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Dois livros de histórias em quadrinhos estão entre as coisas mais bacanas que eu li esse ano. Primeiro foi Persépolis, de Marjane Satrapi. O livro, adaptado belamente para o cinema, conta a história de uma menina iraniana politizada, que se sente deslocada tanto em seu país de origem como na Europa supostamente pós-colonialista.
Da safra nacional, temos outra garota, a Menina Infinito. O albúm homônimo foi lançado no último sábado (19/07) em Copacabana, pela editora Desiderata. Menina Infinito é o nom de plume da personagem Mônica, uma jovem adulta meio gordinha, meio loser, meio indie e bem irônica. Seu modelo de ética é Amelie Poulain e ela não consegue durar muito tempo em relacionamentos e empregos.
Os quadrinhos desenhados por Paulo Lyra não tratam do entendiante universo cult. São como o gosto cinematográfico de Mônica: algo entre o filme cabeça e o pipocão. É divertido ver nos cenários de Lyra o boneco Sexy Boy do Air ou o famoso leitinho do clipe do Blur. São hilárias também as alfinetadas nos emos e nos filisteus pseudocults que acham Los Hermanos o máximo.
Os mundo trash também está bem representado. Dario Argento e George Romero são as grandes referências existenciais de Pedro, melhor amigo da protagonista. São nomes que não costumam freqüentar o mundo indie, acostumado a consumir material de terror de segunda-mão, via Tarantino. Infelizmente o albúm traz poucas histórias, mas muito bem ambientadas com um visual de fanzine. Todos que sonham com o Morrissey assim como a personagem Mônica, já estão sonhando com mais desventuras da Menina Infinito.
tags: Rio de Janeiro RJ literatura
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