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Minha jornada como aspirante a escritor - I

Ben-Hur Demeneck
Mundo pop, James Joyce e a confusa identidade paranaense agitam Bruno Weber
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Ben-Hur Demeneck · Ponta Grossa, PR
17/3/2009 · 103 · 2
 

Bruno Weber quer continuar na escrita. Hoje, aos 23 anos, ele é professor de língua inglesa em escolas particulares, tradutor e autor de ficção. Atua academicamente como mestrando de literatura da UNESP, depois de ter se formado em Letras (Inglês/Português) na UEPG, no Paraná. A entrevista conta a história de um pretendente do mundo editorial, as suas leituras e os seus textos – sua obra não-publicada reúne dois romances e um livro infanto-juvenil.
James Joyce é tema de sua monografia e dissertação, especificamente a adaptação cinematográfica do conto The Dead feita por John Huston, em 1987. Outra evocação do irlandês se deu em 2006, quando organizou “o primeiro e único” Bloomsday da Cultura Inglesa, de Ponta Grossa. Ao dividir a vida acadêmica com a ficção, Weber destaca um dos atributos da literatura – o de ser “uma boa história contada, levando-se em conta principalmente o tempo e a atenção do leitor”. Além de ensinar present perfect para adolescentes, gosta de RPG, rock anos 1990, moda e artes plásticas.
Nessa primeira parte da entrevista, aborda-se mais o leitor – a sua concepção de literatura e o seu contato com os livros. O entrevistado explica como um estudo em vermelho o iniciou na Biblioteca; depois, os assuntos incluem um elogio a Nick Hornby, a distância entre público brasileiro e os autores norte-americanos mais novos, a lembrança comum da coleção Vagalume, a escolha do romance como expressão, a formulaçãode uma hipótese sobre a juventude e o contemporâneo e, por fim, o comentário sobre um modismo irritante.
A segunda parte da entrevista tende para o lado autoral de Weber, como o romance “Polacos, combos e pornô de TV”. O fio condutor dessa história seriam “as angústias de um jovem permeado por referências pop e que tem a experiência uns relacionamentos fracasssados”. Primeiro o leitor, depois o escritor. Ou aspirante a escritor, considerando o ineditismo.


Qual é a sua primeira lembrança dos livros?
Posso começar dizendo da memória que compartilho com colegas, aqueles que tiveram mais ou menos a minha orientação e gostavam de literatura, escutavam música. Se eu fizer esse pergunta para qualquer um deles, eles vão dizer que a primeira lembrança do livro como algo físico, como algo extraordinário, veio com a coleção Vagalume. Ela foi uma plataforma para vários leitores, na faixa etária dos oito anos. Eu me lembro de alguns títulos dessa coleção, mas não foi exatamente aí onde eu comecei como leitor. Eu gostava muito de aventura desde criança e a primeira lembrança que eu tenho da literatura está associada ao cinema. Esse universo imaginário veio, depois, tomar forma num livro específico, que minha mãe – ela é professora de inglês – tinha me dado na época em que estava cursando uma especialização. Ela estava lendo Edgar Allan Poe, os Sellected Tales (Contos extraordinários) e achou que era uma boa oportunidade de me incentivar com livros. Foi assim que chegou até mim o Arthur Conan Doyle. Eu me lembro de “Um estudo em vermelho” como meu primeiro contato com o livro e a literatura, de um modo mais intenso. Embora hoje eu saiba que ele não é muito estudado no sentido acadêmico, na época ele me deu bastante corda para que eu lesse outras coisas. Era da coleção da LPM, a editora que eu mais compro livros de bolso até hoje. Então eu passei a adquirir livros por R$ 4,00, R$ 3,50, comprando uma porção de Conan Doyle. Lembro da capa, era de cores vivas, com uma foto dos folhetins da revista Strand, onde Doyle publicou alguns dos seus folhetins. Eu tive o Sherlock Holmes como uma figura literária bem importante, por me abrir a visão como leitor.

Dando um salto na trajetória, quais obras você está lendo hoje?
Eu gosto de fazer a leitura de vários textos ao mesmo tempo. Tenho uma dificuldade de ler um texto do começo ao fim, apenas um. Estou relendo Extremely Loud & Incredibly Close, do Jonathan Foer. Esse livro teve um impacto importante no público por trazer personagens do 11 de Setembro, contando a jornada de um menino que perde o pai nos ataques às Torres Gêmeas. Junto do texto há um belo trabalho de fotografia, fazendo uma alusão aos sentimentos do menino. Eu gosto quando junto da literatura se pensa um trabalho com imagens. Além desse livro, estava relendo também algumas coisas do Nick Hornby, entre eles o “Alta Fidelidade”. Esse é um autor que te permite ler outras coisas. Você pode ler 10 páginas de um ensaio dele para a Believer e depois seguir com um Umberto Eco (riso). E estou lendo umas obras do Joyce, como “Dublinenses” e “Retrato de um artista quando jovem”. Fora isso, há os textos do mestrado, que exigem a dedicação acadêmica.

Como sua formação se direcionou para literatura em inglês, em sua opinião, qual autor ainda espera um reconhecimento maior pelo público brasileiro?
A literatura norte-americana tem muitos autores novos, uma geração que se concentra em núcleos como Nova York e Los Angeles. Eles ainda não estão muito acessíveis talvez por uma questão de tradução ou de mercado editorial, para acompanhá-los é preciso acessar os blogs e as revistas especializadas em que eles publicam. A revista britânica Granta tem uma edição bem legal com os “mais jovens escritores norte-americanos”, incluindo apenas autores de até 30 anos de idade. Eu incluiria nessa turma o Jonathan Foer e Miranda July. Se pensarmos na literatura britânica, considero a Muriel Spark um grande nome. O interessante é perceber certo chamariz quando se fala em literatura britância contemporânea. “Ah eu vou ler alguma coisa britânica” – é aquela coisa glamourosa. Particularmente, gostaria muito de conhecer outras literaturas. Tenho certeza que no Leste Europeu, nesses rincões poucos acessíveis, há muita literatura que, por uma questão editorial, não chega até nós. Há uma mentalidade bem tacanha da tradução, pois tem muita literatura boa, nova, sendo feita em muitos lugares.

Uma pergunta rápida: diga um livro que considera difícil, mas indispensável.
"Ulisses" é um livro indispensável de se ler. Na época em que foi publicado, estabeleceu novos paradigmas para todos os escritores – é um marco na literatura contemporânea. Não tem como você sendo escritor ou leitor, você não esbarrar em "Ulisses". Livro indispensável e que não é fácil de ler.

Há algum um vício literário que julgue abominável?
Não gosto quando autores procuram forçar uma relação de surpresa, de choque sobre o leitor. Na década de 1960 havia um contexto apropriado para certas experiências e hoje há quem repita as mesmas estratégias literárias. Acho inadequado utilizar os recursos de linguagem de uma forma não-estruturada apenas para forçar um impacto. Naquele sentido “eu sou escritor e eu gosto de William Burroughs e eu vou escrever uma brainstorm de ideias, sem usar vírgulas ou apenas escolhendo substantivos”. Não acho bem um vício, é mais um modismo.

Se for possível falar em virtude na literatura, qual seria?
Eu considero a prática reflexiva, pois a literatura traz em todas as épocas uma nova perspectiva sobre o mundo. Como a literatura é totalmente metafórica, ela estabelece vínculos com a realidade, trazendo um outro olhar para as coisas. Ela te dá uma referência de mundo maior, em termos práticos.

Você escreveu dois romances. Por que escolheu esse gênero para se expressar?
Porque é no romance eu consigo manejar melhor as estruturas formais e temáticas. Parte devido a eu ler mais romances que outros gêneros. Eu leio poesia, mas não tenho habilidades nessa escrita. No romance há um trabalho de fôlego, na poesia você precisa ser enxuto. Quanto ao conto, eu considero mais difícil realizar um livro de contos que um romance. Um conto – no sentido canônico da palavra – precisa ter uma estrutura muito rígida, qualquer palavra que você coloca tem uma função no seu conceito global. Considero um exercício mais árduo que escrever um capítulo. E eu gosto de fazer descrições e textos mais extensos, sem tanta rigidez estrutural.

No ano de 2008, uma geração de diretores de teatro fez montagens abordando o tema da velhice. Caso de Abujamra, de 76 anos, Renato Borghi, 71 anos, e de Sérgio Britto, esse com 85. E a sua geração, o que tem a falar sobre juventude?
Minha geração tem muito a contribuir com o tema da juventude. Lembro de uma provocação do George Bernard Shaw – “a juventude é uma coisa maravilhosa, que pena desperdiçá-la com os jovens”. E alguns jovens, aqueles com quem eu falo, têm uma impressão de que há um cansaço na juventude, um tédio com a vida cotidiana. Em alguns espaços literários, já havia essa questão da juventude como um “cansaço antecipado”, seguindo a expressão do Fernando Pessoa, pelo fato do meio dar um sentimento de envelecimento antecipado. Agora, além desse tema, ela tem algo importante a mostrar – o valor da rebeldia, um princípio norteador dessa fase da vida.

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nelza mara pallu
 

nelza mara pallu · Ponta Grossa, PR 17/3/2009 17:39
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nelza mara pallu
 

Quem vivencia o mundo literário e por ele se apaixona, se torna uma pessoa completamente diferente.
Os jovens parecem pessoas experientes e os experientes se transformam em adolecentes.

parabéns

nelza mara pallu · Ponta Grossa, PR 17/3/2009 17:43
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