Memórias revisitadas de uma senhora jornalista

Júnior Panela
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Ricardo Sabóia · Fortaleza, CE
31/3/2006 · 153 · 16
 

“A quem interessa resgatar Carmen da Silva?”. A provocação é lançada pela pesquisadora e jornalista Ana Rita Fonteles, que publicou recentemente Carmen da Silva - O feminismo na imprensa brasileira, obra que busca recuperar a trajetória de vida e os caminhos profissionais traçados pela mais influente jornalista da imprensa feminina no Brasil.

Carmen da Silva é, indiscutivelmente, uma das personagens mais ricas do jornalismo brasileiro. Do alto de sua tribuna, a coluna “A arte de ser mulher”, que escreveu ininterruptamente de 1963 a 1984 na revista Cláudia (Editora Abril), contribuiu para uma mudança gradual nos costumes de muitas mulheres e famílias brasileiras. Antecipou, ao promover discussões que oscilavam entre o âmbito da vida privada e da vida pública, questões essenciais para a afirmação do movimento feminista no Brasil: o divórcio, o uso da pílula anticoncepcional, a inserção da mulher no mercado de trabalho, entre outros temas que anos depois seriam encampados pelas feministas.

Não é exagero afirmar que Carmen da Silva foi um dos símbolos da modernização da imprensa e da sociedade brasileira contemporânea. “Ler Carmen da Silva era, para algumas mulheres, um símbolo de modernidade, sinal de que estavam sintonizadas com as discussões de seu tempo”, diz a pesquisadora. Com um texto interessante, que transita entre o relato biográfico e a produção intelectual da jornalista, psicanalista e escritora gaúcha, o livro de Ana Rita, adaptação de dissertação de mestrado apresentada ao Programa de História Social da Universidade Federal do Ceará (UFC), é uma valiosa contribuição para entender a relevância de Carmen no jornalismo feminino brasileiro.

O livro marca a inauguração da série História e Memória do Jornalismo, iniciativa conjunta do Núcleo de Documentação Cultural da UFC (NUDOC), Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará (Sindjorce) e Sociedade Cearense de Jornalismo Científico e Cultural (SCJCC). A série nasce com a proposta de publicar trabalhos acadêmicos que abordem o exercício do jornalismo no Ceará e no Brasil.

Para discutir a obra de Carmen, além de outras questões referentes ao jornalismo feminino, o Overmundo chamou Ana Rita para uma conversa.

Como surgiu o interesse em analisar o trabalho da Carmen da Silva?

Eu sempre tive interesse por revistas femininas, desde criança. Quando entrei no curso de jornalismo, tive contato com as discussões sobre a cultura de massa. Comecei a levantar uma bibliografia sobre o tema e encontrei textos que traziam a Carmen da Silva como referência da mulher que introduziu determinados assuntos na imprensa. Em 1998, li artigos e resolvi estudá-los para minha monografia de conclusão de curso, artigos publicados pela Carmen entre 1964 e 1968. Depois, resolvi ampliar e ingressei no Mestrado de História da UFC, tive contato com a autobiografia dela, Histórias híbridas de uma senhora de respeito, uma ironia com Memórias de uma moça bem comportada, de Simone de Beauvoir. É um livro fascinante, porque a Carmen não se propõe a contar apenas a história pessoal dela, mas a partir da história pessoal, contar a história das mulheres. O processo de transformação dela em feminista está todo contado ali.

Seu livro também opta por recontar a trajetória da Carmen. Como você pensou em fazer isso tendo que tratar de questões mais gerais?

Chegou um tempo na pesquisa em que eu não conseguia mais dissociar. Descobri que muitas feministas se impunham a tarefa de escrever autobiografias, como forma de dar concretude ao termo “o pessoal é político”. Mas percebi que seria complicado analisar apenas a autobiografia, então comecei a cruzar vários discursos de memória produzidos pela própria Carmen na autobiografia, que eu não teria como fugir, mas também nos seus romances, nas entrevistas com pessoas que conviveram com ela, e com matérias produzidas sobre ela. Com essa miscelânea de materiais tentei compor esse painel, compor uma trajetória a partir da personagem.

Como você analisa o início da carreira da Carmen da Silva como jornalista, no contexto da imprensa brasileira dos anos 60?

Sem dúvida ela é a jornalista mais importante na história da imprensa feminina do Brasil, até pelo tempo em que permaneceu nessa imprensa. Foram 22 anos ininterruptos. Acho que ela cumpriu um papel importante para o jornalismo que se fazia na época, sobretudo se você pensar que o jornalismo estava se assentando em bases eminentes empresariais e, nesse caso, a [revista] Cláudia foi uma espécie de divisora de águas, feita com profissionalismo, desde a escolha das pautas, das divisões de editorias, da qualidade do papel à preocupação de atrair anunciantes, pois era uma revista essencialmente publicitária. A Carmen era uma representante da modernização dessa imprensa, que não conseguia mais dar conta de temáticas relativas a comportamento, com seus consultores sentimentais, que, com seus discursos de acomodação, de pacificação, não davam conta de uma sociedade em transformação, com uma juventude emergente, com a mulher questionando seu papel. Ela responde primeiro a isso na revista, e, depois, como feminista militante, com essa compreensão da necessidade de fazer um trabalho em longo prazo, com mulheres de classe média, porque ela sabia de seu papel intermediário, como uma feminista intermediária. Ela tinha o cuidado de se fazer clara mas ao mesmo tempo queria aprofundar questões, utilizar o arsenal da psicanálise, daí a formação psicanalítica dela ser uma questão tão importante. Ela utilizou-se desse instrumental para aumentar a sintonia com as leitoras, conhecer quem eram essas mulheres, quais questões elas colocavam. Tinha um papel de conscientizadora.

Até que ponto esse “discurso modernizante”, como você cita no livro, entrou em conflito com a redação de Cláudia, já que no início a revista era essencialmente feita por homens, em uma época em que o feminismo ainda estava muito embrionário?

No início não havia muitos conflitos, não. Até porque ela não chegou na Cláudia feminista, ela chegou com inquietações - “por que as coisas são desse jeito?”, “as coisas têm que mudar” -, mas com um sentimento ainda muito deslocado, muito sem direcionamento, sem um embasamento teórico, digamos assim. Até porque ela antecipou muito as questões, então você nota um crescimento, vai percebendo nos artigos que ela escreve, nas cartas das leitoras, essa construção. E ela ia com muito cuidado porque tinha a preocupação em se preservar dentro da editora, sabia da necessidade de ter uma tribuna. E tinha um certo medo de assustar as leitoras, sabia que estava falando para uma mulher de classe média, dona-de-casa, casada, que não precisava trabalhar porque o marido financiava seus gastos. A partir dos anos 70, quando as coisas se tornaram mais claras em relação à luta das mulheres, quando os grupos de mulheres começaram a se organizar mesmo com a repressão da ditadura, quando as mulheres exiladas começaram a trocar correspondências com as mulheres daqui, quando os primeiros eventos começam a acontecer, a partir daí você começa a perceber como essas questões se tornam mais explícitas. Ainda que, nos anos 60, ela já tenha questionado temas familiares, como o divórcio, tema sobre o qual ela publicou um artigo belíssimo em 1966. Acredito que existiram alguns conflitos com a revista, mas ela tentava contorná-los para não perder o espaço da tribuna com as leitoras.

Como Carmen da Silva contribuiu efetivamente para a introdução do feminismo no Brasil?

Através dos temas tratados na coluna, ela estava tocando em questões que depois seriam bandeiras do feminismo aqui, como o divórcio, a independência emocional e financeira, a mulher como protagonista. Em seguida, na fase propriamente feminista, ela divulgou os primeiros eventos, escrevia na coluna que Cláudia estaria ali para tentar traduzir o que estaria acontecendo, mas na verdade ela estava chamando as mulheres para eles. Ela também resenhou clássicos do feminismo de modo muito atraente para a época. Com o apoio da editora, viajou para vários países e procurou entender as mulheres desses lugares. Mas não foram pontos específicos, toda a obra de Carmen é uma contribuição para o feminismo brasileiro.

E qual a grande contribuição que você vê no trabalho da Carmen da Silva para o jornalismo feminino feito hoje?

Acho que há um vácuo entre o trabalho dela e a imprensa feminina atual. Esses espaços mais aprofundados sobre a questão da mulher praticamente desapareceram, é como se todos os problemas tivessem desaparecido. Por exemplo, você vê matérias sobre como se liberar na cama para seu homem, sobre as posições sexuais, milhares de revistas sobre a “boa forma”. Na verdade, elas camuflam problemas sexuais sérios, camuflam a questão da mulher insatisfeita com seu próprio corpo, e essas questões não estão mais sendo discutidas nas revistas. Hoje você conta nos dedos matérias mais questionadoras, mais intrigantes do ponto de vista jornalístico e do ponto de vista da mulher. As revistas estão muito fora de sintonia. Houve um retrocesso.

Por que existem poucos trabalhos sobre a Carmen da Silva?

Vejo como um desrespeito sobre a questão da memória, da ausência de uma política de conservação da memória no Brasil, que é um problema mais amplo, e no caso específico da Carmen, da memória de uma feminista. A quem interessa resgatar Carmen da Silva? Por que dar conta dessa mulher? Minha preocupação partiu tanto do interesse de leitora como do interesse político. Uma pessoa que militou tanto, escreveu tanto, trabalhou 22 anos, viajou o Brasil inteiro, era tão reconhecida, tão chamada para falar, tão citada pelas feministas... As pessoas precisam conhecer isso. E as pessoas precisam voltar a ler Carmen da Silva. Acho que ela pode ajudar a transformar esse reacionarismo nas redações femininas no Brasil. Esse tripé casa-moda-decoração não dá conta do mundo feminino.

Serviço

Interessados em adquirir o livro Carmen da Silva - O feminismo na imprensa brasileira podem entrar em contato com a autora: anaritafonteles@uol.com.br

Livros de Carmen da Silva:

Histórias híbridas de uma senhora de respeito (Ed. Brasiliense)

O homem e a mulher no mundo moderno (Ed. Civilização Brasileira)

Sangue sem dono (Ed. Civilização Brasileira)

Coletânea:

O melhor de Carmen da Silva - Laura Civitta (org). (Ed Rosa dos Tempos)

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Felipe Gurgel
 

Comprei o livro, mas ainda não li. Assim como ela própria fala sobre Carmen, Ana Rita precisa ser lida! É uma jornalista de extremo bom senso. Fui seu aluno na faculdade.

É séria a falta de espaços no mercado editorial para os "dramas" pertinentes ao mundo feminino. "Esse tripé casa-moda-decoração não dá conta do mundo feminino", ela diz. Gostaria de ver aqui mais textos sobre o assunto, inclusive. Tem-se um bom canal para questionar o tratamento do tema na mídia.

Aliás, quando não é oito, é oitenta. Vêem-se dicas para levantar bunda, ou matérias sobre a exploração sexual da mulher com tarja preta no olho. Uma dicotomia preocupante, acho. Quando não raro, esta abordagem permite a pasmaceira de discursos políticos e condenatórios, a fim de se promover esta ou aquela entidade dita “em prol dos direitos da mulher“. Embora sem uma idéia consistente por trás.

Acho interessante pensar: uma publicação abalizada em questões menos “dondocas” sobre o universo feminino é viável aqui no Brasil? O que são questões pertinentes afinal? Aborto, “independência da mulher”, inserção no mercado de trabalho? Hajam temas surrados.

Creio que o desafio de uma publicação do gênero seria ir além disso, além dos discursos bocejantes de retórica. Acredito em um trato simples, aproximado do cotidiano. Refletir a atuação da mulher jornalista, por exemplo, e não somente discussões “tabus” reconhecidas há tempos – e vez por outra alardeadas pela grande mídia televisiva

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 1/4/2006 03:38
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Hermano Vianna
 

o que gosto muito neste texto é o fato de mostrar algo que está acontecendo no Ceará, mas que não é restrito à cultura local cearense - é a produção local falando de coisas que aconteceram fora do Ceará, com um ponto de vista original (mas não necessariamente um ponto de vista que possa ser classificado como "cearense")

sempre me incomodou a idéia de que quem é do eixo Rio/São Paulo pode falar de todo o Brasil, mas que quem é do "resto" do país deve se restringir a falar do local

isso, em outro nível, acontece muito na academia - quando pedimos bolsas para custear nossos estudos de mestrado/doutorado, nas justificativas temos que dizer porque aquele estudo é importante para o desenvolvimento da sociedade brasileira

a exigência não é a mesma para estudantes americanos ou europeus - eles podem fazer suas pesquisas entre povos de Papua-Nova Guiné, ou podem se especializar na história da dinastia Ming chinesa

isto é, no "centro", eles podem estudar o universal, e nós ficaríamos restritos ao particular, ao próximo

no Brasil a situação seria replicada: um estudante do Rio pode estudar o Ceará, mas é mais raro um estudante cearense estudar o Rio...

sei que o assunto é bem complexo, e tem a ver com outras conversas sobre identidade que andam acontecendo aqui no Overmundo

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 1/4/2006 21:32
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Hermano Vianna
 

complemento do comentário anterior: mas disse isso tudo para deixar claro o seguinte: aqui no Overmundo, o fato de você ser, por exemplo, de Rondônia não impede que possa falar de algo que está acontecendo no Rio Grande do Sul ou em São Paulo - nem você tem que falar só sobre o que é "típico" na sua terra

de qualquer maneira: deixo aqui meu agradecimentos à Ana Rita e ao Ricardo pela oportunidade de conhecer melhor a trajetória da Carmem da Silva

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 1/4/2006 21:35
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Hermano,
Concordo com o que você escreveu, ao mesmo tempo em que me pergunto se tudo isso não é também contraditório com o que se propõe o overmundo. Clicando no link de "ajuda", indo à pergunta 13 ( "Que tipo de colaboração posso enviar para o Overmundo?), vocês indicam uma postura parecida com essa que você critica da academia brasileira. Pelo menos é essa a minha impressão. Estou enganado? Não pergunto para provocar, mas para seguir o debate mesmo.

Lá, entre outras coisas, lê-se: "o Overmundo não é o local adequado para você publicar um texto sobre o último livro do Harry Porter, a não ser que fale sobre como o livro é recebido no Brasil, ou é lido pelas crianças brasileiras. Outro exemplo: se você quiser publicar uma crítica sobre o último disco do White Stripes, por favor procure outro site (há muitos que vão ficar felizes em receber sua contribuição)&059; mas se o seu texto for uma crônica sobre a passagem do White Stripes em Manaus, com reflexões sobre a cena do rock indie na Amazônia, isso sim tem a cara do Overmundo.". Isso não é parecido com o que você criticou? Iria além. Se eu quisesse fazer uma resenha ou análise sobre as manifestações que estão acontecendo na França - que julgo ser um dos principais fatos históricos desta década e acredito que terá conseqüências na formatação das relações trabalhistas mundiais das próximas décadas - não me sinto confortável a fazê-las no Overmundo. Aqui também seria um lugar para esse tipo de texto? Grande abraço,
BM

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2006 13:01
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Felipe Gurgel
 

Realmente, Bruno, isso é questionável. Uma resenha de 2 Filhos de Francisco, por exemplo, não tem espaço aqui?

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 2/4/2006 13:43
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Felipe Gurgel
 

Confesso que não li as diretrizes mas, se há uma "linha editorial" definida pela comunidade, acho que esta linha não deve restrigir abordagens... Por mais que algumas sejam manjadas.

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 2/4/2006 13:46
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Felipe Gurgel
 

Bem, li o tópico de ajuda e vejo que há uma orientação, não uma diretriz, para que se escreva sobre cultura "produzida no Brasil". Acho complicado também...

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 2/4/2006 13:52
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Ricardo Sabóia
 

Hermano,
concordo com sua crítica à academia. É uma cultura que precisa ser mudada porque há pesquisas interessantes feitas em universidades "fora do eixo Rio-SP" que merecem maior reconhecimento e que muitas vezes são ignoradas na imprensa porque não passam pelo selo da USP, da UFRJ ou de centros apontados como "de excelência". Seu questionamento me fez lembrar até de uma experiência pessoal, uma entrevista em que fui perguntado "como era fazer 'ciberpesquisa' num país periférico em um Estado fora do eixo Rio-São Paulo" (no caso, a Bahia). Respondi que nunca tinha me visto em posição periférica, uma vez que boa parte da pesquisa em cibercultura no Brasil era feita na Bahia (talvez para muitos isso fosse inimaginável...).
Gosto do trabalho da Ana Rita em parte por essa ousadia, de como um interesse desperto em um trabalho na graduação transformou-se em uma pesquisa interessante, pontuado pela necessidade que ela vê como política, até, de recuperar a memória da Carmen da Silva (jornalista cujo trabalho teve dimensão nacional), para que sirva como ponto de partida para questionar o jornalismo feminino atual (que, numa leitura geral, classificaria de muito ruim, sim, até quando se vende como "moderno", feto por "mulheres moderninhas" etc. Sem fazer concessões pelo fato de fazer essa revalorização da memória da Carmen a partir daqui do Ceará.

Ricardo Sabóia · Fortaleza, CE 2/4/2006 14:56
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Ricardo Sabóia
 

(cont.) Outra coisa que acho bacana é a possibilidade de divulgar nacionalmente esse projeto História e Memória do Jornalismo, feito aqui, mas aberto a publicação de pesquisas sobre a memória do jornalismo de todo o País. Espero que a série tenha vida longa.

Ricardo Sabóia · Fortaleza, CE 2/4/2006 15:00
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Hermano Vianna
 

o Felipe Gurgel tem razão: é uma orientação, não é uma regra totalitária. O problema é que já há muitos sites e blogs falando do Harry Porter, do Nick Cave, do filme novo do Michel Gondry, dos eventos da França... E poucos falando do trabalho da Ana Rita ou do rock do Amapá... Na verdade, o que eu gostaria de ver aqui no Overmundo (portanto é uma opinião pessoal, que pode mudar de for o desejo de toda a comunidade) seria sempre algo original - uma reflexão original sobre qualquer assunto (de preferência sobre a cultura produzida no Brasil) - que não tenha espaço em outros lugares... Seria muito fácil publicar links, traduzir notícias do Slashdot ou do Pitchfork Media ou do Nettime, só para ser o primeiro a falar nessas coisas no Brasil... Mas isso é muito pouco, não é? Sei que não é disso que o Bruno Maia está falando... Se ele tiver alguma coisa realmente original para falar sobre a França, pode sim mandar para cá... A colaboração vai ser editada e votada como todo o resto. Mas seria bom, sobretudo nesse início do Overmundo, ter uma orientação mais clara (por exemplo: vamos falar só sobre o que acontece no Brasil?), não para proibir outros assuntos, mas para dar uma cara para o Overmundo, para que as pessoas entrem aqui e saibam que o lugar é "diferente" do resto da internet... Ou estou enganado?

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2006 18:04
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Hermano Vianna
 

para ficar claro: acho excelente que esta conversa aconteça aqui, não fico de maneira alguma chateado com nenhuma crítica ao Overmundo... Fico até alegre quando isso acontece. Vejo que todo mundo já está se sentido no comando, responsável pelos destinos do Overmundo, o que era nosso desejo quando criamos este coletivo virtual (e o Bruno Maia é dos editores mais ativos - deixo meus sinceros agradecimentos para ele aqui!) E tudo - incluindo todas as orientações lá do Ajuda - pode ser criticado! Por isso fico colocando comentários polêmicos em todo canto, para provocar e saber o que todo mundo pensa...

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2006 18:11
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Salve Hermano!
Obrigado pela citação, da qual me envaideço, mas ainda acho muito pouco o que fiz para merecê-la. Já tive a oportunidade de dizer isso para você em outra esfera, mas minha relaçao com o Overmundo é consequência do fato de que eu acredito muito nessa proposta! Sei que não há nenhuma linha editorial restritiva aqui... Se houvesse, certamente eu não teria essa "participação efetiva" a que você fez referência. Só joguei essa questão pois achei que você deu a brecha e ela já estava comigo desde o primeiro dia. Acho que já imaginava, de certa forma, a resposta. Mas como pensei que a dúvida pudesse ser de outros além de mim, achei que era bacana perguntar. Ainda não tenho o que escrever sobre o momento da França apesar de estar muito mergulhado em tentar entendê-lo. Acho que se trata de uma coisa muito complexa e quando me sentir capaz de escrever algo relevante o farei e tentarei colocar aqui.

Acho que é importante (e fundamental) que o Overmundo aposte na forma como a cultura, seja ela regional ou globalizada, repercute no cotidiano e na percepção nacional. Nesse sentido, o Overmundo pode acabar se tornando, ao longo do tempo, um espelho onde seja mais fácil nos vermos. E é nisso que acredito. Apesar de achar também que a releitura que o Franz Ferdinand faz do papel da música, por exemplo, dialoga diretamente com questões maiores sobre cultura pop, com Michael Jackson, com Basquiat, com Chico Science e acho isso tão bacana quanto o resto...

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2006 22:34
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Acho que no Overmundo também caberia (ou já cabe, não sei) este tipo de reflexão. Mesmo que não se relacionasse ainda com nenhum artista nacional, acho que só uma releitura do Kraftwerk com James Brown e Josué de Castro permitiu a Chico Science uma maior clareza do que ele acreditava como arte. Por isso, acho fundamental que essas coisas também passem pelo Overmundo para que elas ajudem às cabeças-pensantes a darem novos passos, passos-além. Vamo que vamo!

Grande abraço a todos!
E olha que isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bão demais! rsrsrs

BM

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2006 22:38
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Bruno Maia (sobremusica.com.br)
 

Só uma última coisa. Espero que essa minha "participação efetiva" não esteja sendo vista como "participação excessiva", o que é meu maior medo. Ficar sendo o chato da turma... rsrsrs.. Espero que não...

Abs

Bruno Maia (sobremusica.com.br) · Rio de Janeiro, RJ 2/4/2006 22:42
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Hermano Vianna
 

claro que não é nada excessivo! manda ver, Bruno!

Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 3/4/2006 01:43
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Felipe Gurgel
 

Acho importante o Overmundo preencher espaços repercutindo a cultura produzida no Brasil. No entanto, quando falo de abordagens diferentes disso, sugiro o olhar regional, de nossos valores aproximados, debruçado sob a cultura globalizada também. E isso também vejo que faz falta na mídia. Exagero quando digo "resenha de 2 Filhos de Francisco", não queria a resenha pura e simplesmente.

No mais, acredito no site e vejo que ele tem ganho espaço pautado por reportagens e temas instigantes. Confesso que temia que isto aqui fosse tomado pela repercussão de fait-divers - o que poderia alavancar a audiência pela efeméride, e não é bem o que vem acontecendo. Por mais que alguma pauta surja pelo inusitado, tem sempre algo relevante ali.

Vamos alimentar esse debate sobre a "nossa" linha editorial. Pautada pela boa discussão é que ela vai se definir bem. Abraços!

Felipe Gurgel · Fortaleza, CE 3/4/2006 02:01
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