Micaretas nem sempre bem-vindas

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Josué · Recife, PE
25/2/2007 · 89 · 6
 

No imenso império da “axé-music” espalhado por esse Brasil afora, há um torrão ainda não conquistado pelas famigeradas micaretas ou carnavais fora de época, antes restritos à cidade de Feira de Santana (BA), e hoje disseminadas por todo o país, com os nomes mais esdrúxulos que se possa imaginar: Carnabelô, Micarecandanga, Carnatal, Fortal, Micaroa, Vital e por aí vai. Pelo menos dois focos de resistência ainda não sucumbiram a essa epidemia: Recife e Olinda.

Pra quem não sabe, o Recifolia, que era a micareta daqui, foi banida da cidade há alguns anos, para a vizinha Jaboatão dos Guararapes, que por sua vez também não quis esse tipo de carnaval por lá e hoje esse carnaval não é mais realizado em lugar nenhum. O que se sabe é que agora acontece um tal Recife Indoor, onde os admiradores (pena que não são poucos) desse tipo de evento com cordões de isolamento, são confinados numa grande casa de espetáculos, junto aos seus semi-deuses da “axé-music”, sem incomodar o resto da população. Deve-se ressaltar que a pioneira nesse tipo de atitude foi a cidade-patrimônio Olinda, que proibiu até a execução durante o Carnaval. Brigas e divergências de opiniões aconteceram por conta dessa censura, mas funcionou por lá. Nisso tudo, os governos tiveram papel decisivo, pois mesmo sendo os dirigentes de diferentes partidos, entederam que a cultura pernambucana deve ser preservada a qualquer preço.

No Recife, trio elétrico é só pra amplificar a voz do frevo e, olhe lá, somente no Galo da Madrugada! Claro que ainda está presente em muitos blocos de bairro e micaretas do interior, inclusive o carnaval da cidade de Vitória de Santo Antão, próxima ao Recife, é atualmente conhecido pela grande presença de trios e pelo domínio da “axé-music”, atraindo muita gente.

Hoje, no entanto, grandes nomes da música baiana já inserem músicas pernambucanas, como frevo e hits do mangue beat, em seus trios quando vêm por aqui, com o objetivo de conquistar novos fãs. Nesse sentido, Ivete Sangalo, que não é boba, foi uma das primeiras. Prova disso foi a última edição do bloco Balança a Rolha, que aconteceu na semana pré-carnavalesca em Boa Viagem, quando ela cantou frevos enrolada na bandeira do Estado.

Em tempo: aqui no Recife, a prefeitura proibiu blocos desse tipo (com cordão de isolamento), porque incitavam a violência como foi visto nesse mesmo desfile do Balança a Rolha.

O texto que você acabou de ler faz parte de uma série sugerida e organizada pela comunidade do Overmundo. A proposta é construir um panorama do Carnaval do Brasil, sob a ótica de colaboradores espalhados por todo o país. Para ler mais relatos sobre o assunto busque pela tag carnaval-2007, no sistema de busca do Overmundo.

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Marcos Paulo
 

Fala Josué, beleza? É bom ver tua colaboração por aqui.

Deu pra perceber que micareta não é muito a sua. Até entendo e respeito tua opinião, é lógico. Mas será que dizer que ela, a micareta, incita a violência não é exagerar demasiadamente?

Particularmente, eu também não gosto. Questão de preferência mesmo.

Marcos Paulo · Rio de Janeiro, RJ 23/2/2007 19:47
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Josué
 

Oi Marcos,
Valeu pela participação. De fato, não gosto mesmo, mas foi a prefeitura do Recife quem proibiu desfiles com cordões de isolamento, baseada na hipótese que esssa segregação incitava a violência. E eu até concordo.
Um grande abraço.

Josué · Recife, PE 24/2/2007 16:28
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Aprígio Vilanova
 

Olá Josué,
Parabéns pelo texto muito pertinente. Aqui em Alagoas a ditadura do axé music tb é forte, nas festas do interior é o que predomina. Mas, parece q começou um movimento de resgate dos "velhos" carnavais.
Viva ao frevo, viva ao carnaval de rua e do povo !!!

Aprígio Vilanova · Maceió, AL 24/2/2007 23:04
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Raquel Gonçalves - Grupo TR.E.M.A.
 

Recorte bastante interessante dos carnavais do nosso País. Parabéns

Raquel Gonçalves - Grupo TR.E.M.A. · Fortaleza, CE 25/2/2007 11:25
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poli brandao
 

poli brandao · Fortaleza, CE 25/6/2008 08:53
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
poli brandao
 

O baiano é sabido.A Ivete andou puxando o saco e andou cantando frevo em Recife. O Durval Lelis quando vai a Fortaleza canta uma chatinha que diz:"Vou amar a Bahia como se for Fortaleza" A letra é DE PUXA SACO. Bem, é bajulação até merecida, pois Fortaleza, apesar de grande, é um curral baiano, não sei por que...Particularmente, acho que a Bahia, sem querer, acabou com o carnaval brasileiro.Só Pernambuco e o Rio de janeiro é que resistiram bem. A minha Fortaleza foi uma das maiores vítimas.A Bahia se apoderou de pioneirismo no carnaval e inventou um carnaval somente com animação. Esqueceu a fantasia, esqueceu a irreverencia, o humor a criatividade e a confratenização entre famílias e classes. O carnaval ficou restrito às toneladas de som, aeróbica e apenas para musculosos babacões e patricinhas que interagem com os cantores através de simulação de coito. Isso não é carnaval. Quem quiser saber o que é carnaval é só assistir os blocos de RECIFE, os maracatus, blocos líricos, e as pessoas fantasiadas cantando ao som de charangas, bandas de forma alegre espontãnea e sobretudo carnavalesca.

poli brandao · Fortaleza, CE 25/6/2008 09:13
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