MEUS DOCES ANOS DE AGRICOLINO...(REMINISCÊNCIA)

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Agenor · Aquidauana, MS
29/9/2007 · 211 · 55
 

O ano era 1970, o mês, fevereiro... Lembro-me que, após as despedidas chorosas de meus pais, os abraços dos meus irmãos (somos sete e eu sou o mais velho) e das mil recomendações de minha mãe, peguei a minha mala e embarquei no trem da antiga Sorocabana que fazia o ramal Botucatu-SP a Bauru -SP. Destino: - Colégio Técnico Agrícola Estadual Dona Sebastiana de Barros, São Manuel-SP - distante apenas 20 km de Botucatu, cidade onde eu residia.
Fora aprovado no exame de seleção para o ingresso no curso de Técnico Agrícola. Concluíra a quarta série ginasial (correspondente à oitava série, atualmente) e, após uma tentativa frustrada de ingressar no curso de Técnico Industrial (cheguei atrasado às provas), por sugestão de um primo que era inspetor de alunos numa outra escola agrícola (Cerqueira César – SP), fiz as provas da seleção (Português e Matemática) e fui aprovado. Tornei-me um “agricolino!”...
O colégio funcionava em regime de internato e em tempo integral (como de praxe em todas as escolas agrícolas da época). Alojamento amplo com beliches de madeira... Cedo aprendi que era mais seguro ocupar a parte de cima, pois quem dormia embaixo sujeitava-se, às vezes, a receber jatos de resíduos alimentares não digeridos, principalmente às quintas-feiras, dia da semana liberado para irmos à cidade, distante cerca de 2 km do colégio.
Os nossos pertences eram guardados em armários de madeira, trancafiados com cadeado, cuja chave trazíamos pendurada em cordão preso ao pescoço (existiam alguns gatunos e todo cuidado era pouco). Cada armário era usado por dois alunos e a convivência diária os tornava tão íntimos que passavam a se tratar, reciprocamente, de “sócios”. Por três anos ( período de duração do curso) compartilhei o armário com o meu sócio “Buri” (Buri-SP, era a cidade de sua procedência), desfrutei dos seus doces e refrescos (Q Suco) que ele não deixava faltar.
Acordávamos às seis da manhã sob o canto estridente da sirene e após a higiene pessoal tomávamos o café (pão francês com margarina, café com leite) servido em canecas de plástico. O período matutino era destinado às atividades teóricas, aulas das disciplinas específicas (culturas, criações, máquinas agrícolas, agricultura, etc.) e das disciplinas do núcleo comum (português, matemática, química, biologia, etc).
Pontualmente as onze horas soava a sirene encerrando as atividades letivas da manhã e anunciando o almoço (carinhosamente chamado de “boião”) que era servido no refeitório, das onze ao meio-dia. Aprendi, também, que quem deixasse para almoçar (boiar) já no final do horário estabelecido, além da vantagem de não ter que enfrentar fila era favorecido com a repetição , por nós denominada de “rebote” e que nem sempre ocorria. Comíamos e ficávamos ansiosamente esperando que o Sr. Tutu (inspetor de alunos) bradasse, em alto e bom tom, a frase: - Olha o rebote!... Corríamos, então, em alvoroço, em direção ao local onde os cozinheiros serviam as refeições para sermos agraciados, às vezes, apenas com uma concha de feijão ou mais uma colher de arroz, já que as misturas (geralmente saladas e carne) cedo esgotavam.
Vegetariano, desde aquela época, a minha presença no refeitório era sempre aguardada com certa ansiedade por alguns colegas com os quais estabelecera o hábito de trocar o meu bife pelas suas saladas (a troca era sempre muito concorrida) Tornei-me integrante da “turma do rebote”, um grupo de dez a quinze alunos cuja presença era constante em todos os “rebotes”, e o engraçado, é que assim agíamos não por necessidade mas pelo simples prazer de participar daquele momento, tido como “sagrado” para alguns dos integrantes do grupo. Havia também boatos que o "boião" era enriquecido com "salitre" para amenizar os "ímpetos" da rapazeada, fato que nunca foi confirmado...
Após o almoço descansávamos no alojamento, que permanecia aberto até as treze horas, quando partíamos para as atividades práticas nos diversos setores (pomar, horta, estábulo, pocilga, aviários, etc) de acordo com a escala da semana previamente elaborada pelo setor pedagógico da escola. Filho de pai ferroviário e sem nenhuma tradição “ao campo” a princípio tudo aquilo era para mim novidade (a maioria dos alunos era de procedência rural, filhos de fazendeiros ou de trabalhadores da zona rural) e foi ao contato com aquelas práticas que comecei acalentar o sonho de vir a ser um dia Engenheiro Agrônomo. Sonho que começou a se realizar em 1973 quando fui aprovado no vestibular do CECEA (hoje, FUVESTE) para o curso de Agronomia da UNESP-Botucatu (àquela época Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu –FCMBB).
Após o jantar, onde o ritual do “rebote” era sistematicamente repetido, caminhávamos pelo asfalto vendo a noite cair e surgir no céu as primeiras estrelas, fazíamos isso diariamente, eu o Alfredo e o Armando, amigos inseparáveis unidos pela mesma cidade de origem. Às 22:00h a sirene, em longo e estridente grito, avisava-nos que era chegado o momento do silêncio, as luzes se apagavam, todavia, as conversas, as guerras de travesseiro, as sacanagens de todos os tipos continuavam... até bem mais tarde.
Sábado era o dia mais feliz da semana, era o dia de voltar para casa, rever a família. Já pela manhã arrumávamos as nossas roupas (sujas) na nossa mochila e com ela aos ombros partíamos para o trevo (Rodovia Marechal Rondon) em busca de carona. Viajar de carona era moda entre os agricolinos e fazíamos isso nem sempre por necessidade, mas por prazer. Era comum ver na segunda feira alguém se vangloriando por ter viajado de “galaxie”, “dodge dart” ou “opala” , que eram os carros mais luxuosos da época.
Ainda hoje relembro a minha época de “agricolino” e, com emoção, passeio mentalmente pelas dependências do Colégio revendo, em cada canto, colegas, professores, funcionários e cenas do cotidiano, a saudade que sinto faz-me afirmar sem nenhuma sombra de dúvida, que... aqueles foram os meus melhores anos...

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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Demorou mas valeu Agenor! Muito legal o teu texto! uma contribuição e tanto para o nosso mosaico! Muito legais as lembranças da hora da boia.

Mas "Somos sete" e não "somos em sete"
Faltam também algumas virgulas, mais isto não tem a menor importância, a gente corrige aos poucos.

beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 27/9/2007 10:55
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Agenor
 

Obrigado Joca,
Por não ser do "ramo" tenho algumas difiuldades gramaticais (creio que elas não comprometeram o texto). Conto com as correções que se fizerem necessárias.
Abraços, amigo.

Agenor · Aquidauana, MS 27/9/2007 14:09
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 


Correções
"O ano era 1970, o mês, fevereiro... Lembro-me que, após as despedidas chorosas de meus pais, os abraços dos meus irmãos (somos sete e eu sou o mais velho) e das mil recomendações de minha mãe, peguei a minha mala e embarquei no trem da antiga Sorocabana que fazia o ramal Botucatu-SP a Bauru -SP. Destino: - Colégio Técnico Agrícola Estadual Dona Sebastiana de Barros, São Manuel-SP - distante apenas 20 km de Botucatu, cidade onde eu residia."

Fora aprovado no exame de seleção para o ingresso no curso de Técnico Agrícola. Concluíra a quarta série ginasial (correspondente à oitava série, atualmente) e, após uma tentativa frustrada de ingressar no curso de Técnico Industrial (cheguei atrasado às provas), por sugestão de um primo que era inspetor de alunos numa outra escola agrícola (Cerqueira César – SP), fiz as provas da seleção (Português e Matemática) e fui aprovado. Tornei-me um “agricolino!”...

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 27/9/2007 14:41
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Agenor
 

Caro Joca,
Corrigido e sempre grato
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 27/9/2007 17:51
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Agenor:

Tenho enorme prazer em participar, mesmo que modestamente, das suas reminicências. A rigor, no entanto, também não sou do ramo. Aliás, na minha árvore, quase não cabem mais ramos, nenhum deles exatamente o meu.
beijo e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 27/9/2007 18:48
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Andre Pessego
 

Meu grande poeta, pois éis também um grande cronista, contista.
Lendo tuas lembranças, ao contrário do Joca, e sem pendores para tal, não pude me ater as "despercebidas" de gramatica ou mesmo de escrito. Entretive-me no saborear
a escrita e deleitar-me no enredo, um abraço, andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 27/9/2007 19:24
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carlos magno
 

Olá meu amigo e grande poeta Agenor,

custei mas encontrei o teu texto e achei maravilhoso. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 27/9/2007 20:04
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Noelio Mello
 

Grande Agenor.
De Belíssimo poeta para um crônista dos melhores. Texto muitissimo bem escrito. Palavras certeiras. Contas essas tuas histórias de uma maneira simplesmente saborosa.
Parabéns, parceiro, por tão belo escrito.
Abraços
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 27/9/2007 20:17
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Lígia Saavedra
 

Agenor, gostei demais de sua história de "agricolino". Tomara que seja aproveitada para o projeto do Joca. Parabéns pela desenvoltura, pela estética, pelo bom humor, pelo roteiro, enfim, parabéns!
Votarei com certeza.
Bjs

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 27/9/2007 20:37
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baduh
 

Olá Agenor.
Gostei muito da belíssima crônica! Eu adoraria ter estudado numa escola agrícola, com seus pomares e bichos. Deve mesmo ter sido um tempo maravilhoso para ti.
Abraços do,
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 28/9/2007 00:19
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Agenor
 

Amigo e querido irmão André,
Gratíssimo pela sua visita. De fato, esta é a primeira vez que me aventuro pelos melindres da narrativa. Prefiro a poesia onde a liberdade de criar pode ser melhor explorada, sem atentar tanto às rígidas normas dos textos gramaticais.
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 08:26
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Agenor
 

Grande poeta Carlos,
A sua visita me é sempre honrosa...
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 08:28
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Agenor
 

Parceiro e irmão Noélio,
Sensibilizadíssimo com as suas palavras elogiosas e olha que partindo de você elas são os mais fortes incentivos a me aventurar nessa modalidade literária.
Um abraço

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 08:32
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Agenor
 

Querida Lígia,
Sempre grato pela tua visita e obrigado pelos elogios,
Bjs

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 08:39
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Agenor
 

Caro Baduh,
Foi realmente um tempo inesquecível onde diariamete tínhamos algo diferente pra ser vivido. Os assaltos noturnos à cozinha da Escola (alguns alunos conseguiram uma cópia da chave); as ordenhas escondidas durante as madrugadas; os trotes aos "bagaços" (calouros), as visitas ao pomar em horário não permitido, e tantas coisas mais que ainda hoje revivo nos meus sonhos... Foi muito legal!

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 08:48
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Letícia L. Möller
 

Oi Agenor,
gostei do teu texto, e volto para votar.
Um abraço,

Letícia L. Möller · Porto Alegre, RS 28/9/2007 10:17
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Agenor
 

Amiga Letícia,
Agradecido pela sua visita honrosa,
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 11:52
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Marluce Freire Nascasbez
 

Agenor,

Belíssimo trabalho, na essência dos escritos percebesse-se traços de uma alma grandiosa!

PARABÉNS!

Um aBRAÇO, Marluce

Marluce Freire Nascasbez · Carnaíba, PE 28/9/2007 16:59
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Agenor
 

Querida Marluce,
Estava com saudades...
Gratsíssimo pela tua visita aos meus pobres escritos e pelas palavras de elogio,
Abraços pra você e os seus...

Agenor · Aquidauana, MS 28/9/2007 21:19
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Quero Agenor:
Minha pergunta inevitável: você tem fotos da escola, dos colegas, dos amigos, Alfredo e Armando, da pocilga, do boião, da horta, da ordenha, curricular ou clandestina?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, oanjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 28/9/2007 21:53
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Agenor
 

Amigo Joca,
Infelizmente não guardo comigo nenhuma foto da Escola ou dos colegas. Tudo fixou registrado apenas na memória. Daí a razão de eu lhe perguntado antes de postar o texto sob a necessidade das fotos.
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 07:54
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Agenor:
Desculpe a falha grande, você tem toda a razão. Esqueci-me daquela conversa.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 29/9/2007 07:59
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Agenor:

Votado!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 29/9/2007 09:09
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crispinga
 

Adorei!Um exemplo de superação!

crispinga · Nova Friburgo, RJ 29/9/2007 09:42
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Agenor
 

Querida Cris,
Sempre honradíssimo com a sua visita,
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 09:49
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Adilson Sarti
 

Oi Agenor,
Que belo texto! Sensível, poético... maravilhoso.
Como sou filho de agricultores, muitas vezes me passou pela cabeça fazer agronomia... lendo o seu texto me imaginei sendo também um agricolino.
Abração.
Também estou com um texto de memórias na fila de votação.
Se quiser conferir, vou gostar da sua opinião.
http://www.overmundo.com.br/overblog/no-fundao-do-meu-coracao

Adilson Sarti · Duque de Caxias, RJ 29/9/2007 10:02
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Benny Franklin
 

Sabê-lo narrador rebuscado - tal a firmeza do texto - é motivo de alegria, poeta Agenor. Parabéns pelo texto que tem um ar de lembranças de escola.
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 29/9/2007 10:11
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Joana Eleutério
 

Que narrativa gostosa de suas lembranças e que resgate histórico de um sujeito chamado Agenor. Parabén e meus votos. Bjs

Joana Eleutério · Brasília, DF 29/9/2007 11:36
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Agenor
 

Grande poeta Benny,
Felicíssimo com a sua visita e por vc. ter gostado da minha aventura narrativa, além das fronteiras dos versos...
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 12:06
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Agenor
 

Querida Joana,
Grato por ter lido o texto e feliz por ele ter te agradado,
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 12:08
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Ai, ai, ai, ai... são velhos tempos que não voltam mais"... cantava eu no inicio dos anos 90 aqui em Belém, numa dupla serataneja que formei com um amigo escritor.
Muito vem escrito, Agenor, mas me parece que você aprendeu mais sobre Poesia lá, do que sobre porcos e cabras.
Mas, como se parece com meus tempos no Seminário! E, sem ser coincidência, meu irmão foi parar meio contra a vontade numa escola agrícola. INFÂNCIA SEM IGUAL a de todos nós, não é?!

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 29/9/2007 13:53
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Andre Pessego
 

Vim, e votei chateado. Faltam ainda 42 horas de fila e já vai atirngir os 60 pontos, continuo achando que deveria haver um tempo minimo, mas, abraços Agenor, =
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 29/9/2007 14:18
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Ize
 

Adorei Agenor. Como hj é sábado - "o dia mais feliz da semana" - pude ler com calma seus doces anos de agricolino - seus melhores anos...e me deliciei com eles.
Parabéns pelo texto.
Joca vc deve estar feliz com mais essa contribuição linda pro projeto.
Bjs para os dois

Ize · Rio de Janeiro, RJ 29/9/2007 14:28
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Cintia Thome
 

Tua narração é belíssima , não só pelas lembranças de tua vida escolar, mas vamos a uns pontos interessantes, que hoje faltam muito na vida do adolescente, o compartilhar, a doação, respeito,
o ensinamento dos mais velhos que davam oportunidade de comando a pequenos setores , já antecipando o que viria lá fora , na vida adulta.Conheci alguns agônomos que diziam desta escola agrícola, pois trabalhei no Instituto Agrônomico.
Anos dóceis, de adaptação e amizade verdadeira. Pois sempre digo que os amigos da época escolar tinham vontade de dar a mão, ser amigo pra valer, pois estes estavam aprendendo com a vida também. Dos textos para o projeto do Joca, este é um dos mais sensíveis ...Parabens cronista! Votado.

Cintia Thome · São Paulo, SP 29/9/2007 15:58
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Cintia Thome
 

Voltei, não é brincadeira, pra reler.Ler detalhes , Pois a Sorocabana - Bauru-Botucatu, São Manuel, lugares visitados, tantos anos atrás.
E essa "choradeira" dos irmãos...que bom, espero que estejam unidos até hoje. abçs.

Cintia Thome · São Paulo, SP 29/9/2007 16:05
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Agenor
 

Grande poeta "NATO"
Adoro a profissão que escolhi principalmente pelo fato de poder conjugá-la ao ensino que sempre gostei de exercer (sou professor do curso de agronomia da nossa Universidade Estadual), todavia, se fosse possível viver neste país exclusivamente da arte de escrever e se tivesse que fazer uma opção, certamente ficaria com a poesia. Li sobre a crônica do seu irmão e muito daquilo que ele relatou também ocorria no Colégio (espelhinho no chão estrategicamente colocado sob o corpo da professora ( a única que por lá existia também), os nhec-nhec das camas no silêncio da noite, o "Matel", (motel da mata) que alguns agricolinos faziam quando conseguiam arrastar para lá algumas das mulheres que viviam numa vilarejo próximo ao colégio). Enfim, creio que agricolino era agricolino em qualquer lugar..
Amigo NATO, gratíssimo por vc. ter tido a paciência de ler os meus escritos (bem modesto perto dos que vc escreve).
Um grande abraço

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 21:01
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Agenor
 

amiga Ize,
Honradíssimo com a tua visita e com os teus elogios,
Bjs pra vc também

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 21:07
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Agenor
 

Querida Cintia,
Fico feliz pelas observações que vc fez, muito oportunas e olha, que nem tinha me atentado para esses aspectos. Continuamos ainda muito unidos (cinco continuam em Botucatu e eu e o caçula, que também fez escola agrícola por aqui, fixamos residência aqui em MS). Tive um professor na Faculdade que foi durante muito tempo diretor do IAC e que talvez você tenha conhecido ou ouvido falar. Professor Paiva Neto.
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 29/9/2007 21:16
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Cintia Thome
 

Agenor

Dr. Paiva Neto morava dentro da sede do Instituto Agronômico, casado com Dona Tuti,eu nasci e fui criada (apesar de alguns anos morar em Sampa e Bauru,SP) a poucos metros do Instituto Agronômico de Campinas e tive a oportunidade de brincar com os filhos dele, principalmente Marcelo e Roberto Minervíno...Da janela de meu quarto eu via a construção do prédio moderno, pois os outros datam do tempo de D.Pedro , fundador do IAC.
Olhava e queria um dia trabalhar lá, mas nunca fui chegada a plantas...Em 1968, quando a Rainha Elizabeth esteve no Brasil visitou o maior Instituto de pesquisa da Améria Latina e eu estava na calçada este momento histórico. Dr. Paiva era exímio engenheiro ...Depois de formada pela PUCC em Relações Públicas e depois indo a Sampa para a Casper Líbero formei-me em Jornalismo e pelo destino fiz um concurso para Relações Públicas do ITAL (Inst. Tecnologia de Alimentos), onde fui a primeira colocada, mas o Instituto Agronômico , não sei até hoje porque transferiu-me para a sua unidade. Fui Assessora de Comunicação da Diretoria do IAC( Ass. de RP e Imprensa), junto ao Pesquisador Lourival
Carmo Mônaco. Tive o prazer de estar junto ao Dr. Alcides
Carvalho ( Café) Graças a Deus, levantei , em termos de mídia a Instituição, fazendo um horse organ para os engenheiros que estavam fora do País, ávidos por notícias. naquela época, recebiámos muitas visitas do mundo todo. Criei um vínculo com as escolas para visitas aos Departamentos de pesquisa, palestras para os pequenos...Coordenei congressos, simpósios, todos os "auês". No governo de Paulo Maluf, foi o que mais trabalhamos em prol do IAC pois estava à frente da secretaria, Dr. Guilherme Afif Domingos, excelente trabalhador
na defesa dos engenheiros e da pesquisa agrícola.O IAC fez em junho, este ano, 120 anos de pesquisa, enfrenta dificuldades, mas está de pé.
Saí do IAC, casei-me e fui trabalhar por dois anos numa unidade da CATI, em Ribeirão Preto...mas lá não havia interesse neste setor de divulgação e acabei pedindo demissão, era o governo Montoro, o qual não tenho saudades.Enfim trabalhei por 7 anos para o Estado.

Agenor, eu tenho uma foto histórica de Dr.
Paiva Neto, que infelizmente não trabalhei com ele, mas convivi com a família brincando entre jaboticabeiras, amoreiras...balanço de corda( com pneu, lembra?), escorregador...orquidário...camélias exóticas ...
Se voce tiver paciência presentearei com esta foto. Um abraço. desculpe, mas escrevi e não fiz revisão...

Cintia Thome · São Paulo, SP 30/9/2007 08:53
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Rubenio Marcelo
 

Prezado Agenor,
Começo este domingo lendo - com muito prazer - este seu maravilhoso texto. E, no decorrer da leitura, vou percebendo que temos muitos detalhes em comum, guardadas as características geográficas. Desde o regime escolar (dos primerios estudos) até a nossa formação superior. Também sou Engenheiro Agrônomo - formado na UFC /Fortaleza - (meu primeiro curso. Direito eu fiz depois, já no MS, na então Fucmt).
Parabéns pelo escrito.
Votadíssimo!

Rubenio Marcelo · Campo Grande, MS 30/9/2007 09:18
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Joana Eleutério
 

Bom, nesta altura dos comentários, a impressão que tenho é que este texto pudesse ser reeditado como uma parceria entre Cíntia e Agenor, o que acham?

Bom domingo e beijos pra todos.

Joana Eleutério · Brasília, DF 30/9/2007 09:26
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Agenor
 

Querida Cintia,
O Prof. Paiva Neto foi uma figura ímpar na Universidade. Profundo conhecedor da área de solos (inclusive participou dos trabalhos de classificação dos solos do Estado de São Paulo), tinha uma maneira toda peculiar de ministrar aulas e alguns "cacoetes" que nos fazia rir o tempo todo. Sempre amigável e de bom humor. Grande Mestre.... Em 1975 fizemos uma visita ao IAC tendo à frente o Prof. Paiva Neto e muito nos impressionou a forma como ele foi recepcionado pelos funcionários do IAC. Ficou-nos a impressão de que ,realmente, ele foi muito querido enquanto Diretor daquela Instituição.
Apraz me saber que vc, de certa forma, conviveu nos meios agronômicos e colaborou para a divulgação de tantos eventos promovidos pelo IAC.
Aguardarei a foto do saudoso Prof. Paiva Neto.
Abraços e um ótimo domingo.
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 30/9/2007 11:59
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Agenor
 

Caro Marcelo,
Admirador do teu trabalho que acompanho sempre pelo "Arauto" (Recanto do soneto) e de outros textos que me chegam às mãos, fico feliz em saber que, além do gosto pela poesia temos também, em comum, a mesma formação acadêmica (embora não estejas atuando na área).
Honradíssimo com a sua visita e lisonjeado pelas suas palavras elogiosas e incentivadoras..
Um grande abraço e um bom domingo!

Agenor · Aquidauana, MS 30/9/2007 12:07
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Agenor
 

Querida Joana,
Não seria uma má idéia. Descobri que temos muito mais coisas em comum além do gosto pela literatura.
Abraços pra você e que tenha também um bom domingo

Agenor · Aquidauana, MS 30/9/2007 12:11
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Cintia Thome
 

Pois é e quem foi discípulo que lá ele deixou foi o Dr. francisco da Costa Verdade, gde pesquisador de solo, ainda vivo e por sinal foi Diretor e meu chefe no IAC...Grandes figuras, grandes colaboradores para o desenvolvimento de variedades novas de grãos e plantas...Em 75 ainda eu não estava por lá, só perto, uma quadra...
estarei procurando...te envio...

Cintia Thome · São Paulo, SP 30/9/2007 17:16
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baldani
 

Ola Agenor, quanto tempo..38 anos que se formamos em S. Manuel, vc descreveu aquilo que representava a vida de uma agricolino, sem dinheiro, pegando carona pra voltar para casa, fim de semana olhando os cartazes do cinema na praca e tomando pinga com limonada porque era mais barata.Bem sao tantos fatos, a dupla rubens e Agenor inseparáveis né, bem foi ótimo localizar vc, vamos nos comunicar através de emails pra colocar as notícias em dia. abracos

baldani · Batatais, SP 23/6/2010 10:39
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jabuti
 

o caro eu lendo, estas linhas ve a recordacao dos anos dourados de sao maneul. De 1968 a 1970 tive que sair, fiz 5ª seria e foi reprovado 6ª serie. Mais muitas das lembranca fica da turma, dos professores e vigilantes, a lembra do professor banaminha que ma bela historia,
mais foi muito bom ler o seu artigo um abraco

jabuti · Goiânia, GO 17/1/2011 19:59
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Agenor
 

Caro Jabuti,
Jamais esquecerei aqueles anos e foram, realmente, os mais felizes da minha vida.
Abraços

Agenor · Aquidauana, MS 18/1/2011 07:59
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Joana Eleutério
 

Viva, o Projeto está vivíssimo, heim Agenor? Tenhamos fé em que ele deixará de ser apenas virtual, muito brevemente. Novamente, parabéns pelo texto!

Bju GRANDÂO pra todos os parceiros.

Joana Eleutério · Brasília, DF 18/1/2011 10:16
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Ribas
 

Boa tarde Agenor. Meu nome é Daniel Ribas. e o motivo de te escrever é que sua história fez meu querido Pai de 80 anos(mas com saude de 50), relembrar dos seus "doces" anos no Agrícola de São Manuel. Ele é da turma de 1949/50. Ao navegarmos por todos os sites tentando localizar alguma coisa daquela época, nos deparamos com seu relato. Meu Pai ficou emocionado e me contou toda a história dele no colégio. gostaria de compartilhar com você, colega de Agrícola. Estou concluindo o texto que ele me pasou juntamente com fotos. Ele está ansioso para manter contato. Meu e-mail dsribas@hotmail.com. Abraços.

Ribas · Guarapuava, PR 20/3/2012 15:15
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos Agenor e Daniel:

Muito legal que o relato do Agenor tenha emocionado o pai do Daniel. Vou ficar feliz se puder ter acesso às memórias e fotos do seu pai e colega agricolino. Meu e-mail é jocaoeiras@yahoo.com.br

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 21/3/2012 16:51
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Ribas
 

Prezado Joca! Vou postar em breve o relato do meu Pai.
Só tenho que aprender a postar as fotos tb. rsss. abraço e vamos mantendo contato.

Ribas · Guarapuava, PR 22/3/2012 13:50
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Daniel:

Quando o fizer, por favor, não deixe de me avisar!!!!


beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 22/3/2012 14:57
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Agenor
 

Caro Daniel Ribas!
Que satisfação saber que a minha modesta crônica conseguiu sensibilizar o seu paizinho, fazendo com que ele retornasse aos dias alegres do seu tempo de Agricolino. Hoje, depois de tantos caminhos já trilhados, continuo a afirmar que aqueles foram de fato os meus melhores anos. Um grande abraço para você e para o seu pai.

Agenor · Aquidauana, MS 22/3/2012 22:53
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Kinelli agricolino
 

Irmão e companheiro dos melhores tempos de minha vida.
Agenor: Como um texto, pode mexer com nossos sentimentos e lembranças.
Por sugestão de um dos netos, que sentindo a minha emoção ao rever algumas e poucsas fotos, sugeriu procurar na internet , fotos de antigos irmãos agrícolinos e da escola aonde estudamos.
Provavelmente convivemos juntos, pois foram para mim 7 anos (1968/1974) - turma de formandos de 1974.
Fica aqui registrado meu orgulho de ter convivido com hoje Agenor, " POETA DOS AGRICOLINOS"
Abraço fraternal
José Wilson Francischinelli (apelido acho "Kinelli"
Itu, 25 de março de 2012

Kinelli agricolino · Itu, SP 25/3/2012 20:11
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