“Meu nome não é Johnny. Nem Maurição”...

Alonso.
Ao fundo, um amigo segurando o livro. No meio, "A infância de Maurição".
1
Cury · Salvador, BA
21/3/2008 · 134 · 3
 

...Ou “Índio aos 35...”
_________________________
Um dia, recebi um e-mail de um cara dizendo que estava fazendo um livro e que, pesquisando na internet à procura de material, chegou a esse blog.
Ele queria que eu liberasse um trecho de um texto meu para o livro dele. Era um parágrafo de um texto sobre um Ba-Vi na Fonte Nova, em que eu falo sobre o gol de Raudinei, aos 46 do segundo tempo, na final do campeonato baiano de 1994.
O livro dele é todo dedicado a esse gol. O nome do livro é “Raudinei aos 46”.
Dava um bom nome para a biografia de Raudinei, se ele tivesse 46 anos.
Ele deve ter colocado no google “Raudinei” e saiu lendo tudo que achou.
Ele me explicou que o livro teria depoimentos de jogadores que atuaram naquele jogo, tanto do Bahia como do Vitória, do próprio Raudinei, de jornalistas que estavam naquele jogo e de torcedores, tanto do Bahia como do Vitória. Era aí que eu entrava.
Respondi a ele que ficasse à vontade. Ele agradeceu e, mês passado, soube que o livro dele ficou pronto e estava à venda. Comecei procurando na Siciliano do Shopping Barra.
– Tem o livro que saiu do Bahia? Um novo?
– Livro do Bahia?! – respondeu o vendedor, de uma forma que deu para perceber que ele torce para o Vitória.
Se mostrando irritado, ele se virou e saiu andando. Fui atrás. Ele foi andando em direção a outro vendedor, que estava mais no fundo da loja.
– Chegou algum livro do seu time?
– Hein?
– O cara aí tá procurando um livro sobre o Bahia.
Não vou dizer que fiquei irritado com o atendimento do cara, mas por um instante pensei “que imbecil!”.
– É um livro sobre o gol de Raudinei, aos 46 – falei só pra pirraçar.
O vendedor/torcedor do Bahia abriu um sorriso de um lado a outro da cara.
– Saiu um livro sobre aquele gol?
– Saiu – respondi.
– Porra, campeão, chegou ainda não...
Eu pensei em dizer aos dois que eu era Vitória, mas não achei a brecha. E Ba-Vi é uma coisa meio irracional. O cara do Vitória iria se irritar por um rubro-negro estar querendo comprar aquele livro e o tricolor iria se irritar pelo mesmo motivo.
Fiquei sabendo que o livro estava sendo vendido na Vídeo Hobby. Lá, foi diferente.
– Tem o livro do Bahia?
Os olhos do cara brilharam.
– Livro do Bahia?! Qual?
– Um livro novo que saiu do Bahia...
Eu ficava receoso de dizer logo de cara que era “um livro do gol de Raudinei”. Não queria passar por um fanático, muito menos tricolor.
– Tô sabendo, não. Vamos perguntar ali pr’aquele rubro-negro sofredor descarado – disse ele sobre o outro vendedor, que estava no fundo da loja.
– Ô, vice, tá sabendo de algum livro novo que saiu sobre o tricolor campeão?
– São Paulo ou Fluminense? – respondeu o rubro-negro.
Eles tiveram um rápido jogo de provocações com “sou bi-brasileiro”, “sou primeira divisão, tenho estádio”, “já disputei libertadores”... até que esqueceram de porra de Bahia e Vitória e se lembraram que eu era apenas um cliente.
O rubro-negro perguntou:
– Que livro é esse, maluco? É novo?
– É, saiu esse mês... e soube que vendia aqui.
– Aqui chegou não... Já tentou na outra loja?
– Não...
– É um livro de quê do Bahia? – perguntou o tricolor, com os olhos brilhando.
Às vezes penso que torcedor do Bahia se comporta como mulher de malandro. Imagino que se tivesse série D e o Bahia caísse (e a Fonte Nova estivesse viva), cada jogo seria um recorde de público. Assim não tem presidente que não pense que merece o terceiro e o quarto e o quinto... mandato.
Mas o cara estava tão feliz que resolvi contar. Já sofre tanto com o time que não me custava nada dar uma alegria para ele.
– É um livro sobre o gol de Raudinei.
PUTAQUEPARIU.
O grito que ele deu e a comemoração que ele fez foram motivos suficientes para uma demissão sumária.
– Só faz isso porque o gerente não tá aqui... – disso o rubronegro, enquanto o tricolor gritava como se comemorasse um gol: – Um livro todo sobre o gol de Raudinei?! Um livro todinho sobre o gol de Raudinei?!
Eu sorria e balançava a cabeça afirmativamente.
Saí de lá ouvindo ele comentar que “e esse livro do Barradão aí? Tá encalhado, ninguém compra essa merda, ta aí tem um tempão”.
O outro respondeu:
– Oxe, vendi um ontem, seu otário...
Mandei um e-mail para o escritor do livro, Luís Antonio Gomes, perguntando se tinha como comprar diretamente com ele ou se tinha em mais algum outro lugar. Eu queria ter o livro. Era a primeira vez que veria meu nome em um livro. Antes mesmo do meu livro. Ele pediu para eu tentar na barraquinha do primeiro piso do Shopping Barra, onde finalmente achei o livro.

Dia 05 de março, eu resolvi lançar o meu. Foi uma festa divertida. Acho eu. Sentei na cadeira e fiquei lá, atendendo aos muitos amigos e poucos desconhecidos que me pediam uma dedicatória.
Não lembro de muita coisa. A sensação que tenho é de que eu não participei da festa.
Alguns amigos meus me disseram depois que tiveram a mesma sensação nas festas de casamento deles. Lembro de flashes. E por causa do fotógrafo que estava lá, pude lembrar melhor quem estava na festa e, aos poucos, ir lembrando dos causos.
Um amigo que não via tinha mais de 10 anos apareceu por lá. Na foto dá pra ver bem eu perguntando “te conheço de onde mesmo?”, “da oitava série, no Mendel”, respondeu ele. Guilherme, que por ser mineiro, tinha o apelido de Mineirin.

Teve uma namorada de um amigo, que conheço há um bom tempo, mas que eu não lembrava do nome. Deu um branco na hora de escrever a dedicatória. Ele comprou um livro e ela outro. Eu arrisquei:
– É para você mesmo?
Moleculei que podia ser para alguma amiga, e ela poderia ler a do namorado. “Pruma amiga minha, Lais”, diria ela.
Mas não, o livro era pra ela.
– Ah, é que pensei que vocês, de repente, iriam ler o mesmo e esse era presente – disse eu, para ganhar tempo.
– Nãããããão, oxe, esse é pra mim. Vai que a gente se separa – disse ela, espirituosa.
Já estava me rendendo, já ia assumir “porra, me desculpe, mas deu um branco, como é mesmo seu nome?”, mas, na hora, ela desviou sua atenção para falar com alguém que estava entrando na livraria, e, nesse exato momento, Cris passou. Da cadeira, naqueles instantes em que se acha jeito pra tudo, estiquei a perna, cutuquei Cris, que parou e, quando olhou pra mim, eu lancei o olhar para a menina, fazendo alguma cara que ela entendeu na hora e disse, sem voz, só mexendo a boca, com sílabas espaçadas:
– Lo-re-na.
PQP. Alívio da porra. Foi tanto alívio que escrevi “Para Lore, blá, blá, blá...”.

O rock todo foi. Da geração antiga e da nova. De Mary, Michael e Gil, do Los Canos, até Luisão, da Penélope. Muitos bateristas. Tem uma foto que tem 5 bateristas juntos. MárioJorge (Penélope e Úteros em Fúria), Rex (Retrofoguetes), Pedrão (Ladrão de Bicicleta), Macello (Maria Bacana e Os Culpados), Quinho, que veio da Inglaterra... Veio pra casar. E casou, dois dias depois. Quinho foi o baterista que substituí na brincando de deus. Ainda tinha Brian, um baterista americano que montou um excelente estúdio de gravação aqui em Salvador. Todos eles personagens do livro. Aliás, o lançamento estava cheio de personagens do livro, inclusive o baixista Francisco, o tecladista Galeno, o guitarrista Xandão e o vocalista Ricardo Cabeça, pessoas que formaram a primeira banda em que toquei, a de reggae, Filhos de Jah.
Tem uma foto que mostra Morotó, guitarrista do Retrofoguetes – que ganhou o troféu de melhor instrumentista pelo prêmio Dodô e Osmar 2008 –, junto com o guitarrista Armandinho, filho de Osmar.
Vi a foto de um judeu e lembrei dele.
"É mesmo, esse judeu estava lá", pensei ao ver a foto. Reconheci ser judeu pelas vestimentas. Ele não entrou na fila e me interrompeu no meio de uma dedicatória.
– Com licença, eu só queria te dizer que blá, blá, blá...
Não lembro de nada do que ele disse. Fiquei observando a roupa, o kipá, ele, e só depois tentei entender o que ele estava dizendo. Lembro vagamente que ele estava elogiando o livro. Soube depois que ele ficou lendo passagens. Pediu emprestado para alguém, mas não comprou. Soube depois também que ele vai pra tudo que é lançamento de qualquer coisa.

De repente, vejo, entrando na livraria, ele, o dono do restaurante, o cara que me chama de Maurição (veja texto – http://ricardocury.blogspot.com/2007/09/s-pra-destilar-tenta-relaxar-deixa-se.html ).
Eu o convidei pessoalmente. Levei o convite que dizia “lançamento do livro de Ricardo...”.
Essa troca de nome não me incomoda. O erro foi meu, que deixei a coisa passar. Cris adora ir ao restaurante dele só pra ouvir ele me chamar de Maurição, alem de a comida ser muito boa.
Ele entrou na fila e, sempre que a fila andava, eu pensava “será que vai me chamar de Maurição?”.
Não deu outra, levantei para dar um abraço nele e:
– Porra, Maurição, parabéns, o livro tá lindo.
Só pude dar risada.
E Gustavo, um amigo meu que também é amigo dele por outro círculo de amizade, sabe da história e quando viu, do lado de fora da livraria, ele falando comigo, voltou na livraria (ele já tinha pego o seu livro) só para perturbar. O pior foi que ele só fez piorar a situação:
– E aí, Marcelão, tudo beleza? Grande Marcelão, o livro tá lindo...
Foi por pouco, mas quase que eu disse “é Maurição, seu idiota”.

Depois do livro lançado, recebi muitos telefonemas e e-mails de amigos dizendo as mais diversas coisas:
“Já acabei, parabéns”.
“Tô na página 102”.
“Meu pai pegou pra ler”.
“Meu filho pegou pra ler”.
“Levei pra faculdade, uma amiga quer comprar um”.
“Achei um erro de português no texto da barata”.
Minha irmã me acordou pirada porque eu não fiz um texto falando de quando eu dançava igual a Michael Jackson quando era pequeno.

Alessandra comprou um e levou para a faculdade. Uma amiga leu, gostou e depois foi descobrir que o marido dela é personagem do livro. Foi meu amigo no terceiro ano do segundo grau. Pediu um pelo delivery. Mais de dez anos também que não o via.

Quando recebi as fotos do fotógrafo, selecionei algumas e mandei para as pessoas que aparecem nelas.
Mas teve um cara que eu não reconheci quando o vi em uma foto comigo. Não lembrava quem era, mas lembrava que troquei algumas palavras com ele lá.
Uma semana depois do lançamento, fui ao cinema e encontrei com Serginho, baixista que toca com Ronei Jorge e os ladrões de Bicicleta. Ele foi no lançamento.
– Porra, estava querendo te encontrar. Já li o livro e blá, blá, blá... – disse ele.
– Eu também – respondeu um cara que estava do lado dele, e que não conhecia ele. Não estavam juntos.
– Porra, você? Estava te procurando, man...
Era o cara da fotografia, João Victor. Enquanto eu fazia o livro, recebia e-mails de pessoas dizendo “faça um livro”. No dia do lançamento, João Victor me disse que ele foi uma dessas pessoas. Eu tinha o e-mail dele guardado. Depois do cinema, quando cheguei em casa, mandei as fotos.

Agora a pergunta tá sendo “vai fazer outro quando?”.
Outra presença ilustre foi da fotógrafa Arlete Soares. Se eu fizer mais livros, um, com certeza, vai ser a biografia dela. Jorge Amado disse que ela é o cão.
Já foi para Índia de carro nos anos 70, de onde saiu o seu livro “Caminhos da Índia”, com prefácio de Jorge Amado, onde ele diz que ela é o cão, e de Pierre Verger, que foi seu parceiro e companheiro de trabalho na arte da fotografia.
Recentemente, Arlete foi protagonista de um documentário sobre a vida de Verger, chamado “Os Negativos”.
O diretor desse documentário, Ángel Díez, disse que, desde 2002, tenta convencê-la a dar os depoimentos e só em 2007 conseguiu. Já disse a ela que, então, no mínimo até 2011 ela vai ouvir meu pedido pela biografia.
Quando eu tinha 14 anos, Arlete ficou hospedada dois meses na casa de minha mãe, no meu quarto. Ela estava no dia em que ganhei a minha primeira bateria. Dormiu com ela no quarto por muito tempo, enquanto eu fui dormir com minhas irmãs.
Durante a sua estada lá em casa, Arlete me contou incríveis histórias sobre sua vida, sobre as pessoas que a rodeavam.
Fiquei muito tempo sem vê-la e fomos nos reencontrar justamente quando eu estava indo passar minha temporada no Vale do Capão. Como minha casa ficaria vazia e Arlete estava de mudança, mais uma vez eu cedi meu quarto para ela. E dessa vez com a casa toda, já que estava morando sozinho. E, de novo, 14 anos depois, com uma bateria no quarto.
Dentre suas histórias, gosto muito de uma que ela conta que, em 1983, estava em Paris com uns amigos brasileiros e resolveu ligar para um restaurante de um outro amigo brasileiro para reservar uma mesa.
– Não, Arlete, hoje não – disse o seu amigo dono do restaurante.
– Como não? Por quê ? Como assim? – Arlete não entendeu a recusa.
– Ah, Arlete, não posso falar, senão é aí que você vai querer jantar aqui mesmo.
– Ah, mas agora você vai falar.
Arlete tinha intimidade com ele. O nome do restaurante era Dona Flor e ela foi a mediadora com Jorge Amado pela liberação do nome.
– Olha, Arlete, eu vou falar, mas nem tente, pois você não vai poder jantar aqui hoje, tá ouvindo?
– Tô. Diga logo.
– É que o restaurante tá fechado pra comemorar o aniversario de 40 anos de Mick Jagger.
– HEIN?
Arlete é fanática pelos Rolling Stones.
– É que o restaurante tá fechado pra comemorar o aniversario de 40 anos de Mick Jagger – repetiu o dono do restaurante.
– Ah, mas é agora que eu vou e reserve uma mesa pra quatro, que vou com três amigos.
– HEIN? Não, Arlete...
– Não quero saber, eu vou...
Ficou nessa lenga-lenga, mas Arlete não desistiu.
– Tá bom, tá bom, mas pelamordedeus, Arlete, não traga a porra da máquina fotográfica. Ele me implorou para que não houvesse imprensa, é uma coisa muita sigilosa, ele não quer exposição, só vem amigos e blá, blá, blá, por favor, respeite.
Arlete foi e, claro, levou a máquina na bolsa.
O restaurante tinha dois andares e a mesa de Arlete e seus amigos era no andar de baixo, ao lado do banheiro, num canto. Eram os únicos não-convidados. Até aí, tudo bem. O problema é que eram também os únicos não-fantasiados. E o tema era Brasil.
Mas a verdade é que Arlete não precisava de fantasia para estar no tema Brasil. Os três amigos dela eram Nana, Danilo e ele, Dorival. O Caymmi.
Sim, Dorival Caymmi, o baiano mais baiano do mundo, o do samba, o de Maricotinha, o de João Valentão, estava no aniversário de 40 anos de Mick Jagger. Em Paris.
Erroneamente, isso não consta em nenhuma biografia de Caymmi. Pior, nem nas de Jagger.
– E Caymmi estava sintonizado com aquilo? – perguntei a Arlete, quando pedi que me recontasse a história para que eu pudesse transcrevê-la aqui.
– Totalmente. Caymmi sempre foi muito ligado ao que estava acontecendo no mundo. Ele sabia muito bem o que era rock and roll – disse ela.
E, mesmo assim, a Bahia foi parar onde parou.
No meio da festa, Arlete ainda não tinha visto Mick Jagger.
“Deve tá no andar de cima, mas uma hora ele vai ter que descer pra falar com os convidados daqui de baixo” – pensou ela.
E ele desceu. Sua mulher, Jerry Hall, estava fantasiada de Carmem Miranda. Ele, de marinheiro.
Arlete foi ao banheiro e, quando voltou, seus olhos cruzaram com os de Mick, que perguntou: “o banheiro é aí?”. Arlete afirmou e ele foi. Quando ele voltou e passou pela mesa dela, ela não resistiu e foi saciar seu desejo de fã.
– Mick, eu só vim porque sou muito amiga do dono do restaurante, moro no Brasil e estou com convidados aqui e blá, blá, blá...
– Fique à vontade – respondeu Mick – a festa é sua.
– Tem outra coisa, Mick. Eu sou fotógrafa e meu amigo pediu pra eu não trazer a máquina, mas você sabe como é, eu trouxe e tal e queria saber se você permite que eu tire umas fotos...
– Já lhe disse, baby, fique à vontade, a festa é sua – respondeu, de novo, Mick.
O dono do restaurante foi para o lado de Mick Jagger ao constatar que ele liberou as fotos.
– Tire uma foto minha com ele, Arlete – implorava.
Mick Jagger foi apresentado a Caymmi e perguntou por Caetano, pois tinham se encontrado, recentemente, em Nova York, onde Caetano o entrevistou para alguma publicação brasileira.
– Caetano Veloso – dizia Mick, fazendo o sinal de “legal” com a mão.
Fazer 40 anos é uma data marcante na vida de qualquer pessoa.
Os 40 são temidos por muitos. Existe alguma barreira imaginaria a ser atravessada quando se chega aos 40. Sempre quem faz 40 faz uma festa marcante. É o meio da vida, por assim dizer.
Vi as fotos quando fui conversar com ela na sua editora. Arlete é a única pessoa do mundo que tem fotos do aniversário de 40 anos de Mick Jagger. Em Paris. Com Dorival Caymmi. De penetra.

Li o livro de Raudinei. Gostei do livro. Ele narra o dia antes do jogo, as manchetes dos jornais, a concentração dos jogadores, e vai indo até chegar o dia do jogo, o jogo, o gol do Vitória, o “bi, bi, Bahia é bixa” que a torcida do Vitória gritava, inclusive eu, a confusão que teve no finzinho do jogo, a cabeçada a esmo de Souza, que caiu certinho na perna esquerda de Raudinei, “a perna boa”, como ele mesmo disse na sua descrição do momento, que deu um chute certeiro e empatou o jogo, aos 46 do segundo tempo, dando o titulo de bi-campeão baiano ao Bahia. Li o livro apreensivo, o que me fez achar que o livro é bem feito. O tricolor lerá com imensa satisfação.
Então eu tô pensando em, algum dia, fazer um livro sobre o último Ba-Vi da história da Fonte Nova. Não foi final de campeonato, mas foi o último Ba-Vi da história da Fonte Nova, o estádio da Bahia e o seu principal clássico.
Nós, rubro-negros, teremos de agüentar Raudinei para sempre, mas isso os torcedores do Bahia terão de agüentar também. O último Ba-Vi na Fonte Nova, o templo das glórias do tricolor de aço, foi vencido pelo arqui-rival, o Vitória. O último Ba-Vi na Fonte. O mais gostoso foi o placar. 6 x 5. O jogo foi incrível. O Bahia saiu na frente, o Vitória empatou e depois virou pra 2 x 1. O Bahia empatou e no finalzinho do primeiro tempo virou para 3 x 2. No começo do segundo tempo, o Vitória empatou e depois fez mais dois deixando o jogo 5 x 3. Esse placar ficou até os 42 do segundo tempo, quando o Bahia fez o quarto e aos 45 empatou em 5 x 5 . Tinha tudo pra ser mais um jogo como o de Raudinei. Hoje, com esse “plus a mais” de último jogo, mais ainda. Porém, dessa vez, não foi assim. Foram quatro gols de Índio. O nome do livro poderá ser “Índio aos 35, aos 6, aos 25 e aos 47”.

Em tempo: Tem uma foto do dia do lançamento do livro, que é (acho que é) da leitora Karina M. Ela mandou um comentário dizendo que iria para o lançamento e que iria pedir uma dedicatória, mas que esta poderia ser apenas “Beijos, Cury”, numa alusão ao texto de junho de 2006 – http://ricardocury.blogspot.com/2006/06/escrevo-te-estas-mal-traadas-linhas.html
Karina, se estiver me ouvindo, mande um e-mail para mim para que eu possa mandar a sua foto. paracolorir@gmail.com
Acho que é você na foto. Vamos ver...

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Saulo Frauches
 

Sensacional, Cury. Confesso que fiquei meio tenso no meio do texto, quando você parou de falar do livro sobre o gol do Raudinei (aos 46) e achei que ficaria sem saber se você encontrou o livro ou não.

E muito bacana ter ressaltado o encontro entre Caymmi e Jagger - no aniversário de 40 anos do último - quando, como você mesmo escreveu, nenhuma biografia oficial dos caras registrou esse 'esbarrão'.

abraços!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 18/3/2008 15:35
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Juliaura
 

PÔ Marcelão, tô na metade desse cumpridão teu (deve ser por causa do nome que te dão, né: Maurição, isso é ótimo de trocarem os nomes da gente e a gente continuar deixando as pessoas confortáveis, na dela).
Pois tava dizendo que tava na metade e não lembro desse gol aos 46, na certa foi num tempo que eu não existia ou aquele minuto extra foi acrescentado de maneira, digamos, um tanto quanto... Bem Cury, agora que já vi que teu nome não Yagger e, por certo não és o Dorival.
Se é Cury, é de que? Se é sobrenome, bem que pode ser Michael Maurição Jagger Cury.
Tem uns que sacaneiam os filhos assim, tipo jorginelsonarrison Pereira da Silva.
Pois é, esse negócio de sentir-se fora da festa não só acontece com os astros. Basta um flachi espoucar e já estamos escancarando, umas que nem eu, outras fechando a cara e virando de lado pra não ter de dar explicação em casa.
Tem que dizer que gostei do estilo, da amarração do texto, da caitituagem de primeira com estrelinha?
Tem não, Maurição!
Tem não Marcelão!
Vou dizer isso pro Cury, se eu encontrar dia desses com ele, se é que ele existe como pensa que é.
Boa travessia pra ti, vivente, seja que nome queiras ter pra te chamarem de meu bem.

Beijin.

Juliaura · Porto Alegre, RS 21/3/2008 09:33
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JP - João Paulo
 

Esse gol de Raudinei me faz lembra do meu pai chegando rouco e sem camisa da Fonte Nova. Bons tempos. Saudades do verdadeiro Baêa.

JP - João Paulo · Recife, PE 22/3/2008 22:00
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