A Mostra Internacional do Filme Etnográfico chega à sua 14ª edição como um dos mais importantes focos de formação e informação do público e também de difusão e produção do documentário etnográfico. Idealizado e produzido pela Interior Produções, o evento acontece de 26 de novembro a 4 de dezembro com exibições gratuitas no Espaço Museu da República, Caixa Cultural e Arte Sesc Flamengo.
A abertura será dia 26 de novembro, às 18h30, no Arte SESC, com a exibição de “Mosso Mosso - Jean Rouch comme si...” (FRA/1998), de Jean-Andre Fieschi. É uma maneira de associar a Mostra às homenagens ao mestre do filme etnográfico, que estão sendo feitas este ano em vários países. Na ocasião também haverá o lançamento do 2º Etnodoc, edital que contemplará com financiamento projetos de documentários de até 26 minutos, pela Associação de Amigos do Museu de Folclore (inscrições de 26/11 a 30/12, mais detalhes no www.etnodoc.org.br).
“A proposta da Mostra de fazer uma conexão singular entre o mundo acadêmico da imagem, de pesquisas e reflexões e o circuito cinematográfico mais amplo mantém-se como mote do festival. Queremos exibir filmes, mas também continuar oferecendo alternativas no campo da formação e do debate”, diz Patricia Monte-Mór, curadora da mostra, que tem a coordenação do cineasta José Inácio Parente. As alternativas às quais a antropóloga se refere são as oficinas, fóruns e mesas-redondas do Fórum de Cinema e Antropologia e do Projeto Educativo Etnocine que integram o evento.
Foram avaliados mais de 300 filmes inscritos para se chegar à seleção final de filmes e vídeos dessa edição, que vão revelar como anda a produção de 21 países. “A Mostra se destaca no cenário de festivais voltados aos documentários pois, além de gratuita, valoriza não só a exibição dos filmes como também seu debate e a conexão com trabalhos e pesquisas na área. Focaliza não só as produções do circuito comercial mas também a produção acadêmica, dos movimentos sociais, experimentos artísticos, com espaço aberto a inovações de linguagem e instigantes reflexões”, reforça Patrícia. E José Inácio destaca a característica do festival como formador de platéias: “Temos um público já cativo que se tornou amigo da Mostra e trabalhamos com monitores que também estão envolvidos com o cinema e a antropologia visual”. Além disso, o evento valoriza também o diálogo com outros gêneros de cinema, no Brasil e no exterior.
Além de acompanhar pela programação oficial, o público pode assistir a todos os filmes em três cabines de visionamento que funcionam diariamente, das 10h às 21h, no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete, sede do festival. Para isso, basta o interessado reservar um horário de sua preferência no próprio local. No Twitter, Facebook e blog da Mostra, a programação será comentada durante o festival.
Filmes e programas especiais
A riqueza de temas e nacionalidades sempre marcou a Mostra do Filme Etnográfico que, nessa edição, apresentará filmes de Senegal, Irã, Romênia, Argentina, Portugal, Índia entre outros países.
A documentarista indiana Saba Dewan, que estará no Brasil durante o evento, apresenta seu “Naach, The dance”, sobre jovens dançarinas que fazem espetáculos para homens – palco e platéia ficam separados por uma cerca de arame farpado - na zona rural de Bihar. Ela é diretora também de “The other song” e “Delhi-Mumbai-Delhi”. Outra presença será a de Rahul Roy, diretor do Festival de Filme Etnográfico de New Delhi, organizado pela Délhi University, que já participou na edição de 2007 da mostra e participará de uma mesa sobre “Documentário e Filme Etnográfico” esse ano.
Haverá um programa especial da Argentina com quatro vídeos chamado “Documentar(nos)”. O antropólogo Marcelo Alvarez, do Instituto de Antropología e Pensamiento Latinoamericano de Buenos Aires, apresentará a sessão.
Ainda na categoria vídeo, será exibida uma sessão comentada com três trabalhos produzidos pelos alunos do ICAIC, a escola de cinema de Cuba. “É um material interessante que mostra a atual realidade cubana por diversos pontos de vista. Alunos da escola vão apresentar a sessão. Também sob o título de ‘Sessão comentada’, vamos apresentar filmes recentes de alunos do Granada Centre for Visual Anthropology, da Universidade de Manchester, Inglaterra, um celeiro de novos antropólogos visuais”, diz Patricia.
Outras atrações serão alguns títulos exibidos no Bilan do Filme Etnográfico, Festival Jean Rouch (França): “Nord-Sud”, “Prophete(s)” e “Old man Peter”; o último filme do aclamado David MacDougall (“Gandhi’s Children”), da Austrália; e diversos filmes portugueses (“Nu-Bai, o rap negro de Lisboa”, o premiado “Gente de Fajãs ou “Falamos de António Campos”). Há também outros vindos do Margaret Mead Festival, de Nova York, como “Nollywood babylon”. “Há trabalhos de Adrian Cowell ,importante documentarista inglês que filmou para a BBC de Londres e fez muita coisa por aqui nos anos 60 e tem hoje sua obra sendo restaurada no Brasil”, complementa Patrícia.
Panorama nacional
De produções brasileiras, a Mostra apresentará 50 produções, entre curtas, médias e longas. “Recebemos filmes de todas as regiões do Brasil; muitos resultantes de oficinas audiovisuais; realizações de cineastas indígenas; e vários antropólogos como diretores de seus filmes. Percebemos também uma tendência de filmes mais curtos, valorizando a linguagem”, comenta a curadora.
Entre os inéditos, serão exibidos “Trans”, de Fabio Salmeron, sobre travestis e transsexuais baianos; “Alegriatristezaalegria”, de Beatriz Paiva, com moradores do Morro dos Macacos; “Dr. Raiz - etno videoclip”, de Marco Antonio Gonçalves, antropólogo, professor de antropologia do IFCS/UFRJ e autor do livro "O real imaginado: etnografia, cinema e surrealismo em Jean Rouch". “Com temas recorrentes na Mostra - comunidades indígenas e quilombos – teremos ”Bracuí – Velhas lutas, jovens histórias”, de Paulo Carrano, e “Pio Hoimanazé – A mulher Xavante em sua arte”, de Cristina Floria, além de “Sangradouro”, também inédito, de Divino Tsereuahú, Amandine Goisbault e Tiago Torres (Vídeo nas Aldeias)”, cita Patricia.
Outros destaques são “Apto.608:Coutinho.Doc”, de Beth Formaggini; “Negros”, de Mônica Simões; “Pré-Socráticos x Indígenas”, de Jorge Bodanzky; “Caminhos de Pedra”, de Pedro Zimmermann; “Batatinha, poeta do samba”, de Marcelo Rabelo; e “Nas rodas do choro”, de Milena Sá. Na “Sessão ao Ar Livre (CineSesc)”, todo ano um sucesso de público, será exibido “o Mistério do Samba”, de Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor. Será no dia 02 de dezembro, às 19.30h, nos jardins do Palácio do Catete.
Atividades
O workshop oferecido pela Mostra será dirigido por Vincent Carelli, o coordenador do “Vídeo nas Aldeias”, projeto sediado em Olinda, Pernambuco. Ele ganhou cinco Kikitos em Gramado com “Corumbiara” (este e uma seleção dos últimos trabalhos do projeto estão na programação) e vai oferecer uma oficina sobre a metodologia do Vídeo nas Aldeias. A entrada é franca, mediante inscrição prévia para seleção através do site www.mostraetnografica.com.br.
No Fórum de Cinema e Antropologia – que acontecerá na Caixa Cultural - há a previsão de uma mesa de debates ´”Documentário x filme etnográfico” e uma conversa sobre etnografia e TV, tendo como foco a novela Caminho das Índias.
O Projeto educativo Etnocine será realizado pela manhã na Caixa Cultural com escolas da rede pública, dando continuidade à itinerância da Mostra nas escolas, que ocorreu nos meses de setembro e outubro, dando uma prévia do festival.
Homenagem e prêmios
A 14ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico presta uma homenagem ao centenário do Mestre Vitalino, o grande artífice do barro na cultura popular brasileira, e ao antropólogo Claude Lévi-Strauss, que morreu dia 31 de outubro aos 100 anos, com filmes na programação.
Os vencedores, em várias categorias, vão receber prêmios da TV Brasil, da Organização Católica Internacional do Cinema, o já tradicional Prêmio Manuel Diégues Junior oferecido pelo Museu de Folclore/IPHAN e da Associação de Documentaristas ABDeC. Todos serão entregues na sessão de encerramento, no Arte SESC, dia 4 de dezembro.
14ª MOSTRA INTERNACIONAL DO FILME ETNOGRÁFICO – Mostra de documentários. Caixa Cultural Rio de Janeiro/Cinemas 1 e 2 (Av. Almirante Barroso, 25, Centro. Metrô: Estação Carioca), Museu da República (Rua do Catete, 153) e Arte Sesc (Rua Marquês de Abrantes, 99). De 26 de novembro a 4 de dezembro. Entrada franca. Mais informações no www.mostraetnografica.com.br
Esses filmes, principalmente os brasileiros, poderiam ser disponibilizados para universidades e cineclubes. Entrem em contato com o Conselho Nacional de Cineclubes, há mais de 300 cineclubes filiados. Fomentar a exibição não é exibir uma vez ao ano apenas. Mas parabéns pelo projeto, é muito interessante e potencializador.
leonardobarbosa · São Carlos, SP 24/11/2009 14:36...reitero as boas palavras do Leonardo. Bjos
graça grauna · Recife, PE 24/11/2009 14:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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