Minha leitura do êxodo – I

Ben-Hur Demeneck
Ferreira diante de painel onde se projetam histórias do rural e do urbano
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Ben-Hur Demeneck · São Paulo, SP
14/10/2009 · 8 · 3
 

No livro “Guardião de datas”, Hélio Ferreira traz os elementos de quem viveu o interior do Paraná da década de 1970 até o momento. Uma poesia baseada no cotidiano, incluindo temas de amor, morte, solidão e também a infância suburbana, com suas brincadeiras de pátio e de rua. “Quero apenas contar a minha história”, sintetiza o autor as pretensões de sua obra.

A entrevista está dividida em duas partes, a primeira dedicada ao leitor e a segunda ao poeta. Abaixo, há histórias interessantíssimas, ao exemplo de dois hábitos de quando o entrevistado era criança. Um deles era o de percorrer o trajeto diário entre escola e casa concentrado nas páginas de um livro. Outro era o de passar madrugadas acendendo vela para não acordar a família com a luz elétrica, só para seguir uma trama de aventuras.

A leitura do êxodo começa quando Ferreira se reconhece herdeiro da multidão de pessoas que saíram do campo ou em busca de trabalho, ou pelas pressões da concentração fundiária. Evoca um período histórico em que o modelo de faxinais sucumbiu às grandes fazendas e a adaptação dos migrantes em regiões periféricas do mundo urbano.

Primogênito de uma família de cinco irmãos, marcada pela cultura de campo e pelo trabalho braçal, classifica a sua dedicação literária como um anátema. Nesse momento mostra sua identificação a livros como “Chove sobre a minha infância”, de Miguel Sanches Neto (vide parte II).

As declarações do poeta servem como testemunho de alguém que se realiza como leitor. Entusiasmo literário que passa por uma infância tomada pelos causos fantasiosos de “Nhô” Adélio, camponês de Palmeira (PR), dOs Góes. Motivo suficiente para lobisomens e fantasmas circularem livremente por sua imaginação de piá. Era o início de uma estrada que depois teria por referências Luiz Vilela e Manuel Bandeira.

A poesia só foi chegar pelos 15 anos, encaminhada pelos dilemas da adolescência. No curso de Letras, chegado ao acaso, uma descoberta: finalmente, a literatura podia ser encarada como uma atividade totalmente útil e completamente sem prazer. Professor de Língua Portuguesa na rede pública de ensino desde 1999, Ferreira foi funcionário de biblioteca municipal por dez anos. “Guardião de datas” aguarda publicação pela Editora da UFSC.

A entrevista, concedida a Ben-Hur Demeneck, foi realizada em 11 de Agosto de 2009, na cidade de Ponta Grossa (PR), no bairro São José.



BHD – Qual a sua memória mais antiga associada aos livros?
Hélio Ferreira – Puxa, isso é bem complicado, pois desde onde minha memória alcança, eu sempre gostei de ler. E não era gostar apenas, era paixão mesmo. Era preferir estar com um livro nas mãos do que qualquer outra coisa. Ou melhor, menos do que livro, pois se tinha um pedaço de jornal, uma revista velha, ou algumas páginas de revista velha, eu lia aquilo uma, duas, várias vezes.

BHD – Para você a noção de literatura tem muito a ver com oralidade, não?

Hélio Ferreira – Sim. Na minha infância, lembro bem das alternâncias de brincadeiras no quintal de minha casa e no sítio do meu avô. Na cidade, eu não podia sair na rua de jeito nenhum, era extremamente proibido, ao contrário do campo. Quando chegavam as férias do meu pai ou os feriados, íamos para lá. Uma das diferenças em relação à cidade era que lá se contava muita história. Não só pelos mais velhos. As próprias pessoas próximas à minha idade, como meus tios, que viviam nesse ambiente rural, todos eles tinham causos para contar. E havia umas figuras do lugar que eram consideradas as contadoras de histórias. Ao lado da casa do meu avô, rodeada pelo mato, a uns 200 metros adiante, havia uma cabana onde se secavam ervas. Ela ficou um longo tempo desativada, até aparecer um casal - o “Nhô Adélio” e a “Nhá Florência”. Ele era aquela pessoa que você não saberia dizer qual a profissão dele, mesmo no mundo rural. Ele não plantava, não colhia, não caçava, nada. E ele era um exímio contador de histórias, basicamente das folclóricas. Nenhuma história de vida no repertório, ou algo que tinha lido em livros, porque não sabia ler. Eram narrativas que ele tinha ouvido pelos lugares onde passou e que foram incorporadas ao seu imaginário.

BHD – Histórias de visagem [de assombrações]?
Hélio Ferreira – Histórias de visagem, com certeza. Nessa época eu tinha uns dez anos. Chegava pela boca da noite naquela casa de chão batido, cheia de frestas na parede, com fogão de barro feito pelas mãos dele mesmo, decorada por utensílios pendurados na parede. Eu e um tio sentávamos nuns bancos de pau para ouvir horas a fio o contador. Normalmente era uma época de Julho, de frio, período das férias escolares. Lá sempre tinha um fogo aceso no fogão ou pelo chão, dependendo da intensidade do frio. As histórias metiam medo, principalmente quando não era lua cheia. Era preciso voltar pelo meio da mata escura, com a cabeça tomada por personagens do outro mundo. Meu tio tinha a crença que se a gente cantasse pelo caminho, não ouviria os barulhos do mato, não ia ter com o que se assustar. Demos muita “carreira” ao som de “Menino da Porteira”, espantando assombração. Olhando para o passado, percebo como eu valorizava aquelas histórias porque não convivia o tempo todo com um mundo encantado pelas narrativas. Na minha casa, no subúrbio da cidade, não havia livros e ninguém tinha tempo para contar histórias. Meu pai trabalhava fora e minha mãe cuidava de casa e dos irmãos menores. O vínculo literário eu encontrava no sítio, por isso eu não via a hora de voltar para lá, durante o ano. Meu primeiro contato com livros também foi pelo no campo, numa escola onde meus parentes estudavam. Eles me levavam junto, eu ficava sentado no fundo da classe vendo a professora dar aula para quatro séries ao mesmo tempo. Numa das paredes havia um mostruário feito de plástico com vários livros de historinhas dentro, então eu os pegava para olhar as figuras.

BHD – No teu mundo mais próximo as referências eram as de trabalhadores braçais? Se isso for correto, como se deu a sua trajetória como leitor nesse ambiente?
Hélio Ferreira – Exatamente. Cresci sem a expectativa de me tornar um médico, um advogado ou qualquer outra profissão que exigisse passagem pela universidade. A referência que eu tinha era do meu pai trabalhando num emprego que não fazia o menor sentido para mim, numa fábrica de adubo químico. Bem, até a quarta série do primário, todas as minhas leituras era daquilo que chegava em casa, como do jornal que embrulhava banana. A princípio, a leitura era apenas uma prática daquilo que tinha aprendido na escola, um exercício de explorar um território desconhecido: o mundo das palavras escritas. E, para falar a verdade, não era só um idioma novo que descobria, com a geografia e a história foi semelhante. Meu mundo era completamente mítico. Da cidade, só conhecia o espaço que ficava entre a minha casa e a escola. No final da década de 1970, vivia em uma vila pré-urbanizada, com as ruas cortadas de uma forma simétrica e vizinhos andando de carroça e criando galinhas.

BHD – Quando você começou a frequentar a biblioteca?

Hélio Ferreira – Na Escola São Francisco, um colégio de freiras, eu descobri uma biblioteca organizada, disponível para os estudantes. Lá eu fiz a minha carteirinha e da quinta até a oitava série – acredito que dos 11 aos 15 – tive um período de muita leitura. Lia atabalhoadamente, tudo o que aparecia pela frente. Devo ter lido quase todas as obras de ficção do acervo. Nem poesia eu lia por essa época, porque não a entendia. Gostava de histórias, algo próximo daquilo que eu ouvia – histórias com começo, meio e fim. Li muito a série Vaga-lume, uma série bastante importante na minha vida...

BHD – "Zezinho, o dono da porquinha preta [livro de Jair Vitória]..."
Hélio Ferreira – Sim. Inclusive, essa obra foi uma das primeiras em que eu pude perceber que a minha história de vida poderia estar presente nas páginas de um livro. Talvez tenha sido a minha primeira identificação literária. É um dos livros que eu não esqueço, por ter relido várias vezes. E chorei bastante (riso). Nessa época, lia também literatura adulta, os românticos principalmente, como José de Alencar. O primeiro desse autor foi "A pata da gazela", obra bastante descritiva de um universo natural que me atraía. Li "Iracema", "Lucíola". Aos doze anos, para mim, esta era só mais uma história de sofrimento.

BHD – Você ficava lendo na biblioteca?
Hélio Ferreira – Não, eu levava os livros para casa. Quando terminava a aula, eu ia embora lendo um pelo caminho. Da escola para casa dava uns dois quilômetros e pouco, percurso que eu fazia tropeçando pelas pedras e pelos barrancos. Às vezes parava numa sombra de muro ou de árvore, quando a trama ficava muito intensa. Tanto que ao chegar em casa, ouvia sempre um resmungo como “o almoço já esfriou”, “já guardei as panelas”. Normalmente lia um livro da série Vaga-lume, ou metade, no caminho para casa. Almoçava, lavava louça, limpava a casa para mãe e então lia o resto. Lia dois livros no dia. Claro que depois, com certos livros, eu não conseguia fazer isso, um "Lucíola", por exemplo. Só que quando eu começava uma leitura, eu ia com ela até o fim. Não conseguia parar de ler. Em muitas ocasiões, eu ficava relendo madrugada afora o mesmo livro terminado durante o dia. Se deixassem, eu varava a noite. Como nossa casa era de madeira, acender uma lâmpada à noite iluminava os outros cômodos porque passava pelas frestas das tábuas. Então, para não acordar meus pais, eu acendia uma vela. Passei muita madrugada lendo à luz de vela. O que me interessava era a fruição da história, o prazer de continuar a narrativa. Para a época estava excelente, não tinha uma visão crítica de nada. Li muito livro de aventura, como de Karl May [1842-1921]. A biblioteca do colégio devia ter uns quarenta volumes dele, cada um com uma capa marrom e um desenho ilustrando uma cena passada no Velho Oeste americano. Na época eu achava genial a criação dos personagens que ele fazia. Eu li e reli. Chegava ao último volume e recomeçava a ler o primeiro de novo. E assim ia. Eram livros grossos, que não conseguia ler no dia. Mas a ansiedade, em continuar sempre era muito grande. Outra fase de minha vida em que eu li bastante foi pelo período do segundo grau (atual ensino médio), quando comecei a sair sozinho de casa e conheci a Biblioteca Municipal. Entre os 17 até os 20 foi outra loucura. Lia indiscriminadamente, desde Agatha Christie e Stephen King até Dostoiévski, Anatole France e Edgar Allan Poe. O volume de leitura era muito grande. Eu lia pelo menos umas quatro horas por dia. Era o meu lazer, meu prazer, hobby, sei lá como chamar.

BHD – Você começou a fazer uma escolha das leituras mais pelo período da universidade?
Hélio Ferreira – Eu sempre me guiei pelas impressões, pelas circunstâncias. A leitura para mim era só um prazer. Eu até fazia seleção, mas não era seletivo no sentido de estar fazendo uma progressão estética. O modo como a poesia entrou na minha vida é um episódio que ilustra muito bem essa minha “falta de critério”. Eu devia ter 15 anos e estava passando por um bazar junto com a minha mãe. Na porta do estabelecimento, havia uma caixa de revistas velhas, hoje deveria custar R$ 0,50. Depois de azucrinar minha mãe para comprá-las, ganhei o presente. No meio daquelas velharias, havia uns seis exemplares da revista Planeta, dos anos 1970, e dois livros do escritor Fernando Vasconcelos. Um deles era as "Narrativas de Nhô Fela", o volume I, e um livro de poesias, "Pequena Consciência". Quando vi o livro de poesias, eu reclamei comigo mesmo: “puxa, um livro de poesia! Bem que poderia ser dois de histórias”. Mas como estava com o material e tinha gostado muito das narrativas, comecei a formular um outro pensamento. Primeiro porque ele faz uma poesia livre, com toques modernos. Depois, os temas apresentados eram próximos de alguns dilemas da adolescência que eu começava a viver, envolvendo religião. Comecei a perceber que poesia era algo que poderia ser lida também.

BHD – E como isso era visto o hábito da leitura por sua família?
Hélio Ferreira – Bom, esse é um capítulo à parte. Dentro da família isso era visto como um capricho. Ou melhor, um relaxo. Para eles, eu poderia aproveitar melhor o meu tempo com coisas mais “úteis”. Meus pais queriam que eu estudasse até a oitava série, uma vez que eles tinham estudado até a quarta. Aos 16 anos seria tempo de arranjar emprego. O que me poupou foi ter circulado a crença de que não se conseguia trabalhar antes de servir o Exército. O que me deu uma folga até os 18. Mas a leitura em si era vista, durante uma fase da minha vida, como um anátema. Para meus pais, que eram evangélicos, a única leitura que permitiam era a Bíblia. E, realmente, eu li muito a Bíblia. Mas só gostava do Velho Testamento – das Crônicas, livro dos Reis, Gênesis, o Êxodo. Li e reli centenas de vezes, porque não me davam liberdade de ir à biblioteca emprestar livro. Então o que eu ia ler? Lia a Bíblia. Houve até um episódio curioso relacionado com o livro "As viagens de Marco Polo". Em casa, já tinham me avisado que se eu chegasse com um livro ia sobrar para mim. E, de fato, foi o que aconteceu. Quando me distraí, pegaram o Marco Polo e o esconderam de mim. Eu fiquei apavorado, tinha um prazo de duas semanas para devolver o exemplar. Passei um terror psicológico enorme nesses dias. Eu era muito introvertido e tinha muito medo das instituições, das regras que me cercavam. Não só as familiares, mas as sociais também. E eu procurava o livro por tudo que era lugar, até que eu fui achá-lo embaixo do colchão dos meus pais. Isso aí simboliza como era vista a minha prática pela família.

BHD – Representado também naquela poesia do livro: “sou do tempo em que livro / era enfeite na estante, / não brinquedo de criança. // e o conselho da tia analfabeta: / - quem lê demais fica louco! // descobri na pele a verdade: / quem muito lê, fica pouco; / nunca mais descansa”.
Hélio Ferreira – Uma tia minha havia tentado estudar um pouco mais e era considerada meio “doidinha da cabeça” pela família, apenas por não ter um comportamento tão padrão. Hoje eu percebo que, na verdade, ela tinha um espírito mais ativo, no sentido de procurar coisas diferentes, novas. Só que ela não teve a ambientação necessária para que isso se efetivasse. Fiquei sabendo que ela chegou a escrever poemas, algo que ficou no gérmen, no casulo, pelas circunstâncias. Em casa eu ouvia: “olha, se você ficar lendo demais, vai ficar louco – como ela”. A tia se transformara num ícone de alguém que não servia para nada. Enfim, com essas ideias circulando em torno de mim, eu tinha que trabalhar. Eu tinha um refresco porque eu cuidava de algumas obrigações em casa. Bem ou mal, eu lavava louça, eu limpava casa, passava cera, lustrava o chão, carpia o pedaço de quintal, de vez em quando. Mais grandinho, eu vendia sorvete, algodão-doce, aos sábados. Ou saía para ajudar meu avô, que era jardineiro. E isso acalmava um pouco os meus pais. Entre os 18 anos e os 20, pressionado por essa questão de ter que trabalhar, eu saí a campo. Trabalhava por dia, de servente de pedreiro e outros bicos enquanto eu continuava lendo.

BHD – E sua decisão de ingressar na universidade?
Hélio Ferreira – Eu já tinha uma visão crítica das coisas, sabia que eu não conseguiria ser engenheiro, ou algo assim, por questões sociais, familiares. Respondia então que queria ser soldado do Exército. Para encerrar o assunto e por estar dentro das minhas possibilidades. No fundo, no fundo, eu nunca pensei em ser nada, nem em ser professor. Aos 20 anos, tive um amigo estava fazendo vestibular para a Universidade. Foi quando eu comecei a tomar contato com o mundo universitário. Até então, tudo o que eu queria era arranjar um emprego onde eu ganhasse um salário razoável e pudesse me manter independente dos meus pais. Nesse outro meio, o pessoal já começava a falar: “ah, você gosta de ler, você escreve, então vai fazer Letras” (riso) (pausa). Ledo engado! Ledo Ivo engano (risos). Foi aí que resolvi fazer o vestibular para Letras, ao mesmo tempo em que fazia concurso para trabalhar na biblioteca pública. O que aconteceu? Passei a ter um salário fixo, tranquilo. Passei a ter uma estabilidade. Em casa eu comecei a ser respeitado, deixei de lavar louça, passando para os irmãos menores. E então eu trabalhava durante o dia todo e estudava a noite. No curso de Letras, eu aprendi que a literatura podia ser uma coisa totalmente útil e completamente sem prazer.

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Silvia Costa
 

Parabéns pelos trabalhos literários que vem desenvolvendo. Com toda certeza, Hélio é muito bom no que faz, escreve muito bem. Além de ser premiado em vários concursos literários (contos, poesias, história infantis, fotografias etc). É um grande homem, inteligente, de caráter. Vc merece tdo de bom!! Te amo...

"Teu olhar sibilante é flecha
incendiária / meu coração ofegante
é alvo de palha"

Silvia Costa · Ponta Grossa, PR 8/11/2009 23:40
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MARIA  SILVA
 

Hélio; sua história de vida e simplismente bela!
Parabéns !
Percebi que a tua história de vida é bem parecida com a minha... (me perdoe a pretenção).
Gosto de pessoas persistentes, e você é um exemplo maravilhoso!
Muito sucesso!

MARIA SILVA · Curitiba, PR 26/2/2010 17:01
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Padilha
 

É esse cara ai é meu irmão, parabéns pelo q vc conquistou, e vc ainda vai conquista muito mais, e é verdade ele passou a louça pra mim lavar, rsrs.
Sucesso!!!!!!

Padilha · Ponta Grossa, PR 9/6/2010 15:46
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