadão desavisado (se tiver falado recentemente no telefone celular e eles tiverem visto, melhor ainda) e começam, num acesso de fúria, a espancá-lo. Socos, pontapés, voadoras, tudo que daria o maior orgulho a qualquer diretor de filme de briga de rua. O espancamento coletivo dura alguns segundos, até a vítima tombar no chão, quando então, geralmente em meio a cortes e contusões, é roubada sem muita piedade. Não tive a oportunidade de ver uma cena destas acontecer, mas um amigo foi o "escolhido" em um dos ataques. Também ouvi outras pessoas que tiveram a infeliz sorte de serem os eleitos.

A verdade é que o policiamento de 12 mil homens, segundo dados da SDS, deslocados para cobrir os inúmeros focos de folia, não foi consciente. Segundo a própria secretaria, morrer "apenas" 70 pessoas é uma vitória, já que foram nove mortes a menos que em 2006 e isto representaria um ganho de estatísticas e mostraria a eficiência do equipamento militar. A justificativa é que apenas uma morte foi em um foco de folia, aquela no desfile interessantíssimo do Balança Rolha, nas prévias carnavalescas. Nela, um folião foi alvejado com dois tiros, morrendo, dias depois, na emergência do Hospital da Restauração, no bairro do Derby. Na ocasião, a própria cantora Ivete Sangalo, do alto do trio elétrico, pedia segurança para uma situação que parecia fadada a violência coletiva, que foi o que realmente aconteceu. Em dado momento, virou-se para o governador Eduardo Campos e soltou: "governador bonitinho, cadê a segurança que eu lhe pedi?" Quem acha que o Carnaval de Salvador é violento, precisa ver o nosso por aqui. Em um estado campeão de mulheres assassinadas e com 473 execuções apenas no mês de janeiro, a violência dos dias de folia foi mais um reflexo de que com o pão e circo ainda existem as transgressões. Ainda nas prévias, um folião foi morto nas ladeiras olindenses e outro na Av. Conde da Boa Vista, centro da cidade. Tiros na cabeça, execução sumária, pá pá.

Não vou entrar no mérito da questão da desigualdade social, da falta de escolaridade etc. O Carnaval sem os cordões de isolamento funcionam, a prova disso foi o policiamento bem resolvido nas ladeiras do Sitio Histórico de Olinda. Todas as vezes que um princípio de confusão acontecia e os homens apartavam os brigões, palmas eram entoadas pelos foliões. No Recife, também sem o apartheid dos cordões, se o clima foi tranqüilo na maioria das horas, em outros momentos a situação foi de caos. No show da Nação Zumbi, com Pitty e Marcelo D2, no Marco Zero, Bairro do Recife, verdadeiras galeras abriam caminho entre a multidão de quase 1 milhão e meio de pessoas. Na Rua da Moeda, uma das mais problemáticas do bairro, arrastões aconteciam de forma velada. Na terça-feira de madrugada, um enorme deixou muita gente sem documentos e dinheiro. Pertinho dali, marginais vendiam "a massa, o sucesso e a pedra". Quem não se contentatou com maconha e loló, ainda tinha o adicional de crack, vendido às 20h.

Coitados daqueles que não protegiam os bolsos ou que não deixaram seus celulares em casa. É rapaz. Em Recife é coisa de maluco sair com o celular no bolso. É roubo na certa. E agora, além dos furtos costumeiros, que infelizmente todo mundo já se acostumou (eu mesmo já passei pela experiência duas vezes), o assalto-porrada chegou pra valer. Ver Tom Zé, Vanguart, Nação Zumbi e afins foi realmente interessante, dentro da proposta estipulada, mas ver com medo de apanhar e ser furtado, tenho que assumir, não foi das melhores experiências.

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Egeu Laus
 

Fico sem palavas, Felipe.
Não há solução. Existem soluções. Todas ao mesmo tempo agora. Mas como disse Fernando Meirelles "ainda vai piorar muito antes de melhorar".
Um abraço.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 25/2/2007 10:41
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Raquel Gonçalves - Grupo TR.E.M.A.
 

Apesar do meu facínio pelo carnaval Pernambucano, pude ver bem o que é iss, pois me levaram 50 reais, tive 2 amigos assaltados, 1 espancado. Infelizmente, todos os anos dá pra sentir bem esse descompasso em Recife. É uma lástima

Raquel Gonçalves - Grupo TR.E.M.A. · Fortaleza, CE 25/2/2007 11:39
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Pepê Mattos
 

Carnaval, apesar da impossibilidade fonética, parece rimar com violência. Não me lembro de nenhum carnaval, aqui em Macapá ou em qualquer canto do planeta, em que os níveis de violência não aumentem durante a quadra momesca. Macapá ainda não chegou a esses índices, menos por causa de qualquer benfeitoria por parte das autoridades, mais pela própria característica da cidade e de seus cidadãos, que, apesar de ter sofrido com um aumento populacional causado pela implantação da tal Zona Franca de Macapá (na verdade, uma inexistente Área(zinha) de Livre Comércio) ainda prima por mostrar ares de cidadezinha provinciana, o que contribui para um clima de convivência cordial entre os habitantes, tanto os que aqui nasceram quanto os que aqui chegam. Problema maior neste carnaval, embora a violência não tenha passado dos limites em comparação ao do ano passado - mas, há um aumento em relação aos dias normais - foi a enxurrada de homenagens (quiçá fossem póstumas) aos políticos locais, mérito das escolas de samba que não tendo para onde estender as mãos resolveram tecer loas aos donos do Amapá, Sarney no meio. De todo modo, os rumos que a violência tomou aí em Recife e Olinda é pra deixar qualquer um de orelhas em pé. Eu, que já não gosto de carnaval ando meio ressabiado com a proximidade dos feriados momescos. Minha filha acompanhou o "maior bloco de sujo do Norte", como chamam a Banda, aqui em Macapá, mas só a deixei ir porque 3 dos meus irmãos iam junto. Segurança nunca é demais. Nunca mesmo.

Pepê Mattos · Macapá, AP 25/2/2007 12:33
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Andressa Back
 

Eu passei o carnaval em Pernambuco. Por sorte, me deram uns toques, para não levar celular, muito menos bolsa, e o dinheiro ia escondido na roupa. Era um desconforto, porque não tinha como carregar coisas que eu precisava levar, como um simples protetor solar. Comigo, não aconteceu nada. Mas estava com o mesmo grupo da Raquel, que comentou aqui, então eu soube de casos de roubo. No Galo da Madrugada, o policiamento era intenso, e eu via a tropa de choque agindo o tempo inteiro. Não sei, sinceramente, se achava isso bom ou ruim. Você pensa, pôxa, tem policiais aqui pra proteger, mas se eles estão tendo esse trabalho todo, é porque a coisa está feia. Ainda assim, acho que o fato de não ter cordões de isolamento é muito bom. Creio que as pessoas tenham visto a barbárie do carnaval de Salvador. Prova de que segregar as pessoas só piora a situação.

Andressa Back · Fortaleza, CE 25/2/2007 13:45
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ancalado
 

Concordo, temos que retomar o controle, exigir atitudes das autoridades e nossas. Abração.

ancalado · Maceió, AL 25/2/2007 15:19
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nati barros
 

eu tive uma amigo vítima desse assalto porrada, la no antigo.
é muito frustante e triste, principalmente qdo vc ver uma pessoa q vc gosta com o olho inchado e sangrando, tudo por causa de um celular.

triste muito triste

nati barros · Recife, PE 25/2/2007 15:52
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Pio Lobato
 

ano que vem tem mais !!!!

Pio Lobato · Belém, PA 25/2/2007 21:39
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Dubem
 

Sempre comprei a imagem da tv, vendendo a grandiosidade da festa e o tradicionalismo. Porém ao me deparar com este relato,
me assusto e declaro: O carnaval de Salvador é verdadeiramente de paz e alegria, pois os números indicam apenas 3 mortes ligada diretamente aos festejos de momo. Deus pretejei-nos, nesse cativeiro, onde somos reféns de políticas sociais inadequadas e da irracionalidade daqueles que roubam, agridem e violentam. E saber que fomos criados para amar uns aos outros!!!!

Dubem · Salvador, BA 25/2/2007 22:34
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mariana varzea
 

Olá Felipe, estive lá também e achei curioso como a gente pode perceber a mesma realidade de maneira totalmente diferente. Ao contrário de você, achei o carnaval de Olinda uma loucura absoluta. Ao invés de "popular e livre", é INADMINISTRÁVEL e não vou estranhar que em 2008 possamos ter algumas tragédias, provocadas pelo mascaramento cultural de uma situação muito conflituosa. Ao contrário de Recife, onde há um verdadeiro esforço de tentar dar conta deste recado, em Olinda, falta apoio, infra-estrutura e, sobretudo, respeito ao patrimônio histórico que não é só da administrÉação local, mas de todos nós.

mariana varzea · Rio de Janeiro, RJ 25/2/2007 22:53
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Keila
 

Felipe você tem toda razão quando diz que este ano nosso carnaval foi o MAIOR E MELHOR de anos. Mas quanto à questão da violência acredito não haver mais solução. Preocupo-me inclusive com minha descrença, pois depois de sofrer vários assaltos e seqüestro, permito-me falar com conhecimento de causa, já não saio mas à noite, não paro em sinal, ando em alerta 24h, só paro grudada ao lado esquerdo dos carros para não deixar espaço para motos passarem, UFA.... Felizmente neste carnaval não fui vítima, nem soube de amigos que tenham sofrido algum ato violento, apesar de ter presenciado a venda (que não é só no carnaval!), da massa e do sucesso, na Rua da Moeda. Achei estranho, pois além de INESQUECIVEL, estava me convencendo que este também tinha sido um carnaval tranqüilo, mas ao saber dos números da SDS, vi que o que tinham acontecido, é que (graças a Deus) eu não fui a "dá vez". E olhe que abusei da sorte, pois este ano fiz uma fantasia para meu filho do Homem da Meia Noite, figura ilustre e tradicional do nosso carnaval. Fomos ver a saída da agremiação, que se dá a 00:00h do sábado do bairro do Amparo em Olinda, que saí, levando uma chave na frente simbolizando a abertura do carnaval. Meu filho tem nove anos e só topei essa empreitada por está acompanhada de um amigo fotografo que iria registrar os momentos e assim teríamos acesso à sede do bloco (com tantos traumas não levaria meu filho sem o mínimo de segurança). A emoção do senhor que leva o CALUNGA é indescritível, uma devoção elogiável, e sinto-me feliz de ter proporcionado uma lembrança dessa magnitude ao meu filho. Mas como nem tudo poderia ser perfeito, numa terra sem dono como a nossa, após a saída do Calunga, fomos para casa de uma senhora para fugir da multidão, de lá (um 1º andar) presenciei o único ato de violência do meu carnaval (que não é de se espantar), foi praticado por PMs. Um rapaz sem intenção empurrou um, dos mais de 20 policiais presentes, que furiosos bateram no rapaz VIOLENTAMENTE sem a menor necessidade. Por essas e outras não acredito mais no ser humano, no estado... E apesar de AMAR INCONDICIONALMENTE "a maior cidade pequena do mundo", como diz Roger de Renor e de não saber viver sem suas pontes, rios, pessoas e histórias, acredito que uma das únicas formas de pressionarmos nossos governantes, é fazendo propaganda negativa do nosso estado: "TURISTAS NÃO VENHAM PARA PERNAMBUCO". Assim vendo o ROMBO no setor turístico, nossos governantes (que confiei meus votos sem arrependimentos) tomem uma atitude EMERGENCIAL, paralela às ações sociais e educacionais que darão resultado a longo prazo. Mas até lá quantas lembranças boas deixarei de proporcionar ao meu filho dos nossos carnavais? Estamos em guerra, e estamos perdendo, SOCORRO!!!

Keila · Recife, PE 25/2/2007 23:18
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Josué
 

Oi galera,
Apesar da grandiosidade do nosso Carnaval, reconheço que a violência ainda impera, principalmente no Galo. Os indicadores sociais do Recife e área metropolitana não são dos melhores. Infeleizmente, ficamos numa saia justa em querer mostrar a beleza da nossa festa pra quem vem de fora, com estatísticas desse tipo.
Um grande abraço

Josué · Recife, PE 26/2/2007 09:29
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Pedro Vianna
 

Esse tipo de coisa não é exclusividade de Olinda e Recife. Aqui em Belém a folia é a mesma. Bastou ter uma multidão tentando se divertir pra juntar uma cambada de "espertos" e porradeiros. Um amoigo meu quis se meter num dos carnavais de aparelhagem por aqui. Em menos de 15 min na festa roubaram-lhe a cartyeira e o celular. Resaolveu ir embora, quando estava saindo foi abordado por assaltantes que depois de perceberem que le não tinha mais nada quebraram ele de porrada pra não perder a viagem. E a festa continua...

Pedro Vianna · Belém, PA 26/2/2007 11:38
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Pedro Vianna
 

Esse tipo de coisa não é exclusividade de Olinda e Recife. Aqui em Belém a folia é a mesma. Bastou ter uma multidão tentando se divertir, pra juntar uma cambada de "espertos" e porradeiros. Um amigo meu foi se meter num tal de "carnaval de aparelhagem". Em menos de 15 min roubaram-lhe a carteira e o celular. Resolveu ir embora, quando estava saindo foi abordado por assaltantes que, depois de perceberem que ele não tinha mais nada para ser roubado, quebraram ele de porrada pra não perder a viagem. E a festa continua...

Pedro Vianna · Belém, PA 26/2/2007 11:40
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Davidson
 

"É carnaval
é a doce ilusão
é promessa de vida no seu coração"

Acho que só é promessa para q

Davidson · Juiz de Fora, MG 26/2/2007 12:19
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Davidson
 

Me desculpe esbarrei no enter
continuando...quem tem vida mesmo, pois quem rouba rouba de si mesmo, rouba a alma e a devia do bom lugar e das boas energias. O carnaval é festa e o limite é o outro.

Davidson · Juiz de Fora, MG 26/2/2007 12:23
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cesar pinto
 

Putz,acho que ¨pulei¨carnaval de olhos vendados! estive em Olinda,achei fantástico.Havia desistido de Olinda há uns três anos atrás,muito bagunça,violencia,gente em excesso(não dava nem pra respirar.)Voltei esse ano: viví um ¨êxtase¨indescritível...não fui esbofetado,assaltado,exprimido,nada mesmo.Pulei muito,com uma certa folga(graças,acredito a essa diluição da folia ao longo dos bairros) acreditem,não ví nada além de muita festa,alegria,farras e digo mais: ano que vem estarei de volta,ainda levo uma ¨reca¨de gente!

cesar pinto · Petrolina, PE 26/2/2007 13:53
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lapazeamore
 


Isso Acontecerá até um artista da Globo ou alguma criança de classe media/alta ser morta violentamente, ai se resolve a questao, se prende todo mundo e ai a coisa melhora , talvez né

enquanto os assaltados e feridos e mortos forem gente comum
a coisa continua, parece q a policia so intensificou o policiamento depois da denuncia da Band né.

lapazeamore · Rio de Janeiro, RJ 26/2/2007 16:10
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nati barros
 

Não acho que seja exclusividade de Recife essa violência.
Eu acho que a violência impera em TODO o Brasil.

Porém acho recife mais violento que olinda, em olinda vivenciamos furtos daqueles em que o individuo tira os pertencentes dos bolsos. PORÉM em Recife no carnaval a moda era assalto porrada com violência.

OUTRA coisa, dizer que o carnaval da Bahia (como alguns disseram) foi de paz e alegria é ser ingênuo. Onde se reuni multidões, aqui no Brasil, há furtos e violência.
Hoje em dia não há carnaval totalmente tranquilo, isso é ilusão!

nati barros · Recife, PE 26/2/2007 22:31
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Marcelo Benevides
 

valeu por mostrar que nem tudo é festa por aqui, felipe. o pior é que os arrastões durante o carnaval do recife antigo nem representam mais nenhuma novidade. já presenciei alguns há dois anos: bares fechando as portas às pressas, clima de guerra mesmo.

Marcelo Benevides · Recife, PE 26/2/2007 23:28
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lu almeida
 

as violências são várias: é ivete sangalo ganhando chave da cidade (que raios esse muié contribuiu pra cultura local?), são os passistas ganhando 15,00 R$ por apresentação, é considerar esse balé popular do recife como escola de frevo (desculpe, sabe o passo é por causa do mestre nascimento do passo), é Gal Costa e Maria Betânia com cachês exorbitantes (quando agente bem sabe que não são esses perfis de artistas que lotam o marco zero. quem botou 1 milhão foi Nação, foi Alceu, foi Spok), são meninas e meninos trabalhando durante a folia, na rua, debaixo de chuva, é a cidade toda suja e fedida etc ...
o meu ponto é o seguinte: é o carnaval que faz a gente ver essa cidade assim? é a cidade que se mostra nesses períodos de festa (contraditória e tensa por si só) ? e os problemas não continuam os mesmos depois da quarta-feira-intraga?
e olhe que a folia momesca não se resume a hellcife-olinda. pernambuco, ainda é algo além disso...

lu almeida · Aracaju, SE 27/2/2007 01:48
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Felipe Gurgel
 

Dias antes no Rio de Janeiro, como qualquer um aqui que acompanha minimamente o noticiário sabe, um menino foi decapitado uma vez que foi arrastado por um bando de desajustado nessa vida. Não vi um protesto decente durante esse Carnaval (vou logo dizendo que também não protestei, só fiquei na minha cuidando do meu pai doente em SP) em relação ao que foi feito a esse menino, a não ser muita falácia e essa discussão besta sobre maioridade penal. Queria ver o fato comprometer toda essa situação de festa em que as pessoas anualmente fazem questão de sair por aí pinotando independente do mundo e do País estar se deteriorando como temos observado. Que merda de assalto-porrada é esse perto do que aconteceu com aquela criança? Alguém surpreso aqui? Nos shows de axé no Beach Park aqui em Fortaleza isso rola direto nas proximidades do Porto das Dunas, não é de hoje. É certo que na hora de brincar Carnaval todo mundo esquece o problema e rebola legalzim. Ah, paciência. Nós merecemos isso. O sentido cultural da festa é fundamental. Mas o significado que ela também tem de "escapulirmos" desse tipo de preocupação é uma merda. Já não sou chegado em Carnaval. Nesse ano, em virtude de problemas pessoais e assimilando esse conflito geral, pelo qual não vejo sentido em comemorar o que seja, fiquei menos ainda. Abraços e paz.

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 27/2/2007 03:18
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lapazeamore
 

Carnaval é bom pra levar a Gata pra serra e namorar muito nos 4 dias, tocar uma viola pra ela e muito amor e paz.

Muito amor e Paz para todos

lapazeamore · Rio de Janeiro, RJ 28/2/2007 23:06
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wndrground
 

fazem muitos anos que sempre na época do carnaval fujo da baderna e vou pro mato ficar sussegado. de onde fico acampado vejo milhares de pessoas subindo com seus carros lotados para festejarem.todos bonitinhos cheirosos fantaziados cheios de alegria e tals. no final das festas é gente esparramada pelas cachoeiras tentando se curar de bebedeira, outros ainda largados, jogados, estrupiados e todos anos penso: porra deve ser bem loca esta festa de carnaval heim, pra rapaziada ficar desse jeito. o ano que vem vou. mas quando chega a época não consigo trocar a tranquilidade do mato, agora então com a onda do assalto-porrada tô mais fora ainda rsss. mas isso logo, logo esparrama pro resto do Brasil, se já não estiver rolando.Por aqui no interior do país os arrastões ainda são fraquinhos, mas os homicidas trabalham forte nessa época, é triste, mas é real.Agora gostaria de compreender como um efetivo de 12 mil policiais, oferece segurança a uma turba ensandecida de 2 milhões de pessoas prontas para roubar e serem roubadas. Bem, enquanto não tenho coragem e nem preparo para aguentar o assalto- porrada, vou continuando os meus acampamentozinhos de muitos anos. e quando estiver bem preparado vou peitar uma festança dessas. doidera!!!!!!!

wndrground · Cuiabá, MT 6/3/2007 19:30
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Carla  Abreu
 

Moro em Salvador onde acontece um dos maiores carnavais do mundo, infelizmente a violência está em todos os lugares seja no Rio, em Olinda ou em Salvador, deixei de sair no carnaval pois a última vez que fui brincar me deparei com cenas terríveis de violência uma das que mais me chocou foi entre foliões e a Policia Militar e quem acabou sobrando foi uma vendedora ambulante que perdeu toda a sua mercadoria e ainda teve o seu braço quebrado. Existe solução sim, a população brasileira está sendo tão negligente quanto o governo, não podemos permitir essa vergonha temos que impedir que os nossos governantes trabalhem em prol deles, é o que vem acontecendo, Brasília agora virou centro político especificamente para políticos, questões sociais nada e a cada dia que passa estamos sendo deixados para trás, vejamos exemplos simples e que estão próximos de nós, a crise econômica da Argentina! Era uma vergonha, bastou a população se manifestar que em pouco tempo cessou a crise econômica e a Argentina vive hoje uma boa fase sócio econômico – cultural, iremos as ruas...que façamos algumas coisa, cada um de nós.

Carla Abreu · Salvador, BA 27/7/2007 22:14
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