Mestre Valentim

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Pedro Moreira Filho · Niterói, RJ
25/8/2006 · 163 · 5
 

Às vezes buscamos valores em terras distantes, quando os mesmos valores estão em nossos quintais. Passamos por eles, esbarramos neles, e mesmo assim não os notamos.

Ao ler sobre um cara chamado Valentim da Fonseca e Silva, descobri que ele foi responsável por diversas obras no Centro do Rio de Janeiro. Conhecido como Mestre Valentim, esse mestiço nascido em Minas Gerais por volta de 1745, filho de um português tratador de diamantes e de uma escrava, por volta de seus três anos de idade foi levado por seu pai para Portugal, onde viveu até os 25 anos. Estudou o ofício da Torêutica (arte de trabalhar com metais, pedra, esculpir em madeira) e retornou ao Brasil para viver no Rio de Janeiro, abrindo em seguida sua própria oficina. Ganhou fama como arquiteto, escultor e decorador e devido ao seu talento, apesar de ser um mestiço, passou a ser muito requisitado na capital do Vice-Reino. Nesta época quem mandava por aqui eram os portugueses, mas o cara quando é bom não tem jeito e Valentim venceu.

Mas o que isso tem a ver com nossas vidas? Bem, para quem gosta de História esse sem dúvida foi um marco da arquitetura na cidade do Rio de Janeiro. Graças a Deus Valentim veio parar por essas bandas. Amigo do Vice-Rei Luis de Vasconcelos, mudou o visual da cidade ao construir o Passeio Público - quem não conhece o Passeio Público? O cara fez obras, melhorias e decorações em diversas igrejas: Nossa Senhora do Monte do Carmo (na Rua Primeiro de Março), Nossa Senhora de Monserrat (Mosteiro de São Bento), Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora da Conceição (Av. Rio Branco), e por aí vai. Efetuou também a construção do Chafariz das Marrecas, infelizmente demolido para ampliação do Quartel da Polícia (sem comentários) – porém, as belas estátuas da Ninfa Eco e de Narciso (graças a Deus) foram conservadas e levadas para o Memorial do Mestre Valentim no Jardim Botânico. E mais, o Chafariz do Lagarto (Rua Frei Caneca), Chafariz da Pirâmide na Praça XV, pertinho de quem chega ou sai do Rio pelas Barcas. Ele está ali, imponente, maravilhoso. O chafariz servia à população da cidade e era utilizado como aguada das diversas embarcações que chegavam ao Rio. Podemos ainda observar parte das escadas que flanqueiam o chafariz (tombado pelo Patrimônio Histórico). Sente-se ali e imagine os oficiais, marujos e comerciantes, subindo ou descendo as escadas. O que eles traziam? E quando iam embora o que eles levavam? Como saber?

E assim é hoje em dia com os milhares de passageiros das Barcas, todos os dias. Nada mudou.

O Mestre Valentim faleceu por volta de 1813 e sua sepultura ainda pode ser visitada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, de onde era membro.
Ao Mestre Valentim, o meu muito obrigado.

É isso, o resto é história.

Pedro Moreira Filho – Niterói/RJ

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Pedro Moreira Filho
 

Oi amor, lindo.
Parabéns!
Beijos

Pedro Moreira Filho · Niterói, RJ 23/8/2006 16:16
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Pedro Moreira Filho
 

galera, favor não considerar comentário anterior. Foi uma brincadeira de uma amiga do trabalho, ok?
Pedro

Pedro Moreira Filho · Niterói, RJ 23/8/2006 16:33
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dáia flórios
 

ah! gostei do seu texto e da história. o que será que é "aguada" que vc fala? e gostei tb do post da sua amiga! rararrara. parabéns! bjs

dáia flórios · Rio de Janeiro, RJ 24/8/2006 17:33
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Pedro Moreira Filho
 

Seria a provisão de água doce para viagens marítimas;
e lugar onde se faz abastecimento de água (segundo dicionário).
Faz sentido, né mesmo?
Valeu


Pedro Moreira Filho · Niterói, RJ 24/8/2006 17:40
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Fábio Fernandes
 

Muito bem lembrado, Pedro. A gente precisa mesmo lembrar a nossa história, e constantemente.

Fábio Fernandes · São Paulo, SP 29/8/2006 19:19
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