MARCO MONTEIRO E UM GRANDE SUCESSO DE MARROM

Foto do show Le Fudez Vous
Marco Monteiro, cantor que fez muito sucesso nos anos noventa
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Abílio Neto · Abreu e Lima, PE
17/4/2012 · 3 · 1
 

Marco Antônio Monteiro Gurjão é um carioca de Jacarepaguá que foi morar em Belém/PA aos dois anos de idade. Filho de uma família de músicos, ele voltou ao Rio de janeiro em 1970 para estudar Engenharia Química e Licenciatura em Matemática quando decidiu ingressar no mundo da música participando de dois festivais. Como as dificuldades eram muitas no Rio de Janeiro, decidiu voltar a Belém em 1983 quando passou a se apresentar com seu tio Capucho (saxofonista) em bares da cidade. Foi num bar onde dava uma canja com seu tio que conheceu o empresário e produtor musical Roberto Fish que o convidou para lançar seu trabalho profissionalmente. Surgiu então o cantor Marco Monteiro.

Em janeiro de 1985 estreou seu primeiro show para o grande público, no Teatro Experimental Waldemar Henrique, ao lado do Grupo Gema, formado por Nego Nelson no violão, Minni Paulo no contrabaixo, João Bererê na bateria e Dadá na percussão, músicos de maior prestígio na época. O repertório, basicamente de compositores conhecidos da música popular brasileira: Ivan Lins, Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Em seguida lançou o mesmo show no Bar Teatro Maracaibo com casa lotada, quando recebeu convites para se apresentar em todos os clubes e nas melhores casas noturnas da cidade. Adquiriu prestígio e explodiu na mídia extrapolando para o interior e outros estados como Amapá e Maranhão, chegando a se apresentar no Golden Room do Copacabana Palace no Rio, ao lado de Sebastião Tapajós, Lucinha Bastos, Lúcio Mauro, Pinduca e outros.

Durante temporada na casa de espetáculos “Lapinha”, recebeu convite do mega empresário José de Alencar para gravar o primeiro disco. Reuniu a nata de compositores da terra e partiu para Recife, cidade onde gravou o primeiro disco de sua carreira. O grande sucesso desse disco foi uma música chamada “Chamegoso”.

Começou turnê em todo Nordeste se apresentando nas principais capitais: São Luís, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador. Chegando ao Rio de Janeiro, o sucesso lhe abriu as portas em programas de televisão de rede nacional. Marco se apresentou no “Perdidos na Noite” de Fausto Silva, Show Mara Maravilha, Clube do Bolinha, Clube da Criança da Angélica e conseguiu abertura para se apresentar no programa musical de maior prestígio da televisão brasileira na época "CASSINO DO CHACRINHA". A partir daí passou a ser conhecido nacionalmente e estabeleceu relação de amizade com grandes nomes da música popular brasileira: Guilherme Arantes, Wando, Elba Ramalho, Alcione, Nando Cordel, Raimundo Fagner, Gal Costa, Gilberto Gil e produtores de peso no Rio de Janeiro como: Lincoln Ollivete, José Américo Bastos, etc.

Depois do grande sucesso de “Chamegoso” Marco Monteiro partiu para o segundo disco, e lançou o hit “Aguê, Aga”, nome que dá origem ao seu novo show. Sempre de olho no swing da música nordestina adotou um repertório bastante eclético misturando romantismo, rock, afoxé, forró, etc. O sucesso se repetiu e Marco voltou novamente para o nordeste e sudeste do país a fim de solidificar sua carreira. Assinou contrato com a BMG/Ariola.

Marco voltou para Belém e lançou um dos shows de maior sucesso de sua carreira “Le Fudez Vous”, título de uma música feita especialmente para ele pelo baiano Dito, um dos compositores da “Axé Music” da Bahia, gravada pela nova geração de cantores da música baiana e também pela Banda Mel.

Em 1990, embalado pelo sucesso da música que estourou nas rádios, Marco convidou o arquiteto Neder Charone para produzir o show de mesmo nome, com um repertório primoroso, onde canta de Gil a Raul Seixas, passeando por músicas de seus discos. É a consagração e o show ficou em cartaz por um ano com recorde de público.

Em 1991, já morando no Rio de Janeiro, Marco Monteiro se reuniu com dois grandes amigos e parceiros, Nilson Chaves e Vital Lima, os quais convidam outra grande expressão da música paraense, Delço Taynara, e os quatro lançam o show “Encontro” no Teatro da Paz em pleno mês de Julho, projeto audacioso, mas coroado de êxito: três dias com o teatro lotado.

O terceiro disco de Marco, o primeiro pela BMG Ariola, foi todo produzido no Rio de Janeiro pelo mesmo produtor de Elba Ramalho: o arranjador e maestro José Américo Bastos. Contou com a participação de sua madrinha e cantora Alcione que dividiu a faixa “Pra que Mentir” com Marco.

Voltou a Belém e lançou seu terceiro disco e show do mesmo nome, sua primeira grande produção. O show foi uma mistura de muito romantismo com salsa, merengue e lambada. Em seguida, trouxe Alcione a Belém e junto com ela realizou um show no “Império de Samba Quem São Eles” com lotação esgotada.

Insatisfeito com o trabalho desenvolvido pela gravadora BMG, Marco foi morar em Salvador onde recebeu o convite do empresário e produtor baiano Cristóvão Rodrigues para fazer um disco e se estabelecer na Bahia. Gravou então o hit “Nunca Me Esqueça” que pipocou no nordeste. Marco Monteiro assumiu um visual baiano e se atirou de cabeça na Axé Music em 1992.

Essa música “Nunca Me Esqueça” não é outra senão aquela que Almir Rouche gravou com o nome de “Nas Ondas Do Desejo”, ao tempo da pernambucana Banda Pinguim. Seu autor é o famoso Marrom, que depois adotaria o nome de Marron Brasileiro.

A música de Marron gravada pelo Marco Monteiro não parava de tocar nas emissoras AM/FM do Recife e de inúmeras cidades do nordeste. O ritmo de reggae a tornou muito interessante. No ano de 1993, “Nunca Me Esqueça” alcançou o topo das paradas de sucesso do norte e nordeste.

Essa gravação do Marco Monteiro me agradou muito. Não sei se o mesmo aconteceu com o autor da música, uma vez que até o seu título foi trocado. Então, para relembrar aquele tempo que para mim foi muito feliz, vamos ouvir essa música de novo. Para isso basta clicar aqui.

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Abílio Neto
 

Para ouvir a música já que o link citado no texto foi desativado, clique aqui.

Abílio Neto · Abreu e Lima, PE 26/8/2012 21:35
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