mundo, Brasil, modernidade e modernização

IN: JUNIOR, João Ribeiro. O que é positivismo. São Paulo, Ed. Primeiros Passos.
Charge sobre as influências do positivismo no símbolo da bandeira nacional
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francesco napoli · Belo Horizonte, MG
12/7/2008 · 97 · 5
 

Historicamente a modernidade é fruto das revoluções burguesas que colocaram em xeque quase todas as instituições convencionais, não mais a religião como referência da verdade, com seu deus que não conseguiu sustentar o geocentrismo; não mais o rei como um enviado de deus e depois de Luis XVI guilhotinado, o despotismo passou a ser esclarecido. Nietzsche anunciou a morte de deus, Darwin desmistificou a condição humana jogando por terra o criacionismo cristão e Freud cindiu o eu revelando que em nós há outro eu que deseja coisas que nós mesmos reprovaríamos: A terra não é o centro do mundo, o homem não é imagem e semelhança de deus e não tem controle nem sobre si mesmo. A ciência se torna dona da verdade e a laicização do estado separa as esferas pública e privada. Tudo em nome da razão, da técnica e do progresso. A única fé que prevaleceu nos ilustrados é a fé no progresso. O Iluminismo foi o projeto mais ambicioso e mais otimista da história da humanidade: Hobbes se esforçou para mostrar que a necessidade do estado não é religiosa, mas tem fundamentos racionais; Descartes disse que o homem iria dominar a natureza, curar todas as doenças e responder todas as perguntas, Montesquieu mostrou que não é justo que um rei invente a lei, execute a lei e puna quem ele achar que deve e ainda esteja acima da lei, o lema iluminista inclui igualdade, todos estão abaixo da lei constituída pelo próprio povo, por isso a necessidade de três poderes autônomos e não hierárquicos. Voltaire afirma a necessidade do estado laico para que se efetive a liberdade de crença, de expressão: “discordo de tudo o que dizes, mas lutarei até a morte por seu direito de dizeres!” “O mundo só será feliz quando o último padre morrer enforcado com as tripas do último rei!” E as revoluções foram feitas, França, Inglaterra e a Independência Norte Americana. A colonização era um bom negócio, mas a escravidão contrariava todo o discurso iluminista, sobrou a África e as recém unificadas Itália e Alemanha chegam atrasadas na partilha do bolo e não se contentaram com as migalhas, vêm as guerras, toda a técnica acumulada encontra um escopo e as bombas atômicas fecham um ciclo. Cria-se a ONU e aparentemente as guerras esfriam, cai o muro de Berlim e o neoliberalismo tecnocrata prevalece até que as torres encontram aviões e o ocidente, com seu maniqueísmo aprendido em desenhos animados como o super-homem se intitula o bem, em detrimento do oriente, que se torna o mal. Mas o petróleo do ocidente não dá conta do american way of life e a China aprendeu a jogar e pode acabar provando que não é a democracia que gera o tal bem estar social.

Mas e o Brasil? Tudo começou com índias nuas, uma missa e uma carta, depois do tal pau de brasa o jeito foi plantar cana, mas os índios não entendem a lógica do jogo e foi melhor trazer os negros, depois achou-se ouro e Portugal achava que ser rico era acumular ouro, mas na Europa a manufatura já era substituída pela maquino fatura e o ouro das minas gerais acaba nas mãos da credora Inglaterra que financia sua revolução industrial. Enfim essa terra parecia que ia cumprir seu ideal, tornar-se um imenso Portugal, com achegada de Dom João VI, fugindo de Napoleão, Depois vem a independência do Brasil: o único país da América que se torna uma monarquia enquanto a moda era a república defendida pelos ilustrados; o único país do mundo que fica independente e continua governado pela mesma família. Nossa independência não passou de uma briga entre pai e filho, da qual o povo só ficou sabendo depois. Pedro I, desde pequeno sabia que não existe pecado do lado debaixo da linha do equador e seu filho, na velhice concordou em dar passagem para a república, que chegou tarde, liberdade, ainda que tardia... O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão na América.

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MarcilioMedeiros
 

Francesco,
Muito bom. O texto sintetiza grande quantidade de idéias e fatos que devemos sempre ter em mente para entender o presente.
Gostei do ritmo vertiginoso.
Abs,

MarcilioMedeiros · Aracaju, SE 9/7/2008 20:16
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MarcilioMedeiros
 

Francesco,
Abrindo a votação...
Abs,

MarcilioMedeiros · Aracaju, SE 11/7/2008 14:48
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Compulsão Diária
 

;)

Compulsão Diária · São Paulo, SP 11/7/2008 22:12
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Compulsão Diária
 

Texto voragem, pra não repetir o Marcilio.
muito bom

Compulsão Diária · São Paulo, SP 11/7/2008 22:56
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Pedro Monteiro
 

Francesco.
É necessário conhecer a história para refletirmos sobre nossos passos, projetando nosso futuro.
Parabéns por esse belo trabalho.

Pedro Monteiro · São Paulo, SP 16/7/2008 22:04
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