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Observatório
Revelando o concurso Somos fãs do Projeto Revelando os Brasis. De cara achamos que era um projeto que tinha tudo a ver com a vocação colaborativa do Overmundo, ao permitir que pessoas de cidades com menos de 20 mil habitantes tivessem todo o apoio para fazer curta-metragens. Ano passado, vários textos foram feitos por aqui graças a uma parceria bem legal com o projeto. Este ano, seguimos em contato... > leia
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Mauro Castro, o taxista blogueiro
Roberta AR · Brasília (DF) · 6/1/2007 02:13 · 373 votos · 17 ·
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Vida de blogueiro não se resume em publicar seus próprios textos, mas se estende no prazer de conhecer páginas novas, que tenham bons textos, de preferência. Nesta de garimpar de blog em blog cheguei ao Taxitramas (www.taxitramas.blogger.com.br), que é atualizado toda segunda. O blog é de Mauro Castro, que é taxista em Porto Alegre e colunista semanal do Diário Gaúcho, distribuído na região metropolitana da cidade.
Histórias de taxistas sempre fascinam. Tem filme sobre isso (Uma Noite Sobre a Terra, do Jim Jarmusch) e tem apresentador global fazendo papel de taxista em programa de TV. Agora tem também livro com histórias de taxista. O Taxitramas foi lançado em outubro, pela Editora Sulina, e traz histórias publicadas no blog.
Abaixo publicamos uma entrevista com o taxista blogueiro, que nos fala um pouco sobre como começou a escrever e da importância da internet para a divulgação do seu trabalho.
No final da entrevista está um dos textos que o Mauro publicou no seu blog, que será uma ótima primeira experiência para quem nunca leu seu trabalho. (Quem quiser comprar o livro do Mauro Castro pode fazer isso já, é só entrar no site da Editora Sulina, ou no site da Livraria Cultura, ou no site da Livraria Saraiva )
O que te levou a começar a escrever?
Eu escrevo desde sempre, mas nunca com a constância de agora. Quando Jovem (bah, há muito tempo atrás, risos), tive um fanzine aqui na minha zona, o Scória, que, basicamente, servia para sacanear a nossa turma aqui da vila onde moro. Nada sério, mas que me despertou o gosto pela escrita. Eu também ilustrava, diagramava, distribuía e tinha o prejuízo das cópias xerox. Uma escola.
Há uns quatro anos, o editor do jornal Diário Gaúcho, que pegava táxi no meu ponto, sugeriu que eu passasse para o papel as incríveis histórias que eu colecionava sobre taxistas. Depois de analisar alguns textos que eu lhe enviei, o cara teve a coragem de me ceder um espaço no jornal, às segundas-feiras. Escrevo nesta coluna do Diário, desde então. São quase 200 textos publicados. Os mesmos que eu passo para o blog toda a segunda-feira.
De blog em blog acabei chegando no Taxitramas. Você acha que seu trabalho teria a mesma repercussão sem a internet?
Não. O Diário Gaúcho é um jornal de grande circulação (um milhão de leitores/dia), mas tem uma abrangência limitada à região metropolitana de Porto Alegre. A Internet "espraiou" meus textos pelo mundo. Isso aconteceu graças às matérias que saíram na mídia e, principalmente, à propaganda blog a blog.
Algum passageiro já se reconheceu nas suas histórias? Quais as reações?
Alguns passageiros e colegas contam as histórias e pedem que eu lhes dê o crédito. Quando escrevo por minha conta, nunca uso nomes reais. Em alguns casos, porém, não há como não saber que determinado texto se refere a tal passageiro. Isso já aconteceu, mas graças ao cuidado que procuro ter em relatar as histórias, nunca tive problemas com ninguém.
Você também escreve histórias que acontecem com seus colegas de profissão. Como é a relação deles com este seu ofício paralelo?
De uma forma geral, eles gostam. Mas não há um grande interesse, creia. Eles custam a acreditar no sucesso que as histórias fazem. Não entendem bem o que leva tantos jornalistas e canais de TVs a visitarem meu ponto. Pouquíssimos colegas, por exemplo, compraram o livro do Taxitramas...
O primeiro texto seu que eu li foi sobre o Caio Fernando Abreu.Quem são os escritores que te inspiram e te influenciam?
Tudo o que eu leio me influencia. Não tenho grandes ídolos. Gosto especialmente de crônicas, textos que sejam ágeis, que falem de forma simples, coloquial. L.F.Verissimo, Millor Fernandes, Rubem Fonseca, gente desse tipo. Não li grandes autores. Certo jornalista comparou meus textos com os do Tchecov. Preocupado, fui à Internet conferir se ele não estava me insultando (risos).
Você acaba de lançar seu primeiro livro pela Editora Sulina. Como surgiu a idéia do livro? Foi um processo difícil?
Não foi difícil. Na verdade, graças à visibilidade do blog, foi a editora Sulina que me procurou e não o contrário. Eis o milagre que a Internet é capaz de operar. Em um país onde muitos escritores correm o risco de acabar ao volante de um táxi, este humilde taxista transita na contramão.
Drogas, mágoas e uma pistola automática
Por Mauro Castro
Dois caras entraram no táxi do Viana e mandaram tocar em frente. Na fissura, precisavam de dinheiro para comprar mais drogas. Pensaram em assaltar uma farmácia, mas depararam com câmeras de tevê e segurança armada. Preferiram meter um táxi.
O Viana é um ex-policial. Era um tira durão. Vagabundo com ele não tinha moleza. Escreveu não leu o Viana baixava a mão nos bandidos. Um policial à moda antiga, viril, hábil no uso de armas de fogo e firme na abordagem corpo a corpo. A bandidagem o temia, sabiam que na área do Viana o bicho pegava.
Um dia, porém, um traficante, com bons advogados e influência, foi "molestado" por Viana. Forjou provas, subornou as pessoas certas, alterou perícias e comprou testemunhas. Submetido a um processo disciplinar, constrangido e humilhado, Viana acabou deixando a polícia. Perdeu a insígnia e a auto-estima.
Depois de sucumbir à burocracia na tentativa de abrir uma empresa de segurança, Viana passou a viver de bico. Segurança em bailes, vigia, manobrista, qualquer coisa. Salários aviltantes e mágoa: uma mistura explosiva.
Naquela noite, estava trabalhando no táxi do seu sogro. Parado em uma esquina escura, cansado e sem perspectiva, Viana acariciava sua pistola automática que levava sob o banco, quando os dois caras entraram para o que parecia ser só mais uma corrida.
Quando a lâmina da faca roçou seu pescoço e o assalto foi anunciado Viana reagiu por instinto. O policial que havia no fundo daquele farrapo de taxista ressurgiu. Como quem reage ao próprio destino, abateu os marginais com dois tiros certeiros.
Haviam escolhido a vítima errada, na hora errada.
(matéria publicada originalmente no blog Facada Leite-Moça)
tags: Brasília DF cultura-e-sociedade taxista taxitramas contos literatura porto-alegre livro blog
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Muito bacana Roberta. Gostei muito da entrevista. Fiquei só com vontade de ler a história que vc falou que ia publicar no final do texto (acho que vc esqueceu...). Abraços!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro (RJ) · 3/1/2007 17:59
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ops, acabei de colocar o texto dele
Roberta AR · Brasília (DF) · 3/1/2007 18:19
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Opa. Bacana Roberta! Obrigado.
Thiago Camelo · Rio de Janeiro (RJ) · 3/1/2007 18:46
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Já tinha ouvido falar nele mas nunca tinha lido nada.
Muito legal, Roberta!
O que esses caras devem ter de história pra contar não é brincadeira...
Eduardo EGS · Porto Alegre (RS) · 4/1/2007 09:48
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O Mauro tem cara de falante e criativo. Vou acessar o blog dele.
Tom Damatta · Araguaína (TO) · 5/1/2007 17:25
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Porra, esse cara é sensacional!!
Nunca tinha ouvido falar, mas agora eu quero o livro dele!!
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 6/1/2007 13:07
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Que bacana que a combinação "vontade, internet, literatura e querer aprender" permitiu ao Viana viver algo quase impossível para a maior parte de seus colegas taxistas. Parabéns ao Viana e parabéns a garimpeira Roberta, que do Distrito Federal viajou para o sul e nos apresentou este belo conteúdo.
Alê Barreto · Rio de Janeiro (RJ) · 6/1/2007 16:01
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Isto é Overmundo: garimpo de conteúdo de qualidade.
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 6/1/2007 23:50
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Há algum tempo que acompanho TAXITRAMAS e sempre é uma agradável e interessante leitura.
Camafunga · Pelotas (RS) · 8/1/2007 21:06
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Muito boa história, parabéns ao Mauro e a você por nos apresentá-lo.
Erika Morais · São Paulo (SP) · 9/1/2007 13:43
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Legal demais a entrevista, e legal a leveza dele em contar causos..da vontade de ler mais!
Marcelo Candido Madeira · Rio de Janeiro (RJ) · 9/1/2007 17:25
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Dei uma olhada no blog do cara. As histórias (e o texto do cara) são mesmo fenomenais. Desejo muito boa sorte ao colega escritor volante. Que voe alto, este cocheiro contador de histórias...
Abraços do verde para a autora, e para o autor-taxista.
Daniel Duende · Brasília (DF) · 9/1/2007 22:02
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Excelente entrevista, Roberta. Um abraço do seu ex-colega de Cásper! :D
Alexandre Inagaki · São Paulo (SP) · 11/1/2007 00:07
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Poxa vida, quanta gente. Fico feliz, porque gosto muito do trabalho do Mauro, que foi muito gentil e respondeu minha entrevista por email rapidinho.
Bom te ver por aqui, Inagaki.
Roberta AR · Brasília (DF) · 11/1/2007 01:16
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Poxa Roberta,sou muitíssimo grata a ti!Nunca tinha tinha ouvido falar do Mauro e depois de ter lido sua entrevista não passei ainda uma semana sem ir lá conferir aqueles ótimos textos!
VALEU MESMO!
Jel Lima · Salvador (BA) · 11/1/2007 10:56
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gostei da história, mas pelo jeito naum tem nada de ficção hehe...
parabéns Mauro, parabéns PoA por ter um povo tão culto e principalmente, ao overmundo por nos propiciar matérias de qualidae..ae mauro q tal soltar a imaginação e usar como fio da meado os seus 'causos' mas acabar aonde sua mente deixar hein?vc escreve bem, acho q seria legal!
Sleiman · Campo Grande (MS) · 12/1/2007 01:20
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