O compositor carioca Marcelo Frota, cujo projeto musical agora atende por Momo, lançou seu segundo disco este ano, Buscador, onde o artista se une a um grupo de excelentes músicos para registrar canções singelas ornamentadas por belíssimos arranjos. A música de Frota tem uma beleza honesta, e isto fica claro neste disco.
A sonoridade de Buscador é uma espécie de folk-psicodélico. De forma ilustrativa, diria que é algo como se a banda do Roberto Carlos fosse o Pink Floyd. As guitarras são ácidas, carregadas de efeitos derretidos sobre acertadas bases de violões e sintetizadores analógicos. A atmosfera melancólica do disco mostra este aspecto “blues” do compositor, não na sonoridade, mas nesta necessidade de transformar dores e delícias verdadeiras em canções.
Encontrei Frota quando estive no Rio de Janeiro em julho deste ano. Eu caminhava perto do Arpoador, com Alvinho Cabral, parceiro em comum, quando encontramos Marcelo saindo do mar. Paramos pra falar com ele. Ali na praia conversamos bastante sobre o mercado de música, expectativas artísticas no Brasil, SMD, disco novo, entre outros assuntos. A conversa rendeu mais adiante, via email, trocamos mais algumas idéias. Confira a seguir.
Marcelo Cabral - Marcelo, Antes o trabalho levava seu nome (Marcelo Frota), por que da mudança para “Momo” e qual o significado do termo?
Marcelo Frota - Queria sair do nome composto, essa coisa clássica dos compositores da MPB... Precisava me renovar. MoMo, segundo a mitologia grega, é o rei do sarcasmo. Através desse nome consegui falar de coisas tão íntimas e pessoais.
MC – Neste novo trabalho, me parece que você se coloca por completo nas canções, algo muito pessoal, suas dores, esperanças, medos e alegrias. Estou errado? É preciso coragem pra assumir uma obra tão pessoal?
MF - Está certo. Pois é, não tem como ser de outro jeito. Sento para compor e gravar quando não dá mais segurar as emoções e a dor. É uma questão de necessidade. Não me vejo corajoso, mas sim honesto e verdadeiro. Esse é compromisso que tenho com minha música.
MC - Como foram os eventos de lançamento do disco e como tem sido a receptividade do público com as canções de Buscador?
MF - Tenho tocado mais no eixo Rio – São Paulo. Lancei o disco aqui no Cinematèque e em Sampa no Sesc Pompéia. As pessoas gostam do show, escutam o som com atenção, silenciosas. É um show difícil de fazer, exige muita concentração. É tudo muito silencioso e intimista.
MC – A sonoridade de Buscador me parece um folk com um molho bem psicodélico, arranjos ácidos, com timbres bem interessantes. Fale sobre a banda que gravou o disco, dos instrumentos que vocês utilizaram. quais instrumentos você gravou?
MF - A sonoridade psicodélica, folk, é culpa de todos nós que tocamos no disco. O Adriano Barros tocou as guitarras e é responsável pelas ótimas linhas de slide do disco. Bruno toca uma bateria simples, precisa e muito criativa. Fabio Pizzo tocou o casiotone lindamente. Todos contribuíram para chegar nessa atmosfera, ouvimos muita música americana dos 60 e 70. Caetano Malta gravou baixo, synths analógicos e violões. Toquei um pouquinho de tudo também. Eu e Caetano trocamos muitas informações, escutamos muita música.
MC - Voltando aquela conversa quando encontramos aí no Rio, fala um pouco da tua opção pelo SMD, está satisfeito com o formato? E como você avalia o mercado atualmente?
MF - Sim, estou satisfeito. Mas acho que o preço ideal do cd na mão do artista tem que ser uns R$ 10 reais. Cinco é pouco. Botei o disco pra baixar gratuitamente na Internet e em menos de 2 meses temos mais de 1.500 downloads. Acho que o artista tem que ser pago pelo que produz, tem sim que ganhar pelo disco. O que acontece é que a gravadora e o lojista sempre ficaram com uma fatia muito grande. Pro artista independente, pouco conhecido, é jogo disponibilizar seu disco e vender por um preço barato. Meu interesse é tornar o trabalho mais conhecido, mais acessível. A Internet é uma ótima ferramenta para isso, já que os meios de comunicação convencionais estão burros, são comprometidos e viciados. O mercado está em transição, está um pouco confuso. Não sinto essa crise que todos falam, pois nunca estive do outro lado da moeda e nunca fui artista de major.
MC – Você disponibiliza todas as canções para download na internet. Convido você a postar também por aqui, no Banco de Cultura. Percebo que alguns artistas e bandas ainda têm certo receio em disponibilizar material para download. Temem plágio, perda dos direitos sobre a obra ou de deixar de receber alguma grana por seu trabalho, o que você acha disso?
MF - Bacana, irei sim disponibilizar. Como disse, acho que o artista tem que ganhar pelo que produz. Esse é o nosso incentivo pra poder trabalhar mais, criar. Não temo plágios nem perda de direitos. A música que faço nem mesmo me pertence.
Marcelo, parabéns pela divulgação!
Stella Tuttolomondo · Rio de Janeiro, RJ 5/11/2008 12:12
folk psicodélico? massa hein manu marcelo... fiquei curioso... votado!
Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS 5/11/2008 16:54
Obrigado pelos comentários Stella, Rose e RodTex.
Baixem as canções e conheçam o trabalho do Frota, vale a pena.
Abraços!
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