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Museu de Arte Sacra de Oeiras: Elogio da Mesmice

Joca Oeiras e Andre Pessoa (fotos)
As fotos foram tiradas burlando a vigilância: proibição ridícula!
1
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI
24/6/2008 · 152 · 11
 

Um tanto atrasada, a bem dizer, vencida, chegou em minhas mãos a programação da 6º Semana de Museus (12 a 18 de maio de 2008). Tivesse chegado a tempo, no entanto, mesmo assim de nada adiantaria – a não ser que eu viajasse a Picos ou a Teresina, ou saísse do Piauí e fosse a Caxias no Maranhão ou a Sobral, no Ceará, por exemplo – pois, para o Museu de Arte Sacra de Oeiras a Semana passou em brancas nuvens: nenhuma atividade foi programada!

O Museu de Arte Sacra de Oeiras é assim descrito no site do Sistema Brasileiro de Museus:

Histórico do Museu

O prédio foi construído no século XIX, pela família Castelo Branco, e é conhecido pelo nome de Capitão-Mor João Nepomuceno. Pertenceu, ainda, aos Burlamaqui, no ano de 1890, passou a ser residência do Coronel Alano Bezerra. Anos depois, foi adquirido para ser a sede da Intendência Municipal. No ano de 1929 passou a ser o Grupo Escolar Costa Alvarenga e, em 1940, o município de Oeiras doou o prédio para a Diocese, quando foi transformada uma de suas dependências em capela. Hoje é sede do Museu de Arte Sacra de Oeiras (1983).


Histórico da formação do acervo

O Museu de Arte Sacra de Oeiras pertence à Paróquia de N. S. da Vitória de Oeiras. Quase todo o acervo é oriundo de três igrejas: N. S. da Vitória (matriz), N. S. do Rosário e N. S. da Conceição. Uma pequena parte advém de colecionadores. O acervo é composto por imagens de madeira policromada do século XVIII, XIX e XX, varas do pálio, lanternas, crucifixos, castiçais, resplendores e coroas. Uma das dependências foi transformada em capela e nela se encontram várias peças, como bancos, confessionários, genuflexórios, cátedra, algumas imagens policromadas do século XVIII, imagens em gesso e um altar que pertenceu à Igreja de N. S. do Rosário. Em uma das salas, encontram-se paramentos e outros objetos dos bispos que passaram por esta diocese. A maioria das peças ainda é utilizada no período de festas.

Administração: pública/estadual

Sem pretender rivalizar-se com os museus de Arte Sacra da Bahia, de Minas Gerais e, mesmo, o de São Paulo, o acervo do Museu de Oeiras é – como não poderia deixar de ser – consentâneo com as igrejas que deram origem a ele, o que lhe confere, inclusive, maior autenticidade. Trata-se, tanto pelo espaço físico onde está instalado – o sobrado João Nepomuceno é um dos poucos monumentos no Piauí tombado em nível federal – como pelo acervo que preserva, um Museu digno do maior respeito e que tem potencial para despertar o interesse de tantos quantos o visitem, mesmo de pessoas acostumadas a freqüentar este tipo de memorial.

Param aí, no entanto, e infelizmente, os elogios que se podem fazer a ele. Não me admira que, na 6ª Semana dos Museus, formatada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em parceria com a ABM (Associação Brasileira de Museologia) nada fosse programado para ocorrer. Pois nada ocorre nunca lá. Trata-se de um Museu desvitalizado, embora não desvalido, como vimos. Alguém que o visite hoje munido da descrição que transcrevi acima (retirada do site referido) vai reconhecê-la perfeita nos seus mínimos detalhes, pois o que lá existe hoje é a mesma disposicão do acervo que havia 5 anos atrás quando eu o visitei pela primeira vez. Não há exposições temáticas, nenhuma atividade museológica, nenhuma publicação referente a seu acervo, nenhuma possibilidade de se adquirir qualquer souvenir. Trata-se da política de se fingir de morto; quanto menos gente aparecer, melhor, suja menos, dá menos trabalho. Uma lástima!

A gente tem a tendência de crucificar a pobre da moça que toma conta do Museu já que ela é a única cara visível para se bater. Não que ela não tenha a sua parcela de culpa, seu conformismo é evidente, não tem amor ao que faz, não rema contra a maré. Sabe, no entanto, cumprir regras burocráticas absurdas, como a proibição de se fotografar o acervo, sem sequer saber o porquê de tal proibição ridícula. Mas é evidente que os principais responsáveis estão alhures, na FUNDAC (Fundação Cultural do Piauí).

Se você conversar com qualquer gestor da FUNDAC, se compulsar seus documentos publicados ouvirá e lerá que, para a instituição, é palavra de ordem prioritária a DESCENTRALIZAÇÃO DA CULTURA. Em Oeiras, ela possui dois locais que poderiam ser centros irradiadores dessa propalada política: o Sobrado Major Selemérico, restaurado, encontra-se fechado, sem que se vislumbre qualquer sinal de um projeto para sua reabertura como Centro Cultural. Já o Museu de Arte Sacra constitui-se na negação de tudo o que prega a moderna museologia, como podemos ver neste pequeno trecho do texto de apresentação da 6ª Semana Nacional de Museus:

“Os Museus estão em movimento, estão em mudança e desenvolvimento e são, eles mesmos, agentes de movimento, de desenvolvimeto e mudança social...Entre em sintonia com o nosso tema gerador, descubra o mundo de possibilidades que os museus oferecem” Pode ser verdade em outros lugares, mas não aqui no Museu de Arte Sacra de Oeiras. Isso precisa mudar!

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Nota: A bela foto "Visão do Campanario da Igreja Matriz", que ilustra a minha colaboração, de autoria de Adleuza Pacheco, foi adquirida pela OI para figurar num de seus cartões telefônicos de circulação nacional.

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Adroaldo Bauer
 

Vê só Joca. Só se preserva pelo uso. O conceito é até descrito, mas não é praticado. E descentralizar, vivente, só se o faz com a comunidade local envolvida e atuante, sem o que é atirar pérolas a merecedores indevidos, que não fruirão ou não saberão da importância do que se realiza.
Nos museus de artes plásticas, com telas expostas ao público é que são, de praxe proibidas, ou permitidas apenas a distâncias combinadas, as máquinas fotográficas com flash. Porque operam efeitos de mutação nas obras.
Agora, que eu tenha notícia, nenhuma peça de metal, mesmo um livro antigo, ou uma roupa de época, ou que seja de utensílio seriam ofendidos na textura ou consttuição por fotos feitas com flash.
Mas eu sei pouco e pode haver motivo sério, que não a mera transposição de uma regra de uma área para outra que ilustraria um bom exemplo do comportamento burocrático, que ofende até a burocracia, muitas vezes necessária à organização dos serviços.
Apresentas o meu Piauí como poucos, guri.
Um abraço, tchê.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 23/6/2008 18:13
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Sônia Brandão
 

Joca, é muito triste ver tamanho descaso.
E o povo o que é que faz para mudar isso? Se os responsáveis não se mexem, todo mundo tem que gritar, espernear e exigir que as coisas mudem. Um povo que não valoriza sua arte não a merece.
Beijos.

Sônia Brandão · Bauru, SP 23/6/2008 18:37
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Viktor Chagas
 

Oi, Joca,
Excelente o seu texto. Você toca num ponto fundamental, que é a necessidade do empenho dos órgãos locais em fortalecer sua política de incentivo à preservação e à gestão do patrimônio.
Todo o trabalho desenvolvido no Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN tem o objetivo de justamente promover o museu à categoria de uma ferramenta popular, traduzindo-o menos como uma instituição de elite que resguarda a nata de uma cultura e mais como um organismo vivo que apresenta modelos culturais que se articulam e se apropriam.
Assim, o que é interessante é que você compreendeu bem essa visão, que muitas vezes passa despercebida pela maioria dos articulistas: o problema não está sempre na política ministerial, no governo, no Brasil etc, mas no empenho de cada instituição. Na Semana de Museus, por exemplo, o IPHAN está sempre aberto a receber propostas de atividades, basta apenas que os interessados se disponham.
Vale uma olhada na minha materinha de algum tempo sobre a reunião da Rede Museus, Memória e Movimentos Sociais, que, aliás, segue acontecendo periodicamente.
Abraços.

Viktor Chagas · Rio de Janeiro, RJ 23/6/2008 18:47
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Ney Souza Lima
 

OLOCO cara o ELOGIO DA MESMICE merece ser até um título de um livro , parabéns mandou bem não só pelo título mas também pelo testo, é que o seu título já me impressionou logo de cara

Ney Souza Lima · São Jorge do Patrocínio, PR 23/6/2008 20:31
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Doroni Hilgenberg
 

Interessante mesmo o seu texto. É o descaso dos orgãos publicos e das autoridades responsáveis que não se empenham em levar adiante projetos que atinjam a comunidade e também os turistas. Aqui em Manaus, não temos um Museu de Arte Sacra ( não que eu saiba) mas temos o Museu do Indio, e todos os hotéis munidos de guias praticos e competentes, levam os turistas a fazer uma visita neste local e em outros também, é claro. A taxa é simbolica e conhecimento adquirido vale a pena. Até as professoras incentivam e fazem passeios com os alunos visitando os principais pontos turisticos de Manaus para que as crianças, desde cedo adquiram conhecimento de causa. Bjsssss e votos.

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 23/6/2008 21:24
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Andre Pessego
 

São tantas as coisas que o Overmundo vem mostrando ao Brasil, ao Brasil de todos os quilates, que sem ele seria impossível. Como foi impossível até aqui. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar, ao menos,
da riqueza, ou mesmo da existência do Museu.
Obrigado, Joca,
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 23/6/2008 22:40
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Falcão S.R
 

É realmente muito lastimável o descaso com o patrimônio cultural desse país, quando sabemos que um povo sem passado , não tem presente e muito menos futuro. Abraço

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 24/6/2008 03:55
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Nydia Bonetti
 

Sempre preciso, Joca. Beleza de texto. É preciso denunciar...
Abraço
Nydia

Nydia Bonetti · Campinas, SP 24/6/2008 09:31
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Cintia Thome
 

Essa mocinha conformada que vc descreve já vi em muitos lugares, cumpre horário, ganha pouco (muito pelo que trabalha) e às vezes despreparada até para entender os objetos que estão no Museu...e digo mais, o visitante é um chato,
um invasor do sossego, rs Deveria ter mais divulgação sobre Museus das cidades brasileiras e "maior" respeito com o patrimônio.ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/6/2008 19:05
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stefano ferreira
 

Seria interessante se a Fundação Cultural do Estado do Piauí, orgão do governo estadual responsável pelo Museu de Arte Sacra de Oeiras, se manifestasse sobre o assunto, pois seu maravilhoso texto, já foi publicado na Confraria de Oeiras, aqui no Overmundo e em outros sites da nossa cidade.
Até agora ninguém deu satisfação.

stefano ferreira · Oeiras, PI 30/6/2008 01:41
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

pois é! e a postura continua a mesma:
Enquanto isso, em Oeiras... continuam proibindo fotos do Museu de Arte Sacra.
Museu arqueológico Penn vai digitalizar todo acervo na web
Enviado por: "Marcos Miranda" souza.miranda@terra.com.br souza.miranda
Qui, 10 de Jul de 2008 7:44 am
Museu arqueológico Penn vai digitalizar todo acervo na web
O museu de arqueologia e antropologia da Universidade da Pensilvânia quer se
modernizar para o século 21 através de um plano ambicioso para dividir seus
tesouros com o mundo via internet.

O museu, líder nacional e internacional em seu segmento desde a fundação, em
1887, vai começar a criar, em setembro, uma "espinha digital" na qual seu
acervo de cerca de 1 milhão de objetos vai ser catalogado na internet.

Segundo o novo diretor do museu, Richard Hodges, a idéia é abrir a coleção
para estudantes, pesquisadores e para o público em geral no mundo inteiro,
pois 95% do acervo não está em exibição.

A criação do catálogo virtual vai fornecer acesso inédito a objetos que
representam a herança cultural de civilizações visitadas pelas expedições
arqueológicas do museu nos últimos 121 anos.

O projeto, cujo custo é estimado em US$ 7 milhões a US$ 10 milhões, deve
levar três anos para ser concluído.

"No museu Penn, temos um depósito extraordinário de heranças culturais",
disse Hodges. "Temos a obrigação de liderar o trabalho de professores,
organizações educacionais e países emergentes para descobrir e, às vezes,
reclamar a herança cultural".

Entre os artefatos a ser digitalizados, estão os tesouros das tumbas reais
de Ur, no Iraque e uma coleção famosa da civilização suméria de 2500 a.C,
descoberta em uma expedição conjunta do museu Penn e do arqueólogo britânico
C. Leonard Woolley, em meados dos anos 1920.

O novo catálogo digital vai incluir também objetos da escavação de um
cemitério pré-colombiano no Panamá, nos anos 1940. Esta coleção, exibida em
2007, contém 120 artefatos de ouro, incluindo condecorações, ornamentos para
nariz, objetos de marfim e pedras semipreciosas.

Apesar dos artigos mais famosos estarem expostos no museu, a maioria é
mantida em prateleiras e armários de temperatura controlada, escondidas nos
labirintos do porão.

Hodges também planeja digitalizar os registros arqueológicos das centenas de expedições que levaram os artefatos à Filadélfia. Entre eles, estão cadernos repletos de relatos sobre as escavações das ruínas maias de Tikal, na Guatemala, entre 1956 e 1970. (Fonte: Estadão Online)

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 10/7/2008 20:10
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O Sobrado João Nepopuceno ( Museu de Arte Sacra) visto do Campanario da Matriz zoom
O Sobrado João Nepopuceno ( Museu de Arte Sacra) visto do Campanario da Matriz
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