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Muita alma em flor... foi estragada pelo professor

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baduh · Rio de Janeiro, RJ
25/8/2007 · 329 · 57
 

Estive hoje à tarde nuns sebos. Vinha de volta da casa de um amigo - onde ganhei um livro, um abraço e o autógrafo do dono da casa.
Vinha eu feliz, mas poderia ter sido melhor...
Não foi nada que me desse muito alento: mais um livro publicado às expensas do autor - que anda com algumas dificuldades em distribuí-lo, às duzias e em consignação, pelas livrarias do Rio de Janeiro.
Mas, eu estava nos sebos... Bem, andar pelos sebos é progama dos melhores que conheço. Encontrei num deles "O Bobo", do ultra-romântico Alexandre Herculano, autor que não é dos meus favoritos - mas cuja obra completa é obrigatória àqueles que, como eu, procuram compreender e melhor amar a Literatura Portuguesa, mãe da Brasileira. Grande surpresa numa etiqueta colorida, colada na contracapa:
"Ganhei este livro da FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, seção brasileira do International Board on Books for Young Peoples - IBBY - IV Salão do Livro Para Crianças e Jovens". Editora Ática - Segunda Edição.
Detalhe desnecessário: livro virgem, ao custo de 2 reais, no chão do velho sebo, como lixo...
O que esperar de educadores, pessoas adultas, cuja falta de sensibilidade, de tirocínio, os fazem pensar que uma criança possa compreender ou gostar de uma escrita enviesada, rebuscada e repleta de arcaísmos, como acontece em toda a obra de Herculano? Querem espantar definitivamente as crianças de perto dos livros? Pois se eu, leitor calejado por décadas, leio Herculano aos trancos e barrancos, voltando e remontando sentenças inúmeras vezes para poder compreender o autor! Não é à toa que tão pouca gente gosta de livros no Brasil. Desde a infância estamos sempre sitiados por todas as formas e maneiras possíveis de incentivos ao desamor literário. Os que mais incentivam o afastamento definitivo entre um jovem e aquilo que poderia vir a ser seu maior alento - livros! - são os próprios professores e, principalmente, os “planejadores” do sistema de ensino - cuja visão desfocada e deslocada produz uma espécie de esquizofrenia paranóide, que os impede de discernir entre o seu gosto pessoal e aquilo que uma criança poderia vir a gostar, ou odiar.
Ah... Durante o chá, na casa de meu amigo, fui olhado como um morfético tarado, porque comentei que José de Alencar é péssimo autor para ser adotado no curso de primeiro-grau; que índio arrancando palmeira imperial na base do abraço é mais um helenismo de Alencar - que renomeou Hércules como Peri e que, entretanto, se esqueceu de trocar a história; que As Minas de Prata é de fazer mesmo uma criança sentir repugnância por qualquer coisa que lá esteja entre duas capas; que a primeira impressão é a que fica... Fazer o que, se não gostaram? Fui me meter entre os doutos da Literatura Brasileira... entre os fazedores de livros virgens...

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FILIPE MAMEDE
 

Deixe essas crianças lerem Harry Potter primeiro... acredito que a literatura/leitura, como tudo na vida, deve começar de baixo, com calma e naturalidade.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 23/8/2007 08:31
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baduh
 

É... mas tem muito professor/professora que não enxerga isto.

Uma me disse: o aluno não vem aqui para gostar, vem para aprender! Desculpe a franqueza: que imbecil! hahahaha

Abraço,

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 23/8/2007 17:47
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Claudia Puget
 

A foto é bárbara !
O processo cognitivo, também é seletivo. O gostar (que eu acho que tem um pouco de todos os sentidos) vem junto do buscar, então se uma capa colorida atrae crianças, tudo bem...(eu acho) Se o livro tem uma edição nova e o cheiro do papel é atraente , que DELICIA ! Ler quadrinhos? Bacana !
Também acho José de Alencar um chato!...(ai, será que vai me cair um raio?) E tem tantos outros autores, imortais até,que tb. são muuuito chatos...Baduh, acho que faz amargar em qualquer idade.
Mas não é só o coitado do professor, tem um esquemão velho a beça no ensino. Mudanças são necessários a décadas. Tem professor, e esse que não é coitado, que não aceita se atualizar...nossa, se houve reforma, foi na fachada. Mas a Esperança é que tem sempre gente nova sendo lançada no mercado, e sorte daquela instituição de ensino, que tenha contratado(ou tenha sido efetivado em concurso) que aquele cidadão seja um professor maluquinho, ou em processo de enlouquecimento criativo.
Eu rogo-lhes essa praga !
(E ô, praga de ruiva pega)
um abraço,
puget

Claudia Puget · Muqui, ES 24/8/2007 17:18
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baduh
 

Olá, Cláudia!
Muito obrigado pelo comentário. Eu sei que, na maioria das vezes, a bomba estoura na mão do professor - tantas vezes um profissional que não é pago condignamente.
A primeira infância é uma oportunidade única para a descoberta da leitura. É um bálsamo para a alma: o leitor viaja junto com o viajante, morre e renasce mil vezes, voa longe, corre o mundo todo - e percorre todas as épocas da humanidade.
Então vem um papeleiro, um burocrata do ensino, um carimbador de merda, e estipula que os livros da primeiro-grau serão uns parnasianos imbecis, que queriam fazer uma Hélade embaixo da jaqueira, ou na caatinga, ou até mesmo na tórrida Rua do Ouvidor... O outro extremo é impor um Euclides da Cunha, um Alexandre Herculano, maravilhosos mas inalcançáveis antes da maturidade.
À professora que me disse "aluno não vem à escola para gostar mas para aprender!" eu respondi: "sim, inclusive aprender a odiar os livros..."
Um país se faz com homens e livros. É uma frase sapientíssima.
Beijão! Mande um praga bem legal, porque eu acho as ruivas belísimas (fui casado com uma!)
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 24/8/2007 19:19
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Andre Pessego
 

É baduh, voce tem razão, mas se culpa tanto os professores
disto daquilo, com razão, nem tanto.
baduh, a pergunta é onde ficam os pais? A eles não caberiam também um pouco, um tanto, um muito de responsabilidades.....
a falta de gosto, melhor de visão de mundo, começa dos pais, não sei, acho estou falando por intuição,
Mas legal mesmo,um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 25/8/2007 06:01
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baduh
 

Valeu, amigo Andre!
No tempo em que eu era um menino muito pobre, meus pais e os pais de meus companheiros não tinham instrução suficiente para valorizar o livro. Hoje, nem mesmo família existe mais - para uma fatia considerável da população infantil. Sendo "obrigatória", a escola deveria aproveitar todas as oportunidades - e não desperdiçar tempo e lucidez adotando livros que agradam aos burocratas idiotas que os escolhem.
Um grande abraço!
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 07:51
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Mansur
 

"Verdes mares bravios de minha terra natal, aonde canta jandaia nas frondes de carnaúba..."
Essa é a primeira frase do livro Iracema de José de Alencar. Decorei-a na quarta série primária quando fui obrigado pela professora de português a ler esse livro e em seguida fazer uma prova sobre o próprio que me daria uma nota para ser aprovado na matéria. Decorei a primeira frase e não li o livro. Costumava recitar essa frase para meus amigos de classe antes da professora chegar em sala de aula, provocando enorme gargalhada em todos. Virou minha grande piada por algum tempo. Hoje em dia acho a frase bonita, mas na época o único significado que eu podia extrair dela era fazer rir meus amiguinhos e fazer certo sucesso entre eles por isso.
Perfeito Baduh
Abraços

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 13:22
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baduh
 

Ahahahhah ótima, Mansur! Para você ver como uma criança apanha super bem o ridículo do adulto. Criança é fogo!
Você, tendo passado por isto, ainda tornou-se um músico e compositor maravilhoso - e escreve corretamente. E aqueles que passaram a odiar livros? Quantas almas embrutecidas e perdidas para a enlevação da inteligência, do raciocínio - somente possíveis com a leitura habitual?
Obrigado pelo ótimo comentário, querido amigo! Quando houver novas composições, por favor, não deixe de avisar-me, porque eu virei fã!
Abração.
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 13:39
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Mario C.
 

Cara, considero Iracema o livro mais enjoado de todos o tempos até hoje, justamente porque fui obrigado a ler quando pequeno. Não decorei nada como o Mansur, mas também não entendi direito.
Em compensação, o Mistério do cinco Estrelas eu li umas 10 vezes. Coleção Vagalume neles!

Mario C. · Belo Horizonte, MG 25/8/2007 15:48
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baduh
 

Então, Mario!
Os livros infanto-juvenis da Lúcia Machado de Almeida são excelentes e altamente educativos. É pura diversão. Para adorar ler mesmo! O Monteiro Lobato, que é uma maravilha! E, no entanto, ainda se obrigam jovens de 12 anos de idade ou menos a ler o chatíssimo José de Alencar! Preservar ou mostrar cultura e época? Na época certa! Quando houver a maturidade intelectual suficiente para isto. Obrigar uma criança ou jovem a ler Alencar é sepultar um leitor. Para sempre, na maioria das vezes.
Obrigado pelo comentário. Um grande abraço.
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 16:08
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Adroaldo Bauer
 

Então Baduh,
Essas tuas incursões a sebos e biliotecas têm-nos animado a prosa de um modo rejuvenescedor, sem ironia.
Se me permites o depoimento, li alguns livros orientados por professor, mas felizmente tive essa aventura no antigo ginásio, já depois da infância, lá pelos 14 anos.
E gostei de uns e não gostei de outros.
A idéia da orientação para a leitura me parece correta na escola.
O que tem enorme distância de ter acordo com o que e quando se indica e, na maioria das vezes, se impõe assim como descreves.
O gosto que tenho pela leitura é mais um exercício de curiosidade sobre o mundo, a existência, as circunstâncias.
O que - penso - se deve estimular em toda a sociedade para as pessoas de qualquer idade.
Felizmente, meu pai além de permitir e incentivar minha leitura de quadrinhos infantis e juvenis, só deu-me Os Lusíadas aos meus 13/14 anos de idade com a dedicatória dele para que eu lesse quando decidisse ler.
Quando li, gostei, já aos 15/16 e ele deu-me então dois livrões enormes, cheios de fotos, da história da segunda guerra mundial e uma coleção de 12 biografias sobre vultos da história do conhecimento humano.
E ele não tinha certificado de segundo grau, porque estudara em seminário religioso, do qual saiu para a guerra em 1943.
Viva seu Milton!
Se nada restar, dizia um barbudo há dois séculos, repetindo o egípcio há 5 mil anos, que reste a dúvida!

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 25/8/2007 17:03
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Cintia Thome
 

Baduh
Achei muito interessante
Estupidez I

Bom,as crianças estão na escola para aprender? Aprender o que???
No meu tempo, no nosso, primeiro que havia noção do que era Pátria Amada Brasil, Hino Nacional, todo cerimonial e respeito. Alunoxprofesor, professor x aluno.A professora, era tida como uma "segunda" mãe, sendo esta apresentada como a que teria tempo para ensinar as letras...Professores vestiam-se dignamente, sempre com vestidos bonitos, colar de pérolas, perfume e batom, educadas, quase sempre vindas de colégios tradicionais, famílias abastadas, viajadas, etc...Eu, escola pública, aluna normalista...
Hoje? Começa pelo visual, sandálias rasteiras, calça jeans, camiseta de propaganda..Professora leu clássicos? Não, não vai a livraria, pois
com o salário nem come, não tem tempo, dá 44 ou mais hs aula. Geralmente sustenta a família, sem marido, sem marido doutor...
Escolas públicas pichadas, carteiras quebradas, sem giz...As escolas mais abastadas, as professoras desfilam com marcas, ex-patricinhas, contam sobre o que viram nas vitrines de New York e shoppings, falam de política, revista Caras pede ao aluno que vá até a internet e pesquise e pronto. Alunos patricinhas&mauricinhos, leêm os dez mais da Revista Veja...
Bom , no meu tempo , passei tardes e tardes em bibliotecas cheirando a mofo, naftalina com Euclides, Camões,Omar Kayamm, Augusto, Ernest Hemminguay,Fabulas de Esopo, Guimarães Rosa, Dickens...com dicionários e dicionários..."decorebas"...Alencar, um porre!Depois Jorge Amado(às escondidas), F. Pessoa, Bandeira e
Meu pé de Laranja Lima...
que delícia ter tido uma "segunda" mãe! Parabens Baduh.

.

Cintia Thome · São Paulo, SP 25/8/2007 17:05
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Cintia Thome
 

Voltando, você está certo, Euclides tive que reler, reler(ainda pego o exemplar que meu pai deixou e releio trechos...Lusíadas, foi grande pesquisa na minha vida de tempos em tempos.
Mas apaixonei-me pelas letras com Caminho Suave, lembra? Procure em alguma biblioteca...

abçs

Cintia Thome · São Paulo, SP 25/8/2007 17:15
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Saramar
 

Baduh, concordo com você.
Minha primeira experiência com a leitura foi traumática (risos).
E pensar que estes livros geralmente, são doados pelo governo para crianças de baixa renda que talvez nunca tenham tocado antes em nenhum deles, a não ser os didáticos.
Imagino a estranheza, primeiro com a linguagem, depois com a narrativa.
Os teóricos da educação brasileira que já são responsáveis pelo analfabetismo crônico dos alunos, são também criadores de monstros que afastam as crianças da leitura.
Gostaria de saber quantos professores leram Herculano antes que ele chegasse à biblioteca do colégio. Este é um exemplo. Quantos outros iremos encontrar?

beijos

Saramar · Goiânia, GO 25/8/2007 17:38
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fernando ciscozappa
 

baduh, é por aí...
e pelos cantos e por todas as vias prazerosas que nos
tornamos leitores...
e nada como um texto, uma frase que encanta...
depois de encantado, podemos buscar sim:
o indecifrável
o incompreensivo
o incomunicável
os barroquismos
assim como o fácil, o leve, o degustável

abraços ternos...

fernando ciscozappa · Belo Horizonte, MG 25/8/2007 18:17
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Levi Orlando
 

Baduh:
A pertinência da questão que vc aborda se mostra pelos comentários postados, que já disseram quase tudo. Apenas acrescentaria o seguinte:
O papel do professor é apresentar, digamos assim, a Literatura ao aluno, de forma prazerosa, para que ele forme o próprio gôsto e adquira o hábito da leitura. Estou convencido que para isso seria preciso inverter radicalmente o processo: começar nas primeiras séries com a literatura contemporânea, que tem uma linguagem mais próxima da realidade do aluno. E então ir retroagindo, passando pelas várias correntes, até chegar nos clássicos.
Claro que isso teria de ser feito de uma forma dinâmica, não estritamente linear, com professores preparados. Ao recomendar uma leitura o professor teria que saber trabalhar aquele conteúdo, situar aquela obra no seu contexto histórico e social. E o fato é que nem mesmo os próprios professores lêm, pelas razões já expostas por todos. O magistério, de carreira que era, se transformou em mera profissão, fonte de subsistência.
Um abraço.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 25/8/2007 18:32
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baduh
 

Olá, meus queridos Adroaldo, Cintia, Saramar e Ciscozappa:

É um imenso prazer receber comentários de tão ilustres e queridos overmanos e overminas.

Para não ser muito chato, tentarei ser breve.

- O professor não costuma ser o culpado, na maioria das vezes. Mas ainda há professores, bem pagos alguns, que têm a cabeça estreita como um orifício de urna de sugestões... A estupidez é inerente a nós, humanos - e não poderemos nos livrar dela, jamais.

- Tenho 51 anos de idade. Comecei a ler aos 6 anos. Aos 12 já lia, por curiosidade - e por haver encontrado - A Idade da Razão, o que me deixou impressionado e meio abalado. Hemingway, em minha adolescência, foi autor de aventuras.

Com tudo isto, somente consegui ler Guerra & Paz depois dos 40 anos de idade. Aí sim, pude apreciar. Euclides da Cunha, somente depois de meus 30 anos de idade.

A maturidade intelectual é fundamental para algumas coisas... hahahahaha Lascar "Os Sertões" num jovem de 15/16 anos de idade é um crime (quando obrigatório e vinculado às notas e a uma possível reprovação)!

Somente escapei dos malefícios de "As Minas de Prata", "O Tronco do Ipê" e similares porque já me refugiava em Robinson Crusoé, Pedrinho & Companhia... Minhas notas em português, é claro, eram péssimas. Os únicos ZERO que recebi em toda minha longa vida de estudante foram, justa e exatamente, em português e em literatura. Graças a Deus!

E, por último, e em último lugar, há professores morrendo de medo de seus alunos. São pequenos marginais. Há também criancinhas que falam "professor, pescoço é com Ç..."

Conclusão: estamos colhendo o que foi plantado (tormentos).

Abraço afetuosamente cada um de vocês! Muito obrigado.
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 18:46
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Não sei dizer no varejo, mas no atacado você tem toda a razão. Até acho que seria muito mais proveitoso se, em vez de estudarem português, as crianças, e porque não, os jovens, estudassem "leitura ", isto é, que as aulas se focassem no entendimento coletivo de livros, bons livros, adequados a cada faixa etária, mas cuja leitura se desse coletivamente. Será que não estaríamos capacitando melhor os alunos agindo dessa forma?
Aliás, se me permite mudar um pouco de assunto, para ficar no mesmo, o ensino da tal "língua patria" varia de chato a chatíssimo.
beijos e abraços
do Joca Oeiras,o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 25/8/2007 18:49
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baduh
 

Levi e Joca.
As sugestões que vocês apresentam poderiam representar uma virada em toda esta situação. Excelentes!
Mas é tão difícil mexer no sistema...
Muito obrigado pelos comentários, queridos amigos.
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 25/8/2007 19:14
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Benny Franklin
 

Caro Baduh!
Um dos textos mais completos que já li sobre o assunto...
Plenamente aprovado. Take Care my friend!
a) Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 25/8/2007 21:03
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Levi Orlando
 

Joca:
Seu comentário me lembrou de um professor de Português que fazia leitura coletiva em sala de aula, os alunos - um voluntário ou designado por êle - se alternavam na leitura de trechos ou capítulos, e por êsse método nós lemos, p. ex., O Homem Que Calculava, de Malba Tahan, cujo protagonista, um peregrino do Oriente vivia histórias tipo Mil e Uma Noites, em situações que envolviam lógica e truques matemáticos.
Os Meninos da Rua Paulo, os romances de Alexandre Dumas, Mark Twain, Dickens, etc., são clássicos da literatura infanto-juvenil que, acredito, não perderam a força e poderiam ser melhor aproveitados como fonte de leitura.
Quanto à referência que fiz ao exercício do magistério hoje, claro que é uma generalização, existem muitos abnegados que, pelo quadro geral do Ensino, merecem ainda mais o reconhecimento.
Um abraço.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 25/8/2007 21:50
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Querido Levi:
Quando escrevi o comentário também pensava em uma experiência pessoal que tive com uma professora de Francês: em um ano e meio aprendi, na escola pública, quase todo o francês que sei, que pode não ser muito mas me permite traduzir bem razoavelmente. Alemã sem, no entanto, parecer, magérrima, pele sobre ossos, morena e uma das mulheres mais feias que eu já conheci, a professora nos fazia ler Racine, Corneille, Moliere, Victor Hugo etc. Foram muito proveitosas estas aulas, inesquecíveis eu diria, apesar de não me lembrar o nome da mestra a quem devo muitos agradecimentos
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 25/8/2007 22:32
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baduh
 

Querido amigo Levi, muito obrigado pelos comentários.

Fico feliz ao notar que este assunto provocou um debate saudável entre pessoas ponderadas.

Tive excelentes professores e professoras, gente inesquecível, mas, por um simples acaso, nenhum de português ou de literatura que não fosse bitolado. Foi azar, com toda a certeza.

Professores abnegados, sacerdotes seriíssimos do ensino, sempre os haverá, porque o magistério é uma vocação e um dom.

Infelizmente, a nossa sociedade está corroída até as raízes. E falo "a nossa sociedade" mundial - e não particularmente do Brasil.

Nos condomínios luxuosíssimos há também uma quantidade impressionante de jovens desviados do bom caminho. Tiveram todos os bens materiais, com excessiva facilidade. Tiveram tudo, menos atenção e carinho verdadeiros de seus pais.

São péssimos alunos e infernizam a vida de qualquer professor.

Volto a dizer: a culpa não está localizada nos mestres. Não quero aqui arriscar-me a apontar culpados, responsáveis. Mas todos sabem que eles estão nos altos escalões, nos postos de direção, nos cargos públicos, políticos.

Muito obrigado a todos os que carinhosamente opinaram aqui!

Abraços.

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 26/8/2007 00:36
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Marcato Pereira
 

Em certos momentos alguns orientadores pedagógicos pecam de fato. Lembro de um livro muitíssimo interessante que foi recomendado no ensino fundamental- não gosto dessa nova nomenclatura, prefiro primeiro grau, segundo, etc-, infelizmente não lembro do título e nem do autor, porque esse é um causo jurássico, mas jamais esquecerei da estória narrada no livro; ainda hei de redescobrir a autoria e o título, bem como achá-lo. Mas o livro, escrito para o público infanto-juvenil, tinha uma trama de mistério que se passava no fundo do mar, um grande barato, com assassinatos, suspeitos, todos aqueles saborosos clichês de Doyle e Christie. Não é que alguém considerou o livro "forte demais" para as nossas cabecinhas e suspendeu a obrigatoriedade- nesse caso, adorável, uma exceção-, de sua leitura, e o substituiu por um outro, sobre o qual nem lembro do que tratava? Isso, como tantas outras coisas, tem que ser revisto.
Sobre a ida aos sebos: programaço!
Abração e parabéns pela escrita!

Marcato Pereira · Rio de Janeiro, RJ 26/8/2007 06:17
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baduh
 

Diz a lenda, que as grandes damas da alta-costura, em Paris, umas velhinhas poderosíssimas, influentes, odeiam a juventude e a beleza das jovens modelos - e por isto impuseram-lhes uma magreza assassina, pouco a pouco, até chegar ao estágio em que chegamos.

Eu penso que existam dirigentes do sistema educacional que odeiem: crianças, livros, literatura, cultura e afins... ahahahahah

Obrigado, Marcato, pelo teu comentário!
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 26/8/2007 13:46
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Maniefurt
 

Nossa...isso me lembra bastante meus tempos de escola, às voltas com livros "impostos" que achava um porre! Não me esqueço que na 4ª série primária(hoje fundamental), eu tinha que ler um livro do português Manuel Almeida....e como já disseram em outro comentário, só li a primeira página. Lembro que a professora reclamou, e minha resposta de menina de 10 anos foi: "Poxa, este escritor é tão chato, que só tem um livro publicado." Na verdade, naquela idade eu queria era ler as crônicas de Carlos Eduardo Novaes ou Capitães da Areia, o que deixava as freiras do colégio de cabelos em pé. Tive muita sorte de ter sido estimulada pelo meu pai desde antes de saber a ler à pegar livros de capas coloridas e muitos desenhos, gibis....pois se dependesse da escola, hoje certamente eu faria uma careta bem feia se me dissessem que meu futuro seria como jornalista. Pobre flores....

Maniefurt · Salvador, BA 26/8/2007 15:19
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Depois de lido o artigo e alguns comentários, venho fazer o meu.
Primeiramente, sendo professor jamais me sinto ou me sentirei um coitadinho por ter escolhido a minha profissão. Considero uma escolha justa e acertada. As pessoas que escolhem o magistério por essa ou aquela acomodação ou por falta de oportunidades deve avaliar sempre o andar de sua própria "carruagem".
Outra questão importante é a culpa que todo mundo gosta de impor ao professor. Toda história de leitura pessoal começa bem antes da entrada em qualquer instituição de ensino. As histórias pessoais de leitura podem ser muito boas ou muito ruins. Daí a importância da família. Sabemos que nem todos os lares desse Brasil são ricos em ambientes letrados. Culpas? Responsabilades? Muito existe para se discutir aqui. O que não dá mais pra ouvir é que o professor foi o responsável pelo "ponte-que-caiu" lá onde "judas-perdeu-as-botas". Valha-me Deus! Não dá mais pra agüentar isso.
Outro ponto importante é a questão da leitura orientada. Sou professor há 20 anos e oriento as leituras de meus alunos. Não só oriento como compartilho. O professor tem o dever de ajudar o aluno em suas próprias leituras até que, aí sim, o leitor com autonomia surja. É evidente que todos os profissionais e não só o professor esteja exposto ao erro, a má escolha de um caminho.
Na leitura, não é diferente. O professor tem que estar atento ao gosto do aluno, às novidades do momento, aos fenômenos de vendas, às letras de músicas que o aluno está ouvindo no seu MP3. Tudo isso é importante. Tudo isso é pertinente em sala de aula. Com criatividade e cumplicidade, professor e alunos podem viver e conviver com as mais variadas formas de leitura que há por aí.
Posso ter estragado almas em flor. Pode ser... Mas já vi muitas almas num palco num grande espetáculo com "O Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente e "Triller" de Michael Jackson. Tudo numa boa. Flores se abrindo. Só pra exemplificar...
Valeu!
Ótimo espaço para discussão.

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 26/8/2007 18:05
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baduh
 

Querido Cavalheiro.
Sou seu admirador, você sabe disso, porque já mencionei diretamente a você. Professores com o teu perfil é o que se deseja.

Generalizar, seria burrice minha. Eu posso ser tudo, menos burro.

Fico feliz ao notar que este assunto provocou um debate saudável entre pessoas ponderadas.

Tive excelentes professores e professoras, gente inesquecível, mas, por um simples acaso, nenhum de português ou de literatura que não fosse bitolado. Foi azar, com toda a certeza.

Professores abnegados, sacerdotes seriíssimos do ensino, sempre os haverá, porque o magistério é uma vocação e um dom.
Este é o comentário de número 23. É claro que ninguém está aqui para ler isto tudo! Tantos comentários! Mas que coisa maravilhosa.

Eu falo em meu artigo, de um tempo pretérito, onde a estupidez era sim, generalizada - e da minha imensa surpresa ao descobrir que ainda há resquícios fortes dessa estupidez - em pleno terceiro milênio!

Maniefurt:
O seu testemunho é um retrato, uma fotografia muito bem tirada e revelada, do que eu passei, do que milhares passaram.
Ex-jornalista, tendo exercido a profissão durante 15 anos, na Embratel S/A, onde obtive respeito profissional, até migrar profissionalmente para a carreira de informática, num caso de amor, fui sempre o último aluno de todas as minhas turmas de português e de literatura. Desculpe-me o termo franco, objetivo, direto: ainda uma criança, eu cagava para os imbecis que tentavam me impor os vomitórios "O Tronco do Ipê", "As Minas de Prata" e similares. Refugiava-me na biblioteca do colégio, lendo Monteiro Lobato, Laura Ingalls Wilder, A. J. Cronin e outros deliciosos e inequecíveis autores. Resultados: vários ZERO no final de cada mês - e duas repetições de ano, exclusivamente em português! ahahahahahahhaahahahah

Abraços gerais!

Baduh


baduh · Rio de Janeiro, RJ 26/8/2007 18:45
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Luiz Antonio Cavalheiro
 

Ei, Baduh!

Sou seu admirador também, rapaz!
Mas eu não podia deixar o espaço sem escrever um bocadinho...rsrsrss

Primeiro li o artigo, gostei e votei. Depois li todos os comentários. Gosto de observar as variadas opiniões e crescer e aprender sempre. Como ficou bacana o espaço criado a partir do seu texto.

Grande abraço, amigo!

Luiz Antonio Cavalheiro · Cordeiro, RJ 26/8/2007 19:24
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baduh
 

Puxa, Cavalheiro!
Que bom não ter havido nenhum mal-entendido! Eu torno a te dizer: é uma preciosidade o que você escreve e a forma com que o faz! O fato de fazê-lo na casa em que viu à luz pela primeira vez, as flores que você cultiva (eu também adoro cultivar flores!), são de um significado, de um valor espiritual muito significativo. Você tem a felicidade de morar numa cidade pequena e viver no mundo-imenso, através de teus conhecimentos literários!
Eu tenho muita comiseração pelas pessoas que ficam tristes, nervosas e quase desesperadas quando não há nada para ser visto na TV. Eles não sabem o prazer que um livro pode trazer - e que traz, de fato, tantas e tantas vezes!
Queria que mais pessoas lessem. E que mais professores não fossem robôs, mas sim verdadeiros educadores, tocados pelo dom e pela inspiração do exercício de seus misteres com amor.
Seu, admirador, amigo,
Baduh (Fernando) Rio de Janeiro

baduh · Rio de Janeiro, RJ 26/8/2007 19:41
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José
 

Baduh!
Faço minhas tuas palavras.
Agradecido.
José

José · Criciúma, SC 26/8/2007 19:42
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baduh
 

Meu prezado José!
Sou quem agradece pela leitura! Muito obrigado pelo comentário.
Um grande abraço,
Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 26/8/2007 22:46
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos Amigos, Baduh em particular:
Sem ser literatura, a sua colaboração acabou se tornando uma "obra aberta" no sentido que despertou nas mais variadas pessoas as mais variadas reflexões .Eu, por exemplo, comecei a pensar em discutir uma "Teoria do Aprendizado" em contraposição a uma "teoria do Ensino". Muito legal!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 27/8/2007 09:40
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Rangel Castilho
 

Baduh, meu querido!
Tenho uma história interessante também.
Tive uma professora de português que falava errado - pobrema, essas coisas, e não admitia ser corrigida.
Ela é uma personagem cultivadíssima no meio educacional e hoje está aposentada.
E apesar de tudo isso, essas dificuldades, foi ela quem me deu a primeira oportunidade de cantar em público, de fazer poesia e de cantar em coral.
São coisas dificeis de acreditar, porque se voce falar com ela, nem desconfia que é professora, de tão errado que fala!
Ahahaha!!!!!

Rangel Castilho · Anastácio, MS 27/8/2007 09:44
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Cicero de Bethân
 

Salve, mister!
Só pra constar: quando era moleque de uns doze anos, um tio meu (homem muito culto por sinal) me emprestou "Senhora", do Seu Alencar. Meu Deus! Não consegui! Mas assim como Mário C., pirava com a série Vagalume (que era adotada pelos professores de meu colégio). Depois graças a uma tia fui conhecendo outros, como o já citado Malba Tahan. Embora seja péssimo de matemática (e não ter me dado bem com o livro) tive uma outra concepção sobre o que é escrever, seus serviços e também desserviços. Assim acabei conhecendo um tal Mário de Andrade e suas poesias, para depois cair em outros tanto e em meu gosto pessoal: Herman Hesse, Gabriel García Marquez, Fernando Bonassi, etc. E até hoje lembro com carinho da série vagalume que me salvou o gosto pela leitura!
Mamede tem razão: ao invés dos intelequitualóides execrarem os que leêm "O código da Vinci" e não gostarem das crianças que leêm Harry Potter, deveriam entender o tempo de cada um. Já falei demais!
Vim, lí e votei!
Abraço!

Cicero de Bethân · Vitória, ES 27/8/2007 11:32
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Cicero de Bethân
 

Salve, mister!
Só pra constar: quando era moleque de uns doze anos, um tio meu (homem muito culto por sinal) me emprestou "Senhora", do Seu Alencar. Meu Deus! Não consegui! Mas assim como Mário C., pirava com a série Vagalume (que era adotada pelos professores de meu colégio). Depois graças a uma tia fui conhecendo outros, como o já citado Malba Tahan. Embora seja péssimo de matemática (e não ter me dado bem com o livro) tive uma outra concepção sobre o que é escrever, seus serviços e também desserviços. Assim acabei conhecendo um tal Mário de Andrade e suas poesias, para depois cair em outros tanto e em meu gosto pessoal: Herman Hesse, Gabriel García Marquez, Fernando Bonassi, Baudelaire, etc. E até hoje lembro com carinho da série vagalume que me salvou o gosto pela leitura!
Mamede tem razão: ao invés dos intelequitualóides execrarem os que leêm "O código da Vinci" e não gostarem das crianças leêm Harry Potter, deveriam entender o tempo de cada um. Já falei demais!
Vim, lí e votei!
Abraço!

Cicero de Bethân · Vitória, ES 27/8/2007 11:33
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baduh
 

Queridos Rangel e Cícero!
Nós demos sorte, porque ainda estamos aqui para contar a história... 90% dos outros somente conseguem divertir-se com a TV... Criança tem mesmo que aprender a amar a leitura através daquilo que lhe seja instigante. É o caminho certo, na escadaria que nos leva cada vez mais alto em termos de autores.

Um José de Alencar na hora errada... FIM! "odeio livros!"

Professora de português falando errado e dentista com mal de Parkinson... tô out! ahahahahahhahhah

Grande abraço, queridos!

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 27/8/2007 11:54
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AZnº 666
 

Volto pra ler os comentarios. li Iracema de Jose de Alencar e foi uma dureza, gostei mesmo na minha infancia de Cazuza e Monteiro Lobato, por ai. Pode-se comprar uma amizade com um livro? Pois eu vendi a minha ´para Marcio Isquioket(esta é a pronuncia) que me deu 3 livretos de XUXÁ em 1966!

AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2007 18:10
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Inês Nin
 

teoria do degrau! desde o primeiro comentário..

relativizemos, por favor. harry potter também é bom.

Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2007 19:46
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Inês Nin
 

o link saiu errado: http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/cgi-bin/PRG_0599.EXE/4367_3.PDF?NrOcoSis=10214&CdLinPrg=pt

Inês Nin · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2007 19:47
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baduh
 

Prof. Leiteiro:
Até Sétimo Céu (fotonovela) eu lia, quando não tinha o que ler. Pegava lá nas coisas das minhas dezenas de primas. Tudo, menos os bolorentos helenistas! ahahhahahahahah

Inês:
Concordo em gênero, número e degrau! ahahahahahaah

Abraços,

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 28/8/2007 21:48
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Levi Orlando
 

Caro amigo Baduh (acho que já posso te considerar assim):
Vejo que o baile aqui continua animado, sinal de que a orquestra - o teu texto inicial - é boa.
Mas volto para registrar que o meu ultimo comentário sobre um grande professor de Português que tive foi apenas uma reminiscência provocada pelo comentário do Joca, e para que a minha ponderação não soe como a atitude de alguém que esteja em cima do muro, faço questão de dizer que fecho contigo, tanto no teor do texto inicial quanto nos teus comentários.
Só para ilustrar, eu tive outro professor de Português - um fascista, em plena Ditadura - que me execrou publicamente em sala de aula por uma redação que fiz. Bem escrita, sem falsa modéstia, até porque tenho uma autocrítica muito rigorosa, mas que continha um certo teor de irreverência, de deboche. Acho que foi esse o motivo, porque ele não fez uma crítica aberta, leu e detonou o texto na minha ausência, em outro turno.
Foi, sem exagero, um trauma prá mim. De modo que eu me incluo entre aqueles que tiveram seu desenvolvimento intelectual, digamos assim, podado por professores despreparados e sem vocação, inclusive na Universidade.
Faço esse comentário, repito, apenas para clarear minha posição nesse debate tão rico que o seu texto nos proporcionou.
Um fraterno abraço.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 29/8/2007 17:25
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Levi Orlando
 

Em tempo: esse professor a que me refiro elogiou muito a redação prá mim pessoalmente no corredor da escola, por isso deduzo que a detonação se deu no conteúdo, e não na forma.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 29/8/2007 17:32
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Queridos amigos:
Aproveitando a popularidade deste fórum quero convidá-los a palpitarem em um tópico que abri no observatório, denominado "O que afinal aprendi na escola". Lá eu fiz uma proposta que precisa ser levada ao conhecimento de todos.
Proponho que este texto do Baduh inaugure um livro virtual sobre nossas reminicências de ensino. Não é pra falar mal, é pra falar a verdade. Este livro deve ter uma data limite pra ficar pronto (proponho o dia do professor 15 de outubro) e ele seria um presente verdadeiro para o professora, um verdadeiro guia do mal proceder.
Gostaria de contar com a colaboração de muitos e me responsabilizo pela edição do livro.
beijos e abraços
do Joca Oeiras,o anjo andarilho
PS Bom, o primeiro a concordar tem que ser o Baduh

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 29/8/2007 17:50
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Levi Orlando
 

Mais um adendo:
A propósito do tema, sugiro a leitura do texto Salvemos a Escola Pública, de Frei Beto, no site .
Um abraço.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 31/8/2007 13:59
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Levi Orlando
 

www.correiodacidadania.com.br (o linck não entrou, para variar).

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 31/8/2007 14:02
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jjLeandro
 

Baduh, meio tardiamente, mas estou cá. Deixo o voto só só agora, e só agora aprecio sua verve crítica e jornalística porque estive viajando.
abcs

jjLeandro · Araguaína, TO 9/9/2007 21:13
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Levi Orlando
 

Joca:
Estou concatenando algumas idéias dentro da sua proposta "O Que Afinal Aprendi Na Escola".
Assim que puder escrevo o texto.
Um abraço.

Levi Orlando · Porto Alegre, RS 9/9/2007 21:19
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Legal Levi!
A gente precisa combinar as tags comuns

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 9/9/2007 21:21
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Roberta Tum
 

Baduh,

professores são em geral, heróis da resistência. Existem os que destroem tudo, por estarem na profissão errada, por preguiça ou excesso de arrogância. Tive uns dois desses pela vida.
Mas, graças a Deus, minha mãe é professora primária, e além dela tive tantas inspirações que amei os livros desde a infância.
Penso que pais mais participativos e atentos acabam por expulsar os maus exemplos das escolas.

Grande abraço!

Roberta Tum · Palmas, TO 13/9/2007 14:57
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Bruna Célia
 

Eu sou um exemplo vivo de leitura desde o pré-escolar... meus pais sempre me incentivaram e desde então não parei. Mas ainda em que não comecei com Alexandre Herculano ou Saramago. Me deram um Boa noite, dona lua, para começar, Rutch Rocha, depois me enveredei pelas planícies e montanhas de Pedro Bandeira e todos seus livros... e fui caminhando... caminhando... até achar Gabriel García Marquez e seu Cem anos de solidão meu livro preferido...

Foi assim, de pedrinha em pedrinha que peguei gosto pela leitura...

Bruna Célia · Goiânia, GO 15/9/2007 11:04
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baduh
 

Levi, querido amigo, meu grande Oeiras!, JJ (de volta de suas andanças), Roberta e Bruna.
Agora sou eu quem está numa fase de trabalhos e viagens que têm me impedido de frequentar do jeito que queria o Over. Peço a vocês todos compreensão, estou defendendo o leite da crianças!
Respondi diretamente à Roberta, no seu perfil, e, infelizmente, por pressa, esqueci-me de replicar aqui! Trata-se, é claro, de uma ênfase no que eu já havia dito acima:

Tive professores maravilhosos, verdadeiros pais e mães espirituais. Houve uma fatalidade com absolutamente todos os de português e de literatura (ou talvez eu me recusasse ao cabresto que eles desejavam colocar em minha alma.

Lembrando o que Levi contou, aqui vai um pequeno causo ocorrido comigo:

No antigo curso científico (equivalente ao segundo-grau de hoje), que tive de fazer à noite, já que precisava trabalhar para sustentar minha mãe, o professor de português era um capitão do Exército, da ativa, de nome Cirne. Me deu um zero redondo, completo. Por quê? Porque ele se atinha exclusivamente à análise sintática e morfológica (que eu detesto!).

Virei-me para ele, em plena sala de aula (eu, com 16 anos, franzino, magrela):

- O senhor não pode me dar zero. Eu não sou um analfabeto, o senhor precisa me dar pelo menos a nota 1. Zero seria somente se eu fosse um analfabeto. Eu não aceito o seu zero. Teremos problemas seriíssimos e eu irei até o fim, haja o que houver!

Ele me deu a nota 5. E tratou de diversificar (porque sintaxe não era o único tópico da matéria, durante o ano inteiro, e ele somente dava essa matéria, e mais nada, porque, provavelmente não dominava outros campos da língua portuguesa...

É o que eu chamo "cavalaria-mental". O professor Cirne era, não somente da Cavalaria, mas, ele próprio, um cavalo.

Abraços afetuosos e gerais! Voltarei quando puder.

Baduh

baduh · Rio de Janeiro, RJ 15/9/2007 19:25
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Alguns esclarecimentos sobre o Projeto "Reminiscências de escola":

Já há algum tempo, alguns overmanos e overminas são testemunhas disto, eu vinha pensando no aproveitamento mais a fundo do caráter colaborativo do Overmundo. Tendo pensado uma vez alto (num tópico do observatório) fui esclarecido de que tentativas anteriores tinham se frustrado por não haver quem se responsabilizasse por juntar os fios e tecer a malha.

Foi o que resolvi fazer: propor um mote que tivesse o condão de ser comum a todos (ou quase todos) e chamar para mim a responsabilidade de dar um formato final a um livro sobre reminiscências de escola resultante das contribuições individuais de cada um. A Ize não apenas me estimulou a prosseguir (quando eu estava a ponto de jogar a toalha), como se dispôs a assumir uma parcela da responsabilidade o que, sem dúvida, teve o efeito imediato de devolver-me o entusiasmo e conferir maior credibilidade ao projeto.

A partir deste momento só temos visto crescer o interesse pelo plano, que recebeu incentivo de muitos overmanos e minas – inclusive do Hermano Viana, muito importante para nós! – o que, de um lado, nos empolgou ainda mais e, de outro, conferiu ainda maior confiabilidade à proposta. Estou repisando estas teclas, o binômio entusiasmo-credibilidade, porque dele é que vai depender, basicamente, o sucesso da empreitada.

Gostaría de ressaltar, ainda, que o apoio de todos, seja através da postagem de textos e fotos, seja através do valioso auxílio à edição por intermédio dos comentários, é imprescindível para que o livro de fato saia. A quantidade e a qualidade dos textos já enviados mostra, felizmente, que a fase do "será que pega" passou. O carro saiu, ainda em primeira, mas já, nesta altura, pedindo a segunda.

O "manual" abaixo, assinado por mim e pela Ize, traz algumas diretrizes que podem auxiliar a produção dos textos que integrarão o livro, cujo objetivo é mapear as experiências escolares de overmanos e minas.

Vamos a ele
Beijos e abraços,
Do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 17/9/2007 18:14
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

“Reminiscências de Escola” (título provisório): Diretrizes Editoriais

1- O livro em tela, fruto do trabalho de overmanos e overminas não pertence a A ou B mas ao Overmundo. Se vier a ser publicado em papel, independentemente da remuneração pelo trabalho autoral e editorial, o site deverá ser destacado como seu produtor coletivo.

Por isto mesmo é condição sine-qua-nom para figurar no livro que cada colaboração individual venha a ser publicada – isto é, obtenha mais de 60 votos– no Overblog.

Algumas pessoas ponderaram, e delas não tiramos a razão, que este tipo de texto caberia melhor como “não ficção” no Banco de Cultura. Gostaríamos de obter a compreensão de todos para o fato de que o overblog, com a possibilidade de postagem iconográfica, é muito mais cômodo para o trabalho editorial.

2- O projeto editorial em tela terá tanto maior sucesso, e disto os editores estão cientes, quanto maior for a diversidade (em todos os sentidos que se possa entender) das contribuições recebidas.

Por outro lado, quanto maior for a capacidade dos editores de agrupar as semelhanças, isto é, quanto maior (ou mais evidente) for a lógica interna do livro, maior será o sucesso dos editores.

Por isto estamos pedindo aos colaboradores, sempre na estrita medida do possível, é claro, que procurem nos fornecer os seguintes dados que nos permitam balizar as contribuições:

a) Ano em que a experiência ocorreu;
b) Espaço geográfico em que a experiência ocorreu: estado/município;
c) Informações sobre se a escola era da rede pública ou privada; se da rede privada, se era laica ou religiosa;
d) Informações sobre os prédios escolares;
e) Composição social do alunado;
f) Serão benvindas informações que contribuam para a contextualização da experiência, como por exemplo, dados do município no que se refere ao tamanho, à economia, às políticas de educação...

Com relação às temáticas, como não podia deixar de ser num projeto que trabalha com reminiscências, fica a cargo do(a) colaborador(a) discorrer sobre as experiências que mais lhe marcaram, como por exemplo: grade curricular, metodologias de ensino, relação professor/aluno, disciplina, avaliação, relação escola/comunidade, relação escola/famílias, orientação religiosa da escola, amizade entre alunos, o que mais houver.

3- Com relação à iconografia, quanto mais rica e pertinente ela for, tanto melhor, sendo ideal, quando possível, que ela seja digitalizada num CD. O acesso ao maior número possível de fotos facilita a escolha das melhores e das mais significativas. As fotos antigas, nem é preciso dizer, enriquecem sobremodo um livro de memórias.

4- Ainda não temos, no momento, previsão exata de data para o fechamento do livro, uma vez que isso depende do fluxo de envio dos textos. Mas pensamos em duas possibilidades: 15 de novembro próximo, caso se decida pelo lançamento no Natal ou 15 de janeiro, se decidirmos, o que é mais provável, lançá-lo no início do período escolar de 2008. A data será comunicada no início de outubro.

5- Por ter crescido a nossa responsabilidade – temos que ver cada parte pensando no todo – pedimos paciência conosco se nossos comentários forem muito minuciosos e não propriamente amenos: editor nunca foi flor que se cheire!

6- As contribuições até agora recebidas muito nos alegraram e reforçaram a nossa esperança de que haja ainda muita coisa muito boa por vir.

Mãos à obra!

Overmundo, 16 de setembro de 2007

Joca Oeiras, o anjo andarilho e Ize

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 17/9/2007 18:17
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Joana Eleutério
 

Há mais alguma coisa a dizer sobre seu texto Baduh? Parabéns por todo este sucesso. Bjs.

Joana Eleutério · Brasília, DF 24/10/2007 19:37
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Marcela Ximenes
 

Oi, Joana, há sim: adorei ver (ler) toda essa discussão sobre a leitura/Literatura.
Graças a Deus, sai ilesa do bombardeio de 'leituras obrigatórias'. Nem O Guarani e muito menos Iracema me desiludiram, segui acreditando que um dia seria feliz com um livro. E fui (sou!) com vários, vários! Infelizmente, isso não acontece com muita gente, que acaba criando verdadeiro pavor dos livros. Uma pena!
Faço minha parte do jeitoo que posso, como profissional da Imprensa, como cidadã e, principalmente, como uma apaixonada pela leitura/Literatura.
Parabéns, Baduh!
Pena que não dá para vota mais de uma vez...

Marcela Ximenes · Porto Velho, RO 24/10/2007 21:43
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Joana Eleutério
 

Parabéns, Marcela! Eu também saí ilesa, apesar das leituras obrigatórias até hoje. Estou concluindo Curso de Letras na UnB e fico louca pra ter tempo de fazer minhas leituras (uma lista de livros que só vai aumentando) e agora as publicações overmundanas também. Queria me multipplicar!... Quanta coisa boa por aqui, que ainda não li, ou não o fiz com a devida reverência. Bjs.

Joana Eleutério · Brasília, DF 25/10/2007 09:10
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