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MEMORIAL SERRA DA MESA

Sinvaline
Pórtico de entrada
1
Sinvaline · Uruaçu, GO
7/5/2009 · 23 · 9
 

MEMORIAL SERRA DA MESA

A cidade de Uruaçu está situada no norte do estado de Goiás, com cerca de 33 mil habitantes, a 282 km da capital e é a única cidade banhada pelo lago de Serra da Mesa, considerado o segundo maior lago artificial do mundo.

Com a construção da Hidrelétrica de Serra da Mesa houve um grande impacto ambiental e social em toda a região atingida pelo alagamento. Muitas famílias perderam suas terras indo para as cidades próximas, grande parte do cerrado e sua história ficaram debaixo das águas. O Memorial Serra da Mesa foi construido com o objetivo de resgatar a história da região e promover a educação ambiental se tornando um centro de referência da cultura goiana, especialmente da região de Serra da Mesa.

O Memorial ocupa uma área de 20 mil metros quadrados, próxima do Lago Serra da Mesa e da rodovia GO-237, que liga Uruaçu a Niquelândia. Além dos recursos próprios a Prefeitura buscou o apoio de diversos Ministérios, entre os quais os do Turismo e da Integração Nacional, de Furnas e da Mineração Anglo American, Caixa Econômica Federal, através da lei Rouanet e também recursos de emendas parlamentares.

Toda parte técnica foi realizada pelo Instituto Trópico Subúmido da Universidade Católica de Goiás. Foi uma idéia baseada no "Memorial do Cerrado", localizado no campus 2 da UCG, em Goiânia que hoje se tornou ponto turístico da capital, sendo também considerado um dos mais significativos complexos científicos e culturais de Goiás.

O projeto estimula a geração de novos ofícios como oficinas artesanais, paisagismo voltado para os parques temáticos e cerâmica; incentiva a pesquisa fundamental, aplicada e experimental e também o estudo do valor medicinal dos fitoterápicos; e ainda favorece o intercâmbio organizacional, científico e cultural com diversas instituições como: fundações, ONGs nacionais e internacionais, universidades, institutos de pesquisa e governos.

A pedra fundamental foi lançada no dia 1º. de Julho de 2006 e será aberta no dia 1º. de Julho de 2106, 100 anos depois do seu lançamento oficial. Dentro da lápide foram colocados uma bola de futebol porque era época da Copa do Mundo; aparelho celular (sem bateria); artesanato local (terços e outros); 1 litro de pinga Serra da Mesa; jornais do dia; publicações de autores uruaçuenses e assinaturas e frases de centenas de pessoas que estiveram presentes na festa de lançamento da pedra fundamental.

A entrada do Memorial é por um suntuoso pórtico criado pelo arquiteto Louis Bernard Tranquillin (in memorian), com frases e desenhos que contam a história local desde as primeiras ocupações humanas em torno da cidade.

Neste pórtico os desenhos feitos com pedras da região narram numa seqüência histórica os rios, garimpeiros, índios, enfim os primeiros habitantes da região de Serra da Mesa. Os desenhos e as frases são de criação da artista Larissa Malty (Velha do Cerrado) e em letras monumentais se pode ler:

Os índios navegaram nesses rios;
E se fez riqueza de ouro e pedras;
E dessa água se tirou o alimento;
Nesse rio o gado matou sua sede
O homem gerou a luz;
E a partir dele ainda hoje contemplamos a natureza compreendendo sua história.


O Memorial Serra da Mesa se tornou o ponto de encontro da cultura regional e de toda manifestação folclórica que encontram nele suporte para se apresentar como o Chimite, a Catira, as Rezadeiras, o contadores de causos, os quilombolas e outros que apresentam suas atividades em datas alternadas e periodicamente alunos se encontram no Memorial para uma grande aula interdisciplinar.

O Centro de treinamento ou Centro Cultural tem um auditório para 300 pessoas com estrutura suficiente para atender a todos os tipos de clientes e eventos.

Num grande museu cuja arquitetura lembra um dinossauro, estão expostas todas as espécies de animais existentes no cerrado goiano. Esses animais são conservados pelo processo chamado “taxidermia”, com orientação e técnica criada pelo professor José Hidasi de Goiânia.

Também nesse museu podem ser apreciadas todas as pedras da região, espécies da flora e toda a história do homem do cerrado em detalhes através da exposição de fósseis pré-históricos. Uma gruta mostra como o homem primitivo vivia na pré história.

A aldeia indígena representa o povo timbira que foi para o norte de Goiás, hoje Tocantins se dividindo em muitos tribos como os krahôs e outros. Inclusive parte do material que compõe as cabanas foi confeccionado pelos índios krahôs.

O espaço recriado conta a história do povoamento de Goiás, especificamente Uruaçu. Na fazenda tradicional podemos ver engenho, carro de boi, fábrica de farinha, alambique, monjolo, curral e enfim tudo que caracteriza uma fazenda antiga auto sustentável.

Em datas especiais, como Semana do Folclore e outras, o visitante pode ver o engenho moendo cana, o carro de boi carreando, a confecção de farinha de mandioca, o monjolo socando, o alambique produzindo pinga, o curral com bois, o galinheiro, chiqueiro de porcos e outros. Existe também um espaço para as fiandeiras, contadores de causos, tecedeiras e todas as manifestações regionais.

Na cidade cenográfica os prédios representam as cidades goianas no periodo colonial e parte da antiga Santana do Machambombo, hoje Uruaçu. Construções como a Casa Baiana, a primeira cadeia, uma sapataria, a botica e a primeira escola de Uruaçu decorada com carteiras, mesas, palmatória e cadernos e livros da época. Todos esses espaços são mobiliados à caráter e foram montados baseados em fotos antigas e depoimentos dos primeiros moradores como a casa do Coronel Gaspar Fernandes de Carvalho.

A Capela de Santana que foi a primeira igreja da cidade está reconstruída em tamanho original com cruzeiro e tudo. Nesse largo estará representada uma casa e a forca de Trairas.

Para que tudo seja como era antes foi construída também a vila com casinhas de adobe, jirau de pau e um bordel representando o antigo (Fôia) da cidade de Uruaçu. Este bordel é decorado com móveis antigos, perfumes que as cortesãs usavam para atrair dinheiro e homem, destacando as famosas bacias esmaltadas onde se lavavam. Em datas especiais atrizes representam as damas no famoso “Fôia” Essa representação se faz no sentido de mostrar como no passado os pais usavam o bordel como um local para ensinar aos filhos os primeiros contatos com as mulheres.

Há também a fazenda tradicional, ou seja uma fazenda auto-sustentável onde tudo se produzia e o único produto comprado fora era o sal de cozinha; tudo foi construído com base em fotos de fazendas antigas e detalhes como o assoalho de tábuas, a bica dágua com o monjolo e o telhado com telhas comuns coletadas em taperas da região. Essas telhas segundo os mais antigos, as primeiras foram feitas nas “coxas dos escravos”, só depois de muitos testes foi inventada a forma de madeira chamada “galape”.

O quilombo apresenta de forma explícita como os escravos fugitivos viviam em casebres de taipa (ripa e barro), aglomerados num local pequeno entre serras e ainda um espia no alto para vigiar o abrigo.

Ainda no Memorial há uma área de camping, espaço de lazer e de complemento às atividades culturais. Também um deck utilizado como ponto de observação e de pesca esportiva.

A inauguração do Memorial foi para um público de aproximadamente 6 mil pessoas com apresentação do teatro na direção de Danilo Alencar (UCG) onde 200 artistas da terra apresentaram o espetáculo "Vozes do Cerrado".

O Memorial cumpre seu objetivo com eventos em datas especiais e todos os dias aberto à visitação. O público visitante segundo o livro de registros vem de todas as partes do Brasil e há alguns visitantes do exterior.


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Spírito Santo
 

Mais uma boa sacada da arguta Silvaline

Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 6/5/2009 22:03
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Andre Pessego
 

Legal, muito boas as informações,
abraço
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 7/5/2009 22:41
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Cintia Thome
 

Belo postado, isso sim que é documento cultural.
Sempre surpreende Sin

bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 8/5/2009 11:47
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Claudia Almeida
 

Salve!Sinvaline,parabéns,bjs.

Claudia Almeida · Niterói, RJ 10/5/2009 14:03
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Onivaldo Paiva
 

Sinvaline quão fértil, oportuno e rico é este postado. Parabéns.
É documento cultural, diz a Cintia Thome. E mais digo eu: Sinvaline, o MEMORIAL SERRA DA MESA justifica existir o overmundo.

Onivaldo Paiva · Uberlândia, MG 10/5/2009 17:25
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joão mesquita
 

O Memorial Lago Serra da Mesa em Uruaçú-GO, é sem dúvida, uma obra prima, feita por pessoa de bom gosto e um grande conhecedor de tudo que ali se encontra. Foi um trabalho perfeito, num tempo récorde...!

joão mesquita · Brasília, DF 26/5/2009 00:34
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joão mesquita
 

Tenho uma paixão pela beleza natural dessa região da Ponte Velha de Uruaçu! O Memorial Lago Serra da Mesa veio para abrilhantar muito mais essa maravilha. Gostaria muito de receber material de divulgação do Memorial para que eu possa num futuro bem próximo, comandar grupos amantes da natureza para conhecer as maravilhas do Memorial e regiões. Fico muito grato se isso acontecer.

joão mesquita · Brasília, DF 26/5/2009 00:41
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joão mesquita
 

É maravilhoso e incansável as belezas simples e naturais do Memorial Lago Serra da Mesa! As pessoas de bom gosto e amantes da natureza, tem que conhecer o Memorial Lago Serra da Mesa, e sua linda História.

joão mesquita · Brasília, DF 30/6/2009 13:07
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tarokid
 

Olá! Você gostaria de ser membro do grupo Academia Machadense de Letras (Facebook), onde poderá publicar seus textos, poemas, crônicas, contos, assuntos culturais? Se desejar informarei o link em seguida.
Grande Abraço!

tarokid · Machado, MG 19/7/2013 11:39
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Um dia de índio na Aldeia Timbira
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