Restos de chapas de metal sem utilidade, descargas velhas de moto e de carro entulhadas no chão de uma oficina. Qualquer pessoa diria se tratar de ferro velho e não veria nisso nada de sublime. No entanto, a retina de Júnior Leônio é capaz de enxergar longe. Ele é um artista nato, cuja criatividade e o talento impressionam ao primeiro contato. Seu olhar sensível pode perceber nessa matéria inerte formas angelicais e nelas descortinar uma existência mista de atribulação e graça. Vê alguém que amava a música da vida, a harmonia dos sons do mundo e que deles fora privado por uma precoce partida. Esse garoto gloriense é capaz de ouvir essa pessoa a tentar convencer o Criador de que precisa voltar ao mundo dos vivos, e consegue vê-la retornando, conversando com os pais e tocando novamente sua guitarra. Dessa vez, tocando para a glória de Deus. Assim, Júnior dá formas à sucata e faz surgir uma nova realidade, recria no metal, aparentemente inútil, “O retorno do anjo” (foto acima).
Filho de Leônio Carlos da Silva e Maria dos Prazeres Oliveira Silva, Júnior Leônio da Silva, primogênito dos seis filhos do casal, nasceu em Nossa Senhora da Gloria e já aos quatro anos mostrava-se mais observador e criativo que o comum dos meninos de sua idade. Nessa época, manipulando um pedaço de arame, criou sua primeira peça: uma pequena bicicleta. Feito que a todos deixou admirados. A arte já o havia escolhido, embora Júnior ainda não o percebesse.
Leônio passou a infância lidando, sem o saber, com aquilo que seria a matéria-prima de sua arte, pois seu avô comprava sucata no ferro velho. Inocentemente, o futuro artista plástico brincava com ela e deixava que sua imaginação criasse asas. Mal sabia que as fantasias que construía em sua imaginação também o estavam construindo e fazendo germinar nele uma sensibilidade incomum aos demais.
Há dois anos, observando o ferro velho do avô, palco de suas fantasias infantis, Júnior foi tomado novamente pela necessidade de criar e, diante de uma descarga de carro, chapas de metal, picaretas, canos e de pedaços de vergalhão, ocorreu-lhe retratar o transporte comum das pessoas mais velhas do sertão. Surgiu então o “Jegue e o Nordestino”, outra de suas mais conhecidas esculturas. A partir daí sua produção acelerou e hoje, aos vinte e cinco anos de idade, já conta com aproximadamente 70 peças entre esculturas de metal, quadros, desenhos e esculturas de madeira. Quanto a estas últimas, o artista explica: “Na verdade, a natureza se encarrega de produzir arte, eu apenas dou-lhe alguns retoques”.
Em 2000, com o apoio de seu amigo Messias Cordeiro, Diretor do Projeto Luz do Sol, participou de concursos e exposições nacionais, como o III Concurso Nacional de Artes “Arte de viver” da Jansen Cilag, em São Paulo/SP; 1ª Amostra Nacional de Prática em Psicologia, em São Paulo/SP; II Prêmio Arthur Bispo do Rosário, em São Paulo/SP e o VI Festival Nacional de Arte Sem Barreira, em Brasília/DF. Em 2001, participou do 1º Festival de Arte Sem Barreira, em Aracaju/SE e, em janeiro de 2002, realizou a 1ª Exposição “Arte em Ferro”, em Nossa Senhora da Glória.
Júnior afirma que a obra do artesão Véio e de outros artistas plásticos nacionais tem influenciado seu trabalho. Ele diz ser ainda um artista em formação: “hoje observo trabalhos de artistas consagrados e procuro amadurecer minha arte para poder me expressar cada vez melhor”.
Graças a Antônio Cruz, estudou desenho e pintura com o professor Elias Santos, na Galeria de Arte Álvaro Santos.
Infelizmente, como acontece com a maioria dos artistas do interior, faltam-lhe ainda mais apoio e incentivo dos órgãos governamentais, ou até mesmo de entidades que lidam com arte e cultura para divulgar o trabalho desse fabuloso artista plástico. Por conta disso, suas peças ainda são privilégio de um público restrito: familiares e amigos. O público dos grandes centros não o conhece tão bem ainda. Dessa forma o trabalho de Júnior continua sem uma avaliação precisa de seu potencial cultural e artístico.
Atualmente, o artista está a espera de patrocínio para divulgar seu trabalho em exposições pelo Estado e, principalmente, em Aracaju.
Que bom que gostou, Dani.
Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória, SE 24/3/2007 22:58
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Abraço.
Gostei mto da materia. Sinto-me honrado em ter nascido e conviver numa terra tão rica de personalidades e artistas tão criativos e talentosos. PARABÉNS aos nossos artistas, em especial ao jovem Júnior Leôncio e o Poeta Jorge Henrique, ambos merecedores dos meus cumprimentos e de toda as pessoas que sabem valorizar e reconhecer a verdadeira arte. SUCESSO e BOA SORTE na caminhada.
Derivaldo Barreto
Grande Derivaldo. Sempre tão gentil.
Obrigado pela força!
Um abraço.
Ps.: Bem-vindo ao Overmundo.
Há muito conheço o Junior Leônio, sempre ví nele um observador, tudo se encaixa, faz sentido ou tem algo a mostrar, e assim, nas poucas conversas aprendi muito esse lado observador, que, modestia parte, também me é atribuído desde a infância, muitas dos trabalhos dele são de visões de grandes artistas, ou seja, o amadurecimento já está presente em suas obras e expressas de forma tão ampla. Parabéns Junior.
Não é Jorge!, (lembrei de ontem na sala, "Não é Celso!").
Abraços
Concodo plenamente, David. Também sou fã incondicional de Leônio e admiro essa percepção da realidade que imprime em suas obras.
Seja bem-vindo!
Muito bom vê-lo aqui.
Um grande abraço.
(Não é, David!) (rsrsrsrs)
Parabéns pelas colaboração.Um bj docinho, Sílvia
silviaraujomotta · Belo Horizonte, MG 7/2/2008 02:34Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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