As ruas do centro transformaram-se no oceano “pacífico” aglutinador de contestações
Maio de 2011.
Pelo excesso de violência, empregado pela polícia militar semana passada, durante a passeata pela descriminalização da maconha, neste sábado 28/05, do vão livre do MASP, terreiro de dona Lina Bo Bardi, partiu a “marcha da liberdade – para todas as pessoas que não calam e que ainda acreditam na liberdade de expressão”.
A passeata em prol da liberdade artística, tomou a av. Paulista às 16:00. Estendeu-se à rua da Consolação, e chegou à Praça da República, destino final, às 19:00.
De acordo com o mandato do desembargador, Paulo Antonio Rossi, até o dia anterior à data marcada, o encontro estava proibido de acontecer. No informe sobre a manifestação, os organizadores alentavam aos participantes: traga esparadrapos e vinagre (contra gás lacrimogêneo). Ingrediente não foi utilizado, graças a Jah.
No entanto, momentos antes do horário marcado para concentração dos manifestantes, os organizadores do evento e a polícia, firmaram um acordo: o de não-violência; contanto, que não houvesse manifestação favorável ao do uso da “erva”.
Aproximadamente 250 policiais, montaram um cordão de isolamento, e escoltaram os manifestantes até à Praça da República. Enquanto a CET, nas ruas do entorno, controlava a paralisação do trânsito.
Milhares de pessoas, de distintas orientações ideológicas, se agregaram, em meio aos estampidos, não das bombas de efeito moral, mas dos batuques do bloco de maracatu “Artistas de ruas”, que conduziu o bloco até o final da passeata.
“Vamos marchar contra a repressão. Vamos marchar contra a regulamentação do uso de armas não letais. Contra a caretice. Contra os conservadores. A gente tá criando algo novo”, bradou Celso Reeks, organizador da manifestação, pouco antes do bloco tomar as avenidas.
O ator, Gero Camilo, e o escritor e jornalista, Marcelo Rubens Paiva, a ex-vj Soninha Francine, estavam presentes no local. As cantoras Karina Buhr e a “cidadã instigada” Cibelle, igualmente, deram clamor à manifestação.
Representantes dos movimentos: Conexão Paulista LGBT, coletivo Bicicletada, Circuito Fora do Eixo, MPL (Movimento Passe Livre), integrantes do VEM (Vegetarianos em Movimento); militantes de partidos de esquerda, hare krishnas, skatistas, ambientalistas, punks, maconheiros, atores, pichadores e poetas, marcararam presença. Cada grupo ratificou suas necessidades.
Flores foram distribuídas para os manifestantes, que depositaram o símbolo pacificador na orelha, matizando à frente, entre os cabelos, pelo direito da livre expressão. Outros, amordaçados com fitas, lenços e máscaras, cobriam os rostos, enraivecidos.
Os participantes produziam os próprios cartazes, e imprimiam mensagens de efeito. Tinta guache e papelão foram disponibilizados para a confecção das faixas. Frases irônicas foram escritas, “Ei, polícia, vem me defender”.
Ora poéticas, “Legalize a liberdade – viva voo”, “Mais amor, por favor”, o fragmento do poema, “Estatutos do homem” do poeta e ambientalista, Tiago de Melo, “Uma coisa fica proibida, amar sem amor”. Outras, indignadas, “Tá pensando que cidadão é bagunça?”.
Personagens históricos, de Tiradentes à Bob Marley, delinearam o cenário. Diferentes anedotas, ainda chamavam atenção, bem como o cartaz que pedia auxílio ao síndico Tim Maia.
Impedidas de coibir o “desfile”, as autoridades foram chacoteadas pelos manifestantes. Durante a caminhada, alguns breques entoados alegravam a galera, sobretudo, um em especial, cantado com entusiasmo: “Ei polícia, pamonha uma delícia”.
“Você aí parado, também é censurado”, referindo-se às pessoas que observavam a passeata. Gritos de apoio aos metroviários, e contra o prefeito Kassab, que subiu o preço da tarifa dos ônibus, no começo do ano.
Foram jogadas bexigas coloridas do terraço do prédio de esquina da av. Paulista, com a rua da Consolação. Os ativistas, Zé Cláudio Ribeiro, Maria do Espírito Santo, e Adelino Ramos, vítimas do crivo truculento da polícia, foram homenageados com um minuto de silêncio, em frente ao cemitério da Consolação.
O que era a marcha fúnebre, foi soprado o refrão de “Malandragem dá um tempo”, do saudoso Bezerra da Silva, por um trompetista, que participava da manifestação. Do mesmo modo, foram respeitados os badalos do sino da Igreja da Consolação.
A passeata ocorreu como esperado. Não houve confrontos com a polícia, entretanto, dois “skinheads” foram detidos por agredir um “carro” da Rede Globo.
Garotos (as),
Bem vindo às ruas!! Vez em quando utilizo o bordão do saudoso Cazuza, substituindo a palavra tempo por luta.
"a luta não para".
Embora, muitos tenham nos tentado convencer do contrário.
Abraços,
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