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Observatório
A história do Overmundo na memória de seus colaboradores O Overmundo foi pensado para trazer à luz a cena cultural brasileira, independente da grande indústria cultural e que, justamente por ser independente, não costumava figurar com destaque nos grandes meios de comunicação. Algum tempo passado, constatamos que ainda há muito o que fazer e que, a cada dia – sobretudo com o advento da internet colaborativa e de ferramentas de autopublicação... > leia
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Matéria Rima: hip-hop na escola?
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 1/2/2007 20:33 · 94 votos · 8 ·
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Capa do CD do grupo Matéria Rima
Recebi, através de Dinho K2 de São Paulo (via Multiply), matéria sobre esse disco do Matéria Rima, grupo de hip-hop de São Paulo que trabalha em escolas incentivando a leitura e a pesquisa, desenvolvendo temas como folclore, histórias infantis, matérias do currículo escolar, etc. Eles dizem: "O ensino brasileiro precisa com urgência de um olhar crítico".
Pelo ineditismo da iniciativa achei que era importante reproduzir aqui no Overmundo a notícia com o texto de Roberta Federico:
"Este álbum é o marco do fim da busca dos educadores que desejavam uma forma de trabalhar com o Hip-Hop em sala de aula. O trabalho do Matéria Rima tem a produção executiva do Bico do Corvo Ltda e a produção musical de Grand Master Duda, além de contar com a participação de Jorge du Peixe (Nação Zumbi) e Nelson Triunfo.
Letras que mantêm a tradição do pensamento crítico e ácido característico do rap, ao mesmo tempo em que abrigam musicalidade e suavidade, são fatores que tornam a obra apta ser usada em sala de aula até com as crianças menores.
Aliás, “Matéria Rima - Procurando Respostas” é resultado de um projeto que o grupo fez em algumas escolas de São Paulo. A crítica ao “baixo nível da escola e da educação” é seguida de propostas de diferentes formas de se pensar a maneira com que os cidadãos brasileiros têm sido formados.
Performances de montagens e scratches, História do Brasil, Biologia, Língua Portuguesa, Geografia, Ciências, Cultura Popular e Química dão a tônica do CD. “Procurando Respostas” questiona o papel da escola, da família e da sociedade na educação das crianças, uma vez que temos uma escola que incentiva a reprodução do conteúdo sem reflexão enquanto a família e a sociedade não parecem se incomodar com isso. A faixa “3 porquinhos (1 ideal)” faz uma releitura da fábula, mas numa linguagem periférica e explorando muito bem os simbolismos. “Menina vem” é a faixa para dançar, e faz um elogio às mulheres brasileiras ao mesmo tempo em que atenta aos perigos do sexo sem camisinha e ainda critica o machismo.
Como aposta em uma linguagem que ainda não recebeu a devida atenção do Hip-Hop, “Procurando Respostas” se mostrou um grande achado. Visite o website do grupo http://www.materiarima.com.br"
Roberta Federico
Um pedacinho da letra de "POR QUE LER UM LIVRO?" pra sentir a pegada:
"A cada segundo, a volta será ao mundo
Se você for a fundo com isso
Um role pelo Cortiço e conheça minha quebrada
Paulicéia Desvairada, Vidas Secas quase nada
Há muitos Miseráveis esquecidos
Talentos escondidos que já nascem sem dinheiro e
preto
Tipo Lima Barreto que através da escritura, leitura se
destacou no gueto
É desse jeito a reação, conhecimento, explosão
Descobrimento, Admirável Mundo Novo anseio
Nós, ele, tu, eu, leio;
Lês, lê, lemos, releio
E entendo melhor ré, mi, fá, sol, lá, si, dó
Em cima do pra que ler é fácil explicar
...Livros à mão cheia é germe que faz pensar...
Na história de Monteiro Lobato
Que mesmo com perdas não se demonstrou fraco
Saiu de São Paulo e foi morar no Rio
Começou a escrever para as crianças do Brasil
O homem que,até hoje, está na memória nacional
Tipo um gol na final . Então, se liga na parada:
Quem não lê, não Sabinada."
tags: São Paulo SP musica educacao hip-hop rap folclore curriculo-escolar historias-infantis
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Interessante, Egeu, inclusive por ver um segmento da sociedade interessado na educacao. Eu dei aula no servico publico brasileiro e o descaso com o ensino nao eh soh dos governantes, nao. Eh da sociedade como um todo.
Queria te pedir uma coisa: cheque se a palavra "scratches" nao esta incorreta. No meu dicionario de ingles, significa marcar e nao tem mencao a teatro. Creio, tb q, na duvida, "esquetes" pode ser usada.
Um abraco.
Roberto Maxwell · Japão · 30/1/2007 03:30
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Roberto,
Scratch nesse caso significa "arranhar". É produzido pelo contato da agulha no disco através da manipulação que é feita pelo DJ.
Abraço!
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 30/1/2007 03:45
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Ah, ta. "Montagem" no caso eh musica.
Eu li teatral. Dai, confundi os outros conceitos. Otimo.
Roberto Maxwell · Japão · 30/1/2007 03:46
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Aqui mesmo no Overmundo tem uma boa definição:
"*Scratch: significa "riscar", é um estilo livre de rabiscar sobre batidas, aonde o aluno cria um desenho apartir de um efeito e se envolve no tempo e ritmo da musica chegando até tira notas musicais, usando as pick-ups como forma de instrumento musical. Para isso existe um processo de evolução começando pelo Fade, Chops & Stabs, Drag, Transformer, Chirps, Flares e Crab."
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 30/1/2007 03:49
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O. Egeu, eu soh me confundi. Tu nao dorme, nao?
Roberto Maxwell · Japão · 30/1/2007 03:50
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De vez em quando... :)))
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 30/1/2007 04:03
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eu tb. Sei o q eh isso... Abracao. Bom calor ai.
Roberto Maxwell · Japão · 30/1/2007 08:24
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Cara, sensacional! Infelizmente não consegui entrar no site dos caras, mas vou ver se consigo o cd. O objetivo de tudo é isso mesmo: a criançada, o futuro! Não q mudar a mente dos maiores seja perda de tempo, mas a principal estratégia da nossa guerrilha social e igualitária é a prevenção! Salvar as sementes antes q sejam contaminadas pelo vírus do "não tenho nada a perder".
E sortudas as crianças q terão a oportunidade de entrar em contato com esse projeto. Pq além de ouvir músicas sobre o valor da leitura, educação e etc, terão contato com a Cultura Hip Hop, q nada mais é do q a valorização de cada um, escutar desde cedo q são capazes, q podem realizar seus sonhos! É essa "ilusão" q eu tenho e q me fez e faz continuar "perdendo tempo" com esse tal de hip hop! Parabéns pelo texto Egeu! Vamos sonhar com o impossível!
Gustavo Gama · Rio de Janeiro (RJ) · 2/2/2007 12:38
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